sexta-feira, 3 de abril de 2009

Envenenando as almas das crianças

Mídia Sem Máscara

O igualitarismo tornou-se o ópio dos invejosos.

No capítulo 3º do livro didático “Português Linguagens - 5º ano”, de autoria de William Roberto Cereja e Thereza Cochar (Editora Atual, pertencente ao grupo Saraiva - clique aqui para ver), os estudantes encontram, logo abaixo do título – “O gosto amargo da desigualdade” –, o seguinte parágrafo:

Você alguma vez já se sentiu injustiçado? Seu amigo com duas bicicletas, uma delas novinha, e você nem bicicleta tem... Sua amiga com uma coleção inteirinha da Barbie, e você que não ganha um brinquedo novo há muito tempo... Se vai reclamar com a mãe, lá vem ela dizendo: ‘Não reclama de barriga cheia, tem gente pior do que você!’. Será que há justiça no mundo em que vivemos?


A resposta negativa é apresentada sob a forma de um texto, em estilo pretensamente literário, seguido de uma bateria de perguntas destinadas a atiçar o “pensamento crítico” dos alunos (supondo-se, é claro, que crianças de 10 anos possuam conhecimento e maturidade para pensar criticamente).

O texto consiste, resumidamente, no seguinte: ao ver o filho entretido com um globo terrestre, o pai lhe confessa a sua “birra contra geografia”, atribuindo a aversão a uma professora que tivera no ginásio. Um dia, conta o pai, a professora Dinah resolveu dar aos alunos uma aula prática sobre a distribuição de renda no Brasil. Dizendo que o conteúdo de uma caixa de doces representava a riqueza do país, a professora começou a distribuir os doces entre os alunos, dando a uns mais que a outros. Os primeiros da lista de chamada ganharam apenas um doce; da letra G até a M, dois doces; de N a T, três; Vanessa e Vítor ganharam seis, e Zilda, finalmente, ganhou a metade da caixa, 24 doces. A satisfação inicial dos primeiros se transformava em revolta à medida que percebiam a melhor sorte dos últimos: “Ninguém na sala conseguia acreditar que a Dinah tava fazendo aquilo com a gente. Até naquele dia, todo mundo era doido com ela, ótima professora, simpática, engraçada, bonita também.” A história termina com o filho, frustrado, entregando ao pai o globo terrestre: “Toma esse negócio. Se a geografia é assim desse jeito que você tá falando, eu não vou querer aprender também não”.

Seguem os questionamentos:

– A distribuição dos doces promovida pela professora serviu para ilustrar como é feita a distribuição de riquezas no Brasil. Associe os elementos da aula ao que eles correspondem no país:

• a caixa de [doces] • os patrões, os empresários, o governo, etc.
• os alunos • o povo
• a professora • a riqueza

– Dos alunos da sala, quem você acha que reclamou mais? E quem você acha que não reclamou? Por quê?
– Na opinião da maioria dos alunos, como a professora deveria ter distribuído os doces?
– A distribuição de doces feita pela professora ilustra a situação de distribuição de renda entre os brasileiros. De acordo com o exemplo:

a) Quem fica com a metade da riqueza produzida no país?
b) Para quem fica a outra metade?
c) Na sua opinião, a minoria privilegiada reclama da situação?
d) E os outros, deveriam reclamar? Por quê?

– Dona Dinah, pela aula prática que deu, talvez não tenha agradado a todos os alunos. No entanto, você acha que eles aprenderam o que é distribuição de renda?
– No final do texto, Mateus diz ao pai: “Toma esse negócio!”. E começa a dormir sem o globo terrestre.

a) O que você acha que o menino está sentindo pelo globo nesse momento?
b) Na sua opinião, é pela geografia que ele deveria ter esse sentimento?

– Segundo o narrador, a turma tinha entre onze e doze anos e não estava interessada no assunto distribuição de renda. Na sua opinião, existe uma idade certa para uma pessoa começar a conhecer os problemas do país? Se sim, qual? Por quê?
– Os alunos que ganharam menos doces sentiram-se revoltados com a divisão feita pela professora.

a) Na vida real, como você acha que se sentem as pessoas que têm uma renda muito baixa? Por quê?
b) Que conseqüências a baixa renda traz para a vida das pessoas? Dê exemplos.
c) Na sua opinião, as pessoas são culpadas por terem uma renda baixa?

– Muitas pessoas acham que uma das causas da violência social (roubos, furtos e seqüestros, por exemplo) é a má distribuição de renda. O que você acha disso? Você concorda com essa opinião.

Vejam vocês a que nível chegou a educação no Brasil.

Decididos a “despertar a consciência crítica” dos seus pequenos leitores – missão suprema de todo professor/escritor amestrado na bigorna freireana (ademais, se o livro não for “crítico”, a editora não quer, porque o MEC não aprova, os professores não adotam e o governo não compra) –, mas cientes, ao mesmo tempo, da incapacidade das crianças para compreender minimamente, em termos científicos, o tema da desigualdade social, Cerejão e Therezinha (permitam-me a liberdade eufônica) optaram por uma abordagem emocional do problema. Afinal, devem ter ponderado, embora os alunos não tenham idade para entender o que é e o que produz a desigualdade na distribuição das riquezas, nada os impede de odiar desde logo essa coisa, o que quer que ela seja.

A dupla de escritores assumiu, desse modo, o seguinte desafio (como eles gostam de dizer) “político-pedagógico”: criar uma empatia entre os alunos e as “vítimas da injustiça social”; induzi-los a acreditar que toda desigualdade é injusta, de sorte que para acabar com a injustiça é preciso acabar com a desigualdade; e predispô-los, enfim, a aceitar ou apoiar a bandeira do igualitarismo socialista.

Como na cabeça de Cerejão e Therezinha vida de pobre consiste em sentir inveja de rico, era necessário lembrar às crianças como é triste não ter uma bicicleta, quando o amigo tem duas, ou não ter uma boneca, quando a amiga tem várias. Mas, em vez de chamar essa tristeza pelo nome que ela tem desde os tempos de Caim, o livro a ela se refere como “sentimento de injustiça”.

Assim, além de transmitir às crianças uma visão ideologicamente distorcida – e portanto falsa – dos mecanismos de produção e distribuição da riqueza na sociedade e da realidade vivida por uma pessoa pobre, a dupla Cerejão e Therezinha as ensina a mentir para si mesmas, a fingir que sentem o que não sentem e a berrar “injustiça!” ao menor sintoma de inveja – própria ou de terceiro (essa última presumida) – provocada por alguma desigualdade.

Como se vê, isto não é uma aula, é uma iniciação nos mistérios do esquerdismo militante!
Ou seja, no Brasil de hoje, os autores de livros didáticos já não se contentam em fazer a cabeça dos estudantes; eles querem danar as suas almas.

Trata-se, em essência, de uma paródia satânica da parábola dos trabalhadores da vinha, onde Cristo nos ensina, entre tantas outras coisas, que não existe correlação necessária entre desigualdade e injustiça e que é Ele próprio – o justo por excelência – a maior, senão a única, fonte de desigualdades do universo. “Amigo, não fui injusto contigo. Não combinaste um denário? Toma o que é teu e vai. Eu quero dar a este último o mesmo que a ti. Não tenho o direito de fazer o que eu quero com o que é meu?”

Que a palavra “satânica” – o esclarecimento é do filósofo Olavo de Carvalho – “não se compreenda como insulto ou força de expressão. É termo técnico, para designar precisamente o de que se trata. Qualquer estudioso de místicas e religiões comparadas sabe que as práticas de dessensibilização moral são o componente mais típico das chamadas ‘iniciações satânicas’. Enquanto o noviço cristão ou budista aprende a arcar primeiro com o peso do próprio mal, depois com o dos pecados alheios e por fim com o mal do mundo, o asceta satânico tanto mais se exalta no orgulho de uma sobre-humanidade ilusória quanto mais se torna incapaz de sentir o mal que faz”.

Vem daí o sentimento de superioridade moral da militância esquerdista que há mais de trinta anos deposita seus ovos nas cabeças dos estudantes brasileiros, parasitando, como solitárias ideológicas, o nosso sistema de ensino.

Chamo a atenção para a malícia empregada na montagem do experimento (pouco importa se fictício ou real): se a professora houvesse distribuído os doces em conformidade com o desempenho alcançado pelos alunos, eles entenderiam perfeitamente a razão da desigualdade. Dificilmente algum deles se revoltaria. Mas, se isto fosse feito, o tiro sairia pela culatra, pois as crianças também aceitariam com absoluta naturalidade o fato de na sociedade uns ganharem mais e outros menos. Para isso não acontecer, a distribuição tinha de ser gratuita. Só assim o sentimento de inveja (que se pretendia instrumentalizar) não seria contido pela percepção intuitiva de que, por justiça mesmo, uns de fato merecem receber mais e outros menos.

A coisa toda é tão pérfida e tão covarde que somos levados a pensar – sobretudo à vista das perguntas, que parecem haver sido formuladas por pessoas com o mesmo nível de conhecimento e maturidade do público a que são dirigidas – que os autores não têm capacidade para perceber a gravidade do delito que estão cometendo contra crianças totalmente indefesas. Sem descartar essa possibilidade – o que faço em benefício dos próprios autores –, há razões de sobra para atribuir esse crime a uma causa mais profunda e mais geral.

“Hoje em dia – escreve Eduardo Chaves, Professor Titular de Filosofia da Educação da Universidade Estadual de Campinas (http://chaves.com.br/TEXTSELF/PHILOS/Inveja-new.htm) –,
“o sentimento pelo qual a inveja pretende passar, a maior parte do tempo, é o de justiça – não a justiça no sentido clássico, que significa dar a cada um o que lhe é devido, mas a justiça em um sentido novo e deturpado, qualificado de ‘social’, que significa dar a cada um parcela igual da produção de todos – ou seja, igualitarismo. (...)

Um postulado fundamental da ‘justiça social’ é que uma sociedade é tanto mais justa quanto mais igualitária (não só em termos de oportunidades, mas também em termos materiais, ou de fato). ‘Justiça social’ é, portanto, o conceito político chave para o invejoso, pois lhe permite mascarar de justiça (algo nobre, ao qual ninguém se opõe) seu desejo de que os outros percam aquilo que têm e que ele deseja para si, mas não tem competência ou élan para obter. (...)

A luta pelo igualitarismo se tornou verdadeira cruzada a se alimentar do sentimento de inveja. Várias ideologias procuram lhe dar suporte. A marxista é, hoje, a principal delas. A desigualdade é apontada como arbitrária e mesmo ilegal, como decorrente de exploração de muitos por poucos. Assim, o que é apenas desigualdade passa a ser visto como iniqüidade. (...)

O igualitarismo tornou-se o ópio dos invejosos.”

O que vemos nesse livro de Português – incluído pelos especialistas do MEC no Guia do Livro Didático de 2008 – é a preparação do terreno; é a fumigação que pretende exterminar ou debilitar as defesas morais instintivas das crianças contra o ataque da militância socialista que as aguarda nas séries subseqüentes.

Mas, por favor, que ninguém desconfie da bondade desses educadores. Afinal, eles não querem nada para si; são apenas “trabalhadores do ensino” (como eles também gostam de dizer), tentando contribuir para a construção de uma sociedade mais justa. Vejam a Dinah: “ótima professora, simpática, engraçada, bonita também”. Ora, quem somos nós para discordar?

Assim postas as coisas, só nos resta pedir a Deus que proteja as crianças brasileiras da bondade militante dos seus professores.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

ABAIXO A CONSCIENTIZAÇÃO!

02/04/2009

Farol da Democracia Representativa


Klauber Cristofen Pires
Fundador e Representante do FDR para a Região Amazônica


Os leitores tradicionais dos sites de índole liberal e/ou conservadora em geral já possuem um conhecimento minimamente esclarecido sobre a “novilíngua”, isto é, sobre o glossário de termos e expressões utilizados por militantes de esquerda para sintetizarem em fórmulas básicas suas concepções nonsense de mundo, visando com isto o domínio da pauta sobre os debates cujas bandeiras fazem parte de sua agenda.

Para os mais novatos, a novilíngua constitui-se em um truque de retórica, cujo método é operar uma ocultação do verdadeiro objeto de uma discussão e ao mesmo tempo ressaltar as reivindicações do seu postulante. Desta forma, o interlocutor desavisado passa a expor suas razões segundo o padrão de conceitos já predeterminado por seu oponente. Por exemplo, ao utilizar-se da expressão “distribuição de renda”, o militante socialista já estipula, e de uma só vez, todo o caminho que seguirá o debate de modo que, qualquer que seja o resultado, sempre a vitória há de lhe sorrir.

Ao debatedor mais tarimbado, todavia, esta armadilha é desarmada quando indaga do porquê da necesidade de haver uma distribuição de renda já que, em uma sociedade livre, não há que se falar de um ato de produção de riqueza e outro, separado, de sua distribuição, mas sim de uma única operação, na qual o contratante e o contratado já saem respectivamente com as suas cotas de riquezas na própria concretização do ato celebrado previa e voluntariamente.

Desta vez trazemos um alerta sobre um termo recorrente entre esta gente, sendo praticamente o “mantra” dos ongueiros em geral: “conscientização”! Caso o leitor jamais tenha antes percebido como se opera esta palavrinha mágica, comece a prestar atenção aos noticiários e reportagens, especialmente aquelas sobre “cidadania” e “ecologia” para entender como tais pessoas mal-intencionadas pretendem processar uma verdadeira lavagem cerebral nas cabeças inocentes.

Ninguém conscientiza ninguém: a consciência é uma realização personalíssima! Somente eu posso adquirir a minha consciência, assim como só você pode conquistar a sua. Todas as informações que nos chegam pelos sentidos podem muito bem servir de subsídio para que delas tomemos conhecimento; todavia, a consciência, propriamente, é algo que formamos unicamente em nosso imo, por meio do nosso solitário esforço. Quem quiser entender melhor sobre o assunto, recomendo ir direto com o filósofo Olavo de Carvalho: antes dele, jamais li de alguém lições tão esclarecedoras.

Note como pessoas sensatas e honestas jamais se utilizam deste termo, mesmo que ignorantes ou distraídas quanto ao seu significado. Isto ocorre porque, na prática, não pensam em “formar a consciência” de ninguém, mas apenas “informar”, “esclarecer”, “explicar”; enfim, o que pretendem é demonstrar as suas razões e expor os fatos; elas não fazem chantagem intelectual ou emocional, mas “sugerem”, “propõem”, em um ambiente de respeito a quem se dirigem. Quanto ao leitor, a ele próprio é quem restará a tarefa de reunir dentro de sua mente os elementos oferecidos e sobre eles formar um juízo, diga-se, a sua consciência.

Repare como o termo “conscientizar” sempre é utilizado no imperativo, mais ou menos segundo este esquema: “- os cidadãos DEVEM ser conscientizados quanto à necessidade de...” ou “as pessoas TÊM de se conscientizar de que...”, ou ainda “nós PRECISAMOS conscientizá-los, SIM, que...”. Esta é a característica básica que nos permite flagrar os impostores: quem postula tais expressões não tem outra coisa em mente que não inocular a sua peculiar visão de mundo na cabeça do seu público-alvo, com a injeção de um “vírus” linguístico, cuja função será programar as pessoas para aceitarem as idéias dele como fazendo parte do que acreditam ser a sua própria “consciência”.

O teor psicologicamente coercitivo, por sua vez, já vem embutido na acepção consagrada do termo, agindo tal como um vírus HIV, evitando desta forma que as mentes atingidas ousem iniciar a ativação das defesas cerebrais contra o elemento intruso, isto é, contra aquilo que sentem intuitivamente ter alguma coisa de errado, embora não saibam exatamente o quê; afinal, quem não concorda com a idéia do postulante, é porque não tem consciência! E ninguém quer ficar sem a tal da “consciência”, não é?

A “novilíngua” só tem uma vacina: demonstrar como é operada e divulgar suas artimanhas ao máximo. Só assim desmascararemos estes prestidigitadores.

http://www.faroldademocracia.org/editorial_unico.asp?id_editorial=270

Brasil, país dos absurdos... Parte 562.411.023,33333... Prisão especial para estupradores...

Quinta-feira, 2 de Março de 2009

Blog do Clausewitz


"Senado: prisão especial só para quem corre risco de vida na cadeia"... amigo, você acabou de ler o título da reportagem e chegou à conclusão, como eu cheguei, que um estuprador receberá as benesses da lei, em que um juiz poderá arbitrar o apenamento em separado para garantir a incolumidade da vida do transgressor, independente de grau de escolaridade, condição social ou profissão... ou seja, estará nas mãos do juiz obrigar um réu doutor a dividir o xilindró com a marginália do beco do nariz de tamanduá, enquanto que o pedreiro mal amado com sérias tendências à pedofilia e que violou 40 moças indefesas terá a possibilidade de gozar do conforto de uma prisão especial em função de que se for para o lugar que a sociedade gostaria que ele fosse, não sobrará nada de suas pregas anais, muito menos de seu intestino delgado... a dízima periódica ao final do número sequencial constante no título significa que nosso país é tão pródigo em coisas sem nexo, que ainda cabe muito mais no balaio, principalmente porque no quarto ao lado do pedreiro em questão estarão alguns juízes, procuradores e políticos que continuarão a olhar para o sistema prisional com cara de dízima periódica...

Clausewitz

Nem pelota, nem pelotão.

Quinta-feira, Abril 02, 2009

Coturno Noturno

Da Folha:

Um dos críticos da demarcação contínua da terra indígena Raposa/Serra do Sol, general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, disse ontem que o Exército vai instalar um PEF (Pelotão Especial de Fronteira) na reserva antes de 2021. O pelotão ficará na região da Serra do Sol, onde vive a etnia ingaricó, entre o Parque Nacional Monte Roraima e a serra do Parima, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. "É área de trânsito, há etnias com representantes dos dois lados. É uma área que é importante ser controlada em termos de circulação", disse o general.No dia 19, o STF manteve a demarcação contínua e determinou a saída de não índios e definiu 19 condições. O prazo para a desocupação é o dia 30 deste mês. No que diz respeito à construção de unidades do Exército ficou determinado que "o usufruto dos índios não se sobrepõe ao interesse da Política de Defesa Nacional, à instalação de bases, unidades e postos militares e demais intervenções". O custo de uma unidade fica entre R$ 25 milhões a R$ 40 milhões.

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Isto que se pode chamar de "Estratégia Nacional de Defesa". O exército planeja um pelotão para ser instalado até daqui 12 anos, na fronteira do país onde foi criado um território livre. Em 2009, o Ministério da Defesa teve o seu orçamento reduzido em 30%, perdendo R$ 2,7 bilhões. Os nossos comandantes deveriam trocar as fardas por pijamas de bolinha. Ninguém dá pelota, tampouco pelotão para eles.

Coronel

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Julio Severo fora do Brasil - Carta aberta aos amigos do Blog Julio Severo

Mídia Sem Máscara

É verdade que não há no Brasil nenhuma lei de “homofobia”. Mesmo assim, o MPF recentemente intimou um amigo meu a prestar informações sobre minha localização.


Estimados amigos,

Cheguei a um novo lugar, estando agora fora do Brasil e distante dos amigos. Não foi uma decisão fácil. Aliás, foi a única alternativa.
Por causa de uma queixa de 2006 da Associação da Parada do Orgulho Gay de São Paulo, o Ministério Público Federal (MPF) vem procurando minha localização. A queixa é “homofobia”.


É verdade que não há no Brasil nenhuma lei de “homofobia”. Mesmo assim, o MPF recentemente intimou um amigo meu a prestar informações sobre minha localização. Meu amigo tentou, com a ajuda de um advogado judeu, dizer que ele não é responsável pelo conteúdo do meu blog.
Contudo, o MPF não aceitou a defesa dele, e continuou pressionando-o com o único objetivo de saber onde está Julio Severo.
Portanto, diante desse absurdo, vi-me forçado a sair do país com minha família: uma esposa com gravidez avançada e duas crianças pequenas. Estamos neste momento num lugar totalmente estranho. Que escolha tínhamos?

Além da queixa da Associação da Parada do Orgulho Gay, outras entidades e indivíduos homossexuais também entraram com ações e queixas no MPF contra meu blog por “homofobia”.

Saindo do país, esperamos aliviar as pressões das autoridades sobre amigos inocentes.

Eu queria poder aqui registrar publicamente os nomes de todos os que me ajudaram a fazer esta difícil viagem ao exterior, mas não ouso fazê-lo, consciente de que o MPF não poupou nem mesmo um amigo meu inocente. Só revelarei que o grande filósofo brasileiro Olavo de Carvalho muito colaborou. Se o MPF quiser processá-lo, a localização dele está nos EUA.

Se quiserem continuar com suas ações absurdas contra mim por “homofobia”, aviso que não estou mais no Brasil. Deixem meus amigos em paz.
Entretanto, dou outro aviso. Não me calarei. A voz que Deus me deu continuará sendo usada para alertar o Brasil, quer eu esteja na Índia, no Quênia, na Nicarágua ou qualquer outro país do mundo.

Servir a Deus e falar a verdade custa um preço alto. Oro para que Deus dê a cada um dos leitores do meu blog a coragem de pagar esse preço.
Convido-os também a ajudar para que minha voz não se cale. Daqui do meu exílio no exterior, num lugar totalmente desconhecido para nós, quero continuar a alertar o Brasil.

Deixei o Brasil fisicamente, mas não em espírito.

Se puder ajudar a colaborar comigo e com minha família, por favor ore e também envie contribuições, pois é um momento de necessidade para nós. Se Deus o tocar para ser um colaborador regular, aceite o desafio de Deus.

Para depositar sua contribuição, clique aqui ou use esta informação:
Julio
Conta corrente 02399-0
Banco Itaú Agência 5649

Chegamos ao aeroporto e tivemos a grata surpresa de ver um pastor que viajou de avião de outra cidade apenas para nos dar as boas vindas. Deus o tocou para que ele viesse nos receber. Só havia ele ali, mas foi muita bênção, pois nada conhecemos aqui!

Hoje, enquanto estávamos tomando o café da manhã, uma TV estava ligada, e o primeiro programa que vimos nesta língua estava tratando de opções sexuais e “casamento” gay. Nesta mesma noite, tive um sonho onde vi a obsessão da agenda gay alcançando este país onde estamos. Esse foi o meu primeiro sonho neste país.

Contudo, somos peregrinos de Deus, e nossa cidadania é do Reino de Deus. Estamos debaixo da autoridade do Rei do Universo.

Um dia Lula, cujo governo hoje intima os inocentes por “crime” de “homofobia”, será obrigado a comparecer diante do supremo Juiz, onde sua condenação é certa.

Que Lula não ouse rir da minha situação, pois a hora dele e de seu mestre está chegando.

Conto com seu apoio e cooperação neste momento,

Julio Severo

”Estadão” minimiza os fatos

Mídia Sem Máscara

O caso da Camargo Correa é um ousado lance para influir pesadamente nas eleições presidenciais que se aproximam, objetivando o continuísmo petista.

Em editorial de ontem, o "Estadão" comenta a correta decisão da desembargadora Cecília Mello, do Tribunal Regional Federal (TRF), da 3ª Região, que passou um pito jurídico bem fundamentado no juiz Fausto de Sanctis.

Quero apontar aqui que o tradicional jornal paulista reduz maquinadamente a gravidade dos fatos a inverossímeis repetições dos equívocos técnicos-jurídicos da Operação Santiagraha (leia-se Daniel Dantas) na chamada Operação Castelo de Areia (leia-se Camargo Correa). A desembargadora, no desempenho das suas funções, fez o que deveria ser feito, se ater às questões técnico-jurídicas. O editorialista do jornal não, pois a um periódico cabe formar opinião e ver os fatos em sua totalidade, além do específico jurídico. Esconder fatos é uma ação insidiosa contra seus leitores.

Diz o velho ditado que jaboti não sobe em árvore; se lá está é porque alguém o colocou. O juiz Fausto de Sanctis, os delegados que lhe solicitaram as escutas telefônicas totalitárias e os promotores sedentos de vingança socialista contra os empresários não cometem meros erros. Eles exercem seu poder discricionário de forma deliberada, sabendo de seus impactos políticos e de opinião pública. São os operadores do poder revolucionário, agentes que são da revolução em curso. O caso da Camargo Correa é um ousado lance para influir pesadamente nas eleições presidenciais que se aproximam, objetivando o continuísmo petista. A tal Operação Castelo de Areia deve ser compreendida nesse contexto, enquanto aquilo que é: uma ação explícita de terror de Estado contra os financiadores de campanha engajados na oposição. Querem ganhar no pau, já que não têm ainda os meios para dar um golpe de Estado.

Quem lê o editorial sem enxergar essa realidade maior pensará estar diante de uma mera querela jurídica subalterna. De um lado, um jovem juiz despreparado e idealista e, do outro, uma serena desembargadora capaz de lhe dar lições de Direito. Mas não é essa a realidade. O que temos é que agentes do Estado, juízes, policiais e promotores estão empenhados em atuar abertamente no campo partidário, vestindo a camisa dos revolucionários e usando de forma espúria os poderes dos quais estão investidos. Ao esconder isso da opinião pública o “Estadão” toma partido e passa ele próprio ser peça no jogo sucessório, do lado do PT e sua gangue. Uma ação desonesta que precisa ser denunciada.

Estamos ainda uma vez diante da técnica gramsciana de tratamento da notícia. Como uma notícia dessas não pode ser ignorada, ela é editada a fim de se transformar no seu oposto. Algo como o duplipensar do George Orwell. Tempos de grandes perigos e de grandes mentiras, vivemos.

Legalização Da Política De Cotas: Uma Verdadeira Barbárie

Mídia Sem Máscara

Acompanhando a corrente adotada por homens como Hitler, Stalin, dentre outros, os arautos do “novo Brasil” passaram usar o a Direito brasileiro para obrigar o Estado a dar tratamento diferenciado para os membros da sociedade civil, tratamento esse que passa a depender da cor da pele ou do passado histórico do qual a vítima histórica seria enraizada.

Partido Único e Pensamento Único

Mídia Sem Máscara

O resenhista não condena Zizek pela adesão ao totalitarismo criminoso, mas pelo fato de, com seu proselitismo, oferecer "munição, de grosso calibre, para o conservadorismo que, infelizmente, está crescendo de novo no Brasil".

O exemplo alemão

Mídia Sem Máscara

Se este não é o debate econômico do século, certamente será o duelo do ano. Enquanto Merkel governar os keynesianos não terão chance de pôr em prática suas alucinações obâmicas e dos Krugman de plantão.

Lula, o incompetente e seu batalhão!!!

31.3.09

Alerta Brasil

Com Lula, Presidência emprega 67 diretores e centenas de chefes
Ao todo, são 1.750 servidores, volume tão grande que foi preciso ampliar restaurante e estacionamento.

À semelhança do Congresso, o Palácio do Planalto é uma Casa com organograma inchado. Os salários podem não chegar às cifras do Legislativo, mas a Presidência criou no governo Luiz Inácio Lula da Silva uma série de funções para encaixar a militância. Na teia administrativa, há 67 diretores e uma centena de chefes. Só a Casa Civil, pasta comandada pela ministra Dilma Rousseff, conta com sete diretores, mesmo número da multinacional Vale do Rio Doce.

O setor que mais ganhou diretores foi o da Comunicação Social, do ministro Franklin Martins. Desde 2003, passou de 2 para 12 diretores, o dobro da Petrobrás. Há diretores de Patrocínios, Normas, Controle, Internet e Eventos, Comunicação da Área de Desenvolvimento, Mídia, Imprensa Internacional, Imprensa Nacional, Imprensa Regional, Produção e Divulgação de Imagens, Apoio Operacional e Administrativo e Comunicação da Área Social. Leia mais>>

Prêmio 31 de Março...

Terça-feira, 31 de Março de 2009

Blog do Clausewitz




Hoje, 31 de março de 2009, as mentes sãs de nossa nação comemoram um episódio que por muitas gerações ainda representará a efetiva possibilidade de o povo brasileiro ter chegado íntegro ao terceiro milênio... já há alguns dias, vários pensadores vêm demonstrando suas contribuições no sentido de historiar aqueles dias tenebrosos de final de março de 1964, quando a sociedade se mobilizou ansiosa por ver-se livre do mesmo inimigo que a seduziu décadas depois em troca de um prato de comida e de acessos às facilidades pouco meritórias que um estado falido pode oferecer...

Meu silencioso preito de homenagem aos heróis que deflagraram aquele movimento vitorioso que garantiu a normalidade institucional e que, a ferro e fogo mantiveram a normalidade social de um país que era uno até 14 anos atrás, quando foi tomado de assalto pelas mesmas forças marxistas que desafiaram nossas dignidades há 45 anos... vivenciei em minha cidade, uma das maiores de nosso país, a plenitude deste período, que muitos chamam de ditadura, tendo eu usufruido a infância, adolescência e juventude num clima de paz, harmonia e progresso em todos os sentidos de minha vida, enquanto que a nação o tinha em seus campos do poder nacional...

Aos que não viveram as causas e as consequências da contra-revolução de 1964, aconselho a ler aqui um excelente texto de autoria do grande historiador Coronel Manuel Soriano Neto, cujo título remete ao evento que hoje orgulhosamente comemoramos... logicamente, o viés pacifista e harmônico da exceção democrática que foi praticada gerou o perdão aos comunistas que quiseram implantar em nossa cultura um regime ditatorial baseado no modelo cubano, que era uma mescla dos genocidas modelos ditatoriais chinês, albanês e soviético...

E este perdão possibilitou o reajustamento social dos perdedores e sua reinserção no estamento político, conduzindo-os aos palanques e aos cargos eletivos ainda na vigência dos governos militares... e o que aconteceu com a reintegração dos perdedores, é o que vemos por ai, na frágil democracia que rege nossas vidas, em que o conceito de democracia não foi validado, em função de que hoje, mais do nunca, governa-se para minorias, tornando-as o início, o meio e o fim do processo em que a quase totalidade da população se vê preterida e relegada a um plano de contingência...

Objetivo:

Para comemorar os 45 anos da vitoriosa contra-revolução democrática de 31 de março de 1964, o Blog do Clausewitz criou o Prêmio 31 de Março, que será concedido a pessoas, instituições e produtores de sites e blogs que mantém vínculos com o ideário que norteou há 45 anos o repúdio à comunização de massas proposta por João Goulart e outros ícones da esquerda revolucionária, comunização e luta de classes e raças reeditada em nossos dias pelos governos integrantes do foro de São Paulo, do qual o Brasil é signatário e fundador...

Logicamente que a presente comenda é algo eletrônico, virtual, abstrato e que em nada substituirá a ação que temos que levar a efeito diariamente em nossos dias atuais, inseridos que estamos numa sociedade já totalmente destituída de razão e escravizada pelo mesmo inimigo de outrora, que após longos anos de revisionismo entendeu que a única maneira de chegar ao poder seria pela democracia que eles combateram por tantos anos e em tantos lugares do mundo...

Regras:


Gostaria de passar então a elencar as regras da premiação que visarão antes de qualquer coisa, ao não constrangimento dos homenageados, posto que o assunto é cercado por tabus e por uma imagem de mácula que foi criminosamente inserida pelos tablados das difusões intelectuais tanto da imprensa, quanto dos atos religiosos e educacionais... as regras são simples e fiquem os homenageados totalmente a vontade para aceitarem ou não:

1ª- Postar um comentário de aceitação neste blog...

2ª- No caso do homenageado produzir site ou blog, que publique o recebimento do Prêmio 31 de Março, indicando até 10 blogueiros...

3º- Que o símbolo ou link para o Prêmio 31 de Março seja inserido em seu blog ou site...

Agraciados:

Vamos aos homenageados, aos quais transmito minha total e incondicional admiração por suas trajetórias vocacionadas ao patriotismo e à incessante luta pela recuperação democrática de nossa nação... esclareço que os nomes de pessoas foram triados dentro de um universo seleto de patriotas que, tombados ou não, imolaram seus futuros e suas dignidades com o fim de nos legar uma pátria altaneira... os blogs e sites citados são todos antigos difusores da mensagem de esperança e de encorajamento face ao mal incansável... a todos, minha consideração e votos que mantenham a força para continuarmos o combate, pois há muito ainda o que trilharmos neste empreendimento, que apenas agora iniciou:

Major do Exército José Julio Toja Martinez - in memorian

☼ Cap PMESP Alberto Mendes Junior - in memorian

Cabo PMSP Nelson Martinez Ponce - in memorian

☼ Cabo PMSP Sylas Bispo Feche - in memorian


☼ Delegado de Polícia SP Octávio Gonçalves Moreira Jr - in memorian

☼ Sargento do Exército Mario Kosel Filho - in memorian

☼ Coronel Reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra

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É com grande satisfação que recebo este prêmio, do amigo Clausewitz. E seguindo as regras do mesmo, aproveito para fazer minhas indicações:


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segunda-feira, 30 de março de 2009

A História oficial de 1964

Movimento Endireitar

Escrito por Olavo de Carvalho

Seg, 30 de Março de 2009 09:20

Se houve na história da América Latina um episódio sui generis, foi a Revolução de Março (ou, se quiserem, o golpe de abril) de 1964. Numa década em que guerrilhas e atentados espoucavam por toda parte, seqüestros e bombas eram parte do cotidiano e a ascensão do comunismo parecia irresistível, o maior esquema revolucionário já montado pela esquerda neste continente foi desmantelado da noite para o dia e sem qualquer derramamento de sangue.

O fato é tanto mais inusitado quando se considera que os comunistas estavam fortemente encravados na administração federal, que o presidente da República apoiava ostensivamente a rebelião esquerdista no Exército e que em janeiro daquele ano Luís Carlos Prestes, após relatar à alta liderança soviética o estado de coisas no Brasil, voltara de Moscou com autorização para desencadear – por fim! – a guerra civil no campo. Mais ainda, a extrema direita civil, chefiada pelos governadores Adhemar de Barros, de São Paulo, e Carlos Lacerda, da Guanabara, tinha montado um imenso esquema paramilitar mais ou menos clandestino, que totalizava não menos de 30 mil homens armados de helicópteros, bazucas e metralhadoras e dispostos a opor à ousadia comunista uma reação violenta. Tudo estava, enfim, preparado para um formidável banho de sangue.

Na noite de 31 de março para 1o. de abril, uma mobilização militar meio improvisada bloqueou as ruas, pôs a liderança esquerdista para correr e instaurou um novo regime num país de dimensões continentais – sem que houvesse, na gigantesca operação, mais que duas vítimas: um estudante baleado na perna acidentalmente por um colega e o líder comunista Gregório Bezerra, severamente maltratado por um grupo de soldados no Recife. As lideranças esquerdistas, que até a véspera se gabavam de seu respaldo militar, fugiram em debandada para dentro das embaixadas, enquanto a extrema-direita civil, que acreditava ter chegado sua vez de mandar no país, foi cuidadosamente imobilizada pelo governo militar e acabou por desaparecer do cenário político.

Qualquer pessoa no pleno uso da razão percebe que houve aí um fenômeno estranhíssimo, que requer investigação. No entanto, a bibliografia sobre o período, sendo de natureza predominantemente revanchista e incriminatória, acaba por dissolver a originalidade do episódio numa sopa reducionista onde tudo se resume aos lugares-comuns da "violência" e da "repressão", incumbidos de caracterizar magicamente uma etapa da história onde o sangue e a maldade apareceram bem menos do que seria normal esperar naquelas circunstâncias.

Os trezentos esquerdistas mortos após o endurecimento repressivo com que os militares responderam à reação terrorista da esquerda, em 1968, representam uma taxa de violência bem modesta para um país que ultrapassava a centena de milhões de habitantes, principalmente quando comparada aos 17 mil dissidentes assassinados pelo regime cubano numa população quinze vezes menor. Com mais nitidez ainda, na nossa escala demográfica, os dois mil prisioneiros políticos que chegaram a habitar os nossos cárceres foram rigorosamente um nada, em comparação com os cem mil que abarrotavam as cadeias daquela ilhota do Caribe. E é ridículo supor que, na época, a alternativa ao golpe militar fosse a normalidade democrática. Essa alternativa simplesmente não existia: a revolução destinada a implantar aqui um regime de tipo fidelista com o apoio do governo soviético e da Conferência Tricontinental de Havana já ia bem adiantada. Longe de se caracterizar pela crueldade repressiva, a resposta militar brasileira, seja em comparação com os demais golpes de direita na América Latina seja com a repressão cubana, se destacou pela brandura de sua conduta e por sua habilidade de contornar com o mínimo de violência uma das situações mais explosivas já verificadas na história deste continente.

No entanto, a historiografia oficial – repetida ad nauseam pelos livros didáticos, pela TV e pelos jornais – consagrou uma visão invertida e caricatural dos acontecimentos, enfatizando até à demência os feitos singulares de violência e omitindo sistematicamente os números comparativos que mostrariam – sem abrandar, é claro, a sua feiúra moral – a sua perfeita inocuidade histórica.

Por uma coincidência das mais irônicas, foi a própria brandura do governo militar que permitiu a entronização da mentira esquerdista como história oficial. Inutilizada para qualquer ação armada, a esquerda se refugiou nas universidades, nos jornais e no movimento editorial, instalando aí sua principal trincheira. O governo, influenciado pela teoria golberiniana da "panela de pressão", que afirmava a necessidade de uma válvula de escape para o ressentimento esquerdista, jamais fez o mínimo esforço para desafiar a hegemonia da esquerda nos meios intelectuais, considerados militarmente inofensivos numa época em que o governo ainda não tomara conhecimento da estratégia gramsciana e não imaginava ações esquerdistas senão de natureza inssurrecional, leninista. Deixados à vontade no seu feudo intelectual, os derrotados de 1964 obtiveram assim uma vingança literária, monopolizando a indústria das interpretações do fato consumado. E, quando a ditadura se desfez por mero cansaço, a esquerda, intoxicada de Gramsci, já tinha tomado consciência das vantagens políticas da hegemonia cultural, e apegou-se com redobrada sanha ao seu monopólio do passado histórico. É por isso que a literatura sobre o regime militar, em vez de se tornar mais serena e objetiva com a passagem dos anos, tanto mais assume o tom de polêmica e denúncia quanto mais os fatos se tornam distantes e os personagens desaparecem nas brumas do tempo.

Mais irônico ainda é que o ódio não se atenue nem mesmo hoje em dia, quando a esquerda, levada pelas mudanças do cenário mundial, já vem se transformando rapidamente naquilo mesmo que os militares brasileiros desejavam que ela fosse: uma esquerda socialdemocrática parlamentar, à européia, desprovida de ambições revolucionárias de estilo cubano. O discurso da esquerda atual coincide, em gênero, número e grau, com o tipo de oposição que, na época, era não somente consentido como incentivado pelos militares, que viam na militância socialdemocrática uma alternativa saudável para a violência revolucionária.

Durante toda a história da esquerda mundial, os comunistas votaram a seus concorrentes, os socialdemocratas, um ódio muito mais profundo do que aos liberais e capitalistas. Mas o tempo deu ao "renegado Kautsky" a vitória sobre a truculência leninista. E, se os nossos militares tudo fizeram justamente para apressar essa vitória, por que continuar a considerá-los fantasmas de um passado tenebroso, em vez de reconhecer neles os precursores de um tempo que é melhor para todos, inclusive para as esquerdas?

Para completar, muita gente na própria esquerda já admitiu não apenas o caráter maligno e suicidário da reação guerrilheira, mas a contribuição positiva do regime militar à consolidação de uma economia voltada predominantemente para o mercado interno – uma condição básica da soberania nacional. Tendo em vista o preço modesto que esta nação pagou, em vidas humanas, para a eliminação daquele mal e a conquista deste bem, não estaria na hora de repensar a Revolução de 1964 e remover a pesada crosta de slogans pejorativos que ainda encobre a sua realidade histórica?

Fonte: www.olavodecarvalho.org

Olavo de Carvalho é autor, entre outros, da coleção O Exército na História do Brasil - 4 Vols; Editora: Odebrecht, 1998.

Publicado em O Globo, 19 de janeiro de 1999