segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Tu ne cede malis!

Mídia Sem Máscara

Tu ne cede malis sed contra audentior Ito.

(Jamais ceda ao mal, mas lute cada vez mais bravamente contra ele.)

Lema do Instituto Ludwig von Mises, extraído do livro VI de Eneida, de Virgílio.

Caros leitores,

Ao escrever este texto, trago-vos a mensagem de quem faz uma avaliação do processo eleitoral. As minhas impressões pessoais sobre o anúncio do resultado e o discurso da Sra. Dilma Rousseff pela tevê deixaram-se marcar pela observação do tom lúgubre geral, muito diferentemente da "maior festa da democracia" da história do país, quando Lula logrou o primeiro mandato. Parece refletir bem o pesar da parcela brasileira que obteve consciência do perigo que a Sra. Estela representa. O programa Fantástico a exibiu de forma protocolar, e seguiu sua programação com outros temas, como se nada de mais houvesse acontecido.

Diferentemente dos articulistas mais famosos que tudo deram de si pela candidatura de Serra, jamais deixei de frisar que a sua escolha, de minha parte, se daria tão somente por um processo de exclusão. Era o menos pior. Só isto. Justamente por tal motivo, meu desapontamento não se deu na medida com que deve ter acometido a tantos. Antes de tudo, este blog trabalha por oferecer uma proposta anti-política, de consolidação de instituições privadas de cidadania e de convencimento da opinião pública a não abrir mão de sua liberdade e de sua propriedade, capacitando-a, sobretudo, a desmascarar a demagogia dos políticos, sejam de quais agremiações forem.

Estas eleições trouxeram avanços e retrocessos para ambos os lados. Do ponto de vista das instituições, o maior perdedor foi o Poder Judiciário Eleitoral, TSE e TRE's. Jamais a legislação e a atuação dos juízes foi tão casuísta, particularista, e sejamos francos, tendenciosa. Este é o lado mais preocupante.

Por outro lado, a crise havida com as religiões, em especial, quanto ao tema do aborto, agravada pela ampliação internacional da polêmica, cujo ápice se deu com a intervenção direta do Papa Bento XVI, finalmente jogou a CNBB contra a parede, para que os bispos impostores ou cumpram a sua missão ou fujam pela janela. A CNBB, que certamente restou com as suas estruturas abaladas, agora se vê diante da divulgação do que antes poucos tinham conhecimento, isto é, de que ela não representa a hierarquia canônica, no que pese - e como - o fato de tantas vezes ter se apresentado como tal, em flagrante impostura.

Uma parte da imprensa também finalmente ergueu os olhos para a ameaça - agora tornada mais real - do cerceamento à liberdade de expressão, e portanto antevejo dias menos floridos para a Sra. Dilma Rousseff e o PT, e nisto o maior perigo reside no Poder Judiciário, a ratificar fórmulas extravagantes de controle dos meios como uma necessidade de controle como se fossem independentes da liberdade estrita de reproduzir o pensamento.

Ainda, para completar, uma variedade de instituições privadas está saindo das fraldas, e deve começar a gerar uma repercussão cada vez maior. Em quatro anos muito pode acontecer. Será uma mudança geral na opinião pública a força que poderá mudar a naturalidade com que hoje as pessoas que são enganadas pelas esquerdas votam nelas, e isto vai acontecer.

As oposições precisam adotar estratégias diferentes, na verdade, as que têm desprezado ao longo dos anos e que publicamos reiteradamente aqui, tenha sido da minha lavra ou de outros colunistas ilustres. Termino este texto já tendo ouvido o pronunciamento de Serra, com uma orelha apontada para a esperança e outra para a desconfiança, mas escutei palavras de que o movimento de oposição está só começando, a lutar pela liberdade e pela democracia. Oxalá tenham aprendido a lição.

Grande descoberta

Mídia Sem Máscara

Enquanto uma coisa não aparece no Jornal Nacional ou não é confirmada pelo testemunho de meia dúzia de pop stars, ela não existe, ainda que pose ante os olhares do mundo desde o alto do Corcovado ou no meio da Praça da Sé.

De repente, parece que todas as mentes iluminadas do País descobriram aquilo que os documentos internos do PT, as atas do Foro de São Paulo e centenas de artigos que escrevi a respeito lhes teriam revelado dez ou vinte anos atrás, se consentissem em lê-los e se, malgrado suas profissões nominalmente letradas, não padecessem da obstinada insensibilidade brasileira à palavra escrita. Brasileiro só acredita no que vê. Não no que vê com os seus próprios olhos (a capacidade de inteligir diretamente da experiência é desconhecida na nossa cultura), mas naquilo que vê na televisão; ou naquilo que ouve da boca das "pessoas maravilhosas", cujas palavras dão visibilidade até ao inefável.

Enquanto uma coisa não aparece no Jornal Nacional ou não é confirmada pelo testemunho de meia dúzia de pop stars, ela não existe, ainda que pose ante os olhares do mundo desde o alto do Corcovado ou no meio da Praça da Sé. Nélson Rodrigues falava do "óbvio ululante", mas em vão ululam os fatos mais espalhafatosos na Terra do "Eu não sabia!. Sem o nihil obstat apropriado, até um King Kong político como o Foro de São Paulo permanece abstrato e inacessível como uma hipótese metafísica escrita num papiro desaparecido.

Mas recentemente até Caetano Veloso, Arnaldo Jabor, Hélio Bicudo, Carlos Vereza e Fernando Gabeira saíram gritando - e então as mentes iluminadas se abriram à revelação: descobriram que o PT não é um partido normal, feito para alternar-se no poder com os demais partidos, e sim uma organização revolucionária criada para absorver em si o Estado e remoldá-lo à sua imagem e semelhança.

Grande descoberta.Teria sido ótimo fazê-la quando o PT ainda tinha quinze por cento do eleitorado. Hoje ela soa como o verso de Manoel Bandeira, o mais triste do idioma pátrio: "A vida inteira que poderia ter sido e que não foi."

Almas desencantadas com o esquerdismo revolucionário nunca faltaram no mundo, pelo menos desde a década de 30 do século passado. Uma delas, Ignazio Silone, chegou até a dizer que a batalha política final não seria entre comunistas e anticomunistas, mas entre comunistas e ex-comunistas.

A diferença é que no Brasil de hoje essas almas, ao mudar de partido, não percebem que o fizeram: falam de seus desafetos de agora como se estes não fossem os seus ídolos de ontem. Acusam com a inocência de quem não se lembra de ter sido cúmplice nem mesmo por um minuto.

É fenômeno inédito no universo. Por toda parte são célebres os depoimentos de comunistas e "companheiros de viagem" arrependidos: Arthur Koestler, André Gide, David Horowitz, Guillermo Cabrera Infante, Victor Kravchenco, Louis Budenz, Emma Goldmann, Victor Serge - a lista não acaba mais. Em cada um desses casos a decepção política trouxe consigo o impulso de uma revisão do passado, de uma aferição de responsabilidades. Na mais lacônica das hipóteses, vinha a confissão de Humphrey Bogart, que se tornou clássica ao resumir tão bem a vida de milhões de ex-militantes e simpatizantes: "Eu não era comunista. Era apenas idiota."

No Brasil também se fazia assim. Da legião dos desiludidos com o PCB nos anos 50 - Oswaldo Peralva, Paulo Mercadante, Antonio Paim e tantos outros - nenhum se esquivou, que eu saiba, de pesar sua parcela de colaboracionismo na construção da engenhoca stalinista.

É que naquela época havia intelectuais, pessoas que a aquisição de uma cultura internacional havia libertado dos vícios do meio imediato. Hoje, esses requintes de consciência são coisas do passado. Só o que interessa agora é ficar bem na fita.

Os fulanos dão tudo de si para consagrar o mito da santidade da esquerda, acendem mil velas a São Lulinha, aplaudem, lisonjeiam, babam de devoção, e depois, quando o ídolo falha às suas expectativas, saem esbravejando como se fossem vítimas e não coautores do embuste. Nunca foi tão barato virar herói da noite para o dia.

Não condeno essa gente do ponto de vista moral. Digo apenas que não há política séria onde as opiniões sobre o curso geral das coisas vêm amputadas de toda consciência autobiográfica. Só entendemos a História desde a nossa própria história.

Quando o desejo de parecer bonito sobrepuja a necessidade de compreender a vida pessoal no contexto da História e vice-versa, é que, definitivamente, o apego às falsas aparências do momento se tornou uma obsessão psicótica, extirpando das almas o último resíduo de senso da realidade.

Mas, para piorar, não foi esse mesmo culto que consagrou o mito "Lulinha Paz e Amor"? Não foi a ânsia de enxergar virtudes imaginárias numa personalidade mesquinha, oca e vaidosa que levou tantos brasileiros a tapar os olhos ante um passado político no qual o futuro se anunciava da maneira mais clara e evidente? Não foi esse apetite de automistificação que induziu a classe letrada praticamente inteira a crer mais em alegações publicitárias e desconversas interesseiras do que em milhares de páginas de documentos e provas?

De que adianta, agora, repetir o mesmo erro com signo partidário invertido? Ninguém pode tomar uma posição madura ante os fatos da História quando rejeita e encobre os da sua própria vida. Não há futuro para quem foge do passado.

No entanto, ainda que do modo errado, essas pessoas estão do lado certo. Espero que esse lado vença, mas é claro que ele teria mais força se trocasse o bom-mocismo por um pouco de virilidade intelectual.

A vitória de Dilma

Mídia Sem Máscara

Nivaldo Cordeiro comenta em vídeo a vitória e o evidente despreparo de Dilma Rousseff perante as mudanças no cenário internacional, a aliança espúria entre petistas e as velhas raposas do patrimonialismo, a força da oposição e a tibieza de José Serra.

A vitória da Dilma foi pela metade, seja porque quase metade do País lhe negou voto, seja porque a sua base maior de apoio é o PMDB, este sim, o grande vitorioso. O PT terá que governar com os patrimonialistas de sempre. E agora terá sobre si a vigilância dos conservadores, que não permitirão abusos constitucionais sem reação expedita. José Serra será talvez o maior responsável pela sua própria derrota. Nunca o vi acreditar de fato que seria o eleito. Nunca se portou como um lutador em combate terminal. Nunca atacou a adversária com as armas mais mortais de que dispunha. Nesse sentido, mereceu perder.

Ao invés de puxar o eleitorado, foi por ele empurrado, uma situação estranha. De qualquer maneira, o jogo político no Brasil está mais equilibrado e o PT tem sobre si a vigilância da opinião pública e o poder dos governadores dos grandes Estados, na oposição.

Morte de Kirchner prejudica as FARC

Mídia Sem Máscara

Kirchner foi o diretor da orquestra nas pretendidas emboscadas da UNASUL contra o presidente Uribe, em retaliação pela morte do terrorista Raúl Reyes no Equador.

A inesperada morte do dirigente político argentino Néstor Kirchner, constitui um duro revés para o Plano Estratégico das FARC e a intencionalidade dos cúmplices do Foro de São Paulo, que continuam empenhados em legitimá-las a todo custo, para que os governos proto-terroristas de Chávez, Lula, Correa, Ortega, os Castro, Evo, Mujica, a Kirchner e Lugo, as ajudem a conseguir status de beligerância e lhes concedam embaixadas com a firme intenção de apoiar uma aventura armada contra a Colômbia, financiada por Chávez e instigada por Lula e o agonizante ditador cubano.

À morte em combate de Mono Jojoy, somaram-se a perda de todos os segredos eletrônicos do grupo terrorista e a destituição e inabilitação política da chefe de Colombianos pela Paz, ONG convertida de forma aberta e descarada na caixa de Pandora das FARC, e no meio mais publicitário com o qual os terroristas brincam com a dor das vítimas dos seqüestrados que apodrecem na selva.

Esta seqüência de inesperados reveses para as FARC impediu que o defunto Kirchner concretizasse com Colombianos pela Paz, a pantomima de que as FARC libertem os 19 seqüestrados em troca do reconhecimento político, e a supressão do mote de terroristas ao braço armado do Partido Comunista Colombiano.

Enquanto milhares de comentaristas na América Latina ressaltam o suposto estadista Néstor Kirchner, os colombianos não podemos esquecer que este personagem, expulso em sua juventude das fileiras peronistas pelo próprio general Perón, durante seu governo aberto e durante sua permanência na sombra do discreto mandato de sua limitada esposa Cristina, facilitou a entrada e asilo político a vários terroristas das FARC na Argentina, e que seu sócio Patricio, do Partido Comunista Argentino, o ajudou a montar a ópera bufa de um filme em que as FARC aparecem como benfeitores e arcanjos, com avant premier incluída em Buenos Aires e estréia formal na Suécia, no exato momento em que outro personagem de nacionalidade colombiana lhes abria as portas da propaganda política no Vaticano.

Tampouco os colombianos podemos esquecer que Kirchner era o epicentro do asqueroso conchavo montado pelas FARC e seus cúmplices, com a suposta libertação de Emmanuel, o filho de Clara Rojas, em dezembro de 2007 em Villavicencio. Naquela oportunidade o ex-ministro equatoriano Larrea, em atuação própria de um delinqüente de colarinho branco, chegou à capital do Meta enviado por Correa para acompanhar Kirchner na montagem da suposta boa-vontade das FARC, para que depois que Emmanuel fosse libertado, Chávez, Lula e os demais cúmplices da UNASUL dessem reconhecimento político aos terroristas.

Muito menos podemos esquecer, os colombianos, que Kirchner foi o diretor da orquestra nas pretendidas emboscadas da UNASUL contra o presidente Uribe, em retaliação pela morte do terrorista Raúl Reyes no Equador. Mal procede o governo de Santos em utilizar, por meio da chanceler Holguín, a frase de lápide de que há um sentimento de dor do povo colombiano pela morte de Kirchner, pois em vida este homem foi um amigo das FARC e, portanto, um inimigo da Colômbia.

Por estas simples razões, a morte de Kirchner foi um duro revés para o Plano Estratégico das FARC, categórico golpe do destino ao qual somam-se decisões disciplinares da Procuradoria contra os que, utilizando os cargos públicos e o dinheiro dos contribuintes colombianos, viajaram pelo mundo para desprestigiar o país e fazer ressonância ao terrorismo comunista.

*Analista de assuntos estratégicos - www.conflictocolombiano.com

Tradução: Graça Salgueiro

Dança com lobos

Mídia Sem Máscara

Mas os lobos, bem, os lobos não são propriamente os melhores zeladores de qualquer rebanho. E eles continuam comandando a CNBB.

Não foi dito por acaso. Tampouco como mera observação feita à margem dos fatos, desconectada da realidade do encontro e de seus participantes. A fala de Bento XVI aos bispos brasileiros que estiveram com ele no dia 28 de outubro tem tudo a ver com o que estava em curso nas nossas dioceses, na grande mídia e nas comunicações da internet em função do pleito do dia 31. Os presentes - e até mesmo os ausentes - sabiam a respeito do que o Papa estava falando. A imprensa sabia, os candidatos sabiam, seus partidos sabiam.

Foram palavras severas, de apoio aos poucos, aos raros, aos escassos bispos que resolveram cumprir sua função pastoral e dizer com clareza a seus fiéis o quanto é contraditório à fé e à moral católica o voto que confere poder a correntes políticas comprometidas com: a) a liberação do aborto; b) a abolição de símbolos religiosos; c) a absorção de toda e qualquer relação afetiva no conceito constitucional de família; e d) uma visão de estado laico cujo viés totalitário pretende expurgar dos debates civis os cristãos, seus princípios e seus valores. Foi bem claro, o Papa, a esse respeito: "Quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas".

Venho escrevendo sobre isso há anos, como leigo, e nunca sequer me ocorreu que fosse necessário perguntar a Bento XVI, ou, antes dele, a João Paulo II, se estavam de acordo. Eu simplesmente sabia, assim como sei haver oxigênio no ar que respiro, que, tais afirmações eram harmônicas com a orientação pontifícia. Ponto. Surpreendem-me os que, leigos ou religiosos, se surpreenderam!

Vá que seja. Eu talvez tenha estudado um pouco mais essas coisas do alguns deles, por gosto e boa orientação de amigos padres e bispos que influenciaram minha formação. Nunca precisei, portanto, como leigo, que alguém me dissesse o quanto o PNDH-3 (decretado em 21/12/2009), seus criadores e propugnadores confrontam valores essenciais da fé e da moral cristã. Aliás, era algo tão berrante, tão escandalosamente perceptível que até a CNBB se obrigou a objetar! Sim, leitor, até a CNBB veio às falas (declaração formal de 15/01/2010), posicionar-se contra certos elementos daquela infeliz agenda. Mas a agenda era tão partidária, tão inerente ao partido do governo, que o partido do governo, em congresso nacional (18-20/02/2010), voltou a aprová-la. Não por escassa maioria. Não por larga margem de votos. Por decisão sem discrepância conhecida.

Observem as datas e me digam se seria preciso mais do que isso para estabelecer um insuperável divisor de águas. Não estamos diante de mera divergência de opinião, ainda que sobre tema relevante. Estamos diante de um confronto entre convicções antagônicas e legítimas. Um lado, legitimamente, tratou de deixar bem claro a que veio e a quem serve. E o outro lado, aquele da CNBB, aquele da imensa maioria dos bispos, sufocou-se em ilegítimo silêncio sobre a que veio e a quem serve. Foi essa a necessária retificação que Bento XVI fez em sua fala do dia 28. O Papa disse a quem serve. Orientou os bispos, pastores de suas dioceses.

Mas os lobos, bem, os lobos não são propriamente os melhores zeladores de qualquer rebanho. E eles continuam comandando a CNBB. Tolerando os absurdos redigidos por algumas de suas assessorias. Descuidando do que é publicado e divulgado com a chancela da entidade (qualquer empresa séria cuida melhor de sua marca e de sua imagem do que a CNBB). Metendo-se onde não deve (como no ridículo plebiscito da dívida externa e, agora, no não menos ridículo plebiscito da extensão das propriedades rurais). E, assim, envolvendo a Igreja, por motivos ideológicos, com seus piores e mais destapados inimigos. Corrijo-me: seus piores inimigos não são aqueles que claramente dizem a que vêm e a quem servem, mas aqueles que não servem a quem deveriam, que se lixam para o sucessor de Pedro. E preferem ir à dança com os lobos.