terça-feira, 2 de novembro de 2010

Talvez você seja marxista

Mídia Sem Máscara

Rand Simberg | 02 Novembro 2010
Artigos - Cultura

Muita gente possui convicções marxistas sem se considerar marxista‏.

Com seu novo livro, Stanley Kurtz fez o que a mídia se recusou a fazer - examinar, finalmente, o presidente e seu passado radical, com dois anos de atraso para impedi-lo de tornar-se presidente, mas a tempo de atar suas mãos, nesta terça-feira (2 de novembro, data das eleições americanas para o congresso, senado e a maioria dos governos estaduais).

No entanto, as pessoas parecem viver sob o equívoco de que, para ser marxista, é preciso ser tão explícito quanto o presidente tem sido com suas ligações calculadas com organizações e indivíduos socialistas e comunistas. Mas o marxismo não é tanto uma doutrina quanto é uma atitude. Ele se baseia em uns poucos princípios fundamentais ilógicos e imorais, que muita gente acha atraente, na superfície, sendo a natureza humana o que é.

O primeiro é a idéia de que o que as pessoas "precisam" é uma idéia objetiva, ao invés de subjetiva, e que pode ser determinado por terceiros benevolentes. Afinal de contas, se alguém for reordenar a sociedade e redistribuir a riqueza, não é nada mais do que "justo" que as pessoas possam receber o que elas "precisam" antes de privá-las de qualquer coisa além disto, para satisfazer as "necessidades" dos outros. Este conceito é exemplificado pela famosa frase: "A cada um segundo sua necessidade, de cada um segundo sua capacidade."

Mas claro, no mundo real, a diferença entre "necessidade" e "desejo" é puramente subjetiva e varia com o indivíduo e seu nível de auto-realização. Em seu nível mais básico, não há "necessidade" de nada além de ar, comida e abrigo. E tais necessidades podem ser satisfeitas em uma prisão norte-coreana. Mas quando uma pessoa dá um sermão aos outros sobre o que eles "precisam," o que ela realmente quer dizer é que, como ela não percebe uma necessidade por certas coisas, ninguém mais a tem - seja uma televisão de tela plana, um veículo utilitário, lagostas para o jantar, uma segunda casa ou uma outra arma. Ela talvez fique feliz em morar num cortiço, comer comida macrobiótica e ir de bicicleta para o trabalho, e não pense que ninguém "precise" de mais. E claro, como aqueles egoístas não precisam realmente de mais, o resto de seus recursos agora estará disponível para satisfazer as reais necessidades não satisfeitas do resto da sociedade.

O outro princípio mítico do marxismo é a teoria trabalhista do valor e seu corolário de que existe um valor "intrínseco." Como o mito da "necessidade," este envolve subjetividade versus objetividade. Os marxistas acreditam que há um valor objetivo reconhecível para tudo, e a própria ação do trabalho o cria. Ou seja, se um trabalhador trabalha um certo número de horas, sua produção é intrinsecamente valiosa.

Mas claro, basta pensar um pouco para que isto se revele uma bobagem. Nada tem valor intrínseco. Na ausência de uma pessoa para dar valor, nada tem valor nenhum. E o valor das coisas é inteiramente subjetivo. Se não fosse, nenhum comércio ocorreria. Toda troca voluntária ocorre porque duas pessoas têm algo a comercializar e cada uma dá um valor mais alto ao objeto da outra do que ao seu próprio. Se ambos dessem a ambos o mesmo valor, não haveria sentido em permutá-los. Embora haja um preço especificado em dólar para um item em uma loja, isto não significa o que ele vale. Ele não vai sair da prateleira, a menos que o seu preço seja mais baixo do que seu valor para algum dos clientes. Se for mais alto do que seu valor para todo mundo, não vai ser vendido.

Ambas as idéias solapam a lógica do livre mercado e quando são implementadas na forma de política e lei, como já foram, ao longo do século passado, o crescimento da riqueza da nação, e às vezes seu valor absoluto, se reduz na mesma proporção. E embora elas sejam idéias intrinsecamente marxistas, muita gente que as têm não se considera marxista.

Então, com o perdão de Jeff Foxworthy, deixe-me desiludi-las sobre sua falsa consciência.

Se você acredita, como o presidente, que "é bom para todos quando se espalha a riqueza em torno," talvez você seja marxista.

Se você acredita que "os ricos" não "precisam" de nenhuma redução de impostos, talvez você seja marxista.

Se você acredita que, em dado momento, outras pessoas já tenham "ganho dinheiro o bastante," talvez você seja marxista.

Se você acredita que temos que "manter as pessoas em suas casas," mesmo que não tenham direito a elas e apesar do fato de não conseguirem pagar a hipoteca e o mercado não estar conseguindo se ajustar, então, talvez você seja marxista.

Se você acredita que há um piso para o valor do trabalho de todo mundo e é um valor só, aplicável a todos os estados da união, independentemente do custo de vida, então talvez você seja marxista.

Se você acredita que dar um cheque do governo a alguém que não trabalha é um "corte de impostos," você talvez seja marxista.

Se você acredita que o governo deve pagar o "salário local corrente" para projetos do governo, você talvez seja tanto marxista quanto racista, já que (a lei federal) Davis-Bacon (que determina isto) foi instituída para excluir de tais projetos as minorias que recebem menos.

Se você acredita que cheques da previdência para os desempregados são o meio mais rápido e seguro de estimular a economia, talvez você seja marxista.

Se você acredita que os impostos sobre ganhos de capital deveriam ser aumentados, embora isto resulte em uma arrecadação menor, porque é necessário para a "justiça," talvez você seja um marxista.

Se você acredita que sabe melhor do que outra pessoa o que ela "precisa" e está disposto a lhe impor sua crença sob a mira de uma arma e a forçá-la a adquirir algo, ao invés de deixá-la adquirir as coisas de que ela acha que precisa, então, talvez você também seja marxista.

Rand Simberg é engenheiro aeroespacial e consultor de comercialização espacial, turismo espacial e segurança na Internet. Ele ocasionalmente oferece comentários mordazes sobre a infinitude e além em seu blog, Transterrestrial Musings [Especulações Transterrestres].

Rand Simberg: Pajamas Media, 28 de outubro de 2010.

Artigo original AQUI.

Tradução: DEXTRA

Quebra-Quilos Party

Mídia Sem Máscara

Ipojuca Pontes | 02 Novembro 2010
Artigos - Cultura

Não deixa de ser inspirador o fato de saber que no Brasil, quase um século e meio atrás, tal como ocorreu em 1773 na rebelião do Boston Tea Party (que mais tarde desaguou na guerra da independência norte-americana), a população indignada se reuniu e lutou contra impostos que feriam suas liberdades e riquezas.

Toca, toca minha gente
Toca, toca a reunir
Que os matutos quebra-quilos
Por aí não tardam a vir

Cantiga nordestina do século XIX

Em 26 de julho de 1862, o imperador D. Pedro II, com o objetivo de criar meios práticos de controle fiscal e ao mesmo tempo auferir novos recursos financeiros para sustentar os gastos da Corte estabelecida no Rio de Janeiro, assinou uma lei que revogava o sistema de pesos e medidas então vigentes no país. Conforme relatos históricos, a lei impositiva tratava de substituir as antigas medidas de superfície, capacidade e peso (tais como palmos e polegadas, e pesos calculados em arroubas e libras) por novos padrões de quilograma, metro e litro, oficializando-se, com isso, em todo o território nacional, o sistema métrico decimal vigente na França desde o início do século XIX.

A regulamentação da lei, no entanto, só foi efetuada dez anos mais tarde, em 1872, por força de instrução baixada pelo então ministro da Agricultura e Comércio da Corte, Francisco do Rego Barros. No ano seguinte, precisamente em 1º de julho de 1873, a lei imperial entrou em vigor e, tal como pretendiam os burocratas da Corte, as mercadorias oferecidas no comércio e nas feiras públicas passaram a ser medidas segundo os novos ditames impostos pela Coroa.

Nos editais públicos afixados nas coletorias e cartórios das vilas e municípios ficava determinado que a partir daquela data, qualquer usuário do antigo sistema de pesos e medidas seria punido com a prisão de cinco a dez dias e multa de 10 a 20 mil réis, ficando o infrator obrigado a adotar os novos padrões de pesos e medidas.

Assim, para cumprir a lei e negociar sem temer as sanções legais, o comerciante, o pequeno proprietário e o artesão de produtos caseiros teriam de alugar ou adquirir junto às autoridades públicas os novos pesos e medidas - pagando por fora, como taxa extra, a sua aferição. Pior ainda: ao lado da obrigatoriedade de aquisição (ou aluguel) da nova parafernália, os comerciantes passariam a enfrentar um encargo até então impensável, o "Imposto do Chão" - outra forma de tributo paga às autoridades municipais pelo privilégio de expor no chão das feiras suas mercadorias.

Num Nordeste inóspito e retardatário, assolado pela crise da produção de açúcar e algodão - commodities em baixa nos mercados nacional e internacional -, a onda impositiva do governo levou ao desespero as populações das pequenas cidades, em particular os negociantes, criadores de gado e agricultores que tinham no comércio de produtos agrícolas e artesanais - tais como feijão, farinha, carne, queijo, milho, cachaça, peneiras, tecidos, etc. - a própria sobrevivência. O resultado do acosso imperial não se fez esperar: numa crua manhã de outubro de 1874, lideradas pelo almocreve João Vieira, o João Carga d'Água, centenas de pessoas desceram a serra do Bodopitá e invadiram a movimentada feira de Campina Grande, na Paraíba, se insurgindo contra as medidas do governo consideradas lesivas.

Aos gritos, munidos de porretes e bacamartes, os revoltosos passaram a quebrar os moldes de medidas dos feirantes. Em seguida, invadiram a Coletoria e a Câmara Municipal, onde, após rasgarem éditos e avisos, destruíram novos moldes e queimaram os arquivos contábeis do poder público repletos de multas. De quebra, os revoltosos jogaram os pesos no Açude Velho da cidade.

Entre os feirantes, foram distribuídos panfletos e manifestos advertindo a população de que ela seria a principal vítima das medidas infligidas pelo poder imperial, pois que, segundo o alerta, ao final das contas os aluguéis e compra dos novos moldes pagos à prefeitura seriam inevitavelmente repassados aos compradores.

Mais tarde, atacando a vila do Ingá do Bacamarte, nas vizinhanças de Campina Grande, os revoltosos do Quebra-Quilos invadiram a casa da Comarca e destruíram os novos editais do governo, obrigando o comandante da polícia local, José Aranha, a assinar um documento no qual se comprometia a acabar, de uma vez por todas, com "os novos impostos, a lei de recrutamento e a aplicação dos novos pesos e medidas e custas judiciais".

Na capital da Paraíba, o então presidente da província, o magistrado Silvino Carneiro da Cunha, impotente diante da ação dos sediciosos, solicitou a ajuda da Corte, reconhecendo que estava "sem forças para manobrar, sem meios para fazer seguir em perseguição a esses desordeiros, que, certos da nossa fraqueza, ameaçam-nos a cada instante".

Exaltada em prosa e verso pelo improviso poético dos repentistas sertanejos, em pouco tempo a Revolta dos Quebra-Quilos tomou conta não só dos vilarejos paraibanos, como logo se espraiou por boa parte das províncias nordestinas. Ela se alastrou por quase uma centena de cidades e vilas de Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte - chegando até ao Maranhão. Por toda parte, os revoltosos subvertiam a lei, rasgavam editais, invadiam cadeias, soltavam os presos, destruíam medidas e "quebravam" os quilos, livrando a população do "dilúvio armado pelos ladrões", isto é: o novo sistema métrico decimal.

Após dois anos de muitos combates, a repressão veio solerte e firme. À Paraíba foram enviadas forças comandadas pelo coronel Severiano da Fonseca, irmão do marechal Deodoro, o futuro proclamador da República. No final, não apenas "os matutos e desordeiros" foram punidos pelo braço forte da lei. Padres e advogados solidários aos Quebra-Quilos receberam os castigos devidos, muitos deles supliciados pelo "colete de couro", uma peça de couro úmido que, uma vez endurecida pelo calor do sol, sufocava a vítima entre golfadas de sangue pela pressão da veste.

Para alguns historiadores tupiniquins, o movimento dos Quebra-Quilos não tinha o menor conteúdo político em suas ações e propósitos. Em última análise, a revolta sertaneja enquadrar-se-ia como mera expressão da "desobediência civil" - uma forma incorreta de se definir o fenômeno, embora, de fato, não exista atitude política mais consciente do que o ato da desobediência civil, caracterizado pelo ensaísta Henry David Thoreau, rebelde que no século XIX se recusou a pagar impostos ao governo norte-americano, como uma forma de resistência à lei criada pelo Estado injusto, instituída para subtrair dos indivíduos seus direitos naturais e inalienáveis. (No dizer de Thoreau, "o melhor governo é o que de fato não governa").

Não deixa de ser inspirador o fato de saber que no Brasil, quase um século e meio atrás, tal como ocorreu em 1773 na rebelião do Boston Tea Party (que mais tarde desaguou na guerra da independência norte-americana), a população indignada se reuniu e lutou contra impostos que feriam suas liberdades e riquezas. Nos Estados Unidos atual, para enfrentar um governo pródigo em leis permissivas, como é o do socialista Barack Obama, a população insurgente restabeleceu o Movimento Tea Party para desalojá-lo do poder pela força do voto - no que se vai dando muito bem.

E aqui, no Brasil, restabelecida a famigerada CPMF no futuro governo (seja ele qual for), haverá força moral para se reeditar um movimento inspirado na sedição dos Quebra-Quilos?

Estética cristã como santificação

Mídia Sem Máscara

Marcus Boeira | 02 Novembro 2010
Artigos - Cultura

A arte cristã não se resume ao mero desenho simbólico das Catedrais e Mosaicos. Seu sentido não está exatamente na arquitetura ou mesmo na pintura. Seu sentido pressupõe um vínculo constitutivo entre a estética teleológica e a ética teológica: uma pedagogia do espírito mediada pela iconoclastia de Deus em nosso coração.

A estética moderna identifica-se com a cultuação do belo visível e imanente. Atribui-se à ela uma miscigenação de irracionalismo, sentimentalismo e antropomorfismo, dimensões simbólicas da ilustração, do romantismo e de uma parte do barroco humanista.

Porém, a dimensão estética da existência pressupõe uma relação entre o belo e a verdade do Ser muito mais profunda do que almeja o mero sensismo da cultura moderna. De fato, quando observamos a obra magistral de Duccio di Buoninsegna, retratando o mistério da revelação de Cristo, "de verbo incarnato", é clara a manifestação de uma beleza transcendental, que não se resume a morfologia imanente, mas que transpõe o mero campo sensível, atingindo uma camada mais profunda da verdade do Ser.

De fato, a beleza de Cristo não está na sua forma física, mas na fortaleza do coração de Deus, que entrega seu Filho Unigênito para a salvação dos homens (Jo 3, 16). Esse mistério da redenção humana, tão presente no ato divino da doação, expõe que a revelação também se mostra como revelação da Verdade, Verdade essa que congrega a manifestação do Belo e do Amor, categorias concomitantes na Unidade do Deus Trino.

Deus é Amor. Deus é a Verdade. Deus é o Belo. Em Deus, essas categorias são atributos eternos. Mas, e em nós? Como chegamos ao Belo de Deus?

Hans Urs Von Balthasar nos diz que a Beleza de Deus é a própria Glória, consumação da Revelação na Pessoa de Jesus. Ora, se o homem é criatura de Deus, então os atributos de Deus estão, mesmo que imperfeitamente, presentes em nós. Há algo de belo, de justo e de verdadeiro em nós. Tais atributos, quando presente no homem, estão no campo do possível, daquilo que pode vir a ser, enquanto em Deus simplesmente "é". Diz o autor que "os transcendentais penetram em todos os seres" e que, portanto, eles se "interpenetram" no ser humano. Assim, o fato de que esses atributos estão em nós já esclarece que a unidade de nosso caráter consiste na integração e moderação desses atributos em nossa forma existencial.

Mas, o que efetivamente define a existência humana? São os sentidos ou outro aspecto de nossa constituição essencial? Se a beleza de Deus em Cristo não é terrestre, como disse o autor acima, mas a própria Glória revelada, então Verdade e Beleza também identifica-se com dor, sofrimento, suportação. Até por que sendo Deus o próprio Amor, é evidente que o "Amor tudo suporta" (1 Co 13, 6). E por quem a glória de Cristo suportou a Cruz? Pelo homem. Assim sendo, se quisermos conhecer a glória, devemos contemplar o Belo não esteticamente visível, mas o Belo que está para além de nossos meros sentidos. Um Belo transcendental, invisível, infinito, que se revele enquanto manifestação concreta dos fundamentos mesmos da constituição de nosso ser.

Há dentro do homem uma angústia, um vazio existencial, um mistério que condiciona o homem para o sentido de sua existência. Essa verdadeira nostalgia nos impele a querer conhecer uma Beleza que ao mesmo tempo não nos seja inteiramente conhecida e que se manifeste em nós mesmos no ato de nossa constituição. Claro que, para tanto, é preciso que o homem não se resuma totalmente a si mesmo, mas que transponha seu próprio campo de possibilidades. Nesse caso, descobrirá por analogia, identidade e semelhança que Beleza e Verdade são idênticos e que tais atributos pertencem ao Ser, enquanto se manifesta nos diferentes seres.

Essa mesma nostalgia de querer conhecer uma Beleza para além de si não se determina segundo os sentidos, mas de acordo com o mistério que habita no homem e que o leva a transcender à si mesmo, na busca pela perfeição. Uma nostalgia que revela um enigma; enigma esse que torna o homem apto a mergulhar profundamente nos fundamentos mesmos de sua existência, de sua realidade, numa interação tão bem acabada com a Verdade que a Glória de Cristo se manifesta em toda a sua face. A face do homem encontra na face de Cristo sua finalidade, seu telos. A beleza de Cristo, a Glória de Deus revelada em carne, agora aparece para o homem como meta. E o caminho não está fora, mas dentro do próprio homem, ou como diz Agostinho,

"tratava de te imaginar, um homem, e que homem, como Deus sumo, único e verdadeiro. Desde o mais íntimo do meu ser e acreditava em ti como incorruptível, inviolável e imutável. Sem saber nem de onde nem por que, via com toda transparência e estava seguro de que tudo o que é suscetível de corrupção é pior que o que não pode ser corrompido. Sem duvidar de nada, dava prioridade ao inviolável sobre o violável, e considerava superior o imutável ao mutável"
(Agostinho, Santo. Confissões. Livro VII, 1).

Assim, a rota dramática da existência humana rumo a Verdade é nada menos senão uma relação "erótica" entre Cristo e sua Noiva - a Igreja-, em que a Glória de Deus se manifesta no amor, no perdão e na graça de viver em santidade. A santidade é a imagem da Glória de Deus na terra, na história e, portanto, no tempo, pela vida dos santos. Santa Teresa D´Àvila, por exemplo, nos dá prova de sua intimidade com Jesus no seu "Castelo Interior", ao dizer que

"Como vos poderei descrever a riqueza, os tesouros e os deleites que há nas quintas moradas? Creio que seria melhor não dizer nada das que faltam, pois não se saberia descrevê-las; o intelecto não é capaz de captá-las nem as comparações servem para explicá-las. Para esse fim, são muito baixas as coisas da terra".

E completa dizendo:

"Senhor meu, enviai do céu luz para que eu possa esclarecer de algum modo essas Vossas servas".
(D´àvila, Santa Teresa. Castelo Interior: Quintas moradas. Cap. 1).

Ora, o que seriam as moradas se não os castelos de nosso coração, construídos pela graça e pela lapidação de Deus em nós? Ao estilo barroco espanhol, aliado a um misticismo típico de seu tempo, a Santa do Século XVI deu provas de que a estética de Deus se revela em nós, pela abertura de nossa alma à transcendência, que em suma se manifesta em um mergulho profundo para dentro de nós mesmos, como fez o Bispo de Hipona ao perceber que o enigma dentro dele é o que o possibilitava conhecer a si mesmo e ao que era incorruptível como algo preferível em comparação ao que é da terra, ou melhor, a beleza desse mundo. A estética transcendental é tão concreta quanto as artérias do nosso coração, poderíamos dizer.

Esse conhecimento da Beleza de Deus, da Glória, não se faz pelos sentidos. Sim, pela graça, por uma luz que se irradia para dentro de nós, fazendo nosso rosto resplandecer como o de Moisés, quando voltou do Sinai. São Paulo, quando chegou a Atenas para pregar no areópago, disse aos gregos que pregaria sobre o "Deus desconhecido" (Atos 17, 23). Veja-se que São Paulo não pregou acerca da estátua posta na praça, mas sobre o Simbolizado daquele ícone, sobre o Ser Necessário. A estética tratada por Buoninsegna, como em toda a arte cristã, manifesta uma forma simbólica que não se resume à forma convencionada da arte imanente. Não! Procura, na verdade, demonstrar, mesmo que imperfeitamente, o nexo entre o enigma que está em nós e a Revelação mesma da Glória de Cristo. A Glória de Jesus, não sendo beleza para o mundo (veja-se a imagem da Cruz, por exemplo), mas para a Cidade de Deus, mostra-nos que, se quisermos conhecer a Cristo, precisamos conhecer a nós mesmos, a partir dos mistérios que habitam em nós e nos definem como criaturas de Deus, abertas para o sofrimento e a dor.

A partir disso, da mortificação pessoal, o conhecimento de Cristo será maior por que, aí, estaremos vivendo como Ele viveu. Poderemos, aí, chegar ao ápice de nossa existência: conhecê-lo face e face, e ver tal como somos conhecidos por Ele mesmo, como diz o Apóstolo: "por que, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido" (1 Co 13, 12).

Portanto, a arte cristã não se resume ao mero desenho simbólico das Catedrais e Mosaicos. Seu sentido não está exatamente na arquitetura ou mesmo na pintura. Seu sentido pressupõe um vínculo constitutivo entre a estética teleológica e a ética teológica: uma pedagogia do espírito mediada pela iconoclastia de Deus em nosso coração. Em suma, como diz o Papa Bento XVI,

"nada pode pôr-nos num contato tão íntimo com a Beleza de Cristo quanto o mundo de beleza criado pela fé e a luz que brilha nas faces dos santos, através dos quais Sua própria luz se torna visível".

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

COMO MANDA O FIGURINO

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Viver de Novo

Por Arlindo Montenegro

A eleita escolhida pelo eleito dos megaempresários, banqueiros e proletários, recebeu uns 50 milhões de votos. Como existiam mais de 130 milhões de inscritos, pode-se pensar que a maioria esmagadora dos brasileiros fazem oposição ao Programa Nacional de Direitos Humanos, presumível plataforma do seu governo, o governo do PT e dos sindicalistas, como já pontificou o Sr. Dirceu.

Será que o PSDB vai fazer oposição? Duvideodó! Como disse o "príncipe dos sociólogos", a ideologia é a mesma, disputava-se o poder. De modo que os jornais e tvs, continuarão politicamente corretos, alimentando a ignorância intelectual e a compressão mental, com as poucas expressões livres dos gatos pingados, "conspiradores direitistas" da suposta burguesia conservadora.

Resta saber se a convocação do ditador da Venezuela, porta voz e imitador dos ditadores cubanos, para unir a Alba ao Mercosul e quem sabe avançar ainda mais criando as Forças Armadas Interamericanas, vai ser aceita pela eleita e logo aprovada por unanimide no congresso proletário.

Humildemente, Chávez pontificou o casamento entre a brasileira e a viúva argentina para consolidar a Unasul, acrescentando enquanto desapropriava mais uma empresa: "Sabemos que o império e sua burguesia, com seus meios de comunicação da direita internacional e seu dinheiro, vão fazer o possível para impedir o impulso e o curso da história que se está escrevendo. Manipularão sem limite e sem ética, contra os que defendem os interesses dos mais pobres e necessitados nos países do sul."

O que se pode constatar é que, pelo menos a metade dos eleitores do Brasil, ignora o valor da liberdade, o valor da história e outros valores, como a verdade. Que não entende mesmo o valor de uma sociedade organizada nos limites do estado de direito. Os brasileiros de hoje desconhecem o que é estado, como desconhecem o quanto esta máquina rouba impositivamente do trabalho de todos.

Nem faz idéia de que o trabalho de cada um cria a riqueza, obrigatoriamente desviada na forma de impostos crescentes, que mantém a nação marcando o passo, no ritmo determinado pelos grandes controladores da economia globalizada. As grandes potências dominam todo o mercado de consumo e manobram para fazê-lo crescer, sem concorrentes.

O processo do moderno e ágil voto eletrônico, garante que sejam escolhidos os representantes internacionalistas da nova ordem mundial que os controladores querem impor ao mundo. Com as pesquisas de encomenda antecipadas e a propaganda milionária, garante-se o resultado diferente da vontade da maioria. Foi assim na Venezuela, na Argentina e aqui.

As grandes decisões vão continuar sendo elaboradas nos gabinetes dos EUA, Europa e nas sédes dos bancos centrais. Está garantido o pagamento da dívida externa com os juros mais altos do mundo. Está garantido o crescimento da dívida interna que já beira o trilhão de Reais. Vamos continuar sem as tais reformas – tributária, trabalhista, política – e pagando caro por telefonia, gasolina, ipva, emplacamento, juros, gas de cozinha, pedágios, tarifas disto e mais daquilo, ipi, icms e planos de saúde...

Vamos ter uma nova constituição ditada pelo estado em pouco tempo, com aborto, controle sobre as decisões familiares, controle sobre a opinião falada e escrita, nos meios de comunicação, nas escolas, nas igrejas. Quanto mais envolvidos estivermos com as mudanças, menos atenção ou nenhuma atenção ou compreensão teremos sobre os negócios econômicos.

Tudo de modo suave, brando que as ameaças reais continuarão atribuídas ao crime organizado e suas invencíveis drogas. Menos à droga das decisões e exemplos políticos. Quem for contra estará nas catacumbas, que nem os cristãos para livrar-se das perseguições e matanças do império romano. Ou na prisão, que nem os venezuelanos, cubanos, argentinos...

Até um dia, até o talvez ou até quem sabe!

Postado por Montenegro às 06:17