quinta-feira, 26 de junho de 2008

FALANDO FRANCAMENTE

FALANDO FRANCAMENTE

Farol da Democracia Representativa

Klauber Cristofen Pires
Fundador e Representante para a Região Amazônica do FDR


O meu trabalho como articulista teve início algum tempo depois de ter conhecido o filósofo Olavo de Carvalho. Confesso que minhas primeiras reações ao polêmico jornalista foram negativas, mas tive a prudência – ou terá sido sorte – de, antes de enviar-lhe alguma carta contestando suas posições – ter dado um tempo para lê-lo mais. Este tempo hoje já alcançou dez anos, desde que vi o seu primeiro artigo na edição nº 01 da Revista Época, em 1998, e de lá para cá a ânsia de lê-lo não mudou, mas apenas o propósito: se antes queria saber mais sobre a quem intentava refutar, hoje não quero perder uma chance de aprender.

Felizmente, tal fenômeno, que absolutamente mudou a minha vida, o vi repetir-se também por outras pessoas, que foram se inteirando, lendo, instruindo-se, e sobretudo, testemunhando todas as previsões certeiras que fez o incansável Olavo: sobre a incapacidade das oposições de facearem a hegemonia esquerdista, sobre a explosão da corrupção e da violência (perdoem-me: criminalidade), sobre a ascensão do Foro de São Paulo e a cumplicidade da esquerda brasileira com as FARC, sobre o aumento da carga tributária, sobre a imposição das agendas indigenista, gaysista, feminista, ambientalista, racista e ateísta, e tantas outras mais.

Imbuídas do dever não somente patriótico, mas sobretudo, moral, estas pessoas, tanto as novas que despertaram com as idéias do professor Olavo, como foi o meu caso, quanto outras tantas que já brilhavam em talento e conhecimento, mas que andavam silenciadas, têm trilhado o caminho das pedras, difícil, íngreme, escorregadio e perigoso, com seus próprios recursos e com sua própria vontade e perseverança.

Talvez não ocorra a muitos leitores sobre quanta coragem acomete aos que desafiam poderosas forças, para alertar-lhes sobre as nuvens pesadas que pairam sobre os céus do nosso país; talvez não se lhes passe na mente que, ao invés de recebermos por tais serviços, na verdade os pagamos do próprio bolso; porém, pior do que isto, é passar-lhes em branco o exemplo, por pura timidez ou indolência, para que eles mesmos comecem a exercer algum protagonismo!

Amigo leitor, já é hora de você começar a fazer alguma coisa, não por nós, mas por si mesmo! Tome alguma atitude! Saia do marasmo, da passividade expectadora!

Durante o tempo em que traço estas linhas apelativas, um professor ignorante ou mal-intencionado empenha-se a ensinar ao seu filho sobre a justeza de ambicionar os bens alheios, a desprezar a sua religião, a odiar outras nações livres, e todas as demais metas da agenda “ista” que listei parágrafos acima. Concomitantemente, políticos estão estudando como tomarem mais do fruto do seu trabalho, via tributação, bem como se apoderar do resto do que você tem, via regulação ou pura desapropriação levada a cabo por massas de inocentes úteis, e não menos, controlar a sua própria vida, ao submeter-lhe aos valores que eles perseguem.

Não tenha dúvida, por exemplo, do que querem com o aborto e a eutanásia, que não seja dotar o futuro (quase presente) estado socialista de um instrumento que os permita gerir a população tal como um criador faz com a sua granja! Pois quando um velho estiver custando muito num leito hospitalar, lá estará o estado socialista a ordenar o desligamento dos instrumentos em prol do interesse público, assim como também fará a ligação das trompas das mulheres quando aumentarem as taxas de desemprego ou de criminalidade, ou ao contrário, lhes negará contraceptivos quando ambicionar formar um exército para atacar outras nações.

Para o estado socialista, a humanidade não se reveste do caráter de essencialidade, mas rebaixa-se ao nível da funcionalidade. Disto resulta que todos terão importância enquanto tiverem alguma utilidade para o bem da coletividade. Mas o que é a coletividade? Bom, segundo o desenho animado “FormiguinhaZ” (não se assuste, mas foi o melhor conceito que já li), não passa de um buraco no chão!

Querido leitor, tome alguma atitude! A filosofia da liberdade, da responsabilidade individual e da livre iniciativa não combina com a formação de um exército de militantes zumbis. Não espere dos defensores da liberdade os mesmos procedimentos da turma que combatemos! Pense simplesmente no que é certo e o que é errado, peça a ajuda de Deus, confie Nele e faça a sua parte! Com coragem, com determinação, com segurança e com certeza!

Se você é empresário, junte os seus amigos. Imprima um artigo que lhe chamou a atenção durante a semana e converse com eles durante o jogo de tênis ou o churrasco! Se você é estudante, confronte – sempre com respeito – as idéias tortas que os professores mal-intencionados ou ignorantes tentarem lhes repassar: estude e apresente seus argumentos com confiança e serenidade! Entrem em contato com o Farol da Democracia Representativa, os sites, as instituições e os colunistas que defendem a sociedade cristã e livre, e dêm-lhes notícias que estão fazendo estas coisas! A qualquer cidadão, por favor, não compareça à parada gay, nem participe de convenções sobre responsabilidade social - Parem de financiar quem lhes quer destruir!

Durante a minha vida, várias vezes fui testemunhas das iniciativas e passeatas que estes militantes dos regimes totalitaristas fizeram em frente à minha casa! Jamais eles agremiaram grandes multidões e na mais das vezes observei que não passavam de algumas dezenas, seja gritando contra a globalização, a guerra do Iraque, ou o alegado massacre de Eldorado dos Carajás. Todavia, por absoluto W.O., muitos dos ignorantes toscos que participaram naqueles eventos hoje estão empossados em cargos públicos, eletivos ou da administração, e estão tomando conta de nossas vidas.

"Ninguém comete erro maior do que não fazer nada porque só pode fazer um pouco". (Edmund Burke, 1729-1797)

"Para o triunfo do mal, basta que os bons não façam nada."(Idem)

Lula aumenta a carga tributária em 4,9%.

Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Lula aumenta a carga tributária em 4,9%.

Coturno Noturno

A carga tributária imposta por Lula aos brasileiros aumentou de 34,49% para 36,18%, em 2007. Quase 5% em um ano, é o que informa o TCU. As contas do governo foram aprovadas com várias ressalvas, entre as quais a morosidade do PAC e o aumento dos "restos a pagar". O PAC não realizou nem 25% dos valores previstos no Orçamento de 2007. É a politicagem sobrepujando a capacidade de realizar, típica de um governo petista que, quando começa a produzir, mergulha no "barro" da corrupção, como ficou provado na semana passada, com a operação da Polícia Federal.

Coronel

25/06 - O CIMENTO DA TRAGÉDIA

25/06 - O CIMENTO DA TRAGÉDIA

A verdade sufocada

Por Diogo Mainardi
– O presidente Lula gostou muito, dando a ordem para que fosse executado.

Do que é que Lula gostou tanto assim? Do projeto Cimento Social, do bispo Crivella. Quem declarou isso foi o vice-presidente José Alencar, num ato público, no Rio de Janeiro, menos de três meses atrás.

Texto completo

O bispo Crivella está sendo politicamente responsabilizado pelo que aconteceu na última semana, quando alguns soldados arregimentados pelo projeto Cimento Social se envolveram no assassinato de moradores de um morro carioca. Mas havia alguém acima dele. Quem? O de sempre: Lula. Segundo José Alencar, o projeto só saiu porque Lula mandou o Ministério das Cidades liberar o dinheiro. E só saiu também porque o presidente mandou o Comando Militar tocar as obras na favela.

O projeto Cimento Social tinha tudo para dar errado. E deu. O cadastro dos moradores cujas casas seriam reformadas foi feito por integrantes da Igreja Universal, do bispo Crivella. O Ministério das Cidades liberou o dinheiro antes mesmo que o projeto de lei sobre a matéria fosse aprovado. As obras foram usadas como material de propaganda do bispo Crivella, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro. O Comando Militar do Leste emitiu um parecer contrário ao projeto, temendo algo parecido com o que de fato ocorreu. Um documento militar acusou dois assessores do bispo Crivella – chamados de Eduardo de Tal e Gilmar de Tal – de negociar uma trégua com os traficantes do Comando Vermelho, que dominavam o morro. Foi desse projeto que Lula de Tal gostou muito, "dando a ordem para que fosse executado".

Lula loteou a Petrobras e o Banco do Brasil. Agora sabemos que ele deu um passo adiante e loteou também as Forças Armadas. O PRB, do bispo Crivella, aparentemente ficou com a Nona Brigada de Infantaria Motorizada, que ocupou por seis meses seu curral eleitoral. O Instituto Pereira Passos me forneceu os dados sobre a criminalidade na zona atendida pelos militares, no primeiro trimestre de 2008, comparando-os aos do mesmo período do ano anterior. Aumentaram os roubos. Aumentaram os furtos. Os assassinatos diminuíram ligeiramente. Para Tarso Genro, a tragédia demonstrou de uma vez por todas que é um erro empregar soldados no combate aos traficantes. Como assim? Quem combateu os traficantes? Os soldados só ajudaram a caiar uns muros e a trocar umas telhas. O que a tragédia demonstrou foi justamente o contrário: é um erro imaginar que se possa combater a criminalidade com a reforma de uns casebres, o Extreme Makeover: Home Edition da Igreja Universal. Se a Nona Brigada de Infantaria Motorizada subisse o morro para desmantelar o tráfico, talvez a barbárie pudesse ser contida.

Os soldados entregaram os suspeitos de pertencer ao Comando Vermelho aos assassinos de um bando inimigo, o Ada. Pelo que se soube, o chefe do Ada gostou muito. E deu a ordem para que eles fossem executados.

25/06 - APODRECEU, MAS NÃO VAI CAIR DE PODRE!

25/06 - APODRECEU, MAS NÃO VAI CAIR DE PODRE!

A verdade sufocada

Por Augusto de Franco - www.democracia.org.br

É evidente, para qualquer pessoa informada e honesta, que o governo apodreceu. Ou melhor, o esquema todo apodreceu. Não pela corrupção endêmica que infecta - há mais de dois séculos - a política nacional. Não. Apodreceu porque um grupo privado, tendo à frente um líder de massas com alta popularidade, resolveu usar a velha corrupção como meio de conquista de hegemonia.

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O PT não é, particularmente, um partido mais corrupto do que qualquer outra gangue política que pontifica na nossa partidocracia. O problema com o PT não é a corrupção individual, egoística, praticada por alguns de seus membros. Isso, como se diz, sai na urina, sem causar maiores comoções no nosso carcomido, porém resiliente, corpo político. O problema é que - com objetivos estritamente políticos, não apenas nem principalmente pessoais (como a vontade de enriquecer, de se dar bem, de permanecer em evidência na cena pública - motivos recorrentes do político corrupto tradicional) - o PT no governo resolveu estabelecer uma certa coordenação das operações de guerra (sim, a conquista de hegemonia é uma guerra, em geral uma guerra de posição, travada em trincheiras) no coração da presidência, no Palácio do Planalto.

Confiram. Mais de 80% dos escândalos dos últimos quatro anos tiveram sua origem no Palácio do Planalto, sob as barbas de um presidente que, escudado em altos índices de popularidade, pode ter o desplante de repetir ad nausean que nunca viu nada, nunca soube de nada.

No Palácio, o centro infeccioso da corrupção sistêmica, da corrupção instrumentalizada para servir a um propósito político coletivo, é a Casa Civil. Não é por acaso que Dirceu a partir de certo momento e, agora, Dilma, não conseguem mais fazer nada a não ser negar as denúncias que chegam em avalanche. Querem nos tapiar dizendo que as oposições estão por trás dessas armações com objetivos eleitorais. A tese é risível. Coitadas das oposições. São grupos desfibrados, compostos - em sua ampla maioria - por carreiristas apequenados pelas suas ambições mesquinhas. Se pudessem, adeririam ao governo de cabeça baixa, de joelhos, de quatro até. Só não fazem isso porque sabem que não serão aceitos ou, se forem, serão alocados na periferia das decisões. Os mais sérios - porque os há - refugiam-se da política em administrações locais ou estaduais, tentando realizar maravilhas para mostrar nos programas eleitorais na TV. Aí começa e aí acaba o seu papel de agentes políticos.

O período que vivemos é tenebroso para a democracia e para o desenvolvimento humano e social sustentável do país. Mas será - antevejo com tristeza - um período de longa duração. Em parte pela falta de alternativas políticas. O PSDB bombardeou sistematicamente nossas rotas de fuga dessa situação (basta ver o papel cumprido por Alckmin na última campanha presidencial) e agora, apesar de tudo o que aconteceu, continua prestando serviços ao poder corrupto, continua fazendo acordos vergonhosos nas CPIs, continua fazendo de conta que está tudo bem, que a política é assim mesmo, esperando as próximas eleições para tentar conquistar um boquinha no Estado.

O governo apodreceu, sim, mas não esperem que ele cairá de podre. Governos não caem assim, sem uma força que os demova. Essa força não sairá, já vimos, do sistema de partidos. Teria que vir da sociedade. Mas qualquer iniciativa ético-democrática da sociedade será desarmada prontamente… pelo governo? Não, por incrível que pareça, pelas oposições! Foram elas que inviabilizaram um processo de impeachment contra Lula que reunia 100 (cem) - repito: 100 - vezes mais evidências justificatórias do que o processo de Collor de Mello.

Agora é tarde. É preciso esperar que um novo período se abra em virtude de fatores imponderáveis, de um fato extraordinário sobre o qual as oposições partidárias não tenham qualquer influência. Aliás, todos sabem que os problemas enfrentados por Lula não tiveram, em 99% dos casos, um dedo da oposição. Foram os próprios petistas e sua base de apoio os responsáveis pelo surgimento dos escândalos. E não há qualquer razão para esperar que as coisas sejam diferentes daqui para frente.
*
(As evidências da não existência de forças vivas e capacitadas de oposição, nos âmbitos político, midiático ou popular, deixam claro que só e tão somente a intervenção das Forças Armadas - nossa única e última esperança - no cumprimento de suas funções constitucionais de defesa do povo e do Estado Democrático de Direito, poderá encerrar este período podre de nossa História e impedir a instalação definitiva da ditadura comunista que se anuncia. M. )

25/06 - O capitalismo e o MST

25/06 - O capitalismo e o MST

A verdade sufocada

Por Denis Lerrer Rosenfield
O MST, sob diferentes denominações, dedicou uma série de ações à destruição e a invasões de propriedades e de empresas do agronegócio. Das ações anteriores, estas se destacam não apenas por sua abrangência nacional - o que já ocorria -, mas por se concentrarem num leque de empresas e setores do agronegócio e mesmo fora dele, como se o seu alvo fosse propriamente - e explicitamente - a sociedade capitalista e o Estado de Direito.

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Um conceito particularmente apropriado para explicar as transformações do campo brasileiro é o de “destruição criadora”, elaborado por Joseph Schumpeter em seu livro Capitalismo, Socialismo e Democracia. O conceito de “destruição criadora” permite pensar os processos de destruição do capitalismo, próprios de seu movimento, que são criadores de novas etapas, que o colocam num patamar mais avançado. Por exemplo, a indústria de máquinas de escrever foi totalmente destruída, com falência de empresas, lojas, acarretando consigo o desemprego correspondente. Ora, essa destruição, num setor da economia, foi devida a novas invenções, particularmente o computador e todo o mundo eletrônico, mediante novas empresas, mais renda e mais emprego, mudando a própria face do capitalismo contemporâneo. Invenções tecnológicas são destruidoras e criadoras ao mesmo tempo, permitindo uma completa remodelação das relações socioeconômicas. O resultado, do ponto de vista social, é o desemprego nos setores destruídos e outras formas de emprego e renda nos setores criados.

Se, no entanto, fizermos como os marxistas, que recortam apenas uma fase deste processo - por exemplo, o período inicial de desemprego e falências, com imagens televisivas e reportagens jornalísticas -, ficaremos apenas com uma face estanque do processo, como se estivéssemos diante de uma crise iminente do sistema, que daria lugar a uma sociedade socialista.

Poder-se-ia aplicar o conceito de “destruição criadora” ao desenvolvimento da economia de mercado no campo brasileiro, em especial ao agronegócio. Com a implantação do capitalismo no campo, rompendo com suas formas não-capitalistas, como a do “latifúndio improdutivo”, opera-se toda uma transformação, com a introdução de novas tecnologias, culturas, formas de cultivo da terra, introdução de transgênicos, mecanização e, também, deslocamento de populações que migraram para os centros urbanos. Há aqui, evidentemente, todo o aspecto destrutivo que é criador de novas relações socioeconômicas, que possibilitaram ao Brasil se tornar um grande exportador de commodities e player internacional. Ora, o que faz o MST? Fixa-se apenas no aspecto da destruição operada, procurando, com sua concepção marxista, criar condições de inviabilização da propriedade privada, da moderna exploração agrícola e do agronegócio. Não percebe - ou não quer aceitar - que foi o próprio capitalismo que eliminou o “latifúndio improdutivo”. Conseqüentemente, o seu objeto de luta se torna o “capitalismo” e o “agronegócio”.

Boa parte dos conflitos fundiários que o Brasil vive atualmente é decorrente do governo anterior, pelo desconhecimento que tinha da verdadeira natureza - digamos, leninista, revolucionária - do MST e de seus apoios partidários. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, em seu livro A Arte da Política, escreve: “Nem sequer o MST se afirma abertamente socialista, e muito menos comunista.” A simples leitura dos documentos do MST e de seus textos didáticos sinaliza claramente essa orientação socialista e/ou comunista, como se queira chamá-la. O que acontece é que esse setor tucano tinha uma espécie de “óculos” que lhe permitiam ver algumas coisas, e não outras. Foram capturados pelo discurso da “justiça social”, da “reforma agrária”, como se esse fosse puro e evangélico, não encobrindo todo um projeto revolucionário de poder, perseguindo um projeto autoritário, se não totalitário, de tipo socialista e/ou comunista.

Completamente livre em seus movimentos sob o governo Lula, o MST deu pleno curso a suas ações, voltando-se mais diretamente contra as empresas capitalistas, de preferência as mais modernas, abandonando progressivamente a bandeira do “latifúndio improdutivo”. Essa organização política passou a assumir cada vez mais clara e publicamente, e não apenas intramuros, para seus militantes, o seu caráter visceralmente anticapitalista e pró-socialista/autoritário. Suas bandeiras são, agora, as lutas contra o lucro, o agronegócio, as exportações, o modelo econômico, o “neoliberalismo”. Tudo o que cheira a modernidade e inovação é liminarmente recusado. O seu instrumento ideológico de ação é a relativização da propriedade privada, produzindo a insegurança jurídica e violando sistematicamente o Estado de Direito.

A sua finalidade consiste em abarcar todo esse setor da economia brasileira, procurando mesmo, no futuro, talvez imediato, expandi-lo para as zonas urbanas. Signo disso é a aliança entre o MST e uma nova Assembléia Popular, na verdade, o mesmo MST aliado a si mesmo por intermédio da Igreja Católica, que com suas pastorais organiza e apóia essas iniciativas. A Teologia da Libertação e todo um setor esquerdista da Igreja Católica continuam muito atuantes. Com o intuito de aparentar uma diversidade de iniciativas, como se não fosse o próprio MST o organizador dessas invasões, ele se apresenta sob distintas máscaras. Ora aparece o seu braço internacional, a Via Campesina, como se fosse uma iniciativa mundial dos que lutam contra o aumento do preço dos alimentos no mundo; ora o seu braço voltado contra as usinas hidrelétricas, que é quando comparece o Movimento dos Atingidos pelas Barragens (MAB); ora o seu braço da agricultura familiar, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

O objetivo reside em mostrar à opinião pública que vários setores da sociedade se estão voltando contra o agronegócio e a moderna empresa brasileira.

Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS

Índios se reúnem com parlamentares e dirigentes britânicos, no lobby em favor da Reserva Raposa do Sol

Quarta-feira, Junho 25, 2008

Índios se reúnem com parlamentares e dirigentes britânicos, no lobby em favor da Reserva Raposa do Sol

Edição de Quarta-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Jorge Serrão

O grande lobby global pela “internacionalização da Amazônia” promove hoje, em Londres, mais um espetáculo de marketing de guerra psicológica. Um casal de índios (das tribos Makuxi e Wapixana) tem reunião marcada com membros do parlamento britânico, em Westminster. Os dois indígenas profissionais vão se encontrar com autoridades do “Foreign and Commonwealth Office”. O objetivo é pedir ajuda internacional pela manutenção da Reserva Indígena Raposa do Sol, em Roraima. De noite, o show estará na TV e nos principais jornais do mundo.

O espetacular encontro entre índios e ingleses é organizado pela ONG britânica Survival International (SI), cujo lema é “o movimento em favor dos tribais” (“The movement for tribal people”). Como apoio da SI e da Anistia Internacional, o Conselho Indigenista de Roraima já enviaram uma notificação contra o governo brasileiro nas Nações Unidas e na Corte Interamericana de Direitos Humanos. A estratégia dos ingleses é pressionar o Supremo Tribunal Federal a não alterar a política indigenista, deixando-a como está. Tudo para facilitar a criação de “nações autônomas” ou “ilhas” dentro do território brasileiro.

Em 2004, na Assembléia Geral das Nações Unidas, o convincente lobby da “globalizaçãso inevitável”, defendido por poderosas ONGs européias, levou o Itamaraty, na gestão do cacique Lula da Silva, a embarcar na canoa furada da Declaração na ONU. Curiosamente, alguns dos principais países do Primeiro Mundo se negaram a ratificar o acordo. Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia votavam contra. Outros 11 países preferiam se abster: Rússia, Colômbia, Azerbaijão, Bangladesh, Butão, Burundi, Georgia, Quênia, Nigéria, Samoa e Ucrânia.

Os argumentos “internacionalistas” são os mais falaciosos possíveis. O diretor da Survival International fez ontem um apelo dramático e falso: “Esta é uma batalha absolutamente crucial para os índios brasileiros e para a Amazônia. Se os fazendeiros e os políticos forem bem sucedidos no roubo da Raposa Serra do Sol, índios de todo o Brasil podem ver suas terras roubadas também. Não podemos permitir que isto aconteça”. O mesmo discurso será repetido aos dirigentes ingleses pelos índios Jacir José de Souza (um líder Makuxi, fundador do Conselho Indigenista de Roraima) e Pierlangela Nascimento da Cunha (líder Wapixana e coordenadora da Organização de Roraima para Professores Indígenas).

Além de “dobrar” os 11 ministros do STF, o lobby internacionalista quer forçar o Congresso brasileiro a homologar, na calada da noite, a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas (aprovada em 13.09.2007). A declaração viola a Soberania do Estado brasileiro sobre o Território e suas Riquezas. Também restringe a atuação das Forças Armadas, no cumprimento de sua missão constitucional, prevista no artigo 142 da Constituição – e também respaldada no artigo 142 do Código Penal Militar. Releia: Os artigos 142 contra os “171”

O principal propagador da proposta de autonomia dos povos indígenas e de internacionalização da Amazônia é o WWF (World Wildlife Fund), comandado pelo Príncipe Charles, da Inglaterra. No Brasil, o WWF conta com a ajuda financeira de empresários de peso, como João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo. A ONG Survival International é o braço direto de atuação da WWF na Amazônia.

Os ingleses deixam bem clara sua estratégia de marketing de guerra psicológica: “Nós acreditamos que a opinião pública é a mais efetiva força para mudança. A sua força se fará cada vez mais forte, tornando eventualmente impossível aos governos e companhias oprimirem os seres tribais” (We believe that public opinion is the most effective force for change. Its power will make it harder, and eventually impossible, for governments and companies to oppress tribal peoples”).

Lobby pesado

A famigerada Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas tem pelo menos 5 de seus 46 artigos que contrariam, diretamente, a nossa Constituição (ainda em vigor, até prova em contrário):

Art. 4: "Os povos indígenas, no exercício de seu direito de livre determinação, têm direito à autonomia (sic) ou ao autogoverno (sic)... a reforçar suas instituições políticas, jurídicas, econômicas, sociais, culturais".

Art. 9: "Os povos indígenas têm direito a pertencer a uma comunidade ou nação (sic) indígena".

Art. 26: "Os povos indígenas têm direito às terras, territórios e recursos que tradicionalmente tenham possuído, ocupado ou utilizado".

Art. 30: "Não se desenvolverão atividades militares (sic) nas terras ou territórios dos povos indígenas, a menos que tenham solicitado".

Art. 36: "Os povos indígenas, sobretudo os separados por fronteiras internacionais (sic), têm direito de manter e desenvolver contatos, relações e cooperação com outros povos, através das fronteiras" (sic).

O risco

Os espertos ingleses e os entreguistas brasileiros querem aproveitar o que foi escrito no parágrafo 3º do artigo 5º, introduzido no texto constitucional, em 2004, misturado à Emenda nº 45, que cuidava da reforma do Judiciário.

O casuísta dispositivo determina que serão equivalentes a emendas constitucionais os tratados internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, na Câmara e no Senado, em dois turnos, por três quintos dos votos.

Se o Congresso brasileiro homologar a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, ela vale como emenda à nossa Constituição.Assim, poderão ser criadas 216 “nações” indígenas (com autonomia política e administrativa) dentro do território brasileiro.

E outras 53 tribos indígenas, que se mantêm arredias a contatos com a civilização, também terão o mesmo “direito”.

Velha demanda inglesa

Em meados da década de 60 o então princípe Phillip (Casa de Windsor) arquitetou o plano estratégico para a criação da Reserva Ianomâmi.

Os ingleses enviaram para terras brasileiras diversas missões, como a famosa "Robin Hambury-Tenison", encarregadas pela coroa inglesa de encontrar tribos indígenas situadas sobre os eixos naturais de integração do continente ibero-americano.

O verdadeiro objetivo era manipular tais tribos para impedir a realização de obras de infra-estruturas que concretizassem tais conexões.

Em seu livro "Words a Part" (Mundos a Parte), "Hambury-Tenison" apresenta um mapa no qual mostra, precisamente, essa preocupação, e revela que a importância estratégica de seus roteiros lhe foi indicada, pessoalmente, pelo Princípe Phillip.

Ação de longo prazo

No final da década de 60, a Survival International foi concebida para trabalhar a criação da gigantesca reserva ianomâmi no Brasil e na Venezuela.

A SI foi fundada em 1969, com o patrocínio de Sir Peter Scott, então presidente da WWF, para oferecer financiamento para "ajudar os povos indígenas a proteger suas terras, seu meio ambiente e seu modo de vida".

Em 1978, foi fundada a Comissão Para a Criação do Parque Ianomâmi (CCPY) para "nacionalizar" a campanha para a criação da reserva ianomâmi, após a expulsão do Brasil de seus representantes Kenneth Taylor e Bruce Albert.

Em 1985, a Organização dos Estados Americanos (OEA) instou o governo brasileiro a criar um parque Ianomâmi para preservar seus costumes e sua "cultura".

Em 1992, no governo Fernando Collor de Mello, a reserva foi demarcada.

Grande apoiador

A CCPY destacou que, durante muitos anos e sem reservas, teve o apoio importante do falecido Senador Severo Gomes (que morreu na queda do helicóptero com o deputado Ulysses Guimarães).

O lobby pela demarcação da reserva Ianomâmi foi tocado, aqui no Brasil, por entidades como o CEDI, NDI, CIMI, Diocese de Roraima, e Comissão Pró-Índio de São Paulo.

Em 1997, no desgoverno FHC, a CCPY foi agraciada com o terceiro prêmio de Direitos Humanos da presidência da República Federativa do Brasil."

Os bem financiados

Em agosto de 1999, foi assinado um convênio entre a Fundação Nacional de Saúde e a CCPY para que esta passasse a administrar 12 dos 25 postos de saúde do Distrito Sanitário Yanomami.

O acordo teria duração de 15 meses, contando com R$ 7,5 milhões de “ajuda”.

Na verdade, o "projeto saúde" da CCPY contava, desde 1994, com o apoio financeiro do Banco Mundial e de algumas agências de desenvolvimento externo dos governos do Reino Unido e da Alemanha.

A CCPY conta ainda com outras verbas de agências internacionais, entre as quais o Programa Norueguês para Povos Indígenas, a Rainforest Foundation da Noruega, a Oxfam, a Survival International do Reino Unido e da França, e a Iwgia, da Dinamarca.

Discurso comunista

Quarta-feira, Junho 25, 2008

Discurso comunista

Alerta Total

O PCB (Partido Comunista Brasileiro) lançou ontem uma nota se posicionando pela imediata demarcação da Reserva Raposa Serra do Sol de forma contínua como determina a lei.

“O atraso da demarcação é revelador do caráter do atual governo, submisso aos interesses do grande capital, do agronegócio e dos setores financeiros. O fundo da questão em foco reside na qualidade do uso da terra como valor de uso fundamental à vida ou mercadoria a ser explorada com vista à mercantilização”.

“O PCB se posiciona pela vida e contra o capital e denuncia a intenção perversa de vincular a luta pela demarcação das terras indígenas como perda da soberania, uma vez que tal demarcação não implica na renúncia de qualquer direito sobre defesa de fronteiras ou riquezas minerais, mas sim no direito de os povos originários viverem e decidirem sobre seu futuro, incluindo a forma e a oportunidade de disporem daquilo que constitui seu patrimônio. O que fere os interesses de nosso país e dos trabalhadores é o papel do latifúndio e do agronegócio em áreas de fronteira, ligados à contravenção, à extração ilegal de madeira, ao desmatamento indiscriminado e ao saque das riquezas minerais pelas transnacionais”.

Os camaradas não conseguem enxergar quem está por trás da suposta proposta em favor dos índios...

Falta vergonha na cara

por João Luiz Mauad em 25 de junho de 2008

Resumo: Além de desnecessário do ponto de vista fiscal, o novo tributo é uma aberração jurídica, flagrantemente inconstitucional, e possível apenas porque este continua sendo o país do “jeitinho”.

© 2008 MidiaSemMascara.org


No mesmo dia em que o país assistia, estupefato, ao depoimento da ex-diretora da ANAC, Denise Abreu, sobre o detalhamento das falcatruas que permitiram, através da intervenção providencial da Casa Civil, o enriquecimento ilícito de meia-dúzia de afortunados com a compra e posterior revenda da VARIG – no curto prazo de menos de um ano –, a Câmara dos Deputados nos brindava com mais uma demonstração de desprezo pelo contribuinte e escárnio com o eleitor.

Falo, evidentemente, da aprovação da tal CSS, sucessora da falecida CPMF. Sem que houvesse qualquer razão ou fundamento lógico para a criação do novo tributo, exceto, é claro, a volúpia arrecadadora do governo (já que a receita fiscal do Estado, após a queda da CPMF, cresceu este ano, contra todas as previsões catastróficas feitas ano passado, para mais de 38% do PIB), os deputados federais, liderados pela bancada petista (e incentivados pelo jogo sujo do Palácio do Planalto, que teria liberado mais de R$ 280 milhões em emendas parlamentares apenas nos 10 primeiros dias deste mês), comemoraram mais um assalto ao bolso do cidadão brasileiro.

Além de desnecessário do ponto de vista fiscal, o novo tributo é uma aberração jurídica, flagrantemente inconstitucional, e possível apenas porque este continua sendo o país do “jeitinho”. Sim, pois, de acordo com a lei maior do país, em seu artigo 154, a União somente poderia instituir, através de lei complementar, impostos de natureza não cumulativa, o que não é o caso da nova CPMF, um tributo de natureza absolutamente cumulativa, incidente em todos os níveis da cadeia de produção, distribuição e comercialização.

Para quem não está habituado às filigranas jurídicas, informo que o artifício utilizado pela Câmara dos Deputados tem a sua razão “malandra” de ser. Para a aprovação de uma “Lei Complementar” é necessária apenas a maioria simples, num único escrutínio, enquanto a aprovação de uma “Emenda Constitucional” – que seria o caminho legal correto – requereria, no mínimo, a aprovação de 3/5 dos deputados, por duas vezes. A CPMF, por exemplo, só foi derrubada no Senado porque se tratava de uma emenda constitucional e, portanto, a sua prorrogação estava sujeita à maioria qualificada de 3/5, nas duas casas do Congresso.

Enquanto os nossos representantes eleitos davam mais um show de esperteza e oportunismo, somando mais uns trocados ao insaciável cabedal do Estado brasileiro, sempre sob a desculpa esfarrapada e demagógica de beneficiar a saúde pública, o Banco Mundial (BIRD) publicava um longo estudo demonstrando, por A + B, que o que falta à saúde pública em Pindorama (como, ademais, em todas as áreas de atuação dos governos) não é dinheiro, mas gerenciamento e vergonha na cara.

De acordo com o estudo, publicado no jornal O Globo de 13/06, “o setor de saúde no Brasil gasta mal, desperdiça e é mal gerido”. Os responsáveis pelo relatório afirmam ainda que “a maioria dos hospitais é ineficiente em escala e produtividade”, e poderiam fazer muito mais com os recursos de que dispõem.

O relatório informa também que o custo de internação médio, por paciente, no Brasil, é de aproximadamente R$ 4.200,00, enquanto a média do setor privado está um pouco acima da metade disso. Ineficiência, desperdício, corrupção, desleixo: estes são os nossos problemas de saúde pública, não a falta de verbas. Gastamos com saúde mais do que a média dos países em desenvolvimento, mas todos esses recursos não revertem em qualidade de serviços. Muito pelo contrário: gastamos muito e produzimos muito pouco. Fica claro, portanto, que, se os serviços de saúde brasileiros são tétricos, não é por falta de verbas, mas porque os governos falham na gestão. Dar mais dinheiro a essa gente perdulária nada mais é do que premiar a incompetência.

O mais incrível de tudo isso, no entanto, é verificar que, afora algumas vozes isoladas, a esquizofrenia é tanta que o absurdo parece a coisa mais natural do mundo. Espoliam a sociedade em 10 bilhões de reais e quase não se vê qualquer indício de revolta. Enquanto noutros lugares revoluções acontecem por conta de aumentos de impostos, aqui em Pindorama quase ninguém ergue a voz para reclamar.

Felizmente, há exceções. Uma das poucas vozes dissonantes foi a do professor Adolfo Sachsida, de Brasília, cujo desabafo é a mais pura verdade e merece ser repetido muitas e muitas vezes:

“O que falta no Brasil é vergonha na cara. Não só dos políticos que aprovam aumentos de impostos (...). Falta vergonha na cara do povo brasileiro, que se acostumou à ajuda do Estado. As pessoas perderam a vergonha de depender do governo, perderam a vergonha de depender de outros para viver, perderam a vergonha de mendigar. Quando o governo fala em aumento de impostos, muitos aqui entendem isso como mais dinheiro no seu bolso: seja por transferências, seja por subsídios. Entendem o aumento da arrecadação como um sinal de que os gastos do governo, ou seja, sua esmola, também irá aumentar”.

Sábias palavras!

Pronasci: a insegurança em nome da segurança

por Julio Severo em 25 de junho de 2008

Resumo: O governo que não consegue castigar os velhos tipos de criminosos verá o que é capaz de fazer com os "novos" tipos de criminosos.

© 2008 MidiaSemMascara.org


Com mais de 50 mil assassinatos ocorrendo no Brasil anualmente, sem contar outros crimes violentos, não é difícil imaginar qual é a preocupação número 1 da população brasileira.

Com tal número elevadíssimo de assassinatos em todo o Brasil, o governo federal deveria ter como prioridade absoluta combater a criminalidade e castigar os criminosos na proporção dos seus crimes. A melhor política de segurança é tolerância zero para com o mal.

Contudo, não existe no Brasil nenhuma política de tolerância zero para com assassinatos, seqüestros, estupros, etc. Assim, apesar da criação de muitas leis, a queda no índice da criminalidade tem sido insignificante. Sem tolerância zero, a queda no índice de criminalidade é zero. É a realidade que o Brasil vem vivendo há anos.

Se não estão impondo medidas eficazes de tolerância zero para com o mal, então o que os programas governamentais de segurança estão fazendo para o Brasil?

A política oficial de segurança pública do Brasil é o Pronasci, uma criação do governo Lula. Pronasci significa Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, e seu objetivo oficial é "articular ações de segurança pública para a prevenção, controle e repressão da criminalidade, estabelecendo políticas sociais e ações de proteção às vítimas". (Lei nº 11.707, art. 2)

À primeira vista, a proposta é excelente, e arrancará apenas elogios de todos, pois não há nada que o povo mais queira do que a repressão à criminalidade.

No entanto, de que forma o Pronasci pretende fazer essa "repressão"?

Repressão às posturas contrárias ao homossexualismo

A prioridade número 1 do Pronasci é: "Promoção dos direitos humanos, intensificando uma cultura de paz, de apoio ao desarmamento e de combate sistemático aos preconceitos de gênero, étnico, racial, geracional, de orientação sexual e de diversidade cultural". (Lei nº 11.707, art. 3-I)

Portanto, para combater a criminalidade o Pronasci pretende intensificar uma "cultura de paz". Por exemplo, quando as escolas públicas do governo Lula ensinarem para todas as crianças que o homossexualismo é normal e saudável, tudo ficará em paz e harmonia se você concordar com ele.

Contudo, e se você não concordar que o homossexualismo é normal e saudável? Daí o Pronasci estabelecerá a "cultura da paz" "combatendo sistematicamente os preconceitos de gênero e orientação sexual".

Outro exemplo: quando as escolas públicas do governo Lula ensinarem para todas as crianças que as religiões afros são cultura, tudo ficará em paz e harmonia se você concordar com ele.

Mas e se você não concordar? Então, para garantir a "cultura da paz", o Pronasci estabelece "combate sistemático aos preconceitos de raça e diversidade cultural".

Repressão à responsabilidade e direitos de os pais disciplinarem os filhos e nenhuma repressão aos assassinos e criminosos menores de idade. Repressão à defesa pessoal

O Pronasci também tem como objetivo a promoção dos direitos humanos e o apoio ao desarmamento. No Brasil, o conceito de direitos humanos veio a ser tornar sinônimo de impunidade privilegiada. Quando um assassino de 16 anos de idade é pego depois de uma lista longa de assassinatos, estupros e crimes violentos, ele não pode ser condenado como criminoso. Ele — e seus crimes — fica automaticamente protegido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Depois de um período curto de "reabilitação", o monstro volta à sociedade com ficha limpa para recomeçar suas atividades.

Essa impunidade vergonhosa é a própria essência do conceito de direitos humanos na sociedade brasileira.

Não é segredo nenhum que os brasileiros estão à mercê dos criminosos. É por isso que, numa tentativa desesperada de proteger seu mínimo direito à segurança pessoal e familiar, o povo do Brasil votou em massa contra a intenção de o governo Lula desarmar a população civil.

O povo brasileiro é inteligente e quer o desarmamento — não dos inocentes, mas dos criminosos apenas. É nesse ponto que o governo Lula está em desacordo com o povo e em total acordo com a Alemanha nazista e com a União Soviética, ditaduras totalitárias que desarmaram completamente suas populações inocentes, com o resultado desastroso que ninguém conseguiu reagir e confrontar os crimes em massa perpetrados pelo Estado.

Apesar de que o povo brasileiro, que quer meios para se defender, já deu sua opinião clara de que não deseja ser desarmado pelo governo, o Pronasci passa por cima da vontade popular e estabelece como meta o "desarmamento" dos cidadãos de bem.

Para garantir maior segurança — da agenda socialista do governo Lula? —, o Pronasci institui o "fortalecimento dos conselhos tutelares". (Lei nº 11.707, art. 3-III) Os conselhos tutelares, além de suas atribuições louváveis de combater a prostituição e abuso infantil, também têm a missão nada louvável de combater outras "formas de violência".

Pais cristãos e até pastores têm sido intimidados ao tentarem aplicar castigos físicos justos em suas crianças, que aprendem na escola a denunciar os pais aos conselhos tutelares por tais castigos. Como implementadores do ECA na sociedade, os conselhos tutelares interpretam essa disciplina como violência contra a criança.

Repressão às mulheres que não viverem de acordo com a ideologia feminista?

Por último, o Pronasci estabelece um programa especialmente voltado para as mulheres: "O projeto Mulheres da Paz é destinado à capacitação de mulheres socialmente atuantes nas áreas geográficas abrangidas pelo Pronasci". (Lei nº 11.707, art. Art. 8o-D)

Mulheres pela Paz é um projeto cujo objetivo é "a mobilização social [das mulheres] para afirmação da cidadania, tendo em vista a emancipação das mulheres". (Lei nº 11.707, art. Art. 8o-D-I) É, na verdade, um projeto de recrutamento e inclusão das mulheres em programações de militância feminista do governo federal.

Pronasci: insegurança para a maioria da população e segurança privilegiada aos que escolheram o homossexualismo?

O Pronasci, com todas as suas inovações de combate sistemático aos preconceitos contra o homossexualismo, entrou em vigor em 19 de junho de 2008. O próprio presidente Lula fez muita pressão pela sua aprovação, que não encontrou nenhuma resistência, nem mesmo da bancada evangélica.

Antes da votação final, a bancada evangélica recebeu um alerta intitulado A irrelevância e o perigo das políticas socialistas de segurança. Mesmo assim, não houve reação. Sem nenhuma oposição, a aprovação foi rápida e fácil, pois muitos não conseguiram ver que o Pronasci carrega alguns dos mesmos perigos do PLC 122/2006.

O Pronasci estabelece o "combate sistemático aos preconceitos de gênero e orientação sexual" como se os 50 mil homens, mulheres e crianças do Brasil assassinados por ano fossem todos ou em grande parte homossexuais. Não são. O próprio Grupo Gay da Bahia, um das entidades mais extremistas de militância homossexual do Brasil, estima que os homossexuais assassinados por ano sejam aproximadamente 100 indivíduos. Mesmo assim, com toda a escassez de viaturas policiais e excesso em massa de assassinatos de brasileiros, o governo Lula dá atenção privilegiada a um grupo que se encontra provavelmente com a taxa mais reduzida de vítimas de assassinatos!

O preço da "cultura da paz": Mulheres pela Paz gerando mulheres pró-aborto?

Quanto ao projeto do Pronasci para o recrutamento das mulheres para atividades de natureza feminista, não é segredo para ninguém que o governo Lula trata o aborto e o homossexualismo como direitos humanos. Aliás, a maioria dos projetos de lei a favor do aborto e do homossexualismo no Congresso Nacional são de políticos do PT e têm apoio do governo Lula. Dá para imaginar então em que tipo de "direitos" o Pronasci vai educar as mulheres? Mulheres pela Paz é paz ao preço e sacrifício da valorização da vida e dos valores da família.

Portanto, o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) não tem como prioridade absoluta combater e castigar os criminosos tradicionais (assassinos, estupradores, ladrões, etc.) e muito menos a redução dos milhares de assassinatos por ano. Aliás, com a inclusão das mulheres em atividades feministas — que fatalmente apresentarão o aborto como direito humano —, haverá um aumento de mulheres que não recearão fazer uso desse "direito". As estatísticas de assassinatos seriam muito maiores se passassem a incluir os números de crianças propositadamente abortadas por mulheres que foram doutrinadas em seus novos "direitos".

Alvos preferenciais: "criminosos" politicamente corretos

Com 50 mil assassinatos por ano no Brasil, dá para ver que a meta prioritária do governo Lula não é o combate aos assassinos.

Entretanto, o Pronasci ficará de olho em cidadãos que não colaboram com a "cultura de paz" na sociedade. Por isso, se você não concorda com a pregação do governo Lula de que homossexualismo é normal e saudável, e insistir em posições morais, filosóficas, médicas ou religiosas, você se encaixa perfeitamente na definição politicamente correta de criminoso e perturbador da paz.

O programa Brasil Sem Homofobia, do governo Lula, já estabelece a criação de um clima de tolerância zero para com todo tipo de contrariedade ao comportamento homossexual em toda a sociedade brasileira, e o próprio Lula recentemente declarou que a oposição ao homossexualismo (ou "homofobia", como ele gosta de designar) "talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça do ser humano".

Prepare-se. Para o seu caso, o Pronasci estabelece "combate sistemático aos preconceitos de gênero e orientação sexual". O conceito de combate à criminalidade agora inclui combate a opiniões e posturas contra o homossexualismo. Em sua essência, o Pronasci estabelece a perseguição aos inocentes.

O governo que não consegue castigar os velhos tipos de criminosos verá o que é capaz de fazer com os "novos" tipos de criminosos. O Pronasci institui inovações perigosas jamais sonhadas antes em toda a sociedade brasileira. Mesmo sem o Pronasci, Silas Malafaia, Jael Savelli, Julio Severo e outros já estavam sob ameaça legal do Ministério Público Federal exclusivamente por causa de suas posturas contrárias ao homossexualismo. Com o Pronasci, o que acontecerá agora?

Esse é o preço que pagamos por eleger um governo que não dá segurança real contra os assassinos, mas cria políticas de segurança que condenam os cidadãos bons à categoria ideologicamente imposta de "criminosos", um rótulo que coloca os inocentes juntamente com assassinos e estupradores.

Governo injusto gera insegurança e desgraça

Em poucas palavras, a Bíblia explica como foi que chegamos a esse lamentável estado de injustiça nacional:

"Quando o governo é justo, o país tem segurança; mas, quando o governo cobra impostos demais, a nação acaba na desgraça". (Provérbios 29:4 NTLH)

Um governo que institui programas de segurança para combater a oposição ao homossexualismo é um governo injusto. É por isso que o Brasil tem tanta insegurança. Não temos um governo justo.

O governo Lula pode ser um fracasso na área da segurança, mas não é um fracasso na área de cobrança selvagem de impostos. Os brasileiros são hoje forçados a pagar uma das taxas de impostos mais elevadas do mundo, tornando-os efetivamente escravos a serviço do governo e seus gastos exorbitantes. A Bíblia aponta apenas um destino final para um povo que mansamente aceita um governo injusto: desgraça.

Os inocentes estão trabalhando para sustentar — por meio de impostos abusivamente altos — medidas estatais que cedo ou tarde trarão como conseqüência a repressão sistemática aos bons cidadãos. Além de escravos, eles serão perseguidos e hostilizados.

O governo Lula se encaixa assim na descrição bíblica de um governo injusto que facilita a insegurança, cobra impostos excessivos e gera desgraça para a nação.

Fonte: www.juliosevero.com

quarta-feira, 25 de junho de 2008

John Gray e o "liberalismo" iliberal

John Gray e o "liberalismo" iliberal

Farol da Democracia Representativa

Casimiro Pina

Jurista, natural da República de Cabo Verde, colaborador de vários jornais do seu País - Terra Nova, Expresso das Ilhas e Liberal - das revistas jurídicas Direito e Cidadania e Boletim da Ordem dos Advogados. No momento faz curso de pós-graduação em ciências jurídicas em Macau.


John Gray, professor de Pensamento Europeu na London School of Economics, é autor de livros bastante "populares" de filosofia política e história das ideias.

Em 2003, precisamente dois anos após o "11 de Setembro", publicou um livro intrigante, mas notavelmente perspicaz: "Al-Qaeda e o significado de ser moderno". Nesta obra, vertiginosa e altamente bem documentada, Gray acaba por concluir que a Al-Qaeda, ao contrário do que se tem dito, não é um projecto arcaico, medieval ou "primitivo".

Ela é, pelo contrário, um subproduto da modernidade e do Iluminismo ocidental. A "rede" islâmica, responsável pelos espectaculares ataques de Nova Iorque, aparece, então, como um actor "globalizado" que pretende, à semelhança dos anarquistas russos do século XIX e dos totalitarismos europeus (nazismo, comunismo...) do século XX, criar um "mundo novo" a partir do terror. Gray tem toda a razão: neste ponto, Al-Qaeda é um produto acabado da modernidade. Não temos notícia de algo parecido nas cidades-Estado da antiguidade ou nos modestos Principados medievais. Essa formidável capacidade de projectar violência a nível mundial/planetário, numa espécie de "Internacional do Terror", é realmente, quer gostemos ou não do argumento, um "acquis" sombrio da modernidade.

Trata-se de uma criação demencial do Iluminismo e dos seus profetas mais radicais, empenhados na "reconstrução" da condição humana e na utopia "libertária". Karl Popper denominaria esses indivíduos "inimigos da sociedade aberta".

Tanto a União Soviética (mediante uma teoria "científica" da classe...) como a Alemanha nazi (mediante uma teoria "científica" da raça...), antecedentes "vitais" – no sentido de Ortega Y Gasset - da Al-Qaeda, visavam o mesmíssimo objectivo de base: edificar um mundo "liberto" do poder e dos conflitos, onde o "governo dos homens" seria simplesmente substituído pela impolítica "administração das coisas". Como escreveu John Gray (p. 16), "Nenhuma época anterior acalentou projectos semelhantes. As câmaras de gás e os gulags são modernos. Há muitas maneiras de ser moderno, algumas delas monstruosas".

O livro de Gray lembra-me um outro escrito por Paul Berman ("Terror and Liberalism"), no qual este autor, numa viagem empolgante entre a literatura (Baudelaire, Victor Hugo, Fichte, Dostoievsky, Camus, etc.), a estratégia diplomática e as relações internacionais, procura, num "mapeamento" complexo, as "raízes" do terror nas correntes românticas (e filosóficas) franco-alemãs e nos movimentos políticos que se inspiraram, justamente, nessas correntes místico-totalitárias. Camus e Raymond Aron foram dos poucos franceses que escaparam dessa teia imoral supostamente "progressista".

Existe, ouso afirmar, um estranho ponto em que o romantismo toca o "disco duro" do iluminismo: a utopia da perfeição, a superação das "desigualdades" – isto é, a eterna sinfonia do utopismo revolucionário!

John Gray vai, todavia, mais longe. Tentando "situar" a origem (precisa) da crença no progresso humano inevitável, redescobre Henri de Saint-Simon, o fundador do Positivismo, e Auguste Comte, o seu discípulo mais brilhante, que pretendia fundar, a partir do cientismo, uma nova "Religião da Humanidade". Tanto um como outro viveram fases agudas de loucura e tiveram que receber tratamento psiquiátrico. Comte, nos dias de maior perturbação mental, assinava assim o seu nome: "Brutus Napoleon Comte". Tinha uma paixão extrema por Clothilde, mulher casada, a ponto de declarar, após a morte da senhora, que ela deveria ser adorada como "Virgem Mãe da Igreja da Humanidade"!

Como Gray salienta, e muito bem, A Igreja Positivista exerceu uma tremenda influência: foram construídos "Templos da Humanidade" em Paris, Londres e a bandeira do Brasil incorporou uma frase de Comte - "Ordem e Progresso".

O Positivismo comteano, segundo Gray, contribuiu para "identificar o liberalismo com o humanismo laico" (p. 48).

Isso é fantástico, porque nos transporta para um tópico, decisivo, que muito tem preocupado Olavo de Carvalho (http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=6644&language=pt) e Heitor de Paola: o "governo mundial". Trata-se, no fundo, de uma elite "tecnocrática" que, ancorada em fundações bilionárias, quer desenhar o futuro da humanidade a partir de uma religião laica e do "progresso" administrado para todos, abstraindo da história, das culturas locais, das tradições morais e religiosas (especialmente o Cristianismo) e da realidade profunda do Estado-nação.

O grande objectivo dos Positivistas – durante os séculos XVIII e XIX - era formar um "Clero" permanente, pela reunião dos "cientistas" disponíveis.

O conde Saint-Simon chegou a imaginar, explica John Gray, uma fantástica "assembleia dos 21 eleitos da humanidade", cujo nome seria..."o Conselho de Newton"!

Será que existe no horizonte (das relações internacionais...) algo parecido com a sedutora parafernália Positivista?! Quem souber, responda!

Escrito para o FDR

24/06 - GOVERNO DO FAZ-DE-CONTA

24/06 - GOVERNO DO FAZ-DE-CONTA

A verdade sufocada

Deus queira que os problemas brasileiros não se vejam fermentados pelas dificuldades econômicas que estão acontecendo pelo mundo afora, ao que parece germinadas a partir da conjuntura adversa que vulnera a maior potência mundial, os Estados Unidos. Digo isso porque a nossa economia é o que temos de positivo num governo repleto de desempenhos pífios.

Texto completo

Veja-se a palpitante e recorrente questão da Amazônia envolvendo aspectos que ameaçam a soberania nacional e a paz social, da atribuição de diversos ministérios, dentre eles o das Relações Exteriores, o da Justiça e o da Defesa. Desses, a impressão que se tem é que a condução das políticas específicas assim como as decisões tomadas acontecem à distância, sem conhecimento de causa, sem avaliação dos fatos e das conseqüências, desprezando-se tudo aquilo que não sejam loas a um governo medíocre. São exemplos dessas reflexões a inexplicável posição favorável de nossos representantes diplomáticos na ONU no tocante à Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas; o emprego da Polícia Federal, depois de fundamentada recusa do Exército, para expulsão dos arrozeiros das terras por eles ocupadas há décadas, em Roraima; e a postura opaca de um Ministro da Defesa que mais parece engajado em projetos políticos pessoais ou de grupos no poder.

Não é à toa que se chega à tragédia recente dos Morros da Providência e da Mineira, no Rio de Janeiro, conseqüência da injustificável presença de efetivos do Exército a serviço de um projeto político-eleitoral, denominado “Cimento Legal”, do interesse do senador carioca Marcelo Crivella, (ao que consta candidato a prefeito), fruto de convênio celebrado entre o Ministério das Cidades e o da Defesa, conforme noticiado, pelo qual os militares se viram engajados em reformas de fachadas de casa e de consertos de telhados no primeiro dos logradouros citados, região onde as forças estaduais incumbidas da segurança pública não conseguem se impor! Mais uma vez, é necessário enfatizar, de nada valeram as posições contrárias expostas com lealdade, franqueza e competência profissional pelo Comando Militar da área, sob a responsabilidade do General-de-Exército Luiz Cesário da Silveira Filho e encampadas pelo Comandante do Exército, pois falou mais alto a decisão política do Presidente da República, assessorado pelo seu Ministro da Defesa, o civil Nelson Jobim, sabidamente de formação distante das lides castrenses e de passagens carentes de aplausos como parlamentar e como membro do Supremo Tribunal Federal, no sentido de favorecer um aliado político.

É oportuno lembrar que o lema característico do Exército Brasileiro, “Braço Forte e Mão Amiga”, sintetiza muito bem a potencialidade institucional para ações militares de combate e, subsidiariamente, para ações de desenvolvimento e de assistência social, desde que em harmonia com o ordenamento jurídico que jamais é ignorado ou desrespeitado pelos Chefes Militares. A posição privilegiada de instituição nacional merecedora da maior credibilidade, apontada em pesquisa recente, é um honroso atestado da eficácia operacional do Exército. Até mesmo em missões de “garantia da lei e da ordem” (GLO), tão cogitada para suprir deficiências estaduais, não se pode duvidar da capacidade da Força Terrestre, pois ela, para tanto, mantém efetivos adestrados. Ocorre que muito se fala, cada um dizendo o que lhe parece, às vezes por ignorância, outras por má fé, mas a regulamentação do emprego militar, nas circunstâncias previstas na legislação, ainda não mereceu a atenção e o indispensável equacionamento do Poder Executivo, resultando em vulnerabilidade à imagem do Exército.

Da tragédia que ceifou vidas nos Morros cariocas, que não quero recordar, restam os lamentos, as desculpas e as condenações governamentais, mas permanecem o cinismo, a hipocrisia e a improvisação de autoridades que não se credenciam para um registro histórico elogiável! É o governo do faz-de-conta e do dinheiro fácil e abundante, embora mal empregado.

(Gen Ex José Carlos Leite Filho-linsleite@digizap.com.br-This e-mail address is being protected from spam bots, you need JavaScript enabled to view it )

(Publicado no “O Jornal de Hoje”, de 20/06/08 – Natal/RN)

Pensamentos esparsos

por Thomas Sowell em 24 de junho de 2008

Resumo: Quem disse que uma noite é um tempo muito longo em política sabia o que estava dizendo.

© 2008 MidiaSemMascara.org


Ao ver o Papa andando num veículo a prova de balas, penso como as coisas mudaram ao longo do tempo. Eu me lembro de quando o presidente Franklin D. Roosevelt deslizava pelo Harlem em carro aberto.

Mesmo que você considere que nossas escolhas presidenciais este ano são entre o desgosto e o desastre, qualquer um que tenha presenciado um desastre real pode lhe dizer que essa diferença não é pequena. É grande o suficiente para que se vá votar no dia da eleição.

Uma das formas de similaridade entre as pessoas é o esforço que elas fazem para se mostrarem diferentes.

Com o tempo, vagarosa mas seguramente, nós nos encantamos em relação a uma ampla gama de questões, de forma que não podemos mais dizer ou fazer o que faça, para nós, mais sentido, mas somente o que é considerado politicamente correto.

O grande juiz da Suprema Corte, Oliver Wendell Holmes, disse que um bom slogan poderia fazer o povo parar de pensar por 50 anos. O grande slogan da eleição deste ano é “mudança” – e ele já fez muitas pessoas pararem de pensar.

Seria difícil pensar numa forma mais ridícula de tomar decisões do que transferir essas decisões para quem não paga preço algum por estar errado. Mesmo assim, esse é o conteúdo de metade das idéias da esquerda.

Diferente de muitos políticos, Barack Obama não hesita. Ele se expõe corajosamente, dizendo coisas mutuamente contraditórias.

Antigamente, chamar alguém de “verde” era menosprezá-lo como alguém inexperiente ou imaturo. Hoje, chamar alguém de verde é exaltá-lo como um salvador ambiental do planeta. Mas é surpreendente como tantas pessoas são verdes em ambos os sentidos. Algumas pessoas consideram errado dizer às crianças que existe Papai Noel, mas, no entanto, acham certo dizer aos adultos que o governo pode dar a todos coisas que eles não podem conseguir por si mesmos. Acreditar em Papai Noel é, aparentemente, ruim às crianças, mas bom para adultos.

Mesmo os medicamentos que estão sendo usados há anos na Europa ou em outros lugares não podem ser vendidos nos EUA, sem a aprovação da Food and Drug Administration (FDA) [agência governamental americana reguladora de medicamentos e alimentos] – o que pode levar anos, enquanto as pessoas sofrem e morrem por falta de medicamento. Por que não permitir a venda de tais medicamentos com uma tarja vermelha que alerte: “ESTE MEDICAMENTO NÃO É APROVADO PELA FDA. NEM TAMPOUCO DESAPROVADO.”?

A frase “guerra ao terrorismo” é uma infeliz escolha de palavras. São os terroristas que estão declaradamente em guerra contra nós. Qualquer que tenha sido a razão para a invasão do Iraque, foi para lá que os terroristas internacionais convergiram para lutar contra os EUA. A retirada do Iraque não vai impedir a guerra dos terroristas contra nós, mas somente proporcionar-lhes uma imensa vitória, ao mesmo tempo em que a guerra se deslocará para outro lugar.

Se Barack Obama fizesse um discurso sobre boliche, poderia ser brilhante e inspirador. Mas, em vez disso, ele realmente tentou jogar boliche e foi um fracasso. A diferença entre falar e fazer não poderia ter sido mais bem ilustrada.

“Macartismo” é um termo usado para menosprezar a ameaça de subversão interna e espionagem. Mas quaisquer que tenham sido os pecados do senador Joe McCarthy, os esforços de outros mostraram que Alger Hiss não era uma figura da imaginação de alguém; nem tampouco era imaginação a espionagem dos Rosenbergs que entregaram os segredos da bomba atômica americana a Stalin, ou a rede de espionagem da qual Michael Straight, então editor da New Republic, muito tardiamente, admitiu fazer parte.

Quem disse que uma noite é um tempo muito longo em política sabia o que estava dizendo. Apenas seis meses atrás, a grande questão era se Giuliani e Hillary iam disputar, o primeiro contra a segunda, as eleições presidenciais deste ano.

Publicado por Townhall.com

Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo

A liquidação da Oposição Operária na Rússia

por Carlos I.S. Azambuja em 24 de junho de 2008

Resumo: O caso do Partido Bolchevique, que constituiu uma experiência localizada e condicionada por fatores peculiares da situação na Rússia do inicio do século passado, acabou por tornar-se modelo universal de organização revolucionária.

© 2008 MidiaSemMascara.org


Você não se interessa pelas ideologias, mas as ideologias se interessam por você.

A política que a partir de 1918 foi implantada na Rússia pela Revolução Bolchevique praticamente colocou na ilegalidade todas as organizações de massa dos trabalhadores que não fossem os sindicatos oficiais – chapa branca -, aboliu o direito de greve, admitiu a implantação de normas que permitiram cassar as entidades sindicais, restringiu e depois retirou dos sindicatos o direito de eleger livremente os seus dirigentes e, finalmente, permitiu a demissão por decreto das diretorias sindicais, inaugurando a prática de nomeação de seus dirigentes. A política que serviu de suporte para tais desdobramentos não surgiu do nada.

Ela foi apenas a evolução de uma mesma matriz original que concebia o partido como hierarquia não só das organizações de revolucionários mas também da massa das organizações operárias, conforme escreveu Lênin em 1904.

Em setembro de 1920, na IX Conferência do Partido Bolchevique, o recém-formado grupo de Oposição Operária fez sua primeira aparição pública na Rússia. Meses mais tarde, esse grupo viria a constituir-se na mais numerosa corrente que, dentro do partido, se opunha aos encaminhamentos políticos da direção bolchevique: 124 delegados contra os 154 favoráveis ao Comitê Central.

Além de combater o sistema de nomeações e cooptações feitas pela cúpula do partido, propondo a volta das eleições internas, a Oposição Operária discordava do intervencionismo do Comitê Central nos sindicatos e nos sovietes (organizações de massa).

Esse debate, que antecedeu o X Congresso do partido, teve seu ponto alto em janeiro de 1921. Então, o grande combate não era mais entre Lênin e Trotsky. Embora defendendo plataformas diferentes, ambos estavam, então, tacitamente unidos contra o inimigo principal, a Oposição Operária, que era o grupo bolchevique de oposição com base proletária mais numerosa e mais influente junto à classe operária, em especial junto aos metalúrgicos e, de certa forma, exprimia a reação da maioria do proletariado russo à política de militarizar os sindicatos e convertê-los, de fato, em organismos a serviço do Estado, com dirigentes não-eleitos, mas cooptados, nomeados pelo Estado a partir de indicações do partido.

Lênin pressentiu o perigo e articulou medidas visando cortar o mal pela raiz, esmagando, enquanto era tempo, o agrupamento dissidente, proibindo sua existência e tentando dissociar-se da antipática posição de Trotsky favorável à estatização dos sindicatos.

Adotando a posição meramente teórica da não-vinculação formal dos sindicatos nem ao partido e nem ao Estado, Lênin conquistou em Trotsky um aliado tático para a tarefa de extermínio da Oposição Operária. Essa aliança tática resultou em que, no X Congresso, realizado em março de 1921, dentre os quase 700 delegados com direito a voto, a Oposição Operária só tenha conseguido 18 delegados! Foram vários os procedimentos utilizados, desde a pressão sobre os Comitês do partido, ao boicote e até à fraude pura e simples.

A direção do partido, utilizando a máquina partidária para preparar o Congresso, pôs em ação os departamentos políticos criados no Congresso anterior com a finalidade de controlar os diversos comitês e organismos do partido. Onde encontrava algum obstáculo ou resistência, o CC substituía os militantes por appratchiks fiéis à sua orientação. Foi o caso, por exemplo, da Comissão de Controle do CC, da qual, um mês antes do Congresso, Yevgeni Alekseyevich Preobrazhensky e Felix Dzerzhinsky foram demitidos sob a alegação de serem demasiado complacentes com a Oposição Operária, sendo substituídos por burocratas.

Em janeiro de 1921, Lênin, em um artigo publicado pelo Pravda, assinalou: “Temos que combater a confusão ideológica dos elementos nocivos da oposição, que chegam ao ponto de repudiar toda a militarização da economia, de repudiar não só os métodos de nomeação, que têm sido os métodos predominantes até agora, mas inclusive todas as nomeações. Isso significa repudiar o papel dirigente do partido em relação às massas sem-partido. Temos que combater o desvio anarco-sindicalista que matará o partido se este não o eliminar completamente”.

A queimação das teses da Oposição Operária, tachadas de anarco-sindicalistas, a caracterização dos grupos divergentes como tendências anti-partido e a implantação de encaminhamentos anti-democráticos na preparação do X Congresso, eram justificados pela necessidade de salvar a revolução, de consolidar a unidade ante os grandes perigos internos que, após a guerra civil, o novo Estado ainda tinha que enfrentar.

Tais concessões ao autoritarismo, no entanto, como a História demonstrou, salvaram, na realidade, o país da democracia proletária, se é que isso existe.

Finalmente, chegamos ao histórico X Congresso do Partido Bolchevique, em março de 1921. Lênin abriu o Congresso com um discurso dirigido aos delegados da Oposição Operária que, como já vimos, estava em minoria: “Neste Congresso devemos dizer claramente que não permitiremos debates sobre desvios. Temos que acabar com isso (...) O ambiente de discussões está se tornando extremamente perigoso e se convertendo em uma ameaça direta à ditadura do proletariado”.

Fiel a essa orientação, o Congresso foi mais longe, não apenas rejeitando as teses da Oposição Operária, como também proibindo sua existência, iniciando um processo de perseguição aos seus membros até o total aniquilamento, um ano mais tarde.

As tais teses da Oposição Operária, rejeitadas pelo Congresso, propunham, basicamente, a adoção de quatro medidas: a volta à democracia interna, com a abolição dos métodos militaristas que exigiam a subordinação cega às ordens superiores; a transformação do partido em um partido mais operário, eliminando de seu seio os elementos não-proletários e estabelecendo novas condições de ingresso para todos os que quisessem voltar às suas fileiras; garantia de que os operários estreitamente ligados às massas trabalhadoras detivessem a maioria nos postos administrativos; volta ao princípio da elegibilidade dos responsáveis e à ampla discussão nas bases de todas as questões importantes sobre a atividade do partido e a política soviética, antes que a direção se pronunciasse.

Para a Oposição Operária – isso em 1921 – as nomeações não poderiam ser toleradas e constituíam uma das características da burocracia. Somente as conferências e congressos deveriam eleger candidatos capazes de ocupar postos administrativos de responsabilidade. Eliminar a burocracia já então enquistada no partido e no Estado, era para a Oposição Operária uma necessidade para a construção da nova sociedade.

A Oposição Operária argumentava que as medidas que propunha não faziam mais do que reafirmar o caminho que Marx e Engels esboçaram no Manifesto Comunista. Ou seja, que “a libertação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores”.

Nesse mesmo X Congresso, Trotsky usou da palavra para denunciar que os membros da Oposição Operária haviam proposto palavras-de-ordem perigosas, transformaram os princípios democráticos em fetiche e colocaram acima do partido o direito dos trabalhadores de elegerem os seus representantes, como se o partido não tivesse o direito de exercer a sua ditadura, mesmo se essa ditadura entrasse em conflito com o humor variável da democracia operária.

Entretanto, foi Lênin quem desfechou o golpe de misericórdia, propondo ao Congresso a aprovação de duas resoluções políticas: uma, condenando a plataforma da Oposição Operaria como desvio anarco-sindicalista (expressão até hoje empregada pelos comunistas de todo o mundo para caracterizar aqueles que lhes são contrários no movimento sindical), e outra proibindo definitivamente a sua existência legal e o seu funcionamento. Tudo isso em nome da... unidade do partido.

Na Resolução aprovada pelos delegados, o Congresso concedeu ao Comitê Central plenos poderes para aplicar as sanções ao alcance do partido no sentido de que fosse aniquilado todo o fracionismo.

Estabelecida a condenação, teve início a perseguição que prossegue até hoje a todos os tipos de oposição operária. Tudo em nome da... unidade do partido.

Dois meses depois, em maio de 1921, surgiria a primeira oportunidade de o Comitê Central colocar em prática os “plenos poderes” que lhes foram delegados pelo Congresso: no Congresso Nacional do Sindicato dos Metalúrgicos, o CC apresentou uma lista de candidatos para preencher os cargos de direção desse sindicato, onde a Oposição Operária mantinha a sua principal base de apoio, a fim de eleger uma diretoria fiel à linha oficial. Essa chapa, no entanto, foi derrubada pelos delegados, por 120 a 40 votos, fazendo com que a direção do partido da classe operária, ignorando solenemente a decisão do Congresso, simplesmente nomeasse os seus próprios candidatos.

Finalmente, no XI Congresso do partido, em março de 1922, a Oposição Operária já havia sido aniquilada, como queriam Lênin e Trotsky.

Somente para não esquecer: nesse XI Congresso, Stalin foi nomeado Secretário-Geral do partido e, nesse mês e ano, foi fundado o Partido Comunista do Brasil.

O caso do Partido Bolchevique, que constituiu uma experiência localizada e condicionada por fatores peculiares da situação na Rússia do inicio do século passado, acabou por tornar-se modelo universal de organização revolucionária, reproduzindo, assim, tanto as limitações impostas pelas condições concretas do meio social onde se desenvolveu, quanto a concepção que orientou a sua construção e atuação nesse meio, impondo um padrão único e passando a ser um carimbo para reproduzir, em série, os partidos comunistas de todo o mundo, autenticados pelo cartório do Komintern.

terça-feira, 24 de junho de 2008

O povo entra com a grana

por Ipojuca Pontes em 23 de junho de 2008

Resumo: O governo Lula não dorme em serviço, sobretudo quanto se trata de garfar mais dinheiro do bolso do cidadão.

© 2008 MidiaSemMascara.org


O governo Lula voltou à carga pela aprovação de novo tributo sobre movimentações bancárias, a repudiada Contribuição Provisória para Movimentação Financeira (CPMF), agora travestida de Contribuição Social para a Saúde (CSS). Ainda uma vez, segundo justificativa oficial, para assegurar mais recursos ao sistema público de saúde - já detentor, dentro do orçamento geral da União, de algo em torno de R$ 52 bilhões. Na prática, não há nada de novo no front: trocou-se apenas a definição do caráter “provisório” do tributo anterior pela nomeação de uma renovada – e permanente - “contribuição social para a saúde”. O objetivo, no entanto, continua o mesmo: abastecer com mais dinheiro os já bem fornidos cofres oficiais.

Tal como se passou com a votação da prorrogação da CPMF ocorrida em 2007, na Câmara dos Deputados, o governo venceu o primeiro assalto da batalha impositiva. Com dois votos a mais do que os 257 necessários, os governistas aprovaram o projeto que regulamenta a Emenda 29 e restabelece o que se convencionou chamar de “imposto do cheque”. Mas para obter a vitória parcial, a sua máquina fazendária teve de liberar entre parlamentares aliados e até da oposição, nos últimos dois meses, algo em torno de R$ 498 milhões (dados do Siafi), com a promessa de afrouxar mais R$ 2.800 bilhões, em emendas parlamentares, caso a CCS seja definitivamente aprovada.

Até agora, a troca promete ser um bom negócio para o governo: ele soltará R$ 3. 298 bilhões e pode se apropriar a partir de janeiro de 2009, na base de uma alíquota projetada em 0,1%, de R$ 10 bilhões. Segundo cálculos oficiais, o mesmo tributo - se não subir o percentual da alíquota, o que é bastante improvável dado o apetite feroz da máquina pública - renderá mais de R$ 14 bilhões até 2010, tendo em vista a expansão da arrecadação impositiva. Um negócio assim, não seria possível nem na China dos mandarins.

Depois de estudos preliminares, o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto Luiz Amaral, declarou que a CSS deve ter um impacto sobre o preço final dos produtos, de início, na ordem de 0,5%. “O efeito inflacionário do novo tributo é praticamente igual à extinta CPMF, que provocou durante a vigência anterior um aumento de 1,75% nos artigos comprados pelo consumidor” – avaliou.

Por ser um tributo de efeito cumulativo, só nos quatro primeiros meses de 2007, com a CPMF em vigor, o governo embolsou aproximados R$ 200 bilhões em contribuições e impostos. Em 2009, contando com a CSS e outras 74 formas de tributos o Estado forte de Lula ultrapassará facilmente a soma do R$ 1 trilhão em arrecadação impositiva. De resto, não é por outro motivo que o brasileiro está trabalhando de janeiro ao mês de maio só para saciar o implacável apetite do Leão.

Como se sabe, o projeto econômico do governo Lula é o de arrecadar mais para sustentar o aumento sistemático dos gastos públicos. Só para demonstrar a insensibilidade oficial neste terreno: na proposta de reforma tributária levada no início do ano pelo Ministro Mantega ao Congresso, embora se neutralize a natureza dos impostos cumulativos, fica claro que ele ampliará a carga tributária, ao considerar que a criação dos novos impostos federais (IVA - Imposto sobre o Valor Adicionado - e o novo ICMS) “passarão a arrecadar mais para suprir as fontes extintas”.

Estudos recentes dos institutos de pesquisas econômicas (entre eles, o Mosaico Economia Política) indicam que os gastos públicos do Brasil são os mais elevados do mundo. Eles representam 20% do Produto Interno Bruto (PIB) contra a média mundial, que é de 16,6% - superando em muito os gastos da Rússia, Índia e China, que, com o Brasil, formam o BRIC - sigla que denomina os quatro principais países emergentes do mundo.

No que tange aos gastos com a Saúde, recente relatório do Banco Mundial sobre o desempenho hospitalar brasileiro – absorvendo 67% do seu orçamento - entra em confronto direto com as soluções impositivas do governo para solucionar a crise do setor. A questão não é de verbas. O documento simplesmente assevera que o governo Lula gasta muito, desperdiça e administra pior os investimentos na Saúde. Um dos especialistas do Banco Mundial, Bernard Couttolene, referindo-se à nova CPMF, foi pontual: “Não adianta apenas ter mais recursos. A questão é gastar bem o dinheiro. Nos hospitais, os serviços são muito caros e nem sempre contribuem para a boa saúde da população”.

Mas as instituições civis do País não estão de braços cruzados vendo passar a banda. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, ao considerar a aprovação da CSS na Câmara “um atentado contra a sociedade”, pretende começar de novo uma cruzada nacional, junto com a população, contra o tributo cumulativo. Do mesmo modo procederá a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), presidida por Roque Pellizzaro Junior. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por sua vez, promete questionar a imposição da “contribuição”. O seu presidente, Cezar Brito, estuda ajuizar, caso a CSS seja aprovada no Senado, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) para questionar a sua legalidade junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O governo Lula, no entanto, não dorme em serviço, sobretudo quanto se trata de garfar mais dinheiro do bolso do cidadão. Temendo desgaste certo antes das próximas eleições municipais, o que significa perda de votos, pretende empurrar a votação da CSS no Senado para o fim do ano, quando – imagina – encontrará por parte dos senadores uma postura “mais compreensiva”.

Diante de tal perspectiva, a pergunta que se faz é a seguinte: e o povo em tudo isso?

O povo, como sempre, entrará com a grana.