terça-feira, 7 de abril de 2009

O Perfeito Esperto Latino-Americano

Mídia Sem Máscara

Lula não sabe disto, nem gostaria de saber, mas foram os loiros de olhos azuis europeus que inventaram os totalitarismos genocidas do século XX e produzem e vendem armas, inclusive urânio enriquecido, para alimentar a fúria das teocracias muçulmanas atuais, e depois fingem de aliados de Israel.

A culpa é dos brancos de olhos azuis. Você já viu um banqueiro negro ou índio?
LULA

Lula foi imensamente criticado por ter dito estas palavras: racista, ignorante, mal-educado, inconveniente, anti-diplomático! Não concordo com nenhuma destas acusações e contraponho: esperto!

No início eu também me deixei enganar por este erro de avaliação muito perigoso: confundir ignorância e incultura com burrice ou estupidez. Lula é ignorante e inculto, jamais burro ou estúpido. É de uma esperteza atroz! Não, Lula não é inteligente, esperteza não é inteligência. Um sujeito inteligente, tão logo galgou os degraus da fama como líder sindicalista e passou a ganhar razoavelmente bem, trataria de estudar e fazer um curso superior ou ao menos profissionalizante, como muitos outros fizeram e hoje são advogados, médicos, engenheiros, etc. Lula não, espertalhão, percebeu logo a vantagem da ignorância num país de ignorantes. Inteligência e esperteza não se excluem, como demonstrou seu mestre Golbery do Couto e Silva, que anteviu nele o líder operário que podia fazer frente aos comunistas e aos pelegos do sindicalismo. Lula foi seu discípulo e, como freqüentemente (com trema!) acontece, o aprendiz superou o mestre.

No xadrez da política Lula é um Grande Mestre que sabe a hora certa de oferecer um gambito (em xadrez gambito é uma abertura em que se oferece uma peça, geralmente um peão, tendo em vista o ganho de tempo para um melhor desenvolvimento ou a obtenção de outras vantagens). Nosso Grande Mestre difere dos seus “colegas” enxadristas porque seus movimentos não são devidos ao árduo estudo de técnicas. Age intuitivamente oferecendo uma peça aparentemente valiosa para ganhar logo a seguir muito mais. O caso em apreço foi um legítimo gambito de Dama, jogada arriscada, mas perigosa para o adversário. Resultado: os adversários comeram o peão, mas deixaram a Rainha desprotegida, e ele foi lá e, pimba!, sentou ao lado dela na foto do G20! Xeque! E no lugar de honra, pois o lado direito é privativo do Primeiro Ministro de Sua Majestade.

Falando no gajo, ele também é uma boa bisca, talvez por isto nosso Mestre o escolheu: é o líder do PT inglês, o partido que estraçalhou a economia britânica no pós-guerra por meio de maciças estatizações baseadas nas mais caras teorias comunistas, criação de impostos sobre grandes fortunas e propriedades, arrasando com a pequena nobreza rural e arrastando com ela os trabalhadores do campo, provocando emissão crescente de moeda para investimentos “sociais” para “salvar” os pobres desempregados por eles mesmos, aumentando exponencialmente a burocracia e seus salários, com a inevitável desvalorização da Libra Esterlina. Querem mais PT do que isto?

O golpe final deste gambito foi a declaração de Mr. Brown – que, apesar do nome é branco de olhos azuis – quando declarou que Lula teria dito em particular que sempre culpou os outros, agora que era Presidente tinha que culpar a “elite” do primeiro mundo. Se seu objetivo era fazer Lula de bobo, como constou, mas eu não acredito, conseguiu um efeito oposto: tirou de Lula a pecha mais abominável de todas, a de racista. Então, Lula é apenas um idiota, mas não parece que a Rainha o tenha contratado como bobo da corte, hábito há muito abandonado pelas monarquias por ser politicamente incorreto.

* * *

Alguns aspectos do caso merecem consideração mais profunda.

1. A frase foi dita depois que o texano de olhos azuis entregou as chaves da Casa Branca a um negro de olhos escuros, que intimamente vibrou com a afirmação que ele mesmo gostaria de fazer, mas que num país sério levaria à perda do mandato. Notaram o largo sorriso do Obama, atrás do Lula, posição que é uma óbvia desfeita ao maior aliado – pelo menos por enquanto? E as efusivas declarações “este é o cara, o político mais popular do mundo”! Dirão que Lula bancou o palhaço ao aceitar ser tratado com deferência pela “zelite” global. Discordo veementemente: este bando de ricaços imbecis adora Paulo Coelho e o convida anualmente para dar suas opiniões “mágicas” em Davos, o que é pior ainda do que aplaudir Lula! E o toque final foi Sua Majestade abraçando a Michelle e rompendo com um protocolo milenar!

2. Lula estava errado? A culpa da crise atual não está exatamente na Meca dos loiros de olhos azuis endinheirados, Wall Street? Quanto aos banqueiros internacionais serem brancos, por acaso não é verdade? Andaram circulando fotos de um CEO negro de importante banco americano. Mas Chief Executive Officer não é banqueiro, é um empregado dos verdadeiros banqueiros, os proprietários dos bancos. Um Executivo é contratado para executar as decisões tomadas pelos donos e pode ser despedido a qualquer momento. E quando se aposenta não leva o banco consigo, só aqueles que servem para sentar. Merval Pereira, lulista de carteirinha, na ânsia de mostrar-se indignado, citou um banqueiro de Mumbai, confundindo gregos com troianos - perdão, índios com indianos, num ridículo retorno a Colombo! É verdade que alguns índios americanos já são grandes empresários – o Hard Rock Cafe foi comprado por uma tribo de Oklahoma. Mas bancos, não.

3. Lula não sabe disto, nem gostaria de saber, mas foram os loiros de olhos azuis europeus que inventaram os totalitarismos genocidas do século XX e produzem e vendem armas, inclusive urânio enriquecido, para alimentar a fúria das teocracias muçulmanas atuais, e depois fingem de aliados de Israel. Foram os ascendentes de Mr. Brown e da Rainha – e de Sarkosy - que inventaram o narcotráfico ao inundar a China de ópio para tornar os chineses dóceis e faze-los aceitar os famosos “negócios da China”. E cada tentativa séria do Império do Meio de cortar o tráfico era respondida com guerras, duas delas extremamente devastadoras e humilhantes.

4. As palavras de Lula não se dirigiam aos intelectuais que agora o criticam, sua fala se dirigia a três alvos principais:

- o público interno, seu eleitorado cativo, que adora ouvir falar mal dos “gringos” e já está alardeando a importância com que foi tratado pela “zelite” aquele retirante nordestino pobre que se transformou em estrela da política internacional. Quem o critica não conhece, como ele, a força do ódio invejoso que move multidões. Se o ódio explorado por Hitler era contra os judeus, o de Lula é a “zelite”, os ricos e famosos tupiniquins que o financiam, e a gringada loira de olhos azuis;

- os não-brancos e pobres do “terceiro mundo”, de quem Lula já é um herói, o igual a eles que fala de igual para igual com os poderosos do mundo;

- e, finalmente, o masoquismo dos ricos loiros de olhos azuis que, seja por que razão for – talvez culpa pelos horrores da colonização e por viverem melhor – adoram as agressões dos lulas da silva.

* * *

Enquanto isto as “oposições” ficam criticando o acessório, sem ver o essencial, criando ações inócuas como a dos Cansados e dos 16% (que fim levaram? Já cansaram também?). Fico com Sun Tzu: “Quem conhece sua força e não a do inimigo tem metade das chances de perder a batalha”. Só metade?

O velho Chico: Buarque não vai além dos clichês em novo romance

Mídia Sem Máscara

A sociedade brasileira que Chico Buarque apresenta foi extraída dos velhos manuais de historiografia e sociologia marxista, escritos pelo pai do autor, por Caio Prado Jr. e Florestan Fernandes. Nada acrescenta a elas, além da linguagem da ficção, mas se trata de uma ficção que não ilumina nenhum aspecto da realidade.

É possível babar (e não chorar) pelo leite derramado? Sim, se o Leite derramado em questão for o romance de Chico Buarque de Hollanda. A imprensa paulista derramou litros de baba e tinta por ocasião do lançamento do livro, em 28 de março. O Caderno 2, de O Estado de S. Paulo, cedeu à obra sua capa e mais quatro páginas encomiásticas. A Ilustrada, da Folha, foi pelo mesmo caminho e a Veja também, embora bem mais parcimoniosa nos elogios.

Há um motivo propriamente literário para tudo isso? Não. Leite derramado não é nenhuma obra-prima. É um texto mediano. Torna-se um acontecimento cultural no país simplesmente pelo fato de ter sido gestado pela testa de Chico Buarque, que é uma unanimidade nos meios acadêmicos e nos meios de comunicação nacional. Meios onde impera a mentalidade esquerdista e um corporativismo desbragado. Vale a pena, portanto, comentar não só o Leite derramado como as críticas que lhe saíram na imprensa – e chorar por ambos.

Leite derramado pretende traçar um panorama da história social do Brasil a partir do discurso de um decadente representante das nossas elites que, centenário e moribundo, estaria a ditar suas memórias para uma enfermeira do hospital onde se encontra. O personagem narrador pretende ser, de fato, uma caricatura do burguês aristocrata brasileiro. Pelos cacoetes pretensiosos e autoritários que seu discurso trai, iriam se revelando as mazelas dessa elite, bem como as que ela impôs ao nosso povo – as classes dominadas, exploradas.

É muito significativo disso o desejo que o narrador, Eulálio d’Assumpção, sente por Balbino, “um preto meio roliço”, filho de um criado da família e que foi seu amigo de infância. Sobre ele, relata Eulálio, no capítulo 4:

“Durante um período, para você ter uma idéia, encasquetei que precisava enrabar o Balbino. Eu estava com dezessete anos, talvez dezoito, o certo é que já conhecia mulher, inclusive as francesas. Não tinha, portanto, necessidade daquilo, mas do nada decidi que ia enrabar o Balbino. [...] Só me faltava ousadia para a abordagem decisiva, e cheguei a ensaiar umas conversas de tradição senhorial, direito de primícias, ponderações tão acima do seu entendimento, que ele já cederia sem delongas”.

Ora, essa imagem de o rico querer literalmente – desculpem – foder o pobre fala por si. Eu disse, portanto, que o livro pretende, porque não chega efetivamente a realizar seu objetivo. Desde seu próprio nome, a que o apóstrofe e o pê mudo devem atribuir distinção, antiguidade e nobreza, Eulálio d’Assumpção é a caricatura não da elite, mas de um estereótipo da elite e nada mais do que isso. A sociedade brasileira que Chico Buarque apresenta foi extraída dos velhos manuais de historiografia e sociologia marxista, escritos pelo pai do autor, por Caio Prado Jr. e Florestan Fernandes. Nada acrescenta a elas, além da linguagem da ficção, mas se trata de uma ficção que não ilumina nenhum aspecto da realidade.

O problema não está em que nossas elites não mereçam críticas e caricaturas. Merecem sim, sem dúvida nenhuma, porém críticas e caricaturas que a espelhem de fato e lancem alguma luz sobre sua alma e sobre a alma do país. É possível ser marxista e fazer uma literatura analítica e penetrante, sem recorrer a clichês sociológicos. Estão aí São Bernardo e Vidas Secas, de Graciliano Ramos, como evidência disso, mas vamos adiante.

Não se pode deixar de comentar a pretensão machadiana do texto de Chico Buarque que é somente isso: pretensão, pois, em termos de estilo, sua linguagem não consegue atingir a graça e a elegância do autor de Dom Casmurro. E se Matilde, a amada do narrador de Leite derramado, tem, sim, um quê de Capitu e sua relação com Eulálio é análoga à daquela com Bentinho, não há nisso mais do que uma justa homenagem ao bruxo do Cosme Velho. No mais, Chico, por causa de sua sociologia barata, está mais para nossos naturalistas menores, como Adolfo Caminha e Júlio Ribeiro, no sentido de que como eles – e muito ao contrário de Machado – é esquemático e determinista.

Agora, vale a pena passar em revista a crítica recebida por Leite Derramado.

Roberto Schwarz, o autor de As idéias fora do lugar, tem, como se sabe, as idéias fora do tempo... É um frankfurtiano ortodoxo, que muito se orgulha dessa condição. Nem por isso deixa de ser um erudito e, portanto, é impossível que leve o romance de Chico a sério. Quando diz, logo no início de sua resenha, que Leite derramado é “divertido”, faz seu julgamento de valor definitivo.

Não chegará a elogio maior do que esse ao longo de toda a sua análise. Quando muito suas últimas palavras qualificam o romance como uma “soberba lufada de ar fresco” no panorama literário brasileiro de hoje. Ora, trata-se de um meio elogio, no caso um discípulo de Benjamin e Adorno, como Schwarz, para quem a obra de arte deve ser muito mais do que mera diversão. E um meio elogio que só é feito por corporativismo esquerdista, pois o deleite do crítico está no fato de os Assumpção irem, como ele diz, “cumprindo o seu papel de classe dominante, europeizadíssimos e fazendo tudo fora da lei”.

Quanto às críticas de Augusto Massi e de Samuel Titan Jr., ambos da USP, diga-se que elas não têm o mínimo compromisso de ajudar o leitor aprofundar-se na compreensão do romance, compromisso sem o qual a crítica literária não serve para nada. Os dois fazem elucubrações vagamente elogiosas que mais visam a exibir a sensibilidade intelectual e a capacidade de raciocínio deles mesmos do que a abordar seu objeto de análise.

Massi ainda tem o desplante de terminar seu ensaio com um trocadilho alusivo ao título da obra do pai do autor: “Ao revirar pelo avesso ideologias entranhadas fundamente em nossos hábitos cotidianos, talvez ele [Chico] avance rumo às raízes do Brasil”. É uma brincadeirinha cretina que fica no mesmo nível da do redator da Ilustrada, que chamou Chico Buarque de “o bruxo do Leblon”, multiplicando por dez a distância que separa este bairro do Cosme Velho...

Enfim, das críticas que li, prefiro a de Eduardo Gianetti da Fonseca, que dá conta de fazer uma síntese bem feita do romance e de elogiá-lo com mais economia. Gianetti destaca as “soluções felizes de linguagem espalhadas como dádivas pelo texto”. Mas deixa clara a falta “de ao menos um personagem com o qual se possa ter um vínculo de empatia. Os Eulálios senhoriais são calhordas; os Balbinos da estirpe servil [...] e Matilde não tem vida interior”. E arremata com precisão: “A sociologia festeja, mas a filosofia rasteja”. É isso mesmo. Essa é a história da estética marxista.

http://observatoriodepiratininga.blogspot.com

Tributação e Sonegação

Mídia Sem Máscara

Um mentecapto como Mauro Ricardo fala uma grande tolice dessa – profanando a própria cruz sagrada com seu totalitarismo fiscalista – e não recebe uma única palavra de crítica da mídia. Ao contrário, a Veja lhe dá um grande destaque, como se o publicano paulista fosse um campeão da moralidade pública.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Jesus Cristo

Na sexta-feira, a Folha de São Paulo trouxe matéria em que o secretário de Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Costa, afirmou que a pena de 94 anos de prisão imposta a dona da DASLU, Sra. Eliana Maria Tranchesi, foi pequena. Segundo a reportagem da Folha, ele teria dito que quem sonega “deveria ser pregado na cruz”, como o próprio Jesus Cristo foi.

Na mesma linha, a revista Veja que chegou às bancas traz reportagem em destaque sobre o mesmo assunto, intitulada “Sonegar é roubar”, referindo-se também à fala do Mauro Ricardo Costa. Quem é esse senhor? Um integrante de carreira da Receita Federal que teve o mérito de se juntar desde cedo ao clã político de José Serra, vitorioso há décadas, desde a época de Franco Montoro. Serra, por sua vez, representa a social-democracia em sua ala esquerda, cuja principal crença é fazer do Estado um instrumento de distribuição de renda. Então temos aqui o motivo do disparate proferido pelo secretário: o cobrador de impostos colocado a serviço a esquerda da Terceira Via, ala política que quer fazer a reengenharia social pela distribuição de renda.

Nem a Folha de São Paulo e nem a revista Veja fizeram qualquer reparo à violenta e totalitária (e blasfema) afirmação de Mauro Ricardo Costa. Então faço eu, que tenho obrigação para com você, meu caro leitor. Nessas duas notas jornalísticas entendo conter o resumo da loucura que tomou conta dos governantes e da sociedade brasileira: a perda do senso do real, o abandono do senso de proporções. Nossa gente foi tornada escrava do Estado e, pior, o Estado ganhou dimensões policialescas e totalitárias sem que a grande imprensa diga coisa alguma contra essa aberração.

Sonegação é crime? Antes de responder a isso precisamos discutir qual é a fonte do Direito e a sua relação com o marco jurídico vigente. A fonte última do direito é transcendente e está na lei natural, que entre outras coisas, coloca ao homem a sacralidade da propriedade privada, da vida, e da liberdade. Se aceitarmos isso como verdadeiro – e os grandes homens de todos os tempos o fizeram – então pode-se dizer que sonegação só é crime se o marco jurídico estabelecido respeitar o direito natural e o direito natural pressupõe a vigência da instituição do Estado Mínimo, a tributação mínima. Não é tarefa do Estado fazer redistribuição de renda por meio da taxação. A própria taxação excessiva, além da necessária para que o Estado proveja aquilo que lhe compete para o bem comum, é roubo puro e simples.

Logo, os pagadores de impostos sujeitos ao que chamo de supertributação são vítimas de roubo e o Estado passa a ser o Grande Ladrão, portanto o grande criminoso. Então só podemos afirmar que sonegação é crime, para além do que está escrito nos códigos, apenas se estes estiverem em consonância com a lei natural, se a lei natural estiver expressa no corpo positivado de leis. O gesto de sonegação poderá até mesmo ganhar ares de heroísmo, de resistência contra o arbítrio estatal, em certas circunstâncias. Na nossa história temos a figura heróica de Tiradentes, que deu a vida contra o abuso tributarista da Coroa portuguesa. Não por acaso Tiradentes é uma figura venerada, um dos pais da nossa Nação.

É típico das mentes deformadas pelo estatismo em suas diversas variantes colocar o poder de Estado acima dos indivíduos e mesmo acima de Deus. Quando Mauro Ricardo Costa afirmou que Eliana Tranchesi “deveria ser pregada na cruz” verbalizou essa alucinação dos poderosos dos nossos tempos, em que o Estado deixou de ser uma mera ferramenta para a prática do bem comum para ser um fim em sim mesmo, contra as pessoas, contra o bem comum. O roubo estatal é tido como seu oposto, uma virtude, e a revolta contra esse roubo é tida como o mais hediondo dos crimes. Uma aberração moral.

É nisso que dá ter entregue o poder de Estado a esses fariseus messiânicos da estirpe de Mauro Ricardo e sua laia. O Estado policialesco e totalitário que temos visto emergir nos últimos anos não é obra apenas do PT e de Lula. Ele é resultado também da ação dessa gente, como Mauro Ricardo, que nunca fez outra coisa na vida que não extorquir os cidadãos que trabalham e gastam o produto do seu butim nefando nos arbitrários orçamentos públicos produzidos por eles mesmos.

A imprensa é cúmplice nesse processo, ela que é também sócia do Erário, na medida em que é contemplada com vastas verbas de publicidade estatal, em todas as esferas. Como ser contra o pagador de tudo, o Estado? Como defender a vítima do roubo estatal, o cidadão desamparado, o contribuinte? Um mentecapto como Mauro Ricardo fala uma grande tolice dessa – profanando a própria cruz sagrada com seu totalitarismo fiscalista – e não recebe uma única palavra de crítica da mídia. Ao contrário, a Veja lhe dá um grande destaque, como se o publicano paulista fosse um campeão da moralidade pública.

Não posso julgar os atos da senhora Eliana Tranchesi, mas sei, sem estudar os processos, que ela é vítima dessa lei positiva injusta, abusiva, totalitária. Sei também que ela tornou-se objeto da fúria de gente como Mauro Ricardo, que nunca trabalhou na vida de forma produtiva. Ele passou sua burocrática existência espoliando os bens e a renda dos que trabalham, praticando o mal lógico. Se alguém merece ira para a cruz são os publicanos que não têm a dimensão imoral de suas funções.

Não custa lembrar aqui que publicano é o termo antigo usado na Bíblia para cobradores de impostos, a gente mais odiada de todos os tempos. Como Mauro Ricardo.

A História tem dois lados

Segunda-feira, Abril 06, 2009

Coturno Noturno

Quantas vezes você leu, ouviu e assistiu a terrível história de Vladimir Herzog e o seu "suicídio" dentro de uma cela do DOI-CODI? Quem não lembra da foto tétrica da sua morte que foi usada como ícone insubstituível pela esquerda anistiada, para tomar o poder usando a via democrática, depois de ver derrotada a sua opção pelo terrorismo assassino e a luta armada? Vladimir Herzog era jornalista, tinha dois filhos, era militante do PCdoB e casado com Clarice Herzog. Tão jornalista quanto o secretário do governo de Pernambuco Edson Regis de Carvalho, casado e pai de cinco filhos, que morreu não com uma corda do pescoço, mas com um rombo no abdômen, na explosão de uma bomba colocada no Aeroporto de Guararapes, Recife, destinado a matar o então presidente Arthur da Costa e Silva e tantos quantos inocentes houvesse à sua volta. Que diferença existe entre estes dois pobres jornalistas? Um de esquerda, o outro não sei de qual tendência. E isto importa? Sabe quem é o principal suspeito de ter colocado a bomba que matou o jornalista, mais um almirante e feriu várias pessoas? Ricardo Zaratini Filho, depois deputado federal pelo PT de São Paulo, que se orgulha do seu passado terrorista. Alguma vez você leu uma reportagem sobre o jornalista Régis, assassinado pela grupo terrorista da Dilma? Alguém alguma vez ouviu a "Clarice" do jornalista Régis ou um dos seus cinco filhos, para saber o que pensam eles sobre o terrorismo no Brasil? Entenderam o dano histórico que esta esquerda calhorda, assassina e sanguinária causou à memória do Brasil? Entenderam por que este Blog vai ostentar os crimes desta gentalha canalha, o quanto puder, mostrando a história verdadeira para os seus leitores?

Coronel

Como implantar o maravilhoso mundo socialista?

Movimento Endireitar

Escrito por Wellington Moraes

Sáb, 04 de Abril de 2009 12:00

Como implantar o socialismo ou "Um outro mundo é possível" (por Karl Marx e Friedrich Engels)

"Os comunistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus fins. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente. Que as classes dominantes tremam à idéia de uma revolução comunista!" (Manifesto Comunista, 1848)

“só existe um modo pelo qual as agonias assassinas de morte da velha sociedade e o nascimento sangrento da nova sociedade pode ser encurtado, simplificado e concentrado, e esse modo é o terror revolucionário.” (The Victory of the Counter-Revolution in Vienna, 11/07/1848)

"Somente pelo mais determinado terrorismo contra os povos Eslavos nós poderemos, juntamente com os poloneses e húngaros, assegurar a Revolução. ... Então haverá uma luta, uma luta de vida-e-morte inexorável com o Eslavismo que trai a revolução; uma batalha de aniquilação e terrorismo cruel - não nos interesses da Alemanha, mas nos interesses da Revolução!" (Democratic Pan-Slavism, 1849)

“... Entre todas as grandes e pequenas nações da Áustria, somente três lideranças do progresso tiveram uma parte ativa na história e retêm ainda sua vitalidade – Alemães, Poloneses e Húngaros. Por isso eles são revolucionários.

Todas as outras grandes e pequenas nacionalidades e povos estão destinados a perecer num futuro próximo na tempestade revolucionária mundial. Por esta razão eles são contra-revolucionários.

... A próxima guerra mundial resultará no desaparecimento da face da terra não somente das classes e das dinastias reacionárias, mas também de todos os povos reacionários. E isso, também, é um passo adiante.” (The Magyar Struggle, 1849)

"Longe de opor-se aos chamados excessos, aos exemplos de vingança popular sobre indivíduos odiados ou edifícios públicos aos quais só se ligam recordações odiosas, não só há que tolerar estes exemplos mas tomar em mão a sua própria direcção." (Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas, 1850)

"... para poderem opor-se enérgica e ameaçadoramente a este partido ... têm os operários de estar armados e organizados. Tem de ser conseguido de imediato o armamento de todo o proletariado com espingardas, carabinas, canhões e munições;" (Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas, 1850)

"[Devemos]... Obrigar os democratas a intervir em tantos lados quanto possível da organização social até hoje existente, a perturbar o curso regular desta, a comprometerem-se a concentrar nas mãos do Estado o mais possível de forças produtivas, de meios de transporte, de fábricas, de caminhos-de-ferro, etc." (Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas, 1850)

“Uma revolução é certamente a coisa mais autoritária que existe; é o ato pelo qual uma parte da população impõe a sua vontade sobre a outra parte por meio de fuzis, baionetas e canhões [...]; e se o partido vitorioso não deseja ter lutado em vão, deve manter esta prática por meio do terror que suas armas exercem nos reacionários.” (On Authority, 1872)


Um exemplo da bondade socialista: O extermínio dos ucranianos pelos comunistas

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A Síndrome do Caranguejo

A fase em que nossa economia mais cresceu foi exatamente a década de 70, ou seja, em plenos “anos de chumbo”, para usarmos uma expressão que as esquerdas gostam de aplicar ao Brasil, ao mesmo tempo em que propositalmente deixam de aplicar a Cuba.


Entre os anos de 1946 e 1908 o PIB real brasileiro cresceu à média anual de 5,3%, uma das mais altas dentre todos os países do mundo, conforme ilustra o gráfico abaixo:

http://www.midiasemmascara.org/images/stories/artigos/pib_taxa_crescimento.jpg

Embora os números e o gráfico revelem, entre outras coisas, que, mesmo com todos os defeitos que possuímos, somos uma economia – e um país – com muitas potencialidades, eles nos mostram também que a partir do início dos anos 80, logo após o segundo choque do petróleo e o choque da taxa de juros internacional (ambos ocorridos no final dos anos 70), perdemos o rumo do crescimento autossustentado. Embora em 1994 e nos últimos anos, já no governo Lula (mais especificamente desde 2004), tenhamos logrado nos manter perto da média histórica, isto não vai acontecer neste ano de 2009, face aos problemas mundiais que todos conhecemos e que vão reduzir inexoravelmente nosso crescimento em 2009, segundo a maioria das estimativas, para algo entre 0 e 1,5%.

O gráfico seguinte conta a mesma história, retratando a evolução do PIB entre 1946 e 2008, com a base do índice em 1946:

http://www.midiasemmascara.org/images/stories/artigos/pib_1946-2008.jpg

Já o gráfico abaixo mostra o que acontece quando comparamos o desempenho de nossa economia com o da economia mundial, a da América Latina, a da China e a Índia, entre 1964 e 2008, ou seja, durante os anos em que os militares nos governaram: vemos que naquele período, disputávamos o “campeonato mundial de crescimento” com a China e que crescíamos bem acima das economias da Índia, da América Latina e do mundo, especialmente na segunda metade dos anos 70, mesmo após o primeiro choque do petróleo:

http://www.midiasemmascara.org/images/stories/artigos/pib_regioes_comparado_1968-1990.jpg

Se, entretanto, analisarmos o período 1985/2008, veremos como fomos ficando para trás em relação às outras economias emergentes, à economia mundial e até à da própria América Latina, como demonstra o gráfico seguinte, construído com índices com base no ano de 1984:

http://www.midiasemmascara.org/images/stories/artigos/pib_regioes_comparado_1980-2010.jpg

Podemos extrair várias observações a partir desses dados simples, extraídos todos de fontes idôneas e bem conhecidas, como o IBGE, o IPEA, a FGV, o FMI e outras. Para não me alongar, vou citar apenas algumas dessas lições:

1.Desde o início dos anos 80, a economia brasileira vive a “síndrome do caranguejo”: andamos para trás em termos relativos, como se tivéssemos sido rebaixados para a segunda divisão do campeonato mundial de crescimento do PIB;
2.A fase em que nossa economia mais cresceu foi exatamente a década de 70, ou seja, em plenos “anos de chumbo”, para usarmos uma expressão que as esquerdas gostam de aplicar ao Brasil, ao mesmo tempo em que propositalmente deixam de aplicar a Cuba;
3.Depois da metade dos anos 80, a China passou a nossa frente e foi-se distanciando cada vez mais de nós, na medida em que promovia a abertura de sua economia e aderia paulatinamente a algo próximo de uma economia de mercado (mesmo sendo uma “república de chumbo” desde 1948);
4.Também a partir de meados dos anos 80, na medida em que foi modernizando a sua economia, especialmente com investimentos em educação e tecnologia, a Índia nos ultrapassou e foi aumentando a distância em relação ao Brasil;
5.Nos anos 90, passamos a crescer abaixo do PIB mundial, depois de longos anos crescendo acima de sua média;
6.Nos últimos anos, passamos a crescer a taxas semelhantes à da América Latina, uma das regiões de menor crescimento no contexto global.

O que explica essa “marcha do caranguejo”, verificada em nossa economia? Por que “caímos para a segunda divisão” e nela insistimos em permanecer, apesar de toda a propaganda – nisto eles são bons! – do governo Lula?

Primeiro, porque democracia política não significa crescimento garantido, conforme se acreditava inocentemente na época das “Diretas Já”: à medida que caminhávamos para a desejada democracia política, afastávamo-nos cada vez mais da democracia econômica, chegando a cometer o crime de cinco congelamentos de preços e de quatro moratórias externas, todos de triste memória. Liberdade política sem liberdade econômica é uma combinação que pode funcionar durante algum tempo, mas que fatalmente está condenada ao fracasso, como demonstraram magistralmente Friedrich Hayek, Milton Friedman, Douglas North e tantos outros economistas e cientistas sociais, assim como liberdade econômica sem liberdade política é um mix que incorre no mesmo problema e que, mais dia menos dia, levará a China a ter que optar ou por ambas as liberdades (se desejar continuar crescendo às altíssimas taxas que vem obtendo) ou pela supressão das duas, o que a conduzirá rapidamente de volta à pobreza.

Segundo, porque o crescimento autossustentado nada mais é do que uma ampliação contínua na capacidade de geração de oferta, ou capacidade produtiva, o que apenas é possível quando a poupança é aplicada em investimentos para a formação de capital físico, humano e tecnológico. A relação entre o investimento bruto total e o PIB, que era de 25% entre 1948 e 1980, caiu para 22% entre 1981 e 1990 e reduziu-se ainda mais, para 19%, a partir de então. Ora, sem poupança, não há investimentos e sem estes é impossível haver crescimento! Todos sabem que a poupança interna privada no Brasil é quase que inteiramente canalizada para o financiamento do déficit nominal do governo e que a poupança do governo é negativa, pois ele opera insistentemente com déficits. E, pelo noticiário recente, não pretende cortar suas despesas de custeio, que representam o grande x de nossos problemas, inclusive o das elevadíssimas taxas de juros.

Terceiro, sabemos que o crescimento depende de estímulos ao trabalho e à livre iniciativa, de capital humano (educação e saúde), de segurança, de regras estáveis e de boas instituições, tais como leis parcimoniosas e justas, garantias aos direitos individuais de propriedade, carga tributária razoável, estrutura de impostos simples, leis trabalhistas modernas e flexíveis, burocracia baixa e profissionalizada, política externa inteligente e afastada do “terceiro-mundismo” e de um Estado enxuto, embora forte em suas funções clássicas, entre outras. Infelizmente, nenhuma dessas condições prevalece no Brasil. Pior ainda, se já não existiam a partir do início dos anos 80, foram-se agravando, especialmente no atual governo.

Conclusão: PRECISAMOS REALIZAR AS REFORMAS INDICADAS NO PARÁGRAFO ANTERIOR! O resto é conversa para boi dormir. De minha parte, posso assegurar que não sou boi e nem estou com sono. E, também, que já estou cansado de ver o país perder sucessivamente as oportunidades de transformar-se naquilo que sempre desejei que viesse a ser.

BRASIL SEC XX - DA PERIFERIA A POTÊNCIA EMERGENTE – 1

03/04

A verdade sufocada

Ternuma Regional Brasília
Agnaldo Del Nero Augusto - General de Divisão Reformado

Versão sintética de um período importante da história do país, destinada aos jovens, impregnados pela Mitologia Histórica, criada pelos comunistas, em substituição à Memória Nacional por eles deturpada. No início e meados do século XX, nosso País teve que enfrentar muitas dificuldades para manter a democracia e para vencer as barreiras que se opunham ao seu desenvolvimento, a fim de tirá-lo da posição marginal que vinha ocupando na história e torná-lo – ao contrário do que parecia ser o destino dos países periféricos – um país viável. Se refletirmos sobre essa proposição, constataremos que se trata de uma tarefa gigantesca.

Poucos são os que, pela própria idade, conheceram ou imaginam quão atrasado era nosso país nessa época. Por exemplo, uma ligação telefônica entre Pirassununga, no interior paulista e São Paulo, capital do Estado mais avançado, demorava de 4 a 6 horas, quando se completava. Por quê?

A maioria das cidades tinha sua própria companhia telefônica que geria uma central para atender parte dos seus habitantes. Normalmente, não se ligava lateralmente. Em direção à capital havia uma coordenação e as ligações se faziam de cidade a cidade até alcançar a capital. Os postes de sustentação dessas linhas eram usualmente varas de eucalipto, mas havia até cidade em que eram de bambu-açu. Em um e outro caso, uma ventania mais forte derrubava parte desses suportes e a ligação era interrompida por alguns dias e até semanas, dependendo da presteza e capacidade das prefeituras

Problema semelhante ocorria em uma viagem nesse mesmo trecho, de cerca de 200 km, de ônibus ou automóvel. Levava-se de 5 a 6 horas, quando se chegava. Por quê ? As estradas, no centro do Estado de São Paulo, ainda nos anos 50/60, eram de terra. Não é preciso explicar mais nada, mas é possível imaginar o que ocorria no restante do país.

Nossa infra-estrutura era precaríssima. Uma marcha carnavalesca complementava essa visão deplorável. Referia-se à capital do país. Seu título: Rio de Janeiro cidade que seduz e seu estribilho: de dia falta água, de noite falta luz, retratava uma realidade insofismável.

Na área social a deficiência ficava, no mínimo, no mesmo plano.

Vejamos uma área da maior importância, a educacional. Em 1963, o Brasil aplicava somente 2,1% do PIB em educação. A escolarização obrigatória alcançava apenas as crianças de 7 a 10 anos de idade, ou seja, um período de 4 anos, que só era igual a de três países africanos.

Tínhamos 132 universitários para cada bloco de 100 mil habitantes, enquanto a Argentina já tinha mais de 700 e o Chile e o Uruguai mais de 600.

Das 135 mil escolas primárias, 70% eram de uma sala só, com um só professor lecionando para todas as séries. De cada mil crianças que iniciavam o curso primário, menos da metade chegava à 2a série. O contingente de analfabetos era assustador. No senso escolar de 1970, o primeiro do gênero realizado no país, apurou-se que 32% da população, correspondente a cerca de 30 milhões de brasileiros, eram analfabetos.

Da oferta de ensino secundário, 74% provinham das escolas particulares, negando-se, pois, ao pobre o acesso ao ginásio. Não havia cotas, nem diferença de cor: preto, índio, ou branco, sem dinheiro não tinha como estudar, a carência era total. Não havia nem mesmo essas diferenças de cor e raça, que atualmente esforça-se a acirrar. Nas poucas escolas públicas tinha-se que enfrentar o exame de admissão ao ginásio, um primeiro funil.

O homem do campo, ainda a maioria da população, não tinha nenhum apoio do governo. Não tinha apoio de saúde, educação e previdência. Não tinha aposentadoria, pensão, então, nem pensar. O idoso vivia da caridade da igreja ou de parentes, ou ia para as ruas pedir esmola para sobreviver. Algo parecido acontecia com os empregados domésticos e outras categorias profissionais que não contavam com previdência.

A mudança dessa situação era uma aspiração permanente. Podemos percebê-la nitidamente no Tenentismo. Este foi um movimento que surgiu nos anos vinte entre a jovem oficialidade militar. Considerava a corrupção o vício fundamental do regime. Agitava a vida nacional com a pregação do voto secreto, para moralização das eleições fraudulentas que permitiam a manutenção das oligarquias e seus privilégios. Para diminuir o poder dessas, pretendia uma maior centralização do poder no governo federal. Propugnava pela regeneração nacional e pela modernização. Defendia mudanças radicais na Administração e no nível de consciência nacional.

O desejo de desenvolvimento explica-se, por serem os recursos proporcionados pelo crescimento econômico, que custeiam e permitem aprimorar os maiores benefícios sociais – os programas habitacionais e os serviços públicos de saúde, as aposentadorias e pensões; o auxílio contra o desemprego, o ensino básico gratuito e as bolsas educacionais, a reciclagem profissional, o planejamento urbano etc. Nada disso se mantém a contento e muito menos se melhora sem os recursos carreados pela vitalidade econômica, inclusive a manutenção das vagas de trabalho já existentes e a criação de emprego ao enorme contingente de jovens que ingressa anualmente no mercado de trabalho.Enfim, é o desenvolvimento, que permite aos países bem sucedidos assegurar o que se convencionou chamar os direitos fundamentais: ao trabalho, à educação, à saúde, à previdência.

Por que tivemos que lutar para manter a democracia e a liberdade é o que procuraremos responder no próximo artigo

Sol e chuva, casamento das viúvas banqueiras e radioativas...

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Blog do Clausewitz

Chávez e Ahmadinejad inauguram banco iraniano-venezuelano


"O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, e o colega venezuelano, Hugo Chávez, que visita Teerã, inauguraram nesta sexta-feira o banco binacional para financiar o desenvolvimento de projetos conjuntos, anunciou a televisão estatal iraniana. A instituição, com sede em Teerã, terá um capital inicial de 200 milhões de dólares, dividido em partes iguais para cada país. "O capital será aumentado a 1,2 bilhão de dólares, com o objetivo de apoiar os projetos econômicos, industriais e de mineração comuns", destacou o canal.

A criação do banco demonstra a cooperação cada vez maior entre Irã e Venezuela, países que têm relações tensas com os Estados Unidos. As relações entre Irã e Venezuela resultaram em uma frente revolucionária comum", afirmou na quinta-feira Ahmadinejad. Chávez declarou que os dois países devem reforçar a cooperação comercial para não depender do comércio mundial. Chávez é o principal apoio latino-americano do Irã e do polêmico programa nuclear que levanta suspeitas entre a comunidade internacional."

Fonte: Veja

Um único comentário meu:

► Nada como termos um vizinho lunático aliado a outros tantos alucinados... por mais que eu não tivesse um bom conhecimento a respeito do foro de São Paulo, nem entendesse essa aproximação entre as viúvas de Marx e de Khomeini, respectivamente, eu não teria bons pressentimentos quanto ao affair citado na reportagem acima... eu venho defendendo há muito tempo, mesmo antes do blog, que o foro quer se aproximar do islã com o objetivo de sufocar culturalmente e militarmente o Ocidente e as recentes idas e vindas dos mandatários regionais ao Irã só confirmam o que eu penso a este respeito... o amigo visitante mais preocupado com este assunto, poderá ir ao site de Daniel Pipes, um dos grandes estudiosos a respeito do Islã, do terrorismo islâmico e das relações Ocidente x Oriente, clicando aqui... o direcionamento conduzirá a um artigo recente em que Pipes desmascara a relação fraterna entre o obamicamente correto e o radicalismo pré-histórico muçulmano... nesse contexto, algumas pequenas, mas significativas lembranças: o feroz interesse de aproximação diplomática entre a Casa Branca e Teerã, fator que favorecerá a retomada da normalidade comercial iraniana perante o mundo; o desguarnecimento militar do Iraque favorecendo o isolamento estratégico de Israel; a recente visita de Celso Amorim a Ahmadinejad no final do ano passado, onde foi fomentada a criação de uma câmara de comércio e parcerias em minas e energia; a íntima ligação entre Ahmadinejad e a Venezuela, vizinha da raposa serra do sol, onde há grandes reservas de urânio, minério imprescindível para um programa nuclear... como relações comerciais e programas nucleares demandam por dinheiro, nada melhor do que o banco das viúvas banqueiras radioativas para mascarar as trocas entre os atores dos últimos capítulos de nossa liberdade... Lula não deverá demorar a aderir ao investimento bancário e passaremos a contribuir com vultosas somas de impostos brasileiros para este casamento há tanto tempo planejado...

Clausewitz

Seja mais discreto, Lulinha

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Movimento da Ordem Vigília Contra Corrupção

Ex-monitor do Zoológico de São Paulo, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tornou-se durante o governo do seu pai, o presidente Lula, um empresário de sucesso. A história é conhecida e veio a público a partir de uma reportagem da revista Veja.



Em linhas gerais, Lulinha criou uma empresa e, pouquíssimo tempo depois, fechou um acordo milionário com a Oi/Telemar. Seu pai, mais tarde, comparou tal sucesso ao do jogador de futebol Ronaldo, hoje no Corinthians. Um seria o fenômeno dentro de campo e o outro, no mundo dos negócios.

Desde então, e lá se vão mais de três anos, os rumores sobre a trajetória meteórica do filho do presidente só aumentaram. Uns dizem que ele tem comprado fazendas cinematográficas, outros garantem que ele possui empresa de biodiesel, é sócio de frigorífico e de uma penca de outros negócios que o governo tem apoiado ou financiado nos últimos tempos. Vamos combinar que o garoto não deve estar metido em todas estas encrencas ao mesmo tempo.

Seria, de fato, uma performance de fenômeno. As histórias, porém, não param de circular.


Contribui (e muito) para tal profusão de boatos o comportamento, digamos, espalhafatoso do filho do presidente. Ontem, por exemplo, ele almoçou com amigos no restaurante La Tambouille, um dos mais sofisticados de São Paulo. Nas últimas semanas, tem sido visto também na academia Reebok, do Cidade Jardim, o mais novo shopping de luxo da capital paulista. Detalhe: alguns desses deslocamentos são feitos de helicóptero.

Nada impede que um empresário bem-sucedido, assim como Lulinha, cruze os céus de São Paulo a bordo de um helicóptero ou coma nos melhores restaurantes de Paris, Londres ou Nova York. Mas em se tratando do filho do presidente e das suspeitas que pairam sobre sua ascensão, não seria melhor adotar um estilo de vida mais austero? O que há de errado em ir de carro, ou mesmo de moto, para a academia?

Brilhante general e estrategista, o cônsul romano Júlio César eternizou-se, entre tantas outras façanhas, por uma frase: "A mulher de César não deve ser apenas honesta. Ela deve parecer honesta". O mesmo vale para a mulher, os filhos e os colaboradores do presidente da República. Por Maurício Lima – Editor - Portal Exame

4/03/2009 01:17:00 PM

Raposa - Pecuaristas afirmam que não saem e preparam resistência

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Movimento da Ordem Vigília Contra Corrupção

EXPULSOS, SEM DESTINO CERTO, E SEM INDENIZAÇÃO


Parabéns, STF!

Um grupo de pecuaristas que possui fazendas na área da reserva indígena Raposa Serra do Sol afirmou em entrevista à Folha que não sairá de forma espontânea de suas propriedades e que está preparando uma frente de resistência.

Eles tomaram a decisão após reunião na tarde da quarta-feira, dia 1°, com o presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Jirair Aram Meguerian, que junto com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, é o responsável por toda a operacionalização da retirada dos não-índios da terra indígena.

No encontro, os pecuaristas foram informados que não serão notificados da decisão porque, segundo Meguerian, eles não são parte do processo e, portanto, não há necessidade da formalização.

Segundo um dos desintrusados, Jósimo Hart, apesar disso, o presidente do TRF-1 reforçou a informação de que eles têm até o dia 30 desse mês para sair da área de forma ordeira e levando todos os seus pertences. “O que ficamos sabendo é que os indígenas fazem questão de repetir todos os dias para gente é que depois desse prazo não vamos poder levar mais nada do que temos nas fazendas”, complementou.


Outra notícia que teria desagradado o grupo foi a de que a FUNAI irá junto com a Polícia Federal proceder à logística da retirada dos pertences das famílias. “Eles disseram que a PF e a FUNAI vão disponibilizar os caminhões, mas não informaram onde seremos reassentados. O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, afirmou no dia do julgamento que a FUNAI não iria participar do processo e agora ficamos sabendo que eles vão transportar nossos bens?”, questionou Jósimo.

Meguerian afirmou ainda, durante a reunião, que os fazendeiros terão independente do recebimento da indenização, que sair da área até o prazo estipulado. Os fazendeiros alegam que o ministro do STF, Celso de Mello, declarou em seu voto no último dia de julgamento do caso que não haveria problemas para reassentar as famílias, uma vez que foi amplamente divulgado pela imprensa que no dia 28 de janeiro a União repassou ao Estado 6 milhões de hectares de terras.

Todas as propriedades dos pecuaristas ficam no Município de Normandia e ocupam em média 50 mil hectares de terra. Nas fazendas estão mais de 10 mil cabeças de gado e produzem leite, queijo e carne que abastecem principalmente o mercado de Boa Vista, Bonfim e Normandia. Eles também têm criações de caprinos, ovinos e aves.

REUNIÃO

O grupo esteve reunido na manhã de ontem com o advogado Valdemar Albrecht, que cuida dos processos que os pecuaristas têm em andamento no STF, para formatar uma proposta para ser apresentada ao governador Anchieta Júnior (PSDB) e ao senador Romero Jucá (PMDB), possivelmente amanhã, dia 4, na fazenda Manga Brava, em Normandia.

Segundo afirmaram, foi criado um emblema de que existiam apenas arrozeiros dentro da área indígena. “Para eles, em Brasília, aqui só tinham seis arrozeiros. Quando chegaram aqui é que foram informados dos outros fazendeiros e tiveram que nos chamar para a reunião. Não ficamos satisfeitos com o resultado do encontro porque não existe indenização ou outra área para reassentamento”, frisou Jósimo.

Incerteza sobre o reassentamento em nova área preocupa fazendeiros

Os fazendeiros que possuem propriedades na terra indígena Raposa Serra do Sol alegam não se importar com o fato de ter que sair da região, mas exigem atenção dos governos federal e estadual no tocante ao recebimento de suas indenizações e à segurança de ter uma terra destinada para seu reassentamento.

O pecuarista Adolfo Sbell, proprietário da fazenda Manga Brava, disse que não vê problemas em sair da região contanto que o Governo Federal destine as terras para o reassentamento e pague a indenização justa. Ele tem 82 anos e, com lágrimas nos olhos, disse à Folha que está resignado a sair da terra onde nasceu e foi criado. “Meus avós moraram aqui, meus pais nasceram nessa terra. Mas, se me derem condições, eu saio. Não vou sofrer por isso”, lamentou.

Domício de Souza Cruz, dono da fazenda 13 de Maio, disse que batizou sua propriedade em alusão à data da libertação dos escravos. Ele se refere ao fato de já haver sido retirado da reserva indígena de São Marcos.

“Achei que estava livre disso tudo. O próprio INCRA [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] me vendeu essa segunda fazenda e deu título de domínio. Agora diz que não vale nada”, lembrou ao complementar que até o momento não recebeu indenização pela saída da reserva São Marcos. Por ELISSAN PAULA RODRIGUES da Folha de Boa Vista

4/03/2009 09:26:00 AM

Os delinquentes do MST

Sexta-Feira, 03 de Abril de 2009

Estadão

No momento em que o Movimento dos Sem-Terra (MST) em Brasília, com apoio de centrais sindicais, realizava manifestação de protesto em frente à sede do Supremo Tribunal Federal (STF), contra o que chamava de "tentativa de criminalização dos movimentos sociais no Brasil", a polícia de Marabá, no Estado do Pará, interrogava 12 militantes do MST que haviam sido presos, no sábado, com nove espingardas, um revólver e munição, acusados de prática de assalto e porte ilegal de armas. Eles estavam roubando dinheiro e objetos de valor de motoristas na Rodovia PA-150, no município de Eldorado dos Carajás, nas proximidades da Fazenda Barra Bonita, invadida pelo MST.

Em Brasília os manifestantes bradavam, especialmente, contra o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, porque este, há pouco tempo, afirmara que é ilegítimo repassar dinheiro público para movimentos que promovem invasões de terra e outros tipos de violência. Em Eldorado dos Carajás, os militantes emessetistas haviam acabado de provar, com seus atos, que o ministro Mendes tem inteira razão.

É verdade que tanto em Brasília como no Pará os militantes emessetistas não estiveram sozinhos - mas aí havia diferenças: no protesto em Brasília, sob o lema "trabalhador rural não é marginal", o MST contava com o apoio de centrais sindicais, sindicatos e associações civis, com direito a "abraço simbólico" da sede do STF. Já em Marabá, em episódios simultâneos aos assaltos na estrada, o MST disputava com "movimentos sociais" concorrentes - como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará (Fetagri) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) - espaços na fazenda invadida Barra Bonita, pertencente à Agropecuária Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas.

Os três grupos estão em conflito porque disputam as residências dos funcionários da fazenda expulsos por ocasião da invasão. Segundo informações dos administradores da fazenda, os invasores roubam e matam gado e também roubaram um caminhão para utilizá-lo no transporte das estacas de demarcação da propriedade, que estão arrancando. E assim mesmo protestam, em Brasília, contra os que dizem que suas atividades ilegais não permitem que recebam financiamento com recursos públicos. A propósito, matéria da Folha de S.Paulo, de domingo, dá conta de que as ONGs ligadas ao MST se multiplicam para receber verbas do governo federal e o valor investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apura os repasses feitos para quatro dessas organizações, é três vezes maior do que o que se supunha. Desde 2003 o governo federal repassou R$ 152 milhões não para quatro, mas sim para nada menos do que 43 entidades ligadas ao MST.

Supunha-se que os repasses indiretos de verbas públicas ao MST se dessem por meio de umas poucas cooperativas, só para que se tornasse "legal" o recebimento de dinheiro público por parte de uma entidade juridicamente inexistente. O MST, que já atua há muitos anos e é pioneiro no campo dos movimentos sociais de reivindicações fundiárias - tendo por bandeira principal a reforma agrária -, jamais quis ter existência formal porque esta implicaria obrigação de prestar contas de suas ações e das verbas recebidas. Sabia-se, há muito tempo, que esse movimento substituíra a bandeira fundiária original por outras, pseudoambientalistas - contra os transgênicos, contra o aperfeiçoamento genético de sementes e coisas do gênero (às vezes associado a movimentos internacionais, como o agressivo "Via Campesina"). Sabe-se, agora, que a entidade se tornou um rentável negócio - certamente no ramo dos negócios ilícitos - pela via do "aproveitamento" de verbas públicas.

O ministro Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, afirma que bloquear as verbas do governo para as ONGs ligadas ao MST seria "autoritarismo". Com isso não é preciso dizer mais nada para explicar, a quem quer que seja, a aberração que é o governo de Estado Democrático de Direito sustentar (pois é isto que faz) movimentos constituídos por foras-da-lei, que não hesitam em praticar crimes em série.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090403/not_imp349287,0.php

Ignorando o essencial

Diário do Comércio

É impossível entender a história recente sem conhecer certos fatos sobre o comunismo.

Olavo de Carvalho - 2/4/2009 - 21h00

Há alguns dados históricos elementares sobre o movimento comunista, ignorados pela maioria e mal conhecidos ou bem esquecidos pelas minorias letradas e dirigentes, sem os quais é impossível, literalmente impossível entender o que quer que seja da história recente. Se você procurar se informar a respeito e começar a levar esses dados em conta, verá quanta coisa obscura se esclarece automaticamente, sem necessidade de grande esforço interpretativo.

l O comunismo foi e é, ao longo da história humana, o único – repito: o único – movimento político organizado em escala mundial, com ramificações e agentes nos lugares mais remotos do planeta, disciplinados e capacitados para entrar em ação de maneira imediata, coordenada e simultânea ao primeiro chamado de seus centros de comando.

l Embora tendo a seu serviço uma quantidade enorme de organizações e partidos de massa, o comunismo é substancialmente um movimento clandestino, cujo comando e cujos planos de ação devem permanecer invisíveis aos profanos, mesmo nas épocas de legalidade em que várias organizações comunistas atuam publicamente sem sofrer a menor perseguição. O primado da elite clandestina sobre a liderança visível é, pelo menos desde Lênin, uma cláusula pétrea da estratégia comunista. É impossível compreender essa estratégia e as táticas que a implementam levando em conta somente a atuação ostensiva dos líderes comunistas mais visíveis em cada país, sem acesso às discussões internas e às conexões internacionais de cada organização.

l O comunismo foi e é, em todo o mundo e em todas as épocas, o único movimento político que teve e tem a seu dispor recursos financeiros ilimitados, superiores às maiores fortunas conhecidas no Ocidente e aos orçamentos de muitos governos somados. Suas possibilidades de ação devem ser medidas na escala dos seus recursos.

l Só uma parcela ínfima da atividade comunista consiste em propaganda doutrinária reconhecível direta ou indiretamente. A parte maior e mais significativa consiste em infiltrar-se e mesclar-se em toda sorte de organizações – partidos políticos (inclusive liberais e conservadores), mídia, sindicatos, empresas estatais e privadas, instituições culturais, educacionais, religiosas e de caridade, Forças Armadas, Maçonaria, a lista não tem fim – de modo a torná-las instrumentos da estratégia comunista e a controlar por meio delas toda a sociedade, fazendo do Partido “um poder onipresente e invisível” (a expressão é de Antonio Gramsci, mas a técnica existia desde muito antes dele). É pueril imaginar que, uma vez inseridos nessas entidades, os comunistas aí se dediquem a doutrinação ou proselitismo, como se fossem pastores protestantes espalhando o Evangelho entre infiéis. A arregimentação de todas as forças para que sirvam à estratégia comunista é um mecanismo tremendamente sutil e complexo, que envolve doses maciças de camuflagem e despistamento, com muitos lances paradoxais pelo caminho.

l É tolice imaginar o comunismo como uma “doutrina” ou “ideal”, sobretudo quando se entende por isso a pregação aberta da abolição da propriedade privada. O movimento comunista nunca teve nem precisou ter qualquer unidade doutrinária, e já provou mil vezes sua capacidade de adaptar-se taticamente às fórmulas ideológicas mais díspares, de maneira sucessiva ou simultânea, desnorteando por completo o observador leigo (incluo nisto os políticos em geral e a quase totalidade dos intelectuais liberais e conservadores). Campanhas ateísticas as mais truculentas, por exemplo, coexistem pacificamente, no seio do movimento comunista, com o aproveitamento do discurso religioso como meio de atingir o coração das massas. Mutatis mutandis, a exploração dos sentimentos nacionalistas extremados vem lado a lado com o esforço de diluir as soberanias nacionais em unidades maiores, regionais ou mundiais, de modo que, por trás da cena, o movimento comunista se beneficia tanto das resistências patrióticas quanto do poder global em ascensão. A unidade do movimento comunista é de tipo estratégico e organizacional, não ideológico. O comunismo não é um conjunto de teses: é um esquema de poder, o mais vasto, fexível, integrado e eficiente que já existiu. Mesmo o radicalismo islâmico, hoje em rápida expansão, nada poderia sem o apoio da rede mundial de organizações comunistas.

l Tolice maior ainda é imaginar que a oposição lógico-formal entre os conceitos abstratos de capitalismo e comunismo se traduza, na prática, em conflito mortal entre capitalistas e comunistas. À variedade de diferentes situações locais e temporais corresponde uma infinidade de nuances e transições, com um vasto espaço para os arranjos e cumplicidades mais estranhos em aparência (só em aparência). Ninguém entenderá nada do mundo histórico em que vive hoje se não tiver em conta a longa colaboração entre o movimento comunista e algumas das maiores fortunas do Ocidente, por exemplo Morgan, Rockefeller e Rothschild. Os livros clássicos a respeito são os do economista inglês Anthony Sutton, mas já em 1956 o Comitê Reece da Câmara de Representantes dos EUA levantou provas substanciais de que algumas fundações bilionárias estavam usando seus recursos formidáveis “para destruir ou desacreditar o sistema de livre empresa que lhes deu nascimento”. Essas fundações estão hoje entre os mais robustos pilares de suporte do governo socialista de Barack Hussein Obama.

O desconhecimento ou incompreensão desses fatos entre liberais e conservadores está na raiz de sua incapacidade de opor uma resistência séria à marcha triunfante do comunismo na América Latina. Muitos ainda acreditam, por exemplo, que será uma grande vitória da democracia obrigar as Farc a abandonar a luta armada para transformar-se em partido legal. Não entendem que criar uma força política reconhecida é, no fim das contas, o único objetivo da luta armada – na Colômbia ou em qualquer outro lugar.

Guerrilhas não vencem guerras: tudo o que desejam é uma derrota politicamente vantajosa. Por isso, ao mesmo tempo que trocam tiros com as forças do governo, na selva e nas cidades, colocam seus agentes em postos-chave dos partidos esquerdistas legais, de onde clamam contra o derramamento de sangue e apelam dramaticamente ao retorno da legalidade. Fizeram isso no Brasil, fazem agora na Colômbia.

Enquanto os liberais e conservadores não obtiverem uma clara visão de conjunto do fenômeno enormemente complexo do comunismo, enquanto insistirem em se opor somente às facetas mais imediatas e repugnantes desse movimento, se não apenas às doutrinas comunistas consideradas abstratamente, estarão condenados à derrota mesmo quando se julgam vencedores.

O fato de que jamais tenha havido uma internacional anticomunista torna difícil para muitas pessoas obter essa visão de conjunto, que os próprios comunistas obtêm tão facilmente. Mas a ausência de suporte social não pode servir de desculpa para a preguiça intelectual. Há sempre algumas inteligências individuais capazes de raciocinar acima das perspectivas grupais, quando existem, ou sem elas, quando não existem. Nada justifica que essas inteligências permaneçam à margem das discussões públicas, deixando aos ignorantes o monopólio dos microfones.

Neste como em todos os demais assuntos humanos, quem não estudou nada está cheio de certezas simplórias e as proclama com um ar de tremenda superioridade, sem perceber o papel ridículo que faz. Quem estudou fica às vezes parecendo maluco ou excêntrico, mas, afinal, para que é que alguém estuda, se não é para ficar sabendo de algo que a maioria não sabe?

Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia

http://www.dcomercio.com.br/Materia.aspx?canal=39&materia=14262