sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Quatro glórias nacionais

Mídia Sem Máscara

Olavo de Carvalho | 28 Outubro 2010
Artigos - Eleições 2010

Diverso é o mérito de quem faz e o de quem apenas não desfaz. Toda a ação econômica do governo Lula foi a de um pato no rio: deixar-se levar pela corrente e grasnar de autossatisfação.

Leio nas mensagens do Investor's Daily Edge, sempre interessantíssimas, que os investidores internacionais têm quatro razões sólidas para apostar o seu dinheiro no Brasil e acreditar que o País poderá superar a badalada China nas próximas décadas. São elas:

  1. O Brasil já passou pelo pior e fez, de uma vez para sempre, as escolhas decisivas em matéria de estabilidade econômica.
  2. O Brasil é uma economia quase autossuficiente. As exportações representam apenas 14% do nosso Produto Interno Bruto, o que significa que, na hipótese de um colapso econômico global, sairemos praticamente ilesos, enquanto a China, a Índia, a Rússia e outros autonomeados donos do futuro irão mui provavelmente para o brejo.
  3. Ao contrário dos EUA, da Grécia, da Espanha, de Portugal e de tantos outros países, temos dinheiro no banco. Precisamente em razão do fator número 1, nossas reservas financeiras nos põem bem a salvo de qualquer tranco vindo de fora.
  4. O Brasil tem imenso potencial agrícola não aproveitado. Enquanto aí pelo mundo as terras produtivas vão escasseando e os limites legais para a sua aquisição vão aumentando, neste País pelo menos uns duzentos e sessenta e sete milhões de acres estão prontos para ser adquiridos a baixo preço e começar a produzir imediatamente. As perspectivas são ótimas: nossa agricultura, essencialmente de livre mercado, é mais rentável que a agricultura subsidiada dos EUA e da maior parte dos países da Europa.

São glórias nada desprezíveis, não é verdade? Mas, ao contrário do que poderiam desejar os adeptos mais afoitos do triunfalismo lulista, o Investor's Daily Edge deixa claro que as de número 1, 2 e 3 não vêm do mês passado, nem do ano passado, nem, para dizer a verdade, dos últimos oito anos: são o resultado do bom trabalho feito desde a primeira metade da década de 90 pelo presidente Itamar Franco e seu ministro Cardoso, depois presidente e continuador da obra.

Se o sucessor deles, Lula, não mexeu no time que herdou nem nos planos de jogo, é apenas sinal de que não é louco ou, se o é, não rasga dinheiro. Lênin ou Mussolini, no lugar dele, também não agiriam diferente.

Por mais que a memória falhe a quem não deseja recordar, diverso é o mérito de quem faz e o de quem simplesmente não desfaz. Toda a ação econômica do governo Lula foi a de um pato no rio: deixar-se levar pela corrente e grasnar de autossatisfação.

Quanto ao fator número 4, diz respeito precisamente ao tal "agronegócio" - aquela coisa que petistas, emessetistas e malucos em geral odeiam como à peste e culpam por todos os males da nacionalidade. Bendita peste, no entanto, que alimenta o Brasil com comida barata, espalha o demônio da obesidade entre os esfaimados e ainda faz do País a menina dos olhos dos futuros investidores e um forte concorrente da China na disputa por um lugar privilegiado entre as nações.

O Brasil, em suma, só tem uma economia pujante e um belo futuro graças a três coisas que a esquerda dominante não fez e a uma quarta coisa que ela detesta.

Pensem nisso quando forem votar no próximo domingo.

Bento XVI e o silêncio dos bispos

Mídia Sem Máscara

Com o discurso de hoje, Bento XVI rompe, desde o mais alto grau da hierarquia católica, o patrulhamento ideológico que o PT vem impondo a bispos do Brasil através de ameaças, pressões diplomáticas, xingamentos e abusos de poder.

Faltando três dias para a votação do segundo turno, o acalorado debate eleitoral ganhou um interlocutor de peso: o Papa Bento XVI.

Num discurso pronunciado, nesta manhã de quinta-feira, para bispos do Nordeste - reconhecida base eleitoral do PT de Dilma Rousseff - Bento XVI condenou com clareza "os projetos políticos" que "contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto".

Com o discurso de hoje, Bento XVI rompe, desde o mais alto grau da hierarquia católica, o patrulhamento ideológico que o PT vem impondo a bispos do Brasil através de ameaças, pressões diplomáticas, xingamentos e abusos de poder.

É conhecida a absurda apreensão, a pedido do PT, de milhares de folhetos contendo o "Apelo a Todos os Brasileiros e Brasileiras", em que a Comissão em Defesa da Vida, da Regional Sul I da CNBB, exortava os católicos a não votar em políticos que defendam a descriminação do aborto. É conhecida a denúncia do bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, de que tem sido vítima de censura e perseguição por parte do PT (cf.Revista Veja). É arquiconhecida a prisão de leigos católicos que realizavam o "ato subversivo" de distribuir nas ruas o documento dos bispos de São Paulo.

O Papa convida os bispos à coragem de romper este patrulhamento e falar. Ao defender a vida das crianças no ventre das mães, os bispos não devem temer "a oposição e a impopularidade, recusando qualquer acordo e ambigüidade".

O pronunciamento de Bento XVI ainda exorta os bispos a cumprirem "o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas". E, numa clara alusão a uma das propostas do PNDH-3 do PT, se opõe à ausência "de símbolos religiosos na vida pública".

Com seu discurso, o Papa procura evitar que o Brasil continue protagonista de um fenômeno que seria mais típico do feudalismo medieval, do que de uma suposta democracia moderna. De fato, durante a Baixa Idade Média, era comum que os posicionamentos e protestos mais decididos fossem os do Papa, enquanto os do episcopado local, mais exposto às pressões e ao poder imediato dos senhores feudais, eram como os de um cão atado à coleira. Pode até ensaiar uns latidos, mas quem passa por perto sabe que se trata de barulho inofensivo.

Ao apagar das luzes da campanha de segundo turno, o Pontífice parece preparar o terreno para que a Igreja do Brasil compreenda, sejam quais forem os resultados das eleições, que é inútil apelar para um currículo de progressos sociais e de defesas dos oprimidos do Partido dos Trabalhadores, quando seu "projeto político" está tão empenhado em eliminar os seres humanos mais fracos e indefesos no ventre das mães.

Abaixo, na íntegra, o discurso do Papa (cf. Página do Vaticano)

Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático - que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana - é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária - como vos disse em Aparecida - uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

Sandice do PT: armas por alarmes

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Klauber Cristofen Pires | 28 Outubro 2010
Artigos - Governo do PT

Seguindo as diretrizes da máfia globalista, e contrariando a vontade da população que repudiou o desarmamento em plebiscito, o PT agora surge com um novo absurdo: propor a troca de armas de fogo por alarmes residenciais.

O PT e as suas siglas satélites adoram inventar benefícios para indenizar o ócio e a irregularidade e até o crime. Para tais são criados o "seguro-defeso", que nada tem de "seguro", mas de literal pensão paga a homens em idade ativa e em boas condições de saúde para que não trabalhem, ou a indenização para as famílias que são retiradas das "áreas de risco", em valores que já ouvi pela tevê ultrapassarem os mil reais mensais e até mesmo o auxílio-reclusão, pago regularmente pelo INSS à família do preso cumprindo pena. Quem trabalha, quem paga para não morar em área de risco e que segue a lei não recebe seguro, indenização ou bolsa. Para esta gente, o significado de "bolsa" é a sua própria, que o governo afana.

Enquanto as eleições vão tomando o seu rumo, o PT não atrasa a sua agenda: afora o fato de prosseguir com leis de legalização ampla do aborto no momento mesmo em que Dilma se fantasia de respeitável senhora cristã e se compromete por escrito a não tomar iniciativas nesta direção, avança a política desarmamentista, esta ainda órfã de candidato. Agora, a nova onda é a proposta (em estudo) da Secretaria Nacional de Segurança Pública de indenizar aquele que entregar a sua arma com a instalação de um alarme em sua residência diretamente conectado à delegacia de Polícia mais próxima.

Segundo a Agência Brasil, a ideia foi defendida pelo coordenador de Controle de Armas da organização não governamental (ONG) Viva Rio, Antônio Rangel, durante o Seminário Internacional sobre Desarmamento. "Em 2003, antes mesmo da campanha nacional de desarmamento da Argentina, a Província de Mendoza fez uma campanha na qual instalava uma campainha - similar a um alarme silencioso, que dispara apenas na delegacia mais próxima - na casa dos cidadãos que entregassem voluntariamente suas armas às autoridades. Vimos de perto essa experiência e acreditamos que ela possa perfeitamente ser levada aos municípios brasileiros", afirma Rangel à Agência Brasil.

Salta-me - ainda - aos olhos como que um órgão de governo despreza a vontade da população que massivamente compareceu às urnas, à relação de dois terços(!) para dizer que desaprova o caminho do desarmamento civil. Isto demonstra claramente o quanto são instrumentais para o governo os seus "conselhos", "conferências" e outros artifícios de consulta popular pelos quais ele pretende legitimar a sua vontade como se das massas fosse.

Ainda que se considerasse como moralmente acertada a medida de desarmar cidadãos de bem quando o arsenal dos bandidos não pára de crescer em quantidade, tecnologia e poder letal, vem o estado para premiar tais pessoas por um bem que, houvesse por existir, deveria consistir em direito de todo e qualquer cidadão! Vou já comprar uma arma, de preferência, com o número raspado...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mordaça - "Prelúdio de venezuelismo"

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Conforme planejado pelo PT na Confecom, tem início a tentativa de controlar a imprensa. O primeiro estado da lista é o Ceará, mas na Bahia, Alagoas e Piauí, os petistas já articulam a legitimação de mecanismos de censura e cerceamento da liberdade de expressão e opinião. Bruno Pontes dá detalhes sobre a polêmica gerada no Ceará.

O deputado Fernando Hugo (PSDB) segue repudiando a proposta de criação do Conselho de Comunicação do Ceará e pedindo ao governador Cid Gomes (PSB) que vete a matéria, de autoria da deputada petista Rachel Marques, e vista pelo tucano como "prelúdio de um venezuelismo". "Essa matéria é induzida pela claque petista nacional para ser posta nas Assembléias e nas Câmaras. Tanto é verdade que o projeto da Rachel também foi apresentado pelo vereador Acrísio Sena na Câmara de Fortaleza".

A criação de conselhos estaduais é recomendação da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), convocada pelo presidente Lula e organizada por seu ministro da Comunicação, o jornalista Franklin Martins.

Realizada em dezembro do ano passado, em Brasília, a Confecom aprovou mais de 600 propostas no sentido de controlar a imprensa, desde a definição de programação compulsória na televisão, passando por restrições à publicidade, até chegar ao estabelecimento de um tribunal da mídia. Em nome da liberdade de informação e da democracia, segundo os petistas.

No pronunciamento de ontem, Hugo lamentou que seja tíbia a reação do jornalismo cearense contra o anseio petista em controlá-lo. "Eu suplico aos nobres senhores da imprensa: falem, escrevam, questionem, informem a população sobre esse absurdo que é amordaçar a imprensa".

Talvez não seja tibieza, e sim colaboração irrestrita. O Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce), grupo com o qual os petistas sempre podem contar, apóia o projeto de Rachel Marques, assim como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), outra entidade que almoça na mesa do PT.

COISA DE DITADURA
Outro a reiterar sua repulsa foi o deputado Ely Aguiar (PSDC), a quem o projeto parece uma tentativa de instalar o "regime de uma voz só", típico de sistemas totalitários como os da China e da Coréia do Norte.

"Esse conselho nada mais é do que o início da venezuelização da imprensa brasileira. Querem monitorar para que escândalos como esses da Erenice Guerra e do Zé Dirceu não tenham espaço na imprensa", disse, aludindo à sucessora de Dilma Rousseff (PT) na chefia da Casa Civil, acusada de integrar um esquema de corrupção, e ao ex-ministro cassado pelo mensalão e atual coordenador da campanha da petista à Presidência.

Ely fez notar que a iniciativa, além de ter brotado das conferências do PT, ganhou o endosso de partidos comunistas como PSOL e o PC do B. "Só defende esse conselho aqueles que não querem que haja a divulgação da realidade dos fatos".

PETISTA DIZ QUE PT NÃO TEM NADA A VER COM A HISTÓRIA
Em defesa do que denomina "controle social" da imprensa, o petista Artur Bruno voltou a sustentar que seu partido não tem nada a ver com a história. "A criação do conselho foi decidida numa conferencia nacional [Confecom], não surgiu do PT, como alguns querem dizer".

Ao contrário do que Bruno alega, a realização da Confecom era uma meta definida pelo PT no seu 3º Congresso Nacional, promovido em setembro de 2007. No caderno de resoluções daquele simpósio, é firmado como tarefa do PT:

"Convocar a 1ª Conferência Nacional de Comunicação Social e articular as ações governamentais em educação, cultura e comunicação. É preciso fortalecer a concepção de um sistema de comunicação que combine a atuação do setor público, do setor privado e dos instrumentos de comunicação comunitária".

Bruno afirmou ainda que "não há nada no texto do projeto que indique que haverá censura. Não haverá proibição de divulgação de nada".

MONITORAR A IMPRENSA
No texto de justificativa do seu projeto de indicação, a petista Rachel Marques defende que "as liberdades de informação, expressão e imprensa devem existir harmonicamente com as demais liberdades".

O conselho ficaria encarregado de "acompanhar o desempenho e a atuação dos meios de comunicação locais", além de "monitorar, receber denúncias e encaminhar parecer aos órgãos competentes sobre abuso e violações de direitos humanos nos veículos de comunicação no Estado".

Desde que sua iniciativa ganhou destaque na imprensa nacional, seguido do repúdio de vários parlamentares e entidades do setor jornalístico, Rachel não apareceu mais na Assembléia. Ela diz que está em licença médica.

Matéria publicada no jornal O Estado.

Bruno Pontes é jornalista - http://brunopontes.blogspot.com

Por que ser neutro

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Heitor De Paola | 27 Outubro 2010
Artigos - Eleições 2010

Heitor de Paola apresenta seu contraponto às posições do sociólogo Roberto DaMatta, que em artigo critica os eleitores que prentendem votar em branco, se abster ou anular seu voto.

N'O Globo de hoje DaMatta publicou op-ed denominado 'De que lado você está?' se referindo ao segundo turno da farsa eleitoral no próximo domingo. Depois de extensas considerações que a meu ver nada tem a ver com o assunto anunciado, mas sim com a velha e conhecida arrogância 'intelectual' brasileira que apresenta títulos e histórias pessoais para constranger o leitor, faz diversas perguntas que pretendo responder aqui. Comentei esta arrogância porque ela é tradicional dos povos de colonização ibérica onde os nomes extensos e a enunciação de títulos nobiliárquicos para esmagar o ouvinte foi substituída por títulos universitários usados com a mesma finalidade.

Ora, uma pessoa com tantos títulos deve saber mais do que o comum dos mortais. Ocorre que nas democracias a esmagadora maioria é feita de indivíduos da última estirpe que vota segundo a percepção de seus próprios interesses, inclusive no Tiririca ou por uma bolsa família, e não de 'iluminados' aos quais aqueles interesses não agradam.

Enumero as perguntas e minhas respostas, deixando claro mais uma vez que sou destes neutros apontados pelo autor, como já o fiz em vários artigos desde 14 de março último. Antes, no entanto, uma crítica ao autor: desde o início ele tenta intimidar as pessoas que não votam em nenhum candidato como se, por isto, fossem párias, uma hipocrisia tipicamente brasileira. Acostumados a ter no voto uma obrigação legal autoritária e não um direito que pode ou não ser exercido conforme suas conveniências, os eleitores brasileiros desenvolveram certa vergonha em dizer 'não vou votar' pois serão mais tarde acusados de não poderem criticar o que ocorre no país: 'Ah, você não votou, não tem direito de criticar!', idiotice que não se repete em nenhum país civilizado onde os direitos do cidadão incluem o de se abster.

(Chamo a atenção para o fato que mesmo o voto sendo obrigatório as abstenções, onde me incluo, somaram no primeiro turno 24.610.296, ou 18,12%. Os votos em branco 3.479.340 (3,13%) e os nulos 6.124.254 (5,51%), totalizando 34.213.890 num universo de 135.804.043 eleitores inscritos, portanto 26,76% contrariaram a opinião do Sr. DaMatta. Compare-se com os Estados Unidos, onde o voto é um direito e os abstencionistas respeitados como quaisquer outros: na última eleição, em 2008, o comparecimento foi recorde desde 1968: 63,0% ou 61,7%, conforme a estimativa de possíveis eleitores fosse de 208.323.000 ou 212.720.027. Portanto a abstenção foi de 37,0% ou 38,3%. Como lá não existe este absurdo registro eleitoral obrigatório, o número de eleitores é baseado em estimativa).

Perguntas e Respostas:

1. Você fica neutro quando um Presidente da República e um partido que se recusou a assinar a Constituição e foi contra o Plano Real usam de todos os recursos do Estado que não lhe pertencem para ganhar o jogo?

R - Esta tem que ser desdobrada em três partes:

(a) Eu também me recusaria a assinar esta excrescência que nos impingiram em 1988 como "constituição cidadã", embora por motivos exatamente opostos aos do PT: um papelucho que merece a lata de lixo por conceder direitos sem deveres, que aumentou a intervenção do Estado na economia e na vida íntima dos cidadãos, consagrou estatais e não eliminou a CLT a maior responsável pelo "custo Brasil", bloqueou a iniciativa privada e ainda teve dispositivos ridículos, como o limite dos juros em 12% e o que declara que "a saúde é um direito de todos e dever do Estado". Sem falar em ter propiciado penduricalhos altamente lesivos como o ECA e os PNDH (os três e não só o último!).

(b) Não fui neutro em relação ao plano Real e votei em FHC em 1994, mas reconheço o direito de um Partido marxista ter sido contra.

(c) Quanto ao uso de todos os recursos do Estado que não lhe pertencem para ganhar o jogo mostre-me quem não faz isto. Prove-me que não é o mesmo que fez FHC para aprovar a emenda da re-eleição em proveito próprio. Ou o Sarney para nos impingir os insanos planos cruzado e cruzado novo. Estes recursos existem por causa da indecente estatização que impera no Brasil e que nenhum dos candidatos pretende diminuir, pelo contrário, cada um quer se mostrar mais estatizante do que o outro. Privatização, mesmo a privataria tucana sem compromisso ideológico que manteve as empresas sob o jugo estatal, é, nos debates, motivo de acusação e ofensa. E pior: assim recebida!

2. Você diz que o jogo não interessa porque você queria que os adversários fossem do mais alto nível e isto não existe em nenhum país e muito menos no Brasil?

R - Não, Sr. DaMatta, eu queria apenas que entre os adversários existisse algum, mesmo no primeiro turno, que não fosse da esquerda da esquerda ou da direita que a esquerda adora! Minhas exigências não são tão grandes, votei em Collor em 1989, mesmo sabendo das acusações de corrupção em Alagoas, porque representava uma aspiração de liberalismo econômico contra um candidato assumidamente comunista.

3. Será que você não enxerga que o exemplo da neutralidade é fatal quando há uma óbvia ressurgência (sic) do velho autoritarismo personalista por meio do lulismo que diz ser a "opinião pública"?

R - Ao chamar de autoritarismo personalista o que vem ocorrendo no Brasil o Sr. demonstra que andou tão metido com metáforas carnavalescas, das quais nunca deveria ter saído, que esqueceu de estudar as idéias políticas que originaram a ascensão de Lula ao poder. Mostra desconhecer totalmente o Foro de São Paulo e a "retomada na América Latina do que foi perdido na Europa do Leste". Não há ressurgimento de coisa nenhuma, Lula é novidade na história política nacional, no máximo comparável às tentativas comunistas de tomar o poder em 35, 64 e 68, as duas últimas barradas em tempo pela pronta ação das Forças Armadas a pedido de organizações civis, que o Sr. mostra abominar no intróito do artigo. A afirmação de Lula de que "a opinião pública somos nós" é oriunda da mesma ideologia que criou o Pravda, o Isvestia, o Granma, a agência Tass e o Diário do Povo - ou, se preferir, o Völkisher Beobachter e o Il Popolo d'Italia -, e não de um personalismo varguista renascido. Como não conhece as raízes do PT, também desconhece as do PSDB no socialismo fabiano que só difere do marxismo-leninismo na velocidade e nos métodos empregados para atingir a mesma meta: a sociedade comunista ideal onde "todos serão iguais", métodos empregados nos oito anos de FHC. Além do que, o tucanato não é um partido nacional, mas representante dos interesses internacionais globalistas, como o Diálogo Interamericano, a Comissão Trilateral e as ONGS ligadas a George Soros. Não é coincidência que o tuxaua tucanalha defende a liberação das drogas por obediência aos grupos mais interessados nesta liberação, comandados por Soros, Peter Lewis e outros bilionários.

4. O que você esperava de uma disputa eleitoral no contexto do governo de um partido dito ideológico, mas marcado por escândalos, aloprados e nepotismo?

R - Aí você se engana também, Sr. DaMatta, e pelo mesmo motivo: falta de conhecimentos. O PT foi, é e sempre será um partido ideológico, assim como o PSDB. Os escândalos, aloprados e nepotismo fazem parte desta ideologia. O que possivelmente ocorre é que o Sr., como grande parte dos iluminados, acreditou que a ideologia petista era a da utopia de "um mundo melhor possível" para todos. Tão acostumado a pensar metaforicamente não lhe ocorreu que esta é uma metáfora do mundo melhor para eles, assim como foi na União Soviética e satélites, e ainda é em Cuba, na China e na Coréia do Norte. Em todos estes países o partido 'ideológico" e "utópico" enganou a todos pois seu objetivo era tão somente construir a Nova Classe para eles mesmos, o Partido Interno de Orwell.

Por outro lado, nada tenho contra os corruptos e sim contra as causas da corrupção e nestas ninguém quer mexer: exatamente o enorme poder econômico do Estado. Querem diminuir a corrupção (acabar não acabará, só num governo de anjos)? É fácil: desestatização total da economia, a começar pelas estatais sacrossantas, Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES! Mas a hipocrisia que reina neste país faz com que se acredite que a corrupção acabará a golpes de moralismo idiota, como a imbecilóide "lei da ficha limpa" deixando incólume o butim.

5. Você deixaria de tomar partido mesmo quando o magistrado supremo do Estado vira um mero cabo eleitoral de uma candidata por ele inventada? e 6. É válido ser neutro quando o presidente vira dono de uma facção, como disse com precisão habitual FHC?

R - (para 5 e 6) - Esta é mais uma, e das piores hipocrisias da política brasileira: a exigência - não Constitucional nem legal, diga-se logo - de que o Presidente seja um 'supremo magistrado do Estado' e não um homem comum, que pertence a um partido (uma facção) e que tudo fará para que esta vença as eleições. Obama, nesta última semana, viajou para cinco Estados e disparou sua linda esposa para outros tantos, exatamente fazendo campanha para os candidatos do Partido Democrata, principalmente para aqueles nos quais a cadeira do Senado está ocupada por importantes apoios às suas políticas e os Republicanos ameaçam tomá-las.

Obama, como ninguém por lá espera hipocritamente que o faça, não se traveste de 'supremo magistrado', mas mostra-se chefe de uma facção que defende uma determinada política e faz de tudo para que ela se mantenha. O exemplo britânico então é cabal: o Primeiro Ministro durante todo o exercício do cargo atua no Parlamento como chefe da facção por ele liderada. Sarkosy não fica olimpicamente no Élysées, mas vai à luta fazer campanha pelos candidatos do seu partido. O tal "Poder Moderador" já acabou há mais de 100 anos e nem consta mais da Constituição.

7. Se o time do governo deve sempre vencer porque tem certeza absoluta de que faz o melhor, pra que eleição?

R - Esta é tão ingênua que me envergonho de responder: pra que se pergunte se o povo concorda que o time do governo está fazendo o melhor.

Para finalizar, digo ao Sr. DaMatta que sou político por natureza, acompanho eleições desde 1950, às vezes com gosto, outras com enfado, muitas com raiva, como a atual. Não considero 'que tudo é péssimo', só os atuais candidatos. Não 'enverdeço nem escondo o meu medo de decidir com argumentos bacharelescos' como os seus. Digo de que lado estou: do conservadorismo na moral e nos costumes, da condenação absoluta ao aborto, à grotesca união de gays e à liberação das drogas. Da liberdade no sentido anglo-saxônico do termo na política e do liberalismo clássico na economia. Nem 'acredito em deuses ou super-heróis', como não foram Ronald Reagan nem Margareth Thatcher, nem Alberdi ou os Founding Fathers.

E é por tudo isto que me abstive no primeiro turno e, se lá comparecer, votarei em branco no segundo. E sei que falo em nome de milhões de eleitores.