Publicada na Resenha do Comandante Hércules do dia 16/05/2009.
Ternuma
Carta do Presidente do CREA (Ceará) ao Presidente Lula
NOTA DO AUTOR:
Pode divulgar o que eu escrevi na íntegra, não precisa cortar nada não.
Eu nunca falo ou escrevo nada em segredo.
Num pais de covardes como este o único medo que eu tenho é de viver muito mais do que já vivi..
Veja abaixo um e-mail que eu mandei para o "presidente" Lula, com cópia para todos os senadores e deputados federais, revistas, jornais e para todos os da minha lista.
Um abraço, Otacílio M. Guimarães
A CARTA:
Sr. Luis Inácio Lula da Silva:
Causa indignação a qualquer cidadão medianamente esclarecido ouvir ou ler a asneira abaixo, pronunciada por uma pessoa semi-analfabeta, despreparada, sem nenhuma ética, que 52 milhões de abobalhados colocaram na presidência da república do Brasil. Esclarecendo: asneira vem de asno ou burro.
O senhor passou a sua vida toda, juntamente com o seu partido (?!?!?!), mentindo para um povo até conseguir conquistar as consciências de 52 milhões de incautos que não sabem distinguir óleo de água e agora, depois de ter implantado no Brasil o maior esquema de corrupção jamais visto no mundo ainda vem dar uma de o mais honesto do país com essa afirmação desproposital, descabida e desrespeitosa.
Pois eu lhe digo, senhor Luis Inácio: eu sou um brasileiro de 62 anos de idade, não sou analfabeto, meus pais não eram analfabetos, eu recebi uma educação doméstica, moral e formal para dizer ao senhor, o seguinte: me respeite! Respeite o meu país! Respeite as pessoas que estão indignadas com a sua desfaçatez!
Se o senhor acha que o único repositório da ética e da moral deste país é o senhor, pois fique sabendo que eu quero discutir com o senhor sobre ética e moral, cara a cara, olho no olho.
Eu quero que o senhor me explique como é que Delúbio Soares e Sílvio Pereira armaram o esquema criminoso que resultou neste mar de lama que emporcalha a história do Brasil sem que o senhor, o José Genuíno e o José Dirceu soubessem de nada.
Eu quero que o senhor me explique, cara a cara, olho no olho, porque Celso Daniel, prefeito de Santo André, foi assassinado friamente e o seu governo agiu no sentido de paralisar as investigações.
Será que o senhor sabe o que significa obstrução da justiça? Pois foi isto o que o senhor fez, obstruiu a justiça. Se o Brasil fosse um pais sério, o senhor já estaria na cadeia só por isto.
Eu quero que o senhor me explique porque mandou a prefeita de São José dos Campos, Ângela Guadagnin, exonerar o secretário de finanças Paulo de Tarso Venceslau só porque este, que também fora secretário de finanças da Prefeitura de Campinas, descobriu um esquema de desvio de dinheiro público operado pela CPEM, que somente em 1992 desviou 10,5 milhões de dólares da prefeitura de São José dos Campos, sem falar nas outras três onde o esquema funcionava (Campinas, Piracicaba e Ribeirão Preto, esta última tendo como prefeito Antônio Palocci, ex-ministro da fazenda), dinheiro esse que se destinava a alimentar o caixa 2 do PT.
Nesse esquema o Paulo Okamoto, que não detinha cargo público e era apenas militante do PT, fazia o papel que o Sílvio Pereira fez até ser desmascarado recentemente.
Note-se que estes fatos ocorreram há 12/13 anos atrás.
Não é de hoje, portanto, que o PT se utiliza desses esquemas criminosos para suprir o seu caixa 2 e aumentar o patrimônio de seus integrantes. Inclusive o seu e do seu filho, o Lulinha, que recentemente recebeu da Telemar cinco milhões e duzentos mil reais como investimento numa empresa que eu não pagaria um centavo por ela. A troco de quê, senhor Lula, a Telemar deu essa dinheirama toda ao seu filho?
O senhor e seus asseclas vivem dizendo que tudo é culpa das elites brasileiras. Para mim, as elites que jogaram o PT e o governo Lula na lama têm nomes: José Dirceu, Sílvio Pereira, Delúbio Soares, Marcos Valério e os que estão acima destes que o senhor tão bem conhece e eu não preciso citar. O senhor é o chefe de todos eles. É o campeão mundial da "maracutaia" (palavra que tanto usou no passado para ofender, impunemente, seus adversários políticos)..
Pois eu lhe digo, senhor Lula: neste país nasceu antes do senhor um homem em condições de discutir com o senhor, cara a cara, olho no olho, sobre ética e muitos outros atributos que o senhor não possui, como por exemplo, capacidade administrativa, discernimento, iniciativa e coragem de tomar decisões.
E digo mais: que eu não estou sozinho, pois o Brasil tem milhões de homens e mulheres que têm condições de discutir com o senhor sobre ética e moral e dar aulas destas matérias, se é que iria entender. Quer me parecer que o senhor não entende o verdadeiro significado das palavras ética e moral, talvez seja este o caso, já que nunca estudou e se gaba de ter nascido de país analfabetos.
Na verdade, quem se gaba de ter nascido de país analfabetos e de ter pouco estudo não tem o direito de ofender todo um povo arvorando-se no único repositório da ética e da moral. Isto já é coisa de doente mental como aconteceu com Hitler, Stalin, Lumumba e tantos outros ditadores, responsáveis por milhões de assassinatos de inocentes.
Senhor Lula, o senhor foi colocado onde está por pessoas tão ignorantes ou mal intensionadas quanto o senhor. Mas eu devo lhe dizer que os homens e mulheres de bem deste país já estão cheios das asneiras que o senhor fala e faz e com suas bravatas, com a sua incapacidade sobejamente demonstrada em governar o país e com o fato de estar se esquivando de suas responsabilidades nos desmandos praticados pela cúpula dirigente do PT querendo nos fazer crer que Sílvio Pereira e Delúblio Soares agiram sozinhos. Não creio que Sílvio Pereira e Delúbio Soares s ejam tão burros assim. Só um idiota acreditaria nisso.
E digo-lhe mais uma coisa: pare de subestimar a inteligência dos brasileiros, pare de ofender os brasileiros, principalmente aqueles que acreditaram em suas mentiras e suas falácias e lhe colocaram onde está hoje. Está na hora do senhor devolver estes votos juntamente com um pedido de desculpas tomando a decisão de renunciar ao cargo para o qual o senhor nunca esteve preparado para exercer.
A seguir trecho do discurso proferido ontem pelo senhor, presidente Lula, para uma platéia de petroleiros da REDUC, Duque de Caxias, e que ofende pelo menos aqueles que possuem ética e dignidade neste país, o que não é o seu caso.
"Neste país está para nascer alguém que venha querer discutir ética comigo. Eu digo sempre o seguinte: sou filho de pai e mãe analfabetos. E o único legado que eles deixaram, não apenas para mim, mas para toda a família, é que andar de cabeça erguida é a coisa mais importante que pode acontecer para um homem ou uma mulher. E eu conquistei o direito de andar de cabeça erguida neste país com muito sacrifício. E não vai ser a elite brasileira que vai fazer eu baixar a cabeça".
Estou pronto para discutir com o senhor sobre ética e outros assuntos a qualquer momento que o senhor escolher. Isto se o senhor tiver coragem, porque sempre foge covardemente do debate com a imprensa e com pessoas inteligentes, pois não tem a hombridade de responder ou enfrentar. A maioria do povo brasileiro está de saco cheio com o senhor e com o seu PT - PARTIDO dos TRAMBIQUEIROS, cambada de assaltantes que ocupam postos chaves de nossa nação, mas vai chegar a hora de prestarem contas das falcraturas que enche seus bolsos dia e noite. E não vão adiantar operações plásticas e outros artificios, fugir para outros países, pois o mundo hoje está muito menor do que já foi no passado e sua figura burlesca já é bem conhecida lá fora.
Estarei aberto para debater estes e outros assuntos em público, em dia, hora e local que bem lhe aprouver, com a presença da imprensa ainda não comprometida. Considere-se desafiado a partir deste momento.
Otacílio M. Guimarães - Presidente do CREA (Ceará)
Se vc é dos que tem moral e ética, ou pelo menos vergonha na cara, divulgue esta carta, porque o Brasil merece, assim como seus descendentes que estão vindo aí.
Heitor De Paola e o neototalitarismo na América Latina
Ivanaldo Santos
DE PAOLA, Heitor. O eixo do mal latino-americano e a nova ordem mundial. São Paulo: É Realizações, 2008.
Em junho de 2008 o analista político Heitor De Paola publicou um livro essencial para a compreensão da atual situação política do mundo contemporâneo e especialmente da América Latina. Trata-se de O eixo do mal latino-americano e a nova ordem mundial. Os capítulos desse livro foram publicados inicialmente no jornal eletrônico Mídia Sem Máscara (MSM).
Neste livro Heitor De Paola apresenta, a partir de sólida documentação, como milhões de pessoas estão sendo submetidas a um sistema de profunda lavagem cerebral e, por conseguinte, de total anestesia política. Esse sistema é financiado pelos governos esquerdista-liberais, por ONGs e fundações internacionais. Além de amplas fontes de recursos financeiros existe a cumplicidade de setores estratégicos da sociedade como, por exemplo, a grande mídia, parte da intelectualidade universitária e setores da Igreja que se auto proclamam de “progressistas” e “esclarecidos”. Entre esses setores ganha destaque a Teologia da Libertação (TL). Uma teologia de inspiração marxista e ateísta que, na prática, funciona como a quinta coluna, a qual tem por finalidade minar e, se possível, destruir a Igreja por dentro, ou seja, a partir de seus sólidos alicerces evangélicos e filosóficos.
Como afirma o filósofo Olavo de Carvalho, no Prefácio do livro, Heitor De Paola consegue apresentar, de forma compreensível, as “falsificações que tornam a forma geral do processo totalmente invisível à massa de suas vítimas, ao mesmo tempo dão visibilidade hipnótica a aspectos isolados e inconexos, artificialmente dramatizados como ‘problemas urgentes’, fazendo com que do mero caos mental se passe às ações arbitrárias e desesperadas que complicam o quadro da vida real até à alucinação completa” (2008, p. 16).
Obviamente que os críticos da argumentação desenvolvida por Heitor De Paola afirmarão que seu livro trata-se apenas de mais um delírio da direita conservadora. Entretanto, acusar Heitor De Paola de ser um pensador de direita não conseguirá desacreditar O eixo do mal latino-americano e a nova ordem mundial. O motivo é que, de um lado, Heitor De Paola apresenta provas documentais históricas praticamente irrefutáveis e, do outro lado, ele é um ex-militante da organização de extrema esquerda Ação Popular (AP) que na década de 1960 realizou vários atos de terrorismo no Brasil. Como poucas pessoas, Heitor De Paola conhece as estratégias de tomada do poder desenvolvidas pela esquerda.
O livro de Heitor De Paola possui uma importante parte histórica, onde ele apresenta de forma resumida, mas muito compreensível, as estratégias que a esquerda internacional desenvolveu entre 1917, com a Revolução Socialista Russa, até 1989, com a queda do muro de Berlim, para a tomada do poder e o estabelecimento de um governo mundial e plenamente totalitário. Essa parte histórica do livro de Heitor De Paola é fundamental para os estudantes e profissionais liberais da sociedade contemporânea. O motivo é que atualmente quase nada é ensinado nas escolas e universidades sobre as estratégias violentas e demagógicas da esquerda internacional para tomar o poder político. Atualmente apresenta-se a esquerda como uma espécie de“sociedade de santos” que busca apenas o bem-comum e a prosperidade humana. Toda a barbaridade e as atrocidades cometidas em nome do socialismo são simplesmente silenciadas. É por causa dessa consciente e lamentável omissão que o livro de Heitor De Paola é uma leitura obrigatória.
Além disso, o livro de Heitor De Paola trás a análise de duas importantes manifestações do neototalitarismo na sociedade ocidental.
A primeira manifestação é o totalitarismo intelectual que atualmente está infestando os meios acadêmicos do ocidente, inclusive do Brasil. O grande guru do totalitarismo intelectual é o filósofo marxista Antonio Gramsci que com sua tese da Revolução Cultural, advoga a criação e imposição de uma agenda única para o pensamento humano. Essa agenda é criada pelos profissionais do pensamento que, por sua vez, são submissos as orientações oriundas da cúpula do “pensamento correto”, ou seja, da minúscula elite formada por dirigentes de partidos políticos, artistas, economistas e outros profissionais que se dedicam, em tempo integral, a determinar como o mundo deve viver e como as pessoas devem pensar.
A segunda manifestação é o neototalitarismo que emerge na América Latina como consequência da estratégia de dominação desenvolvida pelo Foro de São Paulo, uma versão latino-americana da Internacional Comunista. Heitor De Paola demonstra como a esquerda internacional, após a queda do muro de Berlim, não abandonou a pretensão de estabelecer um regime tirânico e centralizado para toda a humanidade. Pelo contrário, seu projeto é o mesmo. Apenas é um projeto que se apresenta de forma moderna com a roupagem de defender minorias e derrubar o imperialismo dos EUA.
Toda forma de imperialismo deve ser denunciada. Entretanto, apenas o imperialismo dos EUA é atacado. Atualmente o imperialismo transversal do Foro de São Paulo, orientado principalmente pelo Brasil e pela Venezuela, sequer entra nas discussões realizadas pela mídia e pela intelectualidade universitária. Todavia, o que vemos é a lenta e gradual implantação do neototalitarismo na América Latina. Essa implantação se dá inclusive de forma tradicional, ou seja, com a expansão de guerrilhas fratricidas e do caos na vida política e econômica.
Porque ninguém vê e debate essa questão? Heitor De Paola demonstra que a cegueira intelectual que move a América Latina atualmente é fruto da junção de duas grandes forças.
De um lado existe a nova estratégia da tomada do poder pela esquerda. Estratégia que envolve forte cooptação da mídia e da classe artística. Cooptação feita, em grande parte, às custas de altas somas de dinheiro. Além disso, propaga-se uma ideologia pacifista que prega o fim da religião, especialmente da religião cristã, o estabelecimento de um governo mundial organizado em torno da Organização das Nações Unidas (ONU) e, por conseguinte, o fim da soberania nacional. Tudo isso é apresentado em nome do fim das injustiças sociais. Entretanto, pergunta-se: existe injustiça social maior do que determinar o fim da liberdade?
Do outro lado encontram-se as graves falhas de avaliação estratégica cometidas pelos países ocidentais, inclusive pelos EUA. Falhas que vão desde não compreender as reais intenções da esquerda internacional, passando por graves problemas de interpretação realizados pela diplomacia e pelos serviços de segurança nacional até a incapacidade das forças políticas que tradicionalmente defendem a liberdade no Ocidente de se oporem a um inimigo que, cada vez mais, é organizado e tem ramificações em quase todos os setores da vida pública.
Por fim, afirma-se que o livro de Heitor De Paola é fundamental para a compreensão da história e das atuais estratégias planetárias de implantação de um governo único e, com isso, acabar com a liberdade. Este livro pode ser o primeiro passo de um processo de esclarecimento e contra-revolucionário na América Latina e no mundo. Justamente o processo que a atual sociedade precisa para novamente poder compreender e experimentar a liberdade e a dignidade humana.
Ivanaldo Santos é filósofo e professor da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN). E-mail: ivanaldosantos@yahoo.com.br.
Outra razão pela qual as escolas de educação dos Estados Unidos são tão ruins: a influência em curso do marxista brasileiro Paulo Freire
Assim como o mais famoso Teach for America, o programa New York Teaching Fellows fornece um caminho alternativo à certificação Estadual para aproximadamente 1.700 professores novos por ano. Quando me encontrei com um grupo de pessoas que assistiam a uma aula obrigatória em uma escola de instrução no verão passado, começamos a discutir a reforma da educação, mas a conversa tomou logo um novo rumo, com muitos descrevendo histórias de horror uma após a outra de seu difícil primeiro ano: salas de aula caóticas, administradores indiferentes, professores veteranos que raramente ofereciam ajuda. Pode-se esperar que as leituras exigidas para professores iniciantes contenham dicas práticas para a vivência na sala de aula, por exemplo, ou bons conselhos que ajudem a leitura de alunos desfavorecidos. Ao invés, o único livro que todos tinham que ler "de cabo a rabo" era Pedagogia dos Oprimidos, do educador brasileiro Paulo Freire.
Para qualquer um que conheça as escolas de instrução americanas, a escolha não parecia surpresa. Desde a publicação da edição em inglês em 1970, Pedagogia dos Oprimidos alcançou um status elevado em programas de formação de docentes na América. Em 2003, David Steiner e Susan Rozen publicaram um estudo que examinava os currículos de 16 escolas de instrução - 14 delas classificadas entre as melhores instituições no país, de acordo com a U.S. News and World Report - e concluíram que Pedagogia do Oprimido era um dos livros mais usados em seus cursos de filosofia da educação. Essa é sem dúvida parte da razão pela qual, de acordo com o editor, aproximadamente 1 milhão de cópias tenham sido vendidas, um número marcante em se tratando de um livro voltado para a Educação.
O estranho é que a obra de Paulo Freire não versa sobre educação - certamente não a educação de crianças. Pedagogia dos Oprimidos não menciona nenhum dos assuntos que ocuparam a cabeça dos reformistas da educação durante o século XX: provas, padrões de ensino, currículo escolar, o papel dos pais na educação, como organizar as escolas, que matérias devem ser estudadas em cada série, qual a melhor maneira de treinar professores, o modo mais efetivo de educar crianças desfavorecidas em todos os níveis. Esse best-seller sobre educação é, ao contrário, um tratado político utópico que clama pelo fim da hegemonia do capitalismo e a criação de uma sociedade sem classes. Professores que adotam essas idéias perniciosas arriscam prejudicar seus alunos - e ironicamente, seus alunos mais desfavorecidos sofrerão em maior escala.
Para se ter uma idéia das prioridades do livro, basta dar uma olhada em suas notas de rodapé. Freire não está interessado nos tradicionais pensadores e educadores do Ocidente - não em Rousseau, Piaget, John Dewey, Horace Mann, ou Maria Montessori. Ele cita um leque bem diferente de figuras: Marx, Lenin, Che Guevara, e Fidel Castro, assim como os intelectuais orgânicos radicais Frantz Fanon, Régis Debray, Herbert Marcuse, Jean-Paul Sartre, Louis Althusser, e George Lukács. E não há porque ser diferente, uma vez que sua idéia central é que a principal contradição em toda sociedade é entre "opressores" e "oprimidos" e que a revolução resolverá esse conflito. Os "oprimidos" estão destinados a desenvolver uma "pedagogia" que os leve à sua liberdade. Aqui, numa passagem chave, está como Freire vê seu projeto de emancipação:
A pedagogia do oprimido [é] uma pedagogia que deve ser feita com, e não para, o oprimido (tanto indivíduos ou grupos) numa incessante batalha para recuperar sua humanidade. Essa pedagogia faz da opressão e suas causas objetos de reflexão pelo oprimido, e dessa reflexão virá o engajamento necessário na luta pela sua liberdade. E na luta essa pedagogia se fará constante.
Como essa passagem deixa claro, Freire nunca teve a mais leve intenção de que pedagogia seja algo que se refira ao did-a-dia na sala de aula, como análise e pesquisa ou qualquer coisa que se leve a uma melhor produção acadêmica dos alunos. Ele almeja algo maior. Sua idiossincrática teoria sobre escolas remete apenas a uma auto consciência dos trabalhadores e camponeses explorados que estariam "percebendo a opressão no mundo". Uma vez que eles cheguem à noção de que estão sendo explorados, mirabile dictu, "essa pedagogia não mais pertence aos oprimidos e passa a ser uma pedagogia de todos no processo de liberação permanente".
Freire raramente fundamenta sua descrição de luta entre opressores e oprimidos em uma sociedade ou um período histórico em particular, então se torna difícil ao leitor julgar se o que ele está dizendo faz sentido ou não. Não sabemos se os opressores a que ele se refere são os banqueiros norte americanos, os barões latino americanos ou, ainda, autoritários burocratas da educação. Sua linguagem á tão metafísica e vaga que ele pode simplesmente estar se referindo a uma jogo de tabuleiro com dois lados oponentes, os opressores e os oprimidos. Ao fazer análises gerais sobre a luta entre esses dois lados, ele se apóia na formulação padrão de Marx segundo a qual "a luta de classes necessariamente leva a uma ditadura do proletariado [e] essa ditadura significa a transição para a abolição de todas as classes e a uma sociedade sem classes".
Em uma nota de rodapé, entretanto, Freire menciona uma sociedade que de fato atingiu a "permanente liberação" que ele propõe: esse "parece ser o fundamental aspecto da revolução Cultural de Mao". Os milhões de chineses de todas as classes que sofreram e morreram sob o tacão da revolução brutal provavelmente discordam. Freire também oferece conselhos a líderes revolucionários, que "precisam entender a revolução, por causa de sua natureza criativa e liberal, como um ato de amor." O exemplo usado por Freire de seu amor revolucionário é ninguém menos que o símbolo da revolução armada de 1960, Che Guevara, que afirmou que "o revolucionário é guiado por forte sentimento de amor". Freire deixa de mencionar, no entanto que Che foi um dos mais brutais personagens da revolução cubana, responsável pela execução de centenas de oponentes políticos.
Afinal, escuridão e tristeza parecem ser o menor dos problemas do livro, mas assim mesmo é válido citar um trecho da abertura do livro.
Enquanto o problema da humanização sempre foi, do ponto de vista axiológico, o problema central da espécie humana, ele agora toma um caráter de preocupação inevitável. Preocupação pela humanização remete ao reconhecimento da desumanização, não apenas como uma possibilidade ontológica, mas como uma realidade histórica. E à medida que um indivíduo percebe a extensão da desumanização, ele ou ela deve se perguntar se humanização é uma possibilidade viável. Na história, em contextos objetivos e concretos, tanto a humanização quanto a desumanização são possibilidades para uma pessoa enquanto um ser incompleto consciente de sê-lo.
Precariamente traduzindo: humanização é bom e desumanização é ruim. Ah, como nos dias em que os panfletos revolucionários acertaram, como em: "Um fantasma está assombrando a Europa".
Como esse livro sobre opressão, luta de classes, a destruição do capitalismo e a necessidade de uma revolução pode ter sido confundido com um tratado sobre educação que pode resolver os problemas das escolas do século XXI nas cidades de interior americanas? A resposta para essa questão começa em Pernambuco, um estado do nordeste brasileiro. Nas décadas de 50 e 60, Freire era um professor universitário e um radical ativista político na capital, Recife, onde ajudou a organizar campanhas em prol da alfabetização de camponeses. Freire percebeu que aulas de alfabetização e civilidade eram um bom caminho para fazer com que os camponeses pobres votassem em candidatos radicais. Sua "pedagogia" começou, então, com campanhas para mobilização de um grande número de eleitores, rendendo-lhe poder político.
Em 1964, o governo militar assumiu o poder no Brasil. Freire passou um tempo na cadeia e depois ficou exilado no Chile, onde - inspirado por seu trabalho com camponeses - trabalhou em Pedagogia dos Oprimidos. Daí a insistência do livro de que educação escolar não é um processo neutro, mas que sempre carrega um propósito político. Consequentemente também, um dos poucos pontos verdadeiramente pedagógicos do livro: sua oposição em submeter os estudantes a qualquer conteúdo acadêmico, que ele se refere como "conhecimento oficial" que serve para racionalizar a desigualdade inerente na sociedade capitalista. Uma das metáforas de Freire mais citadas repudia a educação em uma via professor-aluno e a compara com o "conceito bancário", onde "a atuação do aluno é apenas a de receber e guardar os créditos". Freire propõe, ao invés da dicotomia entre professores e alunos, uma nova relação entre estudantes e professores a partir do diálogo e da busca de soluções em conjunto, até que o papel de aluno e professor se fundisse em "professor-estudante" e "estudante-professor".
Após a publicação da edição em inglês do livro em 1970, Freire recebeu foi convidado para dar uma palestra na Harvard Graduate School of Education, e no decorrer da década seguinte encontrou audiências entusiasmadas em universidades Americanas. Pedagogia do Oprimido encontrou eco entre educadores progressistas, que já estavam comprometidos com uma visão da sala de aula baseada no aluno ao invés de guiada pelo professor. A rejeição de Freire a aulas a partir do conteúdo e do conhecimento do professor encontrou suporte no que já era a teoria mais popular de ensino, que argumenta que os alunos deveriam trabalhar colaborativamente na construção de seu próprio conhecimento e que o professor deveria ser uma espécie de "guia de ajuda", e não um "sábio no púlpito".
Em Pedagogia do Oprimido, Freire listou dez características chaves do que chamou de método "bancário" de ensino que mostravam como esse sistema era contrário a estudantes desfavorecidos. Por exemplo, "o professor fala e o aluno escuta - humildemente"; "o professor faz as escolhas e as impõe aos alunos que somente aceitam"; "o professor disciplina e o aluno é disciplinado"; "o professor escolhe o conteúdo do programa e o aluno (que não foi consultado) se adapta a ele". A crítica de Freire reforçava outros mitos da educação progressista nos Estados Unidos - de que as lições tradicionais baseadas no professor deixavam os alunos passivos e desinteressados, lavando a uma maior taxa de desistência escolar por parte de alunos pobres e minorias. Essa descrição era mais que uma mera caricatura, era puramente fabricada. Durante as duas últimas décadas, as E.D. Hirsch's Core Schools provou que um rico conteúdo baseado no professor aumentava o rendimento escolar de crianças pobres e que esses alunos permaneciam curiosos, intelectualmente estimulados e atentos - ainda que as escolas formadoras de professores continuassem a ignorar esses casos de sucesso.
Certamente, a popularidade da Pedagogia do Oprimido não se deveu somente a teoria educacional. Durante a década de setenta, veteranos das fileiras de protesto estudantis e contra a guerra no Vietnam colocaram de lado seus cartazes e começaram sua "longa marcha para dentro das instituições de ensino", adquirindo Ph.D.s e fazendo parte dos departamentos de ciências humanas. Uma vez dentro das universidades, os esquerdistas incorporaram suas agendas radicais (não importa se Marxistas, feministas ou racistas) em seus ensinamentos. Ao celebrar Freire como um grande pensador as portas se abriram para esses radicais. Sua declaração em Pedagogia do Oprimido de que "não existia uma educação neutra" se tornou um mantra para professores de esquerda que passaram a usá-lo como justificativa para incitar o ódio anti-americano nas salas de aula de universidades.
Por toda parte alguns professores de esquerda reconheceram os perigos para o discurso acadêmico da eliminação do ideal de neutralidade no ensino. Em Radical Teacher, o notável crítico literário, Gerald Graff - um ex-presidente do ultra politicamente correto Modern Language Assossiation - argumentou que "não importa o quanto Freire insista em 'solução de problemas' em oposição à educação 'bancária', o objetivo do ensino para Freire é mover o estudante na direção do que ele chama de 'uma percepção crítica do mundo', e não há dúvida de que para Freire apenas o Marxismo ou alguma versão do radicalismo esquerdista conta com uma genuína 'percepção crítica' ". Em outro escrito, Graff foi ainda mais longe em rejeitar o modelo Freireano de ensino:
Que direito temos de nos auto proclamar a consciência política de nossos alunos? Dada a desigualdade em poder e em experiência entre alunos e professores (até mesmo professores de comunidades humildes) os alunos têm sempre e com razão medo de desafiar nossas visões políticas mesmo se nós insistirmos para que o façam... Fazer com que os alunos "abram suas cabeças para o esquerdismo, feminismo, anti-racismo e idéias estranhas" seja o principal objetivo do ensino e estimula-los (belo eufemismo) "a trabalharem pela mudança igualitária" foi o erro fatal do movimento de pedagogia libertária de Freire nos anos 60 e ainda o é hoje.
Mas ninguém no meio acadêmico deu ouvidos ao aviso de Graff. E não apenas a doutrinação em nome da liberação infestou as faculdades americanas, onde os alunos poderiam pelo menos escolher seus cursos; de um quadro de professores radicais, a agenda Freiriana veio parar também nas salas de aula de escolas, na forma de um movimento de "ensino para a justiça social".
Como um caso de estudo, consideremos a carreira de Robert Peterson. Peterson começou nos anos 80 como um professor primário em Milwaukee. Ele descreveu como se engajou no sistema de ensino de Freire através da Pedagogia do Oprimido, procurando uma maneira de usar as lições do radical educador com seus alunos bilíngües de quarta e quinta séries. Peterson chegou à conclusão de que teria que se separar do "método bancário" de educação, no qual "o professor e os gabaritos tinham as 'respostas certas' e os alunos são requisitados a regurgitar periodicamente." Ao invés, ele usou o método Freireano, que "se baseia na experiência do aluno... Isso significa desafiar os alunos a refletirem a natureza social do conhecimento e do currículo." Peterson quer nos fazer acreditar que seus alunos de quarta e quinta séries se tornaram críticos teóricos, questionando a "natureza do conhecimento" como calouros estudantes da Escola de Frankfurt.
O que de fato aconteceu foi que Peterson usou a racionalidade Freireana para se tornar "a consciência política" de seus alunos. Após uma intervenção do exército americano na América Latina, Peterson decidiu levar seus alunos para demonstrações de protesto contra a ajuda americana aos Contras em oposição aos Sandinistas Marxistas na Nicarágua. As crianças ficavam após as aulas fazendo cartazes:
Deixem-nos governar sua terra! Ajudem a América Central! Não os matem! Dê liberdade aos nicaragüenses!
Peterson era orgulhoso de um aluno da quarta série em particular que descreveu uma passeata na revista da turma. "Numa terça-feira chuvosa de abril alguns alunos da nossa turma foram fazer protesto contra os Contras," escreveu o aluno. "O povo da América Central é pobre e são bombardeados. Quando fomos protestar estava chovendo e parecia que os Contras estavam nos bombardeando."
Hoje em dia, Peterson é o editor da Rethinking Schools, www.rethinkingschools.org/ a líder nacional em publicações para educadores com base na justiça-social. Ele também é o editor de um livro chamado Rethinking Mathematics: Teaching Social Justice by the Numbers, que oferece lições de matemática para a doutrinação de jovens crianças sobre o demônio racista e imperialista americano. Em parte graças aos esforços de Peterson, o movimento de justiça-social em matemática, assim como em outras matérias acadêmicas, chegou com força total (veja "The Ed Schools' Latest-and Worst-Humbug," Summer 2006). A justiça social tem um pé na maioria das escolas de instrução do país e goza do apoio de alguns dos maiores nomes em educação da matemática, incluindo muitos dos recém presidentes da American Education Research Association www.aera.net/ e seus 25.000 membros, a organização de onde saem a maioria dos professores nos EUA. Seus vários livros pseudo-escolares, jornais e conferências exaltam os supostos benefícios para as crianças desfavorecidas do método de ensino que Peterson um dia infligiu em seus alunos de quarta série de Milwaukee.
Para rebater as críticas de que o objetivo do movimento é a doutrinação política, educadores adeptos da justiça social desenvolveram um aparato escolar para retratar a educação com fins de justiça social apenas como mais um sistema educacional válido, baseado em "pesquisa". Assim, um recente número da Teachers College Recordwww.tcrecord.org/ da Universidade de Columbia (que designa-se a si mesma o título de "a voz da pesquisa em educação") publicou um artigo escrito pelo professor de matemática da Universidade de Illinois, Eric Guttstein descrevendo o resultado de "uma pesquisa de dois anos sobre o ensino voltado para a justiça social". A "pesquisa" consiste numa observação de suas próprias aulas durante dois anos numa escola pública de Chicago e conclui que foi um grande sucesso. Parte da evidência foi a declaração de um de seus alunos: "Eu pensava que matemática era apenas uma matéria que eles nos ensinavam porque entendiam bem, mas agora eu percebi que você pode usar a matemática para defender seus direitos e também perceber as injustiças ao seu redor". Guttstein conclui que "os jovens nas salas de aula são mais do que apenas alunos - eles são, na verdade, atores na luta pela justiça social".
Não existem evidências de que a pedagogia Freireana tenha tido muito sucesso no Terceiro Mundo. Nem que os regimes revolucionários favoritos de Freire como China e Cuba, tenham reformado seus próprios sistemas "bancários" de ensino, no qual os alunos mais brilhantes são controlados, disciplinados, e têm seus conteúdos educacionais rígidos para atenderem as demandas nacionais - e a produção de mais administradores industriais, engenheiros e cientistas. O quão perverso é, então, que apenas nas cidades do interior americanas os educadores Freireanos são levados a "libertar" crianças pobres de uma "opressão" imaginária e os recrutem para uma revolução que nunca virá?
As idéias de Freire são perigosas não somente para os alunos, mas também para os professores comprometidos com esse tipo de educação. Um consenso mais amplo está emergindo entre reformadores da educação de que a melhor opção para enriquecer as conquista acadêmicas das crianças nas cidades de interior americanas é melhorar dramaticamente o nível dos professores que nelas ensinarão. Melhorar a qualidade dos professores numa tentativa de reduzir a diferença entre a educação de crianças pobres e as demais é o maior foco na agenda educacional de Obama. Mas se a qualidade dos professores é agora o principal foco, isso desafia a racionalidade de que a Pedagogia do Oprimido ainda ocupe um lugar de destaque em cursos de treinamento para professores, que certamente nada aprenderão sobre tornarem-se melhores instrutores com seus desacreditados chavões Marxistas.
Na era Obama, finalmente, parece ser inaceitável encorajar professores a levar a agenda política de Freire a sério. Se existe alguma mensagem política que os professores tenham que trazer para seus alunos, é aquela do nosso maior escritor afro-americano, Ralph Ellison, que afirmou ter procurado em seus escritos "ver a América com a consciência de sua diversidade e sua quase mágica fluidez e liberdade... confrontando as desigualdades e brutalidades de nossa sociedade diretamente, ainda que impelindo suas imagens de esperança, fraternidade humana, e realização individual.".
* Sol Stern é editor e articulista do City Journal, integrante senior do Manhattan Institute,www.manhattan-institute.org/e autor de Breaking Free: Public School Lessons and the Imperative of School Choice.
A fome ocorre na Coréia do Norte (um dos últimos dos antigos "paraísos" comunistas) onde o pecado é representado pelo desvio de recursos de um crápula egomaníaco que perpetua uma dinastia de opressão sobre seu próprio povo, mantendo um exército com investimentos desproporcionais ao que o país gera de recursos.
A fome das pessoas é um problema real, que incomoda os famintos e leva alguns alimentados a procurar aliviá-la. No Brasil criamos um programa governamental pífio e mal-sucedido para, supostamente, erradicá-la da sociedade. No afã de fazer alguma coisa, ou, por vezes, com motivos menos nobres e demagógicos, rotula-se a fome como sendo uma catástrofe gerada por este "mundo capitalista" - como escreveu um amigo meu. Essa análise é falha, pois o mundo é tudo, MENOS capitalista. A fome ocorre genericamente neste mundo onde impera o pecado, exatamente por causa do pecado. A fome existe nas Ruandas, Somálias, Sudãos e Etiópias da vida (de ideologia amorfa) - onde a exploração genocida, com a visão tribal de uma etnia sobre a outra exterioriza o pecado latente no coração de cada pessoa da forma mais letal - acompanhado de opressões, mutilações, extermínios, estupros, separações familiares e outras tantas barbaridades.
A fome ocorre na Coréia do Norte (um dos últimos dos antigos "paraísos" comunistas) onde o pecado é representado pelo desvio de recursos de um crápula egomaníaco que perpetua uma dinastia de opressão sobre seu próprio povo, mantendo um exército com investimentos desproporcionais ao que o país gera de recursos.
A fome ocorre nos países muçulmanos, escravizados a uma religião mutiladora dos pensamentos e da consciência; contra a qual o mundo treme e poucos têm a coragem de dizer que ela é incentivadora de violência e da exploração de um sobre o outro (especialmente aproveitando-se da fragilidade das mulheres). Fome e carência muçulmana promovida pela oligarquia de poucos regendo sobre muitos, desviando os recursos e riquezas de países que são ricos, mas que servem aos interesses de uma casta cruel. Fome e carência, como a que existe na Argélia, que foi palco de massacres em vilarejos inteiros, com muçulmanos radicais mantendo pessoas simples sob terror.
A fome ocorre quando a individualidade gloriosa com a qual Deus nos fez é subvertida pela compreensão pecaminosa de alguns sistemas e governantes e as pessoas são tratadas como "massa"; tendo a sua liberdade individual tolhida e a iniciativa pessoal e o desejo de progresso esmagado e subjugado à vontade de uns poucos privilegiados. Quando elas são levadas como bois magros a trabalhar em planos coletivos e centralizados mirabolantes, distantes de toda e qualquer realidade, fadados ao insucesso. Quando esses privilegiados constroem para si, em cima de despotismo e corrupção, impérios militares absorvedores de recursos que poderiam estar sendo revertidos em benefício dessas nações. Como os exemplos abundantes que pudemos ver na história de paraísos socialistas, hoje carcomidos e falidos pela própria ineficácia da ideologia e do sistema, que tanto empolgaram os seus apoiadores brasileiros, no passado, e que, tristemente, vemos que ainda empolgam e obscurecem a visão de muitos, em nossos dias.
A fome ocorre nos impérios descaracterizados de ideologia, onde a lei maior é o terror e onde o patriotismo dos cidadãos é cooptado para servir ao interesse dos ditadores, via de regra, a uma família, como era no Iraque. Naqueles onde a religião serve de pretexto para alianças; onde cidades inteiras foram riscadas do mapa quando os seus habitantes cometeram a imprudência de respirar na hora e no lugar errado.
A fome ocorre também, como o pecado é genérico, em países chamados "capitalistas", mas não, precisamente, em função do sistema de promoção da iniciativa e liberdades individuais, mas porque os pontos de controle são relaxados; porque se esquecem que a natureza humana é pecaminosa em todos os sentidos e achará maneiras, também, de expressar essa "individualidade" de forma errada e exploratória; sobretudo, ocorre, por falta de um sistema judicial que aplique punições rápidas, abrangentes, indiscriminadas e justas - mediante a evidência de violência e crimes cometidos - fazendo com que malfeitores vivam uma vida "mansa e tranqüila", sem medo da conseqüência dos seus atos, enquanto que os inocentes vivem sobressaltados e aflitos - exatamente o contrário do ideário Bíblico (Rm 13.1-7 e 2 Tm 2.2).
Assim tem nos ensinado a história ...
Fico triste, portanto, quando vejo cristãos que deveriam ser esclarecidos na doutrina da Palavra, se posicionarem contra questões tão elementares, como o direito à propriedade, enraizado na própria lei moral que recebemos de Deus, como se isso fosse parte da solução. Dói-me ver a utilização, no nosso meio, de chavões ultrapassados e que não resistiram o crivo da história e das evidências mais gritantes, como "capitalismo excludente", como se isso fosse uma tese provada e não um tema de discussão, para defenderem o comunismo e o socialismo. É perturbador ver a introjeção dessa visão nas diretrizes bíblicas e em seus registros históricos. Se estudarmos com seriedade as Escrituras, rejeitaremos essa visão simplista contemporânea que postula o abraçar de uma ideologia socialista moribunda, às custas do incentivo às liberdades individuais, como remédio para os males sociais. Veremos com maior clareza, igualmente, que a exaltação do homem não produz a justiça de Deus. Identificaremos a necessidade de estarmos defendendo princípios de justiça sem sucumbir a uma cartilha política anacrônica, a clichês superados ou a um alinhamento com porta-vozes do aborto e da amoralidade.
O Estadão se coloca ao lado de mais um assalto contra a economia popular, utilizando-se de falsos expedientes e falsas justificativas. Até a suposta redução de custo entra como justificativa, supondo-se que o usuário de automóvel é ou um arrematado imbecil que não sabe fazer contas ou um negligente estúpido.
De todos os problemas causados pela aglomeração excessiva nas grandes cidades será o trânsito aquele que mais irrita as pessoas. É no trânsito, todavia, que os tentáculos do poder público mais têm massacrado os indivíduos. A pretexto de fazer "justiça social" e disciplinar o sistema viário temos visto toda ordem de abusos contra os proprietários de automóveis, como o pagamento de tributos excessivos, multas arbitrárias e injustas, sistema estúpido de pontuação nas carteiras, que humilham o cidadão por nada, ao fazê-lo sentar-se para ouvir as aulinhas inócuas dos cursos para renovação da carteira de habilitação, rodízio inútil de veículos, que serve apenas para a indústria da multa e para transtornar a vida prática, além da famigerada e totalitária "Lei Seca", que viola direitos constitucionais e parte do conceito de pré-crime. Não é pouco.
Se olharmos as regras que disciplinam a fabricação de automóveis, veremos toda ordem de interferências "para a sua segurança", com determinações que na prática obrigam os automóveis a carregarem penduricalhos inúteis e mesmo inservíveis e ridículos, como extintor de incêndio e o insano kit de primeiros socorros. Na prática, tais regras encarecem enormemente o custo do veículo e se tornam a maldição na vida dos proprietários. Cair em uma blitz policial é certeza de receber multa, para veículos com mais de um ano de uso.
Não devemos esquecer que boa parte dos problemas de trânsito são resultados de falhas graves do poder público, basicamente por investimentos deficientes na infra-estrutura adequada de transporte coletivo e erros, por vezes homicidas, na engenharia das vias públicas. A incompetência dos órgãos gestores do tráfego é um capítulo da história que precisa ser contado ainda. Sem contar decisões irracionais na engenharia viária, cujos gestores mais das vezes utilizam critérios incompreensíveis para determinar o fluxo de veículos.
Tudo isso é resultado de poderosos lobbies agindo nos centros de decisão. Estamos a ver mais um round nesse luta desvantajosa contra os proprietários de automóveis. Desde o começo do ano que a imprensa em geral tem associado o problema dos congestionamentos a avarias de veículos na via pública. Certamente que avarias terão seu impacto, mas nada comparável aos problemas acima listados. E porque de repente a imprensa passou a se interessar pelos veículos quebrados? Porque é porta-voz do lobby dos burocratas e industriais interessados na regulamentação do item do Código de Trânsito, que determina a inspeção mecânica obrigatória anual, vinculada ao licenciamento.
Vimos esse filme no passado e sabemos que serve aos interesses da burocracia, da indústria e da rede se serviços, que se nutre como abutres em torno do cadáver do usuário de automóveis. A fama de corrupção que os DETRANs de todo o Brasil carregam não é injusta, mas resultado da experiência acumulada. Pelo jeito, o lobby está na fase final de ação e a imprensa assalariada está sendo utilizada como soporífero para a massa de vítimas que pagarão por mais esse roubo, por mais um instrumento de achaque sobre as pessoas.
A Folha de São Paulo pelo menos tem usado apenas do poder de noticiar essa sordidez. O Estadão se supera, ao transformar a hediondez em editorial, na sua edição de hoje (Trânsito e carros quebrados). Veja o que escreveu o editorialista, meu caro leitor:
"A manutenção preventiva custa, em média, 30% menos do que a corretiva e a obediência às recomendações do fabricante mantém o consumo médio de combustível e o índice de emissão de poluentes dentro dos padrões de tolerância. Mas o que realmente poderá mudar o comportamento da maioria dos motoristas será a inspeção mecânica obrigatória, vinculada ao licenciamento dos veículos, conforme estabelece o Código de Trânsito. No entanto, há mais de dez anos espera-se pela sua regulamentação, dada a disputa interminável entre instâncias de governo interessadas na arrecadação da taxa da vistoria. Enquanto isso, a frota cresce, envelhece e a insegurança aumenta".
O Estadão se coloca ao lado de mais um assalto contra a economia popular, utilizando-se de falsos expedientes e falsas justificativas. Até a suposta redução de custo entra como justificativa, supondo-se que o usuário de automóvel é ou um arrematado imbecil que não sabe fazer contas ou um negligente estúpido. Ora, ninguém deixa o carro deteriorar-se se pode fazer a manutenção. Toda gente sabe o horror que é ir trabalhar e ter o carro quebrado a meio do caminho. Ninguém precisa que nenhum burocrata, a serviço de inconfessáveis interesses escusos, venha gerenciar sua vida. Um carro quebrado enseja elevado custo para o proprietário, de remoção e reparo e perda de tempo, é em si um enorme castigo. Daqui a pouco inventarão multa por se ter um pneu furado na via pública.
É para isso que seve a nossa grande imprensa, caro leitor, para dar justificativas estapafúrdias aos atos de governos mais mesquinhos e contrários aos cidadãos. O mínimo que digo desse editorial é que é torpe e mentiroso.
E aqui está a questão central do burocrata tornado professor: não existe janela de saída, nenhum turnover. A pessoa que está professora, sem vocação e desmotivada, não sai e o patrão, o Estado, se recusa a demitir, mesmo diante das graves deficiências de desempenho. A vítima, além do contribuinte que paga, é o jovem estudante, prejudicado no seu direito elementar de obter a formação adequada.
O grande problema da rede pública de ensino, o maior de todos, é a impossibilidade de ser administrada, em face do gigantismo, do viés militante do professorado e do aparelhamento, pelas lideranças sindicais, das greves para fins políticos.
A imprensa noticiou que o sindicato dos professores do Estado de São Paulo marcou greve para próxima quarta feira, reivindicando elevado percentual de aumento de salários e uma pauta política, pedindo a retirada de dois projetos de lei de iniciativa do Executivo, que modificam a forma de contratação de professores temporários. O pano de fundo do movimento grevista, todavia, são as eleições do ano que vem. O sindicato não está alinhado com o governo paulista e faz o jogo da oposição.
Veja, caro leitor, são 215 mil professores. Como administrar uma massa desse tamanho? Inviável. Todos os anos vemos as pautas de reivindicações e as "conquistas" da classe, sempre em prejuízo dos contribuintes e das necessidades pedagógicas dos alunos, em processo cumulativo, que alarga ganhos e reduz a jornada de trabalho, permitindo o absenteísmo remunerado. O Estado de São Paulo tem graves deficiências de preparação dos alunos e digo sem medo de errar que tais deficiências são provocadas por duas causas.
Em primeiro lugar, pelo descompromisso acadêmico do professorado, que fez da profissão de professor público um enorme cabide, à espera de completar o tempo de aposentadoria. O segundo ponto é o despreparo evidente de boa parte dos integrantes do quadro. Desconfio que, se os professores das cadeiras específicas se submetessem às provas das respectivas disciplinas nos vestibulares, teríamos uma surpresa vexaminosa. Ao lado de uma minoria excelente teríamos uma larga maioria despreparada para o exercício do seu mister, que não deveria ser professora.
E aqui está a questão central do burocrata tornado professor: não existe janela de saída, nenhum turnover. A pessoa que está professora, sem vocação e desmotivada, não sai e o patrão, o Estado, se recusa a demitir, mesmo diante das graves deficiências de desempenho. A vítima, além do contribuinte que paga, é o jovem estudante, prejudicado na sua necessidade elementar de obter a formação adequada.
Além do mais, o processo de ensino está objetivando a formação de militantes políticos e não de líderes empreendedores. A cada geração se multiplica o espírito de funcionário público. Os métodos de ensino e a perspectiva adotada pelo grosso dos burocratas professores visam a perpetuação da formação de novos burocratas, numa espiral sem fim.
A receita para esses problemas todos é uma só: a privatização das escolas, a celetização do professorado. O enorme patrimônio de edificações e apetrechos escolares poderia perfeitamente ser leiloado e os bons professores aproveitados. Os maus deveriam ou ser demitidos ou aposentados ex officio. Teríamos uma grande inovação pedagógica se algo assim fosse tentado.
Aos alunos carentes, supostamente toda massa hoje matriculada na rede pública, o Estado asseguraria matricula pagando a mensalidade. Depois do período de transição seria possível até mesmo se pensar em um processo em que o benefício da escola paga pelo poder público estaria vinculado ao desempenho escolar, o que daria uma injeção de ânimo instantânea no desejo de aprender do aluno. Ganhos na relação ensino/aprendizado aconteceriam de forma imediata, restabelecendo-se a autoridade do professor.
Eu sei que tocar nesse tema é polêmico e contraria o senso comum. Mas sei também que a situação, como está, não pode ser mantida. Algo precisa ser feito. Enquanto isso não vem, os sindicalistas, populistas e politicamente teleguiados, fazem da questão essencial da educação elemento de barganha espúria, em prejuízo de toda a sociedade.
A UnoAmérica manifesta seu total e absoluto respaldo aos parlamentares argentinos que procuram suspender o ingresso da Venezuela governada por Chávez no Mercosul.
Bogotá, 29 de maio - A União de Organizações Democráticas da América, UnoAmérica, manifesta seu mais sincero respaldo ao povo argentino frente às agressões permanentes do senhor Hugo Chávez.
A mais recente foi confiscar as propriedades de empresários argentinos na Venezuela, porém essa é apenas a última de muitas outras, entre elas: o financiamento a grupos violentos, como os chamados "piqueteros", o apoio a grupos pró-terroristas, como as Mães da Praça de Maio, o envio de valises repletas de dinheiro para financiar campanhas eleitorais, a intervenção indevida em seus assuntos internos, ao organizar protestos contra os Estados Unidos em território argentino e a compra de bônus da dívida para fomentar negócios corruptos.
Do mesmo modo, a UnoAmérica manifesta seu total e absoluto respaldo aos parlamentares argentinos que procuram suspender o ingresso da Venezuela governada por Chávez no Mercosul. Trata-se de uma decisão sábia e prudente, não somente porque reafirma a dignidade e a soberania dos argentinos, mas porque protege essa nação da ação dos grupos terroristas vinculados ao governo venezuelano, entre eles, as FARC e o fundamentalismo islâmico.
Finalmente, as organizações não-governamentais venezuelanas pertencentes à UnoAmérica, entre elas a Fuerza Solidaria, oferecem suas mais sentidas desculpas aos argentinos pelo comportamento inaceitável de Chávez frente a esse povo irmão. Suas ações não representam o sentimento dos venezuelanos que, pelo contrário, as rechaçam e as criticam.
Escrito por Peter Hof Seg, 01 de Junho de 2009 00:00
O velho adágio segundo o qual O preço da liberdade é a eterna vigilância me vem à cabeça quando percebo a mensagem subliminar, veiculada na mídia impressa ou eletrônica, de que “armas” tiram vidas de cidadãos inocentes. Mesmo quando o cidadão consegue se defender com uma arma de fogo, como um caso acontecido no Rio Grande do Sul, onde uma mulher matou um assaltante que invadira sua casa, a imprensa sempre tem um “especialista de plantão” para dizer que o ato do cidadão de reagir foi uma loucura. Existem também políticos a dizer bobagens sem nenhuma comprovação, caso da vereadora carioca Andrea Gouvêa Vieira, que declarou no Globo que não se deve resistir a um assalto, pois nove em dez pessoas que a ele reagem acabam mortas. Em 16/11/2006, escrevi para o endereço eletrônico do ilustre edil, perguntando pela fonte da informação, e nunca obtive uma resposta.
Outro fato de particular interesse é a questão da bala perdida. Fala-se (e escreve-se) muito sobre o assunto, a ponto de ter se tornado, de acordo com pesquisas, uma das maiores preocupações dos cariocas. Agora, muito raramente se diz que a quase totalidade de vítimas de balas perdidas é decorrente de confrontos entre a polícia e a marginalidade. Fica assim, no ar, a impressão de que essas balas perdidas são resultado de confrontos entre cidadãos de bem, que em um momento tresloucado saem a atirar em outros cidadãos. Em uma pesquisa que realizei durante quatro anos sobre crimes noticiados por um diário carioca (O Dia), entre os 1.855 casos de mortes por armas de fogo apenas três foram comprovados como balas perdidas não oriundas de confronto entre forças policiais e a marginalidade. Já os ocorridos durante os confrontos foram noticiados sessenta e quatro casos.
Assim, é importante que todo cidadão ou instituição que defende o direito do cidadão deve ficar alerta, pois os antiarmas não desistiram de desarmar o cidadão de bem. Já desarmar a marginalidade... Estão achando que exagero? Alguém sabe da existência de algum ponto de coleta de armas que tenha sido instalado em uma favela?
Vamos mostrar agora as consequências de como um governo mal-intencionado, apoiado pelo congresso mais corrupto de nossa história como país independente, pode nos levar através de uma manobra suja. Vejam o que acontece quando se retira de um povo o sagrado direito de defender suas famílias e a integridade de seus lares. E podem ter certeza de que qualquer coisa que vierem a fazer contra o direito do cidadão de se autodefender vai ser feito às escondidas, em uma sórdida reunião de gabinete. Afinal, essa súcia de aproveitadores aprendeu a lição: perguntar para a população sua opinião sobre o assunto, NUNCA MAIS.
Vamos falar das consequências da campanha de desarmamento ocorrida na Inglaterra e seus resultados. E, ao contrário da vereadora Gouvêa Vieira, não vamos fazer um exercício de “achologia”. O que o amigo leitor vai ler agora é uma tradução da página 213 até a 216 do livro Guns and Violence – The English Experience, da professora Joyce Lee Malcolm, editado pela Harvard University Press, Cambridge, MA, USA – 2002-. A editora, como sabem, é uma das mais prestigiadas dos EUA. Ao contrário das parolices da vereadora carioca, a senhora Malcolm é uma verdadeira estudiosa do assunto, professora de História da Bentley University – Waltham, MA. Ela é também a autora de outro livro sobre o assunto intitulado To keep and bear arms: The origins of Anglo-American Right.
Mas vamos à tradução:
O caso de Tony Martin, um fazendeiro de Norfolk, de 55 anos de idade, é um exemplo do que a polícia inglesa, com seu rigoroso controle de armas e monopolização da proteção do cidadão, tem produzido. Martin já sofrera repetidas invasões em sua “remota e depauperada fazenda Vitoriana” quando Brendon Fearon, o líder de uma gang de assaltantes de residências de Nottinghamshire, e Fred Barras, um contumaz delinqüente, entraram na casa de Martin na noite de 20/8/1999. Martin foi acordado às 22:00 horas quando os invasores quebraram uma vidraça. Ele deslizou para o andar de baixo com sua arma de fogo sem registro, enquanto os dois bandidos estavam distraídos colocando pequenos itens de prata em um saco, e abriu fogo, acertando Fearon na perna e matando Barras. Martin foi acusado de homicídio, tentativa de homicídio e posse ilegal de arma de fogo. Em seu julgamento, o promotor acusou Martin de esperar que os assaltantes invadissem para então atirar neles como “ratos numa armadilha”. Os jurados ouviram um testemunho de que haviam sido oferecidos 60 mil dólares pela vida do fazendeiro. Em 19 de abril de 2001, Tony Martin foi condenado à prisão perpétua por homicídio. Foi dada a ele uma sentença adicional de 10 anos por ferir Fearon e outros 12 meses por porte ilegal de arma de fogo. Quando o veredicto foi lido, os membros da família dos assaltantes adolescentes “uivaram em aprovação” e uma parenta gritou para Martin: “Espero que você morra na prisão!” A mãe de Martin, de 86 anos, disse que estava “estupefata, chocada e zangada. Por causa do veredicto pessoas decentes não seriam capazes de dormir à noite.” O chefe de polícia da região admitiu que Martin sofrera tantas perdas que ele achava que trabalhar com a polícia era “tempo jogado fora”. O Sr. Justice Owen resumiu sua visão do resultado para o tribunal: “Me parece que este caso serve como um aviso urgente a todos os assaltantes que invadem residências de outras pessoas. A todo cidadão é permitido o uso razoável da força para prevenir o crime. Assalto é crime. O dono da casa pode pensar que ele está sendo razoável, mas isso pode trazer trágicas consequências.” Um furor público em favor de Martin se seguiu ao veredicto e levou a porta-voz para questões domésticas do partido oposicionista conservador, Ann Widencombe, a lançar a campanha “Surre um assaltante”. Mas, na visão de Widdencombe, Martin usou força excessiva. O que teria sido apropriado? Se ele tivesse usado um bastão para bater em Barras na cabeça – presumivelmente sem causar muito dano – e o mantivesse parado até a policia chegar, disse ela, “tanto melhor para ele”. De que forma ele manteria o outro invasor também imóvel ela não disse. Até o secretário do partido Trabalhista, Jack Straw, pediu o fim da cultura do “não estou nem aí”. Políticos de oposição começaram a rever a lei de estado de autodefesa e a considerar como ela poderia ser mudada. Quando William Hague, líder do partido Conservador, prometeu que o próximo governo conservador renovaria a lei para dar maior proteção àqueles que confrontassem assaltantes, ele foi acusado de encorajar uma “mentalidade de linchamento”. Porta-vozes da polícia se opuseram a qualquer mudança. O presidente da Federação de Polícia argumentou que “a lei não precisa mudar; é só uma questão de como esta palavra ‘razoável’ é interpretada pelos juízes, jurados e advogados”. E Crispian Strachan, Chefe de Polícia de Northumbria, reiterou que oferecer maior proteção legal a pessoas que lutarem com invasores de residências poderia gerar, na Grã Bretanha, níveis americanos de assaltos violentos e mortes. “Eu tenho ouvido comparações com os Estados Unidos”, continuou ele, “onde há uma quantidade levemente menor de assaltos a residências, mas uma quantidade muito alta de crimes violentos e homicídios. Isto porque eles têm o direito de defenderem-se a qualquer custo. Eu não gostaria de ver isto acontecendo por aqui.” Tanto a comparação que Strachan faz das ocorrências de crime quanto sua descrição da lei americana são distorcidas e não passam de estereótipos ultrapassados. Uma observação final sobre o caso de Martin. Depois do veredicto, dois jurados confessaram que se sentiram intimidados a julgar Martin culpado por medo de retaliação e pela presença de um grupo de homens sentados nas galerias, encarando o Júri. Numa decisão sem precedentes, três juízes da Corte de Apelações ordenaram que jurados podem ser questionados depois de um julgamento. Em outubro de 2001, juízes da Corte de Apelações reduziram a condenação de Martin de homicídio doloso para homicídio culposo (sem intenção de matar). Com isso, sua sentença de prisão perpétua foi reduzida para cinco anos e sua sentença adicional de 10 anos por ferir Fearon foi reduzida para três anos, correndo ao mesmo tempo. A decisão dos juízes foi baseada não em novas provas apresentadas que corroborassem que Martin agiu em autodefesa, mas na consideração que ele teve sua responsabilidade diminuída porque fora castigado severamente como um criança. Lorde Woolf, falando pelos juízes, disse: “Martin usou uma arma de fogo, que ele sabia que não tinha direito de ter, de uma forma totalmente injustificada. Não pode haver desculpas para isto, embora tenhamos decidido que sua responsabilidade foi reduzida.” Martin terá direito a condicional em um ano. Fearon já foi libertado. Ao comentar a deliberação do Tribunal, o editor da revista The Spectator observou que a decisão “não fez coisa alguma para corrigir uma injustiça na lei inglesa: que alguém que use força excessiva para autodefender-se pode ser considerado culpado do mesmo crime de um assassino serial que corta as gargantas de velhinhas a sangue frio.” Assim, um fazendeiro inglês, vivendo sozinho, foi sentenciado à prisão perpétua por matar um assaltante profissional, e a 10 anos por ferir um outro, quando os dois invadiram sua residência no meio da noite. Se Martin estivesse vivendo na Inglaterra no século XIX ou em qualquer estado da América, na França ou na Alemanha de hoje, ele não teria sido julgado por homicídio. Os jurados se sentiram desconfortáveis e, em alguns casos, intimidados em julgá-lo culpado. Até aqui a Inglaterra tem oscilado entre sua tradição constitucional e o direito básico à segurança pessoal pelo cidadão obediente às leis. O conselho de Dicey (*), cem anos atrás, revelou-se profético: “Desestimule a autodefesa, e pessoas decentes tornar-se-ão escravas de rufiões.”
Se não tivesse sido descrito por uma autora respeitável, editado em livro, eu certamente acreditaria que o texto acima se tratava de uma dessas brincadeiras que aparecem na internet todos os dias.
Fica aqui o conselho, leitor amigo: quando os trêfegos defensores do desarmamento total do cidadão de bem vierem com sua batida cantilena, cidadãos esses com os bolsos recheados de fundos enviados do exterior, lembre-se da história real do pobre Tony Martin. É nessa miserável condição de vitima indefesa que eles querem colocá-lo. A escolha é sua.
NT (*) Albert Venn Dicey (1835 – 1922), jurista Britânico.
Aos partidos de direita não falta somente a perspectiva de poder, falta até mesmo a compreensão elementar do que seja o poder, que eles confundem com "cargos".
Olavo de Carvalho - 31/5/2009 - 18h56
Entre outros resultados interessantes que deixarei para comentar outro dia, o estudo dos cientistas políticos Timothy Power e César Zucco, publicado na Latin American Research Review sob o título "Estimating Ideology of Brazilian Legislative Parties, 1990-2005" (v. http://www.iuperj.br/site/czucco/czucco_files/paperlarr.pdf), mostra que, enquanto os parlamentares tidos por seus adversários como "de direita" evitam colocar-se sob esse rótulo, os de esquerda, centro-esquerda e centro se autodefinem até como mais esquerdistas do que a posição nominal dos seus partidos deixaria suspeitar.
Esse fato não era desconhecido antes da pesquisa, mas adquire com ela uma certa visibilidade cientifica que tornará mais difícil, doravante, menosprezar-lhe a importância.
As conclusões óbvias que ele impõe, e que os autores do estudo evitam declarar, já que elas transcendem os limites imediatos do que se propuseram investigar, são as seguintes:
1. A esquerda tem o domínio quase absoluto dos mecanismos culturais de estímulo e inibição vigentes nas altas esferas, demarcando a seu belprazer a fronteira entre a decência e a indecência, o orgulho e a vergonha, o mérito e a culpa. Os direitistas apressam-se em submeter-se a essa autoridade moral monopolística, não com passividade e indiferença, mas com uma verdadeira ânsia de ser aprovados por seus adversários.
2. Abdicando de todo critério moral próprio, a direita exclui-se, automaticamente, de qualquer possibilidade de combate na esfera cultural e psicológica, deixando o País à mercê da hegemonia gramsciana e limitando-se à disputa de cargos (o que implica ainda mais subserviência à facção dominante), ou então à discussão de miudezas econômico-administrativas sem nenhum alcance estratégico. O presidente da República disse uma verdade flagrante ao afirmar que os partidos de oposição não têm perspectiva de poder. Eu diria até que ele foi caridoso nesse julgamento: aos partidos de direita não falta só a perspectiva de poder, falta até mesmo a compreensão elementar do que seja o poder, que eles confundem com "cargos". Imaginar que, com cargos ou sem cargos, seja possível conquistar o poder abdicando da hegemonia, é coisa de uma ignorância tão patética que, mesmo entre os esquerdistas mais empedernidos, deve arrancar lágrimas de comiseração ante adversário tão despreparado e inerme.
3. Mais que definir as regras do jogo, a esquerda cria até mesmo a identidade do adversário, colocando na "direita" quem assim lhe interesse catalogar no momento, passando por cima dos protestos subjetivos do catalogado e ignorando com frieza de femme fatale os afagos e juras de amor com que ele tenta cavar um lugarzinho no grêmio das pessoas decentes, isto é, esquerdistas.
4. O rigor do critério de seleção para o ingresso no círculo dos bons é tão implacável, tão inflexível, que a honra suprema do esquerdismo é negada até a velhos, tarimbados e fiéis militantes de esquerda, tão logo eles cometam a imprudência de entrar num partido que a esquerda, conforme seus interesses do momento, tenha rotulado como de direita.
Pela milésima ou enésima vez, a realidade dos fatos confirma a obviedade proibida: não há política de direita sem uma moral de direita, sem uma filosofia de direita, sem uma cultura de direita, isto é, sem tudo aquilo de que a nossa direita foge esbaforida, como se foge da peste.
Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia
"The Soviet Story" é uma história de uma potência aliada. Ela ajudou os nazistas a lutar contra judeus e massacrar o seu próprio povo numa escala industrial. Assistida pelo Ocidente, este poder triunfou em 9 de Maio de 1945. Os seus crimes tornaram-se tabus, e a história completa do regime mais assassino da Europa nunca foi contado. Até agora..."
Obs: O vídeo está no formato .flv (Flash Link Vídeo). Para assistir, é necessário ter o pacote de codecs “K-Lite Mega Codec Pack” ou similar, instalado em seu computador.
Download do filme (Dividido em 13 partes - Legendado em português)
Gal. Olímpio Mourão Filho
"Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois, a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso."
(MOURÃO FILHO, Olímpio. Memórias: a verdade de um revolucionário. Porto Alegre, L&PM, 1978. Pag. 16)
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Revista O Cruzeiro publicou em 1964 o que TODA A MÍDIA ATUAL, AS UNIVERSIDADES e a "INTELEQUITUALIDADE" BRASILEIRA tenta esconder: a situação do Brasil pré-1964
FATOS: Revista O Cruzeiro e o MOVIMENTO CÍVICO-PATRIÓTICO DE 1964