segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Rio e o Velho Oeste

Mídia Sem Máscara

No Velho Oeste, os criminosos eram enfrentados a bala pelos próprios cidadãos, que tinham seus rifles prontos para fazer feroz resistência ao crime. No Rio, os cidadãos se escondem das balas quando conseguem.

Apesar do título, a cidade do Rio de Janeiro nada tem a ver com o Velho Oeste americano. Não que não houvesse violência no Velho Oeste. Havia, mas não tanto quanto se vê no Rio em pleno século XXI.

A injustiça que abunda no Rio não abundava no Velho Oeste. Tal qual no Rio, todos os criminosos do Velho Oeste portavam armas para seus crimes. Mas, muito diferente do Rio, no Velho Oeste TODOS portavam armas, de modo que para atacar o inocente, o criminoso precisava ser bastante astuto para não acabar liquidado.

Os criminosos do Rio atacam suas vítimas na confiança de que o Estado tenha feito seu trabalho sujo de desarmar a população, garantindo assim total insegurança para as vítimas e total segurança para os assassinos.

No Rio moderno, o assassino escapa muitas vezes impune. Para o criminoso do Velho Oeste, o Rio seria um lugar verdadeiramente maravilhoso, pois a impunidade que reina no Rio não reinava no Velho Oeste. O assassino americano era rapidamente julgado e enforcado. Quando fugia, era perseguido pelo xerife e cidadãos prontos para garantir que o assassino pagasse com sua vida a vida que ele tirou. Quando o criminoso fugia para lugar desconhecido, sua cabeça era colocada a prêmio, que significava que qualquer pessoa que o achasse ou matasse receberia um prêmio em dinheiro.

A ética de defesa pessoal para o cidadão e pena capital para os assassinos era no Velho Oeste sustentada nos princípios da Bíblia. A ética protestante (ou evangélica) governava majoritariamente a sociedade americana no século XIX. Os inocentes tinham a Bíblia numa mão e o revólver na outra.

No Rio, embora o número de evangélicos e cristãos seja enorme, não existe ética que influencie as leis a dar aos cidadãos o direito de se defender nem tire do criminoso sua existência de atividades assassinas. No Brasil em geral e no Rio em particular, na mão os inocentes só podem ter a Bíblia, ficando nas mãos de todos os assassinos os revólveres, fuzis, metralhadoras, etc.

No Velho Oeste, os criminosos eram enfrentados a bala pelos próprios cidadãos, que tinham seus rifles prontos para fazer feroz resistência ao crime.

No Rio, os cidadãos se escondem das balas quando conseguem. Quando não conseguem, são atingidos, até mesmo por balas perdidas.

No Velho Oeste, bastava apenas um assassinato para o criminoso - fosse adulto ou adolescente - ganhar forca. Não havia ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) nem defensores dos direitos dos bandidos.

No Rio, os criminosos disputam quem mata mais, e assassinos adolescentes nunca ganham cadeia, tendo garantidos seus direitos pelo ECA de matarem quantos cidadãos quiserem. Aos 18 anos, o ECA lhes garante soltura da instituição de reabilitação, com ficha totalmente limpa, como se eles nunca tivessem matado uma mosca em toda a vida. É de estranhar então que no Rio haja muitos defensores dos direitos dos bandidos, fartamente pagos com dinheiro de impostos?

No Velho Oeste, o bandido tinha de pensar duas vezes antes de atacar um inocente, para não acabar ele próprio com uma bala no meio da testa.

No Rio, o bandido não precisa pensar, pois só suas vítimas acabam com uma bala no meio da testa.

No Velho Oeste, a forca era o destino certo do assassino.

No Rio, a morte é o destino das vítimas dos assassinos, que podem optar por forca, torturas e quaisquer outros sadismos que desejem aplicar às vítimas.

Entre o Velho Oeste e o Rio, eu preferiria o Velho Oeste. Lá pelo menos eu poderia me defender.

E tenho certeza de que ninguém do Velho Oeste escolheria o Rio, uma cidade verdadeiramente maravilhosa para todos os tipos de crimes.

O americano do Velho Oeste no Rio perderia automaticamente sua arma e seu direito de se defender e defender sua família, ficando completamente exposto aos criminosos muito bem armados. Se num caso de agressão criminosa contra sua vida ele por "infelicidade" conseguisse tirar do criminoso sua arma e o executasse, ele seria automaticamente condenado pelos grupos de direitos humanos, sempre prontos a castigar qualquer ação dos cidadãos que conseguem despachar um criminoso.

Há também as redes de televisão, que denunciam qualquer atitude indelicada contra os criminosos, garantindo assim a segurança e os "direitos humanos" deles.

No Velho Oeste, havia igualdade. O bandido andava armado e atirava. Mas todos os cidadãos também andavam armados. Eram criminosos armados contra cidadãos armados.

No Rio, a desigualdade é total. Para imensa alegria dos bandidos, só eles andam armados. São criminosos fortemente armados contra uma população fortemente desarmada, onde o assassino se sente como raposa a solta no galinheiro. Esse galinheiro se chama Rio. Esse galinheiro também se chama Brasil.

Enquanto os assassinos do Rio torturam e matam inocentes, a vítima que consegue retribuir dez por cento ao criminoso é condenada como violadora de direitos humanos. O Rio assim virou um inferno.

Se o Velho Oeste fosse como o Rio, seria um inferno para os inocentes, e um lugar maravilhoso para os assassinos.


Contudo, o Velho Oeste não era como o Rio, de modo que os caubóis diriam: Ainda bem que não estamos no Rio!

Por amor à justiça e aos inocentes, eu diria: Que pena que o Rio não é como o Velho Oeste!


Nota:

Esse texto foi revisto por um amigo cujos antepassados viviam no Velho Oeste. Por gerações, sua família tem tido armas. Ele próprio teve uma AK-47, mas como cristão ele me disse que não a usaria para se defender, mas para defender sua família e outros. Os cidadãos brasileiros não têm permissão de ter um AK-47 ou armas menos potentes. Contudo, os criminosos do Brasil têm armas muito mais potentes do que um AK-47!

Assassinatos contra gays: dados manipulados

Mídia Sem Máscara

Júlio Lins | 28 Novembro 2010
Artigos - Desinformação

Se o número de assassinatos contra gays é de cerca de 200, os gays estão subrepresentados quanto ao total de assassinatos, ou seja, os gays são menos propensos a sofrer violência e assassinatos que o resto da população.

Segundo reportagem da Agência Câmara, "pesquisas registram mais de 200 assassinatos a homossexuais em todo o país". Sim, mas assassinados por quê? Pelo fato de serem homossexuais? Pelo fato de estarem em ambientes marcados pela violência? Pelo consumo de drogas? Pela libertinagem? Por latrocínios? Pelo fato de estarem de madrugada em ruas e bairros perigosos? Não se cita. Assim sendo, parece que, se um homossexual estiver andando de madrugada na Vila Cruzeiro no Rio de Janeiro e calhar de ele ser assassinado, engrossará as estatísticas de "assassinatos contra homossexuais".

Não bastasse a ausência de detalhes em tais pesquisas, todos os veículos de imprensa falham em mencionar que, no Brasil, no ano de 2007, ocorreram 47.707 assassinatos. Logo, se cerca de 200 são contra homossexuais, então o número de assassinatos contra homossexuais é 0,42% do total.

Homossexuais representam 0,42% da população? Certamente não. Não há pesquisas isentas sobre o número de homossexuais no Brasil, embora os grupos gays mais radicais dizem chegar a 9% da população. No entanto, na Europa, onde a aceitação ao homossexualismo é maior que no Brasil, a porcentagem de gays não chega a passar de 2%.

No Reino Unido, segundo pesquisa da ONS (Office for National Statistics), feita com quase 250.000 pessoas, chegou-se à conclusão que 1,3% dos homens são gays, 0,6% das mulheres são lésbicas e 0,5% são bissexuais. No total, 1,5% das pessoas são gays ou bissexuais.

Na Espanha, pesquisa da INE, baseada em 10.838 entrevistas praticadas no último semestre de 2003, assinalou que somente 1% da população mantém relações exclusivamente homossexuais. A população que reconhece ter tido em alguma ocasião este tipo de relação ao longo de sua vida é de 3%, 3,7% entre os homens e 2,7% entre as mulheres.

No Canadá, pesquisas feitas em 2003 com 121.000 adultos canadenses mostrou que somente 1,4% se consideravam homossexuais.

O fato é que, de uma forma ou de outra, se o número de assassinatos contra gays é de cerca de 200, os gays estão subrepresentados quanto ao total de assassinatos, ou seja, os gays são menos propensos a sofrer violência e assassinatos que o resto da população, ao contrário do que a grande mídia propala.

Alguém poderia dizer: e a agressão contra um homossexual ocorrida recentemente em São Paulo? Eu responderia: Sim, é um caso deplorável, mas se a pessoa agrediu o homossexual, o Código Penal já prevê punição para ela; o que não pode acontecer é o crime se tornar maior pelo fato de o agredido ser homossexual, pois isso configuraria uma discriminação contra todos os não-homossexuais.

Quantas pessoas morrem por ano em filas de hospitais? Seriam menos de 200? E o número de mendigos mortos queimados, principalmente no Nordeste? Seriam menos de 200 por ano? Quantas pessoas inocentes morrem por dia na violência das grandes cidades? Seriam menos de 200 por ano? Quantos policiais morrem vítimas da violência? Quantas pessoas morrem por ano vítimas das drogas? Quantas pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito? Seriam menos de 200?

Logo, não faz sentido nenhum as polícias e o Poder Judiciário desviarem a atenção dos 99,58% de assassinados no Brasil (uma vez que a segurança pública brasileira é insuficiente para atender as pessoas que mais precisam dela) para dar tratamento especial a uma minoria de 0,42% que, aliás, está subrepresentada nas estatísticas de assassinatos.



Fontes:

1. Agência Câmara: Pesquisas mostram aumento da violência contra homossexuais
2. Estudo canadense (doutores Cameron) - em pdf
3. Forum Libertas: Menos de los que el homosexualismo político argumenta: un 2,5% de adolescentes dice ser gay
4. Forum Libertas: ¿Cuántos millones de homosexuales dice usted que hay en España?
5. Daily Mail: Only one in 100 Britons is gay despite long-held myth... but 71% of public say they are Christian
6.
Blog Estadão: A morte nas grandes cidades
7. Forum Libertas: Sólo un 1,4% de los adultos son gays: a veces se hinchan cifras ignorando los mayores de 50 años



Júlio Lins edita o blog Mente Conservadora.
Título original: A manipulação dos dados de assassinatos contra gays

Declaração Final do II Encontro da UnoAmérica

Mídia Sem Máscara

UnoAmérica | 28 Novembro 2010
Internacional - América Latina

UnoAmérica adverte sobre o ressurgimento de grupos terroristas que já haviam sido derrotados no Peru, como o Sendero Luminoso e o MRTA (Movimento Revolucionário Túpac Amaru).


Delegações dos distintos países pertencentes à União de Organizações Democráticas da América, UnoAmérica, tiveram encontros nos dias 19, 20 e 21 de novembro de 2010 na Sociedade Bolivariana de Bogotá, a fim de realizar seu Segundo Encontro de Aniversário. Ao final das deliberações, aprovou-se a seguinte declaração:

1.
Cada delegação apresentou um diagnóstico da situação de seu país e prestou um informe das atividades realizadas durante o ano em curso, concluindo que UnoAmérica se consolida cada vez mais como escudo da democracia, espada da liberdade e farol de esperança para os povos da América Latina.

2. UnoAmérica registrou um crescimento sustentado desde sua criação, em dezembro de 2008, até a presente data, incrementando também suas atividade que serviram para: aglutinar os setores democráticos de nossa região, defender as democracias quando foram ameaçadas, lutar pela liberdade dos presos políticos, representar as vítimas do terrorismo, efetuar ações jurídicas em tribunais nacionais e internacionais, organizar conferências em diversos países, participar como observadores em processos eleitorais, estabelecer relações institucionais nos Estados Unidos e Europa, e realizar importantes investigações, as quais foram usadas para editar informes e livros impressos ou eletrônicos.

3.
Durante o ano de 2010 observa-se uma evidente deterioração dos governos pertencentes à ALBA, devido aos fracassos de seu modelo ideológico e de sua gestão administrativa. Seu discurso em favor dos mais pobres, da justiça social e do anti-imperialismo ficaram só na retórica, porque na prática afundaram seus povos na miséria, cercearam as liberdades e subordinaram suas nações ao imperialismo cubano. Entretanto, dado que desejam manter-se no poder a qualquer custo, inclusive recorrendo à violência, hoje mais do que nunca constituem uma ameaça para a paz e a estabilidade da região, como se observa nos pontos que seguem na continuação.

4.
O regime de Evo Morales viola constantemente os preceitos democráticos. O uso de "fiscais especiais contra o terrorismo" e a aprovação da Lei Contra o Racismo constituem ferramentas para perseguir a oposição e para limitar a liberdade de imprensa. Adicionalmente, Morales iniciou um feroz e injustificado ataque contra a Igreja Católica. Todavia, José Miguel Insulza cataloga a Bolívia como um exemplo para a democracia. Uma vez mais, Insulza não se comporta como Secretário Geral da OEA, senão como militante do Partido Socialista do Chile, quer dizer, como integrante do Foro de São Paulo.

5.
O regime de Rafael Correa se aproveita da recente greve policial para mentir - alegando que houve uma tentativa de golpe de Estado -, a fim de justificar a radicalização de seu projeto e da criminalização da dissidência.

6.
O regime de Daniel Ortega pretende aglutinar as forças internas da Nicarágua em torno de seu debilitado projeto, recorrendo a uma invasão ao território costa-riquenho. Com esta ação irresponsável, Ortega prefere antes incendiar a América Central do que abandonar o poder.

7.
O regime de Hugo Chávez recorre à fraude eleitoral para controlar a Assembléia, como pôde-se constatar nas
passadas eleições de 26 de setembro. A oposição obteve 52% dos votos totais, porém só obteve 1/3 dos assentos, enquanto que o oficialismo conseguiu 48% dos votos, porém usurpou 2/3 dos assentos. À fraude deve-se acrescentar a aprovação de leis totalitárias, a perseguição brutal a seus adversários e uma crescente onda de confiscos.

8.
Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela firmaram numerosos acordos com o regime foragido de Ahmadinejad, importando desta maneira o fundamentalismo islâmico à nossa região, o qual, somado à presença do narcotráfico e de grupos terroristas, como as FARC, constitui um perigoso coquetel que põe em risco a segurança do hemisfério ocidental. Dentro deste contexto, o anúncio da Bolívia e da Venezuela de adquirir tecnologia nuclear, significa uma gravíssima ameaça que deve ser enfrentada com a devida seriedade.

9.
UnoAmérica adverte sobre o ressurgimento de grupos terroristas que já haviam sido derrotados no Peru, como o Sendero Luminoso e o MRTA (Movimento Revolucionário Túpac Amaru) que, embora não contem com apoio popular, recebem respaldo do Foro de São Paulo e mais especificamente dos regimes da Bolívia e da Venezuela.

10.
UnoAmérica observa com beneplácito o triunfo das Forças Militares da Colômbia contra os bandos narco-terroristas, porém, ao mesmo tempo preocupa que o Poder Judiciário - infiltrado pela esquerda radical - propine duros golpes em heróis militares que no passado derrotaram a subversão, a fim de desprestigiar a instituição e desmoralizar as tropas. Caso emblemático, dentre muitos outros, é o do Coronel Luis Alfonso Plazas Vega, que resgatou o Palácio da Justiça em 1985, assaltado pelo bando narco-terrorista M-19, e agora encontra-se atrás das grades. Depurar o Poder Judiciário constitui uma prioridade do Estado, para não perder nos tribunais corruptos o que se conquista com o sangue dos soldados nas selvas da Colômbia.

11.
O Foro de São Paulo conseguiu desenvolver um sofisticado sistema de perseguição judicial contra seus opositores, utilizando táticas do "direito penal inimigo". Estas táticas incluem: o recrutamento de juízes e fiscais corruptos, o uso de testemunhas falsas, a fabricação ilegal de provas, a manipulação e re-interpretação das leis, de acordo com a visão socialista, a monopolização das organizações nacionais e internacionais de Direitos Humanos, e os organismos multilaterais (como OEA e UNASUL). Fazendo uso desta estrutura de perseguição, tenta-se criminalizar a exitosa gestão do ex-presidente Álvaro Uribe.

12.
Na Argentina e Uruguai observa-se um perigoso retrocesso à épocas violentas que já haviam sido superadas, porque os montoneros e tupamaros que hoje exercem o poder, se aproveitam de seus cargos para exercer vingança contra os militares que os derrotaram no passado. Conseguem isto eliminando as leis de anistia, de caducidade e de obediência devida, e aplicando a anulação de maneira retroativa, porém só contra os militares porque os terroristas do passado - hoje no poder - gozam plenamente dos indultos outorgados. A vítima mais recente deste esquema retaliativo é o general uruguaio Dalmau, Comandante da IV Divisão do Exército.

13.
UnoAmérica felicita o valente povo hondurenho pela maneira como defendeu sua democracia frente aos embates da ALBA e do Foro de São Paulo, e insta a OEA a deixar de pôr obstáculos para readmitir essa nação em seu seio.

14.
Todos os integrantes de UnoAmérica condenam da maneira mais firme e categórica o injusto encarceramento de seu presidente, o engenheiro Alejandro Peña Esclusa, que encontra-se seqüestrado nos calabouços da polícia política venezuelana, vítima de uma grosseira montagem orquestrada pelo regime de Hugo Chávez, apoiado por Cuba.

Porém, paradoxalmente, esta vil mentira permitiu à nossa plataforma consolidar e amadurecer seus objetivos, afiançar a unidade, a solidariedade e o vigor de mais de duzentas organizações proveniente da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, El Salvador, Honduras, Peru, Venezuela e Uruguai, assim como as ONGs de hispanos residentes nos Estados Unidos e Espanha. UnoAmérica se compromete a lutar denodadamente para alcançar não só a libertação de Alejandro, como a de todos os venezuelanos que encontram-se de alguma maneira aprisionados pela ditadura de Chávez, quer seja porque são despedidos injustamente porque suas empresas lhes são confiscadas, quer seja porque vivem trancados em barrotes de medo.

UnoAmérica deseja agradecer a todas as personalidades e instituições que têm levantado sua voz para exigir a libertação de Alejandro e insta a todos os homens e mulheres de boa vontade a lutar por sua liberdade.

15.
Não é casual que tenhamos escolhido como sede do II Encontro a Sociedade Bolivariana de Bogotá, como tampouco é casual que nos tenhamos reunido no ano passado na Quinta de San Pedro Alejandrino. Um dos objetivos de UnoAmérica é resgatar a memória e o legado do Libertador Simón Bolívar, os quais encontram-se seqüestrados pelos que falsamente dizem chamar-se "bolivarianos", porém que na realidade são agentes do castro-comunismo.

16.
Cumprindo com a responsabilidade de resgatar o bom nome de nossos patriotas Bolívar e San Martín, UnoAmérica outorga este ano o reconhecimento ORDEM À DEMOCRACIA ao Dr. Feisal Buitrago Mustafa, que custodiou as idéias daqueles que há duzentos anos empunharam suas espadas para conseguir a liberdade na América.

17.
Finalmente, queremos transmitir uma mensagem de otimismo e de esperança aos povos da América Latina. O ocaso da ALBA e o despertar de novas lideranças democráticas na região abrem a oportunidade de construir um futuro melhor, baseado não em modelos ideológicos ou teóricos, mas em programas de ação realistas, cujo objetivo seja resolver os problemas concretos que afetam nossos povos: alimento, emprego, habitação, segurança, saúde, educação e serviços.

Ratificamos nosso firme compromisso de servir como plataforma de conectividade para os povos da América, para defender a liberdade, os direitos humanos, a justiça e a democracia em nosso amado "Continente da Esperança". Não temos espadas, porém temos penas. Não temos grandes meios de comunicação, porém temos vontade. E, sobretudo, temos algo que infunde um profundo temor aos tiranos e a seus esbirros: o valor para dizer a verdade.
Sociedade Bolivariana. Bogotá, Colômbia. 21 de novembro de 2010.


Tradução: Graça Salgueiro

Ainda Marx e o pensamento dos outros

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Ipojuca Pontes | 28 Novembro 2010
Artigos - Movimento Revolucionário

Exceto para pedir dinheiro ao pai e protelar o pagamento de empréstimos aos inúmeros credores, Marx nada entendia de economia e foi Friedrich Engels (1820-1895), parceiro, provedor e filho de rico industrial alemão do ramo têxtil, que o induziu à leitura dos economistas clássicos ingleses, em especial de David Ricardo.


Vamos adiante: como a dialética hegeliana é um poço sem fundo, pois nela nada "é" e tudo vive em permanente transformação, Marx encampou com entusiasmo frenético o esquema de Hegel, mas encontrou, de início, um forte obstáculo. Se ele queria, no testemunho algo ingênuo do simpatizante Annenkov, "suplantar Deus" - como aceitar tal entidade quando se tratava justo de dinamitá-la?

Para superar a questão transcendente, que desprezava, a saída foi mamar fundo em Ludwig Feuerbach, um triste e desafortunado (morreu só e na penúria) ex-hegeliano de esquerda que, com sua obra "A Essência do Cristianismo" (Ed. Papirus, Campinas, 1988), colocou o Espírito absoluto de Hegel de "cabeça para baixo".

De fato, para derrubar o Espírito absoluto hegeliano, Feuerbach subverteu o sagrado divinizando o homem e humanizando o divino. Já no prefácio do livro, parte para o ataque frontal ao antigo mestre:

"Sou radicalmente diferente dos filósofos que arrancam os olhos para enxergar melhor. Encontrei minhas ideias em materiais que podem ser apropriados apenas através da atividade dos sentidos. Não produzo o objeto a partir do pensamento, mas o pensamento a partir do objeto. As proposições que uso como premissas não são inventadas, produtos da especulação: elas surgiram a partir da análise da religião". Muito bem. Mas o que é a religião para Feuerbach?

"A religião é um sonho da mente humana. Mas mesmo nos sonhos não nos encontramos no vazio (empirismo), ou nos céus (teologia), mas na terra, no reino da realidade. O que ocorre é que vemos as coisas reais no esplendor mágico da imaginação, em vez da simples luz divina da realidade e da necessidade".

Na sua crítica histórico-filosófica, Feuerbach esclarece que sua pretensão foi reduzir a teologia (estudos das questões do conhecimento da divindade, seu atributos e relações com o mundo e os homens) à antropologia (ciência inexata que descreve e analisa o homem com base nas características biológicas e culturais dos grupos sociais e suas variações em distintas épocas). Em estilo cristalino, ele afirma que "o ateísmo é o próprio segredo da religião", visto que o culto do homem pela perfeição divina, em suas distintas linguagens, não passa da projeção das suas próprias aspirações e desejos.

De posse do esquema dialético de Hegel, e impregnado da visão crítica ateísta de Feuerbach, que conduz a religião diretamente aos cânones antropológicos, Marx associou uma heresia à outra e, do caldo, saiu com uma heresia maior: o materialismo dialético, cuja feição determinista tinha por objetivo assegurar a tomada do poder pelo proletariado ou, nas suas próprias palavras, "o fim da pré-história da sociedade humana".Ainda que considerando a obra de Feuerbach uma contribuição para a "luta do homem contra a escravidão espiritual", Marx, no entanto, a exemplo do que sempre fez com os pensadores em que se nutria, logo descartou este, sob o pretexto de que não passava de "uma alma contemplativa", voltada apenas para o ser individual, incapaz de perceber no revolucionário método dialético o impulso necessário para tornar a filosofia um "agente ativo". (O que não deixa de ser irônico, pois, anos mais tarde, na Rússia stalinista, um filósofo, A. M. Deborin (1881-1963), avaliou o marxismo como mera variante do pensamento de Ludwig Feuerbach - para logo cair em desgraça e perder o posto oficial de filósofo do regime).

No parecer do filósofo inglês Bertrand Russel (1872-1970), autor da concisa "História da Filosofia" (Ediouro, Rio, 2001), Marx é a expressão típica da efervescência do século XIX, período em que os pensadores radicais buscavam uma teoria social com pretensões científicas em oposição ao romantismo reinante. Em uma palavra, o marqueteiro alemão compreendeu como ninguém a paixão da época pela mística da ciência. Então sistematizou as bases de um socialismo que, de forma oportunista, para impressionar, chamou de "científico" - e que prenunciava o fator econômico (e as forças de produção, divisão de trabalho e relações sociais) como chave motriz do desenvolvimento da história.

Aqui, convém antecipar um esclarecimento: exceto para pedir dinheiro ao pai e protelar o pagamento de empréstimos aos inúmeros credores, Marx nada entendia de economia e foi Friedrich Engels (1820-1895), parceiro, provedor e filho de rico industrial alemão do ramo têxtil, que o induziu à leitura dos economistas clássicos ingleses, em especial de David Ricardo, um self-made man de vasto conhecimento prático de economia (enriqueceu operando na bolsa), que, a partir de formulações concretas, concebeu vigorosa análise econômica e tornou-se, com "Princípios de Economia Política e Tributação" (Abril Cultural, São Paulo, 1978), um clássico da economia política universal. As várias contribuições de Ricardo à economia política dizem respeito, fundamentalmente, à criação das leis de associação e das vantagens comparativas e, na distinção entre custo e valor produzido pelo trabalho, à elaboração da célebre teoria do valor-trabalho, uma tentativa racional de se calcular o valor (preço) das mercadorias e dos salários.

De início, Ricardo realça, na divisão do trabalho, o papel da cooperação humana como fator social básico a impulsionar de modo decisivo o aumento da produtividade quando relacionada com o trabalho individual autossuficiente. Com respeito à lei da vantagem comparativa, que tem por objetivo ampliar o comércio internacional, o economista estabeleceu que a economia deve ser maximizada quando cada região (ou país) se especializar em bens e serviços em que for maior a vantagem comparativa - ou menor o custo comparativo - de produção.

Mas foi especialmente na teoria do valor-trabalho de Ricardo que Marx buscou fundamento para elaborar a sua insustentável mais-valia. O valor de uma mercadoria - diz Ricardo - é determinado pela quantidade de trabalho nela incorporado. Já o preço da mão-de-obra é determinado pela quantidade de capital disponível para o pagamento dos salários e pela dimensão da força de trabalho - o resíduo é o lucro. Não pode haver aumento no valor do trabalho sem uma queda nos lucros - vaticinou o inglês.

Possivelmente inspirado na teoria de Ricardo, o anarquista francês Joseph-Pierre Proudhon (com quem Marx travará mais tarde renhida polêmica), analisando em "O Que é a Propriedade?" (Paris, 1840) as relações entre capital e trabalho, descobre "um erro de conta proposital e constante" na composição do salário do trabalhador, que, assegura, "nada mais é do que uma apropriação da força coletiva do trabalho" pelo capitalista. Em obra posterior, "Sistema de Contradições Econômicas" (Paris, 1846), Proudhon trata das questões dos valores econômicos e da divisão do trabalho e procura demonstrar as falhas, a um só tempo, da economia política clássica e da falsa visão econômica do coletivismo socialista. No tocante a Marx, que considera um reles plagiário, Proudhon entende que o ódio deste por ele nasce do fato de ter "dito tudo antes dele".

Mas o que é, afinal, a tão decantada mais-valia? Dela trataremos no nosso próximo artigo.