sexta-feira, 29 de julho de 2011

Governo colombiano pode estar dialogando com as FARC

Mídia Sem Máscara

Cel. Luis Alberto Villamarín Pulido | 28 Julho 2011
Notícias Faltantes - Foro de São Paulo

Santos é o conciliador e o amigo de todos, sem importar que seus novos melhores amigos sejam cúmplices das FARC, estejam conspirados com a ditadura cubana e o Foro de São Paulo para derrubar a democracia e desbaratar a República.

Quase dez milhões de colombianos iludidos elegeram Santos, convencidos de que ele não deixaria "pastranizar" [1] a Estratégia de Segurança Democrática, bandeira de governo de seu antecessor, nem "caguanizaria" [2] aproximações de paz com as FARC. Não obstante, tudo foi diferente.

Desde o inusitado giro dado por Santos às relações internacionais com os governos pró-terroristas vizinhos, cúmplices das FARC, somado à sua atitude displicente e desconsiderada para com as Forças Militares ao negar-lhes os direitos salariais e de benefício social, colocá-los contra a parede no campo operacional e deixá-los à deriva na defesa jurídica, até os fatos recentes, como associar-se com seu arquiinimigo ideológico Lucho Garzón, a ativação da comissão nacional de reconciliação com a Igreja Católica, etc.

Eleito de maneira imerecida com votos uribistas dentro de um ramalhete, onde não era o melhor senão o "menos pior", Santos utilizou argúcias para livrar-se do processo jurídico-político que Correa ordenou abrir contra ele, por um "juiz subalterno" em Sucumbíos, devido à morte do íntimo "camarada Raúl Reyes", então protegido pelo governo equatoriano.

Para o efeito, declarou Chávez "seu novo melhor amigo" e reatou relações diplomáticas com o Equador, para demonstrar que "o problema era Uribe que não queria a concórdia entre governos e países irmãos". E quem se atreva a criticá-lo, de imediato é rotulado de "uribista ressentido", inimigo da paz e até de "mão negra da ultra-direita".

Em síntese, um parafraseado discurso das FARC. Quem os critique ou desmascare é um para-militar de direita, inimigo do povo e contrário à "justa luta revolucionária"... Dupla moral e cinismo por todo lado.

Por outro lado, Santos é o conciliador e o amigo de todos, sem importar que seus novos melhores amigos sejam cúmplices das FARC, estejam conspirados com a ditadura cubana e o Foro de São Paulo para derrubar a democracia e desbaratar a República. Não... O que importa é seu perfil político pessoal, sua vaidade e seu inocultado desejo de ficar outro período mais desfrutando do imerecido cargo no trono de Bolívar.

Com arrogância, Santos ousa autodeclarar-se expert estrategista em guerra de guerrilhas e autor intelectual dos golpes mais duros contra as FARC em toda a sua história. Simples fanfarronice e politicagem barata. Esses êxitos são patrimônio exclusivo das Forças Militares e da Polícia. De ninguém mais. Talvez um pouco do presidente Uribe no bombardeio ao acampamento de Reyes no Equador, dado o nível político-estratégico dessa decisão. O resto é pesca em rio revolto ou lucro de indulgências com astúcia alheia.

A Lei de Reparação de Vítimas serviu para reviver o cadáver político em que Pardo Rueda e Cesar Gaviria converteram o Partido Liberal, para justificar a nova burocracia samperista [3] no Ministério da Justiça e no Ministério Público e, obviamente, em outro trampolim para a desaforada carreira re-eleitoral de Santos.

Ao final do macondiano experimento, como tem costumado suceder com as decisões transcendentais de ordem pública na Colômbia, as Forças Militares e a Polícia ficaram com a carga do pesado fardo de inaptidão governamental para fazer cumprir a lei. Uma vez mais os sacrificados serão os soldados e os policiais, enquanto os gestores do caso avançam em posições burocráticas, em torno da politicagem e da corrupção de sempre.

Por outro lado, a carta de Medófilo Medina a Cano é um mandado bem feito pelo professor universitário ao narco-terrorista mais procurado da Colômbia. Com aparência de crítica à qual lhe saíram idiotas úteis aderentes, Medina alvoroçou o vespeiro político para justificar a eventual legitimação das FARC, pois em sua suposta crítica não diz nada do narco-terrorismo, das violações farianas ao direito internacional humanitário, do sadismo narco-comunista, senão que, pelo contrário, justifica a existência dos terroristas e só lhes pede uma revisão no caminho para a tomada do poder.

Típica fanfarronice comunista, cujo anzol já foi mordido até por "sisudos" analistas políticos colombianos que até o entrevistaram por meios de comunicação de massa. Mais uma vez as FARC e o Partido Comunista, que em essência são a mesma coisa, jogam o estratagema de autodeslindar-se sem renunciar à sua identidade de propósitos, com a farsa de que os camaradas da cidade e do partido "querem" a solução para o conflito, porém, claro, em termos e condições impostas pelos terroristas e seus cúmplices, quer dizer, entregando-lhes o país. O resto não lhes serve.

Para rematar, acabou o diabo fazendo hóstias para a missa católica. O camarada Lucho Garzón, que nadou em meio de intrigas e conchavos próprios de sua ideologia, e que nunca foi claro em desqualificar as FARC, agora também é "o novo melhor amigo" de Santos a quem antes rotulava de para-militar, assassino, burguês vende-pátrias, etc.

E anexo à sua "nova aliança", Lucho Garzón assegurou que Santos vai fazer a paz logo. Tudo o que foi dito antes coincide com o infatigável trabalho da porta-voz internacional das FARC que, financiada por Chávez, não cessou de mover contatos em todo o continente e na Europa, para que o governo colombiano se sente para dialogar com os terroristas, para que de imediato os governos do Foro de São Paulo lhes concedam embaixadas e legitimação como força beligerante.

Este cenário afeta profundamente as Forças Militares e da Polícia que evidentemente nem sequer foram consultadas, senão que, do mesmo modo que nas ocasiões anteriores serão utilizadas, vilipendiadas, e no final responsabilizadas por todas as falhas dos governantes e dos funcionários encarregados de concretizar o processo.

Portanto, esta decisão afetará a reserva ativa, acrescentará mais problemas aos já existentes na Saúde Militar, onde a evidente corrupção gerada por funcionários civis específicos no Ministério da Defesa têm o serviço à beira do colapso por ineficiência.

Isto com a circunstância agravante de que, em seu afã politiqueiro re-eleitoral, Santos não só continue empenhado em se lixar do nivelamento salarial ordenado por lei para militares e policiais, senão que para encher os faltantes de dinheiro da etérea Lei de Vítimas, se disponha a suspender os pagamentos mensais dos soldos da reserva ativa, com a circunstância agravante de que as FARC e seus amigos exigirão o desmonte gradual das Forças Públicas e, como é de se esperar, Santos aceitaria essa e outras imposições.

É necessário que os generais e almirantes das Forças Militares e da Polícia Nacional examinem detidamente esta situação, que instem o presidente Santos a que desça da nuvem monárquica em que anda encarapitado, que entenda que é presidente para servir aos colombianos e não para que o sirvam, e que, antes de sua ambiciosa pretensão pessoal de ficar outros quatro anos na Casa de Nariño, sua obrigação é defender a Constituição, as leis, o bem comum dos colombianos, além de ser algo que lhe falta: leal com a Força Pública.

O grave do assunto é que, desarticulada a Força Pública, desarticulada a Colômbia. Esse é o miolo do assunto que Santos parece não entender, em meio de sua vaidade e egocentrismo.

Notas da tradutora:

[1] "Pastranizar", refere-se ao ex-presidente Andrés Pastrana que sentou-se para conversar com as FARC sobre o pretenso processo de paz, mas ficou sentado em frente às câmeras de televisão com uma cadeira vazia ao seu lado, onde Tirofijo o deixou esperando em vão. O episódio humilhante e vergonhoso ficou conhecido em toda a Colômbia como "A cadeira vazia".

[2] "Cuaganizar" refere-se ao processo do Caguán, onde o ex-presidente Andrés Pastrana concedeu às FARC um território desmilitarizado equivalente a quatro estados da Colômbia a fim de "pacificar" o país, e que resultou ser o mais desastroso acordo já feito com a guerrilha, pois durante o período em que durou a trégua, as FARC acirraram seus ataques terroristas, ampliaram a plantação, produção e comercialização de coca, deram e receberam cursos de guerrilha e terrorismo com terroristas de outros países como o ETA basco, o IRA e até com o Hezbolah.

[3] "Samperista" refere-se ao ex-presidente Ernesto Samper.



Tradução: Graça Salgueiro

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Quem aí lê norueguês?

Mídia Sem Máscara

Que a imprensa norueguesa, em contraste, informasse ser Breivik um membro do Partido Nazista, não mudou em nada a firme decisão geral de pintar o criminoso como um cristão sionista. Afinal, quem lê norueguês?

A mídia iluminada está em festa: no meio de milhares de atentados mortíferos praticados por gente de esquerda, conseguiu descobrir o total de um (1, hum) terrorista ao qual pode dar, sem muita inexatidão aparente, o qualificativo de "extremista de direita".

O entusiasmo com que alardeia a presumida identidade ideológica do norueguês Anders Behring Breivik contrasta da maneira mais flagrante com a discrição cuidadosa com que o qualificativo de "extremista de esquerda" é evitado em praticamente todos os demais casos.

Mais recentemente, até a palavra "terrorista" vinha sendo banida nos chamados "grandes jornais" do Ocidente, acusada do pecado de hate speech, até que o advento de Breivik lhe deu a chance de um reingresso oportuno e - previsivelmente - momentâneo.

Antes disso, tamanho era o desespero da esquerda mundial ante a escassez de terroristas no campo adversário, que não lhe restava senão inventar alguns, como o recém-libertado Alejandro Peña Esclusa, que nunca matou um mosquito, ou espremer até doses subatômicas o limão do "neonazismo" - ocultando, é claro, o detalhe de que os movimentos dessa natureza surgiram como puras operações de despistamento criadas pela KGB (prometo voltar a escrever sobre isso).

Breivik saciou uma sede de décadas, fornecendo aos controladores da informação universal o pretexto para dar um arremedo de credibilidade ao slogan matematicamente insustentável de que a truculência homicida é coisa da direita, não da esquerda.

Aos que sejam demasiado tímidos para fazer coro com a difamação explícita, os atentados de Oslo fornecem a ocasião para que essas sublimes criaturas exibam mais uma vez sua neutralidade superior, alegando que "toda violência é igualmente condenável", que "todos os extremismos são igualmente ruins" e estabelecendo assim, para alívio e gáudio dos campeões absolutos de violência assassina e definitiva humilhação da aritmética elementar, a equivalência quantitativa entre um e mil, um e dez mil, um e cem mil. Isso já se tornou quase obrigatório entre as pessoas elegantes.

Se quando terroristas são de esquerda qualquer menção a seus motivos ideológicos é suprimida, camuflada sob diferentes denominações ou até invertida, mediante insinuações de direitismo - cujo desmascaramento posterior não obtém jamais a menor repercussão na mídia), no caso de Breivik os profissionais da farsa não se contentaram com a mera rotulação: forneceram, do dia para a noite, um perfil ideológico completo, detalhado, definindo o sujeito como uma espécie de Jerry Falwell ou Pat Robertson, e aproveitando a ocasião, é claro, para sugerir que as ideias do Tea Party, desde o outro lado do oceano, haviam movido a mão do assassino.

Que a imprensa norueguesa, em contraste, informasse ser Breivik um membro do Partido Nazista, não mudou em nada a firme decisão geral de pintar o criminoso como um cristão sionista. Afinal, quem lê norueguês?

Meu amigo Don Hank, do site Laigles Fórum, lê, como lê também não sei quantas outras línguas - e me repassa notícias de primeira mão que o resto da humanidade desconhece.

Não deixar-se enganar, nos dias que correm, exige cada vez mais recursos de erudição inacessíveis à massa dos leitores. A elite farsante não se incomoda de que dois ou três estudiosos conheçam a verdade e a proclamem com vozes inaudíveis: ela sabe que a própria massa ficará contra nós, curvando-se à autoridade universal do engodo e chamando-nos de "teóricos da conspiração".

Que Breivik fosse ostensivamente maluco é outro detalhe que não atenua em nada o desejo incontido de explicar o seu crime por um intuito político real e literal.

Lembram-se de Lee Harvey Osvald? Leves sinais de neurose bastaram para que o establishment e a mídia em peso isentassem o assassino de John Kennedy de qualquer suspeita de intenção política, embora o indivíduo fosse um comunista militante e tivesse contatos nos serviços secretos da URSS e de Cuba, de onde acabara de voltar.

Embora Breivik tenha uma conduta ostensivamente psicótica e não haja o menor sinal de contato entre ele e qualquer organização conservadora ou sionista dos EUA, o diagnóstico vem pronto e infalível: um sujeito ser cristão, sionista ou, pior ainda, ambas as coisas, é um perigo para a espécie humana, uma promessa de crimes hediondos em escala epidêmica.

A pressa obscena com que se associa o crime de Breivik ao seu alegado cristianismo também não é refreada pela lembrança de que a mesma associação se fez persistentemente, universalmente, no caso de Timothy McVeigh, autor dos atentados de Oklahoma em 1995, até que veio, tardiamente como sempre, a prova de que o criminoso era muçulmano e ligado a organizações terroristas islâmicas.

Veremos quanto tempo transcorrerá até que a pesquisa histórica erga um sussurro de protesto contra o vozerio unânime da mídia internacional. Fundados na certeza da ignorância popular que jamais poderá desmascará-los, alguns dos diagnosticadores de cristianismo assassino vão até mais longe, deleitando-se em análises profundíssimas segundo as quais a coisa mais danosa e mortífera do mundo, inspiradora dos atentados em Oslo, é a ideia reacionária de combater o "marxismo cultural" - rótulo infamante inventado pela direita para sugerir (oh!, quão difamatoriamente!) que os filósofos da Escola de Frankfurt tinham a intenção de destruir a civilização do Ocidente.

Na verdade essa intenção foi proclamada aos quatro ventos pelo próprio fundador da escola, o filósofo húngaro Georg Lukács, mas, como parece que não pegou bem, não custa atribuí-la aos seus inimigos.

Pior ainda: escrevendo num site chamado Crooks and Liars (que só posso atribuir à modéstia de seus editores), o articulista David Newett, ecoando aliás mil comentários no mesmo sentido, publicados cinco minutos após a notícia do atentado, informa que o combate ao marxismo cultural é inspirado por abjetos preconceitos antissemitas, e dá como prova disso o fato de William S. Lind, que se destacou nesse combate, ter informado em uma conferência que todos os membros-fundadores da Escola de Frankfurt eram judeus de origem - coisa que eles eram mesmo, como aliás o próprio Karl Marx, e daí?

A implicação do raciocínio não escapará aos leitores mais atentos: Anders Breivik, além de ter matado dezenas de não-muçulmanos por ódio ao Islam, foi também movido por sentimentos pró-judaicos antissemitas.

Não entenderam nada? Não é mesmo para entender. Já expliquei mil vezes que a técnica da difamação exige atacar a vítima por vários lados, sob pretextos mutuamente contraditórios, para confundir e paralisar a defesa, obrigando-a a combater em dois ou mais fronts ao mesmo tempo e a usar de uma argumentação complexa, com aparência sofística, incapaz de fazer face à força maciça da acusação irracional.

Se alguma dúvida resta na mente dos leitores quanto à realidade da hegemonia revolucionária no mundo, objeto de meus últimos artigos, a uniformidade do noticiário sobre Anders Behring Breivik lhes dá uma amostra de que, mais uma vez, não estou tão louco quanto pareço.

O mistério da "mão negra"

Mídia Sem Máscara

Eduardo Mackenzie | 27 Julho 2011
Artigos - Desinformação

O comunismo e o nazi-fascismo são irmãos gêmeos. Esses dois movimentos totalitários compartilham uma mesma genealogia: a Primeira Guerra Mundial e o socialismo. Nem Lenin, nem Hitler, nem Mussolini, nem Stalin, nem Trotsky, nem Mao foram nem liberais, nem "gente de direita". Todos criaram partidos operários.

Para os comunistas a direita não existe; só há "extrema direita". Eles rechaçam as particularidades, os graus, os matizes e a complexidade das sociedades abertas e da vida em geral. Quando o debate esquenta, seus adversários são "nazistas", "fascistas" e "para-militares". Esses epítetos infamantes são uma de suas armas favoritas em seu combate desesperado contra a civilização e a democracia. Esse enfoque é mais um resultado do sociologismo grosseiro do marxismo. No final dos anos 1940, eles submeteram uma terça parte da humanidade mediante a violência e o terror, e enganaram milhões com sua linguagem falsa, sobretudo na Europa, Ásia e América Latina. Hoje, esse império derrubou-se e as gesticulações dos PC (Partidos Comunistas) residuais são vistas como o que são: fraudes, insultos à inteligência. Exceto na Colômbia?

Os que aconselharam o presidente Santos de que lançasse, há algumas semanas, o conto de que havia na Colômbia uma "mão negra de extrema direita", comparável e tão belicosa quanto à "mão negra" oposta, as FARC, pois ambas querem "frear os avanços do governo, desestabilizar o país e criar uma sensação de caos", pelo qual ambas devem ser "isoladas e marginalizadas", como advertiu o presidente Santos em desafortunada dissertação, procuram manipular miseravelmente a opinião pública. A verdadeira extrema direita é algo muito particular: ela odeia o cristianismo e tem o mundo pagão como pano de fundo. A extrema direita é anti-liberal e raivosamente anti-americana, anti-atlantista e anti-construção européia. A extrema direita preconiza o darwinismo social, é anti-elitista, xenófoba e, sobretudo, anti-semita, anti-sionista e anti-Israel.

Onde está essa extrema direita na Colômbia? Quem puder assinalá-la, com dados objetivos, que o faça. Digam onde está, porém provem-no com rigor e sem repetir os clichês que os esquerdistas caviar querem empurrar goela abaixo a seus adversários.

A extrema direita é uma corrente subversiva que milita contra a ordem estabelecida. Ela trata de destruir, pela força e pela propaganda, o sistema democrático, para erigir um regime estatista, anti-jurídico e anti-parlamentar dominado por um chefe providencial, chame-se ele Duce ou Fürer. Este desmantela todo o organismo de representação cidadã, pois nada deve se interpor entre ele e o povo.

A extrema direita não é idêntica, mas se parece muito à extrema esquerda. Ambas combatem o capitalismo, as liberdades democráticas e o Estado de Direito. Ambas detestam a noção de indivíduo e a moral, e estão convencidas de que resolverão todos os problemas e criarão a sociedade "perfeita". Essas correntes convergem ante certas conjunturas. Os atentados do 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos foram saudados na França com champagne por jovens da Frente Nacional de Jean Marie Le Pen, assim como pelos trotskistas e por Carlos, o "Chacal", o terrorista islâmico encarcerado. Todos estavam felizes de que "o imperialismo, os sionistas e seus aliados" tivessem sido "golpeados em sua própria casa".

Stalin ajudou Hitler a conquistar o poder, ao proibir a aliança dos comunistas com os socialistas alemães. Em 1939, Stalin firmou com Hitler o pacto que desatou a Segunda Guerra Mundial. O PCF (Partido Comunista Francês) pediu ao ocupante alemão autorização oficial para distribuir "L'Humanité" desde junho de 1940. Nesse ano foi criado, com ajuda de trotskistas, o Movimento Nacional Revolucionário, que apostou a vitória total da Alemanha. Eles acreditavam na edificação de um "novo socialismo", "sem judeus, maçons nem jesuítas". Desorientado pelo ataque surpresa de Hitler à URSS, Stalin conduziu de maneira inepta a guerra contra o fascismo hitleriano. Só o heroísmo do povo e a ajuda do Ocidente salvaram esse país da escravidão.

O comunismo e o nazi-fascismo são irmãos gêmeos. Esses dois movimentos totalitários compartilham uma mesma genealogia: a Primeira Guerra Mundial e o socialismo. Nem Lenin, nem Hitler, nem Mussolini, nem Stalin, nem Trotsky, nem Mao foram nem liberais, nem "gente de direita". Todos criaram partidos operários. Os crimes desses dois sistemas apresentaram fortes analogias. Os comunistas exterminaram milhões de pessoas em nome da supremacia de uma classe e os nazistas fizeram o mesmo em nome da supremacia de uma raça. Os nazistas diziam o que iam fazer. Os comunistas escondem seu programa. "O comunismo é o nazismo mais a mentira", escreveu Jean-François Revel.

Os primeiros em teorizar, desde 1849, sobre a "limpeza étnica" e o massacre de raças e de nações inteiras, consideradas "sem futuro", foram os pais do chamado "socialismo científico": Marx e Engels.

Na Colômbia não há uma extrema direita. E os para-militares? E as AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia) de Fidel Castaño e Mancuso? E as BACRIM (Bandos Criminosos)? Todos esses bandos cometeram atrocidades idênticas às das FARC. Em sua primeira fase houve uma lógica anti-subversiva e de auto-defesa frente à expansão fariana. Depois, se impôs a lógica mafiosa: varrer as FARC para preservar a negociata narco-traficante, pois estas, desde 1975, queriam impor sua hegemonia não só nas regiões senão ao narco-tráfico. A questão ideológica nunca foi central nesse pleito entre criminosos. De fato, nas bases e entre os chefes e quadros narco-traficantes e para-militares houve e há de tudo, desde liberais "progressistas" (como Pablo Escobar), até filo nazistas (como Lehder), ex-guerrilheiros do M-19 (como Diego Viáfara) e membros das FARC. O "Negro Vladimir", chefe para-militar que cometeu mais de 800 assassinatos, era um comunista e ex-guerrilheiro das FARC. Esquecemos acaso que Fidel Castaño e Rodrígues Gacha diziam que lutavam "contra o comunismo e a oligarquia"? Hoje essa convergências continuam, sobretudo entre as FARC e as BACRIM. Estas últimas, embora não aspirem a tomar o poder, procuram ter influência local e expandir-se para consolidar seu negócio, mas não têm uma visão particular do mundo. Por isso poucos crêem que esses bandos são a extrema direita que o presidente Santos denunciou.

Em compensação, desde há décadas há uma extrema esquerda identificável, intolerante, subversiva, armada, obtusa e cruel que monopoliza o uso da ultra violência contra o povo e contra o Estado constitucional e democrático. Essa gente comete selvagerias todos os dias contra os civis e contra os militares e policiais, e se disfarça de "oposição legítima" que luta contra um "regime opressor". Essa gente atrai suas redes clandestinas a jovens generosos porém incautos e bajula partidos e sindicatos vermelhos ou rosados da Europa e Estados Unidos, os quais, por cegueira ideológica, não enxergam a verdade.

A esquerda colombiana sempre foi hipócrita ante o tema dos para-militares. Estes são, um dia, de "extrema direita" e, no dia seguinte, não. "Não deve haver negociação com os 'paras' pois são criminosos comuns, não delinqüentes políticos", dizem. Como justificam então sua caracterização inicial? Para ela, em compensação, pode-se sim negociar com as FARC pois são delinqüentes "políticos" de extrema esquerda. Conclusão: o paradigma do mal são os 'paras', enquanto que as FARC (o motor de todas as violências da Colômbia atual) são um mal menor.

Na Colômbia não há extrema direita. O que há sim é uma frente não declarada, talvez incipiente e desorganizada, por ora, porém pluralista e cada vez mais vasta contra as FARC. É uma frente anti-comunista pois as FARC são comunistas. É uma frente humanista, legítima e fecunda, onde há várias correntes, que se inscrevem, todas, em um marco legal, liberal-conservadora, religiosa e laica, patriota e cosmopolita, de direita, de centro e inclusive de esquerda. É uma corrente anti-comunista sem relentos extremistas ou "fascistas". É um anti-comunismo virtuoso, de democratas, de gente que rechaça todas as "alternativas" armadas, a barbárie das FARC e a de organismos tipo AUC ou BACRIM, e que denuncia o narco-tráfico.

É uma frente anti-comunista que cresce ante os horrores que as FARC perpetram todos os dias. Essa frente não é nem "fascista", nem de "extrema direita". É o bloco de todos aqueles que pedem que a Colômbia volte a ser um país normal, sem a ameaça permanente que esse bando encarna.

A invenção da "mão negra de extrema direita" foi criada por gente que sabe que esse repúdio é tão grande que gerou não só manifestações maciças contra esses criminosos, senão uma nova liberdade de tom, de palavra e de análise, entre jornalistas, blogueiros, colunistas, estudiosos, ativistas e em uma parte da classe política. Esse espírito cidadão votou duas vezes em Álvaro Uribe, um liberal de centro, e o apoiou sempre. E votou em Juan Manuel Santos pois ele propunha continuar a política de segurança democrática. Esse espírito cidadão, essa revolução intelectual, exige agora a Santos um retorno à via correta, ao combate sem concessões e sem falsos amigos, para pôr fim ao terrorismo, sem o qual a Colômbia não alcançará a prosperidade a que tem direito.

Isso é visto pelas FARC e seus aliados de "avançada" como uma ameaça. Pois suas mentiras e amálgamas são cada vez menos eficazes. As pessoas já não os tragam inteiros. Por isso querem fragilizar, desviar e desmantelar essa frente de rechaço anti-FARC, caluniando-a. Pretendem, além disso, erigir uma censura e aumentar a auto-censura da imprensa para que a batalha de idéias, e a batalha pela informação e pela formação de uma opinião pública mais alerta, colapse e só reste em pé o grupelho folclórico-sangrento das FARC e seus ecos detestáveis nos meios de comunicação, nas universidade e, sobretudo, no aparato judicial.

O totalitarismo mostra suas orelhas não só através da ação armada das FARC. Os ataques ao constitucionalismo colombiano (contra a separação de poderes, pela preeminência do poder judiciário sobre os outros poderes, o menosprezo das garantias processuais, a manipulação de provas, a idéia de que a ideologia vale mais do que a lei e a Constituição, que esta é só uma guia de segunda classe, e que por cima estão umas misteriosas "normas" e umas "doutrinas" e uma "jurisprudência" internacional), avançam todos os dias sem que o governo, nem as elites que o respaldam, reajam contra esse flagelo. Entretanto, o governo de Santos acredita que está lutando com grande eficiência contra as FARC.

Nesse contexto, surgiu a alegação de que havia uma perigosa "extrema direita" que luta contra o governo. Foi uma manobra hábil, temerária, talvez diabólica, pois serve, sobretudo e objetivamente, aos planos de Alfonso Cano de levar a seu apogeu a guerra subversiva, a guerra invisível, destinada a paralisar o Exército desde dentro do Estado. Ao criar um paralelismo entre as atrocidades das FARC e a suposta "extrema direita", cria-se um efeito de desculpa destas últimas e declara-se tacitamente a guerra à frente civil que rechaça as FARC.

A tática de fazer ver a direita como de extrema direita foi utilizada com êxito por um chefe socialista europeu. Durante seus primeiros sétimos anos, o presidente François Mitterrand favoreceu o auge da extremista Frente Nacional, mediante um mecanismo eleitoral. Depois impôs uma rotina: cada crítica que a direita lhe lançava, cada vez que esta discutia temas como a segurança, a imigração, a educação nacional, a imprensa aliada transformava isso em ato de colaboração, ou quase, com o "fascismo". Esse truque continua sendo utilizado hoje, embora tenha perdido força.

A segurança democrática demonstrou que a melhor via para desmantelar as FARC é o combate legítimo do Estado e de suas Forças Armadas, com o apoio moral e intelectual da sociedade. A via anterior, bastarda, auspiciada por governos ineptos, que acreditaram que com "conversações de paz" as FARC seriam aplacadas, conduziu ao auge destas e dos para-militares, o que agravou a tragédia nacional. Voltar ao modelo anterior e dividir a sociedade que repudia o terrorismo em todas as suas formas, é prolongar essa agonia.

O genial de quem impulsiona a campanha sobre a existência de uma "mão negra de extrema direita" na Colômbia, é haver posto essa linha na boca do presidente Santos. Ao aceitar essa patifaria, o primeiro mandatário se meteu na fraude. Esperamos que algum dia saia dela.



Tradução: Graça Salgueiro

O caso do atirador norueguês e o ódio da imprensa secular

Mídia Sem Máscara

Fabio Blanco | 27 Julho 2011
Media Watch - Outros

E se não bastasse a mídia secular para culpar o cristianismo de todos os males da sociedade, ainda há os próprios senhores ditos cristãos para teminar de jogar a porcaria no ventilador. Por exemplo (e mais uma vez), o senhor Hermes Fernandes trabalha em favor das linhas inimigas, como um agente infiltrado, fingindo ser o verdadeiro defensor de seus pares.

O caso do norueguês que matou mais de oitenta pessoas em uma ilha de seu país é emblemático, porém, menos pelo modus operandi do atirador e pelas motivações que parecem tê-lo conduzido ao feito, do que pela reação midiática ante a tragédia.

É impressionante como praticamente todos os órgãos de imprensa afirmaram que o assassino era um "fundamentalista cristão", posicionando-o em uma suposta ala do cristianismo onde estariam os mais perigosos seres humanos que podem existir. Como se os tais fundamentalistas cristãos fossem idênticos aos fundamentalistas islâmicos. Mais ainda, como se existissem esses tais fundamentalistas cristãos apontados por eles. A tática é antiga: todos aqueles que são radicais, violentos, segregacionistas, xenófobos e não socialistas, se não forem islâmicos, logos são encaixados dentro da denominação de cristãos fundamentalistas. Ainda que eles não frequentem uma igreja, ainda que não sigam absolutamente nada do que as Escrituras Sagradas ensinem, ainda que sequer se digam cristãos, os meios de comunicação correm para estigmatizá-los como malvados cristãos conservadores.

Isso, com efeito, é apenas a demonstração de como o cristianismo é odiado. Quando a mídia chama de cristão um terrorista, ela apenas está projetando o seu próprio ódio, deixando claro quem é o seu inimigo, exteriorizando o seu rancor. Ela age como uma criança que tem seu lanche furtado da mochila e corre para denunciar aquele garoto estranho que senta na última fileira, apenas por que ele é diferente.

E fazem isso lançando mão de uma associação estúpida entre cristianismo e nazismo, ou neo-nazismo. Quem estudou um pouquinho de história sabe que o nacional socialismo não tem nada a ver com o cristianismo e se alguma vez usou palavras usurpadas do vocabulário cristão, não fez nada diferente do que o próprio socialismo ateu já não tinha feito. Aliás, o nazismo, como seu próprio nome indica, tem seus fundamentos sociológicos e políticos muito parecidos com os do socialismo, como pode ser bem visto nas páginas dos livros Liberal Fascism, de Jonah Goldberg e o de Viktor Suvorov, O Grande Culpado.

E se não bastasse a mídia secular para culpar o cristianismo de todos os males da sociedade, ainda há os próprios senhores ditos cristãos para teminar de jogar a porcaria no ventilador. Por exemplo (e mais uma vez), o senhor Hermes Fernandes trabalha em favor das linhas inimigas, como um agente infiltrado, fingindo ser o verdadeiro defensor de seus pares, quando, na verdade, apenas cria mais embaraços para ele. Em seu artigo Terroristas Cristãos, ele, a despeito de parecer defender os verdadeiros cristãos, na verdade, quando critica o cristianismo do norueguês, o que ele faz é o jogo do inimigo. Quando assume que o atirador é um cristão, ainda que de tendência radical, ele confessa o que a crítica secular afirma: que há uma ala do cristianismo que é perigosa e criminosa.

Claro que o senhor Hermes Fernandes não faz parte dessa facção, afinal ele é um representante do cristianismo bonitinho, pacífico e inclusivo. E quem faz? Os fundamentalistas conservadores, é óbvio. Segundo Hermes Fernandes, o atirador norueguês, como é de se esperar, é um típico fundamentalista, que não é cristão somente porque não se encaixa no perfil considerado correto pelo próprio crítico.

Ora, ora, isso não é exatamente o que a mídia faz? Quando aponta o assassino como fundamentalista cristão ela está, na verdade, segregacionando uma parte do cristianismo, não negando que seja cristã, ainda que nominal, mas como se fosse um lado podre dessa religião. Ao invés de, como seria o correto, negar veementemente qualquer ligação entre o norueguês e o cristianismo, o que eles fazem é colocá-lo em uma suposta facção cristã, a qual, obviamente, incluirá muitos outros radicais, inclusive os odiosos conservadores.

Acontece que o norueguês não era cristão e nem se dizia cristão. O ótimo texto traduzido pelo Julio Severo, em seu site, mostra isso claramente. Não havia qualquer traço de cristianismo nos escritos dele, mas, sim, algo mais ligado às ideias nazistas que, como já disse, nada têm de cristãs. Por que não o chamam de extremista nazista simplesmente ou outro nome que lhe caiba melhor? Por que cristão? Não parece óbvia a razão?

É notório que há um ódio em relação ao cristianismo disseminado por toda a sociedade secular e bem estampado, principalmente, nos órgãos de imprensa. Quando há a mínima chance de condenar, de expor, de rebaixar, a mídia, os críticos e articulistas seculares não se detém, e atiram, contra seus inimigos, com tamanha virulência com palavras quanto o terrorista norueguês o fez com balas.



Fábio Blanco edita o blog Discursos de Cadeira.