quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Roraima: agora é a vez da Serra da Lua

Brasil acima de tudo

15 de dezembro de 2009

Por Izidro Simões (*)


Roraima parece que está mesmo em fase de extinção como entidade federativa e parte do Brasil. O mais conhecido grande golpe contra Roraima, foi a homologação da Raposa Serra do Sol, com 1.700.000 hectares, quase do tamanho de Sergipe, assinada por Lula e, referendada pelo STF.

Nem tinha esfriado essa celeuma da Raposa / Serra do Sol, surgiu a notícia de que Lula também assinará a homologação da Reserva Indígena do Anaro, no município de Amajari, Norte de Roraima.

Com as atenções voltadas para o vozerio levantado nacionalmente em torno da TIRSS, talvez por desânimo, não houve nenhuma manifestação por causa de Anaro, embora essa área indígena tenha 30.474 hectares para abrigarem apenas e tão somente 54 índios wapixanas; não são 54 famílias, e sim, apenas 54 indivíduos. Como a maioria das pessoas urbanas não tem familiaridade com medidas de área, para comparação, convém saber que esses 30.474 Ha. são mais ou menos o total da área urbana de Boa Vista-RR, que tem cerca de 200.000 habitantes. Além do mais, são índios completamente aculturados, onde existe até escola de 1º grau.

Neste momento mesmo, estava em andamento secreto, mais uma feroz mordida em Roraima, desta vez, na Serra da Lua e suas vizinhanças. Uma ONG supostamente “ambiental” (mais uma) chamada ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, está fazendo o levantamento geodésico da área. A ICMBio é estreitamente ligada a ONG chamada ISA – Instituto Socioambiental, um dos propugnadores e ativo participante da criação do mega latifúndio ianomâmi, homologado por Fernando Collor, de triste memória.

Tudo começou na surdina em 2006 (pasmem!) mas, o projeto foi agora descoberto pela jornalista Andrezza Trajano, da Folha de Boa Vista (RR), e o público ficou informado de mais essa esperteza federal, através da página 08, na edição do dia 02 de dezembro/09.

A nova área já tem nome: será o Parque Nacional do Lavrado, com um tamanho inicial de “apenas” 155.000 hectares. Os trabalhos estão sob a responsabilidade da técnica ambiental Larissa Diehl, e essa área ficará fazendo parte do programa da ARPA-Áreas Protegidas da Amazônia.

Para se ter um parâmetro, é preciso repetir o espantoso tamanho: são “apenas” 155.000 hectares. A área urbana da capital paulista é de mais ou menos 90.000 hectares. Deu para “sentir” o tamanho da mordida nas terras de Roraima e no Brasil?

Por pura “coincidência”, essa terras tão cobiçada ficam no município de Bonfim, que tem petróleo confirmado e, também por outra pura “coincidência”, fica na fronteira com a República da Guiana (ex-inglesa) e que, também por absoluta “coincidência” – nada mais que isso, é claro – beirando a margem direita do Rio Tacutu, que tem na margem oposta e bem em frente (na Guiana), uma área também de “preservação ambiental” com mais de 400.000 hectares, a qual tem como “patrono”, nada menos que o diligente Príncipe Charles, aquele lá da Inglaterra. Já ouviu falar dele? Pois é, aí está um bom vizinho “ambientalista” para a “nossa” área ambientalista, que conta também com o entusiasmo e decidido apoio do ISA-Instituto Sócio-Ambiental, por pura “coincidência também”, bom parceiro dos ingleses.

Está tudo em casa, não é mesmo? Para apossarem-se dessas imensas terras, não titubeiam e vão expulsar os proprietários, que logo, logo, serão chamados de “invasores” e “posseiros de má-fé” tal como fizeram com os quase 200 fazendeiros e seus familiares que viviam na Raposa / Serra do Sol.

A homologação já tem data marcada! É para 30 de abril de 2010. São 261 famílias, perfazendo 794 pessoas muitas das quais, tal como as da Raposa / Serra do Sol, nasceram, criaram seus filhos e vivem até hoje na região, com suas famílias! Várias das fazendas tem título definitivo e registro, datado de 1914 mas, mesmo assim, os moradores vão ter que “picar a mula” e sair de lá.

Até hoje a FUNAI não conseguiu reassentar todos os que foram expulsos da Raposa / Serra do Sol, porque as terras públicas de Roraima estão “sumindo”. Para onde irão mais esses sofredores, que perderão tudo o que eles, seus pais e avós conseguiram formar em várias décadas e até mesmo em mais de um século de trabalho duro e persistente? E as ínfimas indenizações, que mesmo sendo assim, o governo garante mas, não paga, ou paga muitos anos depois e, com precatórios?

Apanhado de surpresa, Domingos Santana (PV), prefeito de Bonfim, está peregrinando pelas propriedades que serão atingidas e, marcou uma grande reunião na fazenda Rancho W, para o dia 12 de dezembro – sábado, com a presença de todos os proprietários atingidos. O prefeito informou ainda, que a Prefeitura e os fazendeiros entrarão na Justiça contra mais essa decisão absurda, perpetrada contra Roraima.

Uma nova encrenca que está sendo gestada, com a demarcação, marcada para 30abril/2010 próximo, pode-se dizer que o dia fatídico já está quase na porta desses pioneiros e sofredores.

Apanhado em flagrante de esperteza nessa do governo federal, e que também estava sendo gestada na surdina, Nagib Lima, assessor da Casa Civil, conhecido no Estado pelo apelido de “gerentão da Dilma” imediatamente tratou de desmentir e minimizar tudo. “Garante” que os projetos já estão paralizados, que nada vai ser feito sem consulta prévia o Governo do Estado, em audiência pública e para que “a sociedade” manifeste-se contra ou a favor.

Acham que é pouco? Então vejamos mais adiante: Roraima tem hoje, três parques nacionais, três estações ecológicas e duas florestas nacionais, totalizando oito unidades de conservação.

Lula também já confirmou sua presença em Roraima para 30 de abril, quando deseja assinar de uma vez só, todas as homologações, mas parece que não parar por aí. Nagib Lima, o “gerentão” nega sempre, mas sabe-se que outras áreas já estão demarcadas, faltando apenas a assinatura da homologação. São elas: Trombetas/Mapuera, envolvendo terras do Pará e Roraima, abrigando uma mistura de ONZE etnias (!), totalizando mesmo assim, apenas 8.470 índios, sendo que a maioria está no Pará;

PRESTE MUITA ATENÇÃO! Essa ínfima quantidade de índios receberam nada menos que 558.502 hectares (!) Repetindo, para firmar bem o total absurdo: 558.502 hectares – quase a metade da Raposa / Serra do Sol, QUASE SEIS VEZES O TAMANHO URBANO DA CAPITAL PAULISTA PARA 8.470 ÍNDIOS, e 10% dessa área está dentro de Roraima, nos municípios de Caroebe e São João da Baliza.

Depois disso, sobrarão para Roraima, apenas 25% de suas terras, se o governo federal já não estiver arquitetando alguma outra esperteza, por trás dos bastidores.

(*) Izidro Simões, piloto de avião

http://brasilacimadetudo.lpchat.com/index.php?option=com_content&task=view&id=8045&Itemid=1

Como engabelar o telespectador

Mídia Sem Máscara

Bruno Pontes | 16 Dezembro 2009
Media Watch - Outros

E o Fantástico martela: precisamos controlar as emissões de CO2, já que "está com-pro-va-do que há uma relação direta entre o aumento da concentração do gás na atmosfera e o aumento da temperatura". Não está não, Sônia Bridi. Ouçamos José Carlos Parente de Oliveira.

Em clima de conferência do clima em Copenhague, o programa Fantástico (6 de dezembro) preparou psicologicamente o telespectador para a catástrofe planetária que se aproxima, oferecendo contudo uma saída para o apocalipse devidamente sacramentada pelo Organização das Nações Unidas. A saída consiste em fazer o que a ONU disser que deve ser feito.

Os e-mails vazados por hackers que expõem a falcatrua dos cientistas da Universidade de East Anglia, comunicaram os apresentadores do programa, foram categoricamente desacreditados pela ONU. O aquecimento global é "i-ne-quí-vo-co" (Zeca Camargo caprichou na ênfase). Portanto, os alienados devem tirar o cavalo da chuva: o mundo vai acabar mesmo. Assim diz a ONU, a autoridade máxima da nossa era.

Sem mostrar ao telespectador o conteúdo de algumas das mensagens trocadas pelos cientistas (como, por exemplo, aquela que fala em usar o "truque" para esconder o "declínio" da temperatura), o Fantástico deu o assunto por encerrado. A tese do aquecimento global está sendo usada como pretexto de uma regulação econômica sem precedente, pois se trata de uma regulação global - nenhum imperador em qualquer época alcançou tamanha jurisdição. E como reage o Fantástico (a grande imprensa inteira) ante a descoberta de milhares de documentos que podem desmascarar essa tese? Faz de conta que o caso não tem importância. Chamam isso de jornalismo.

A matéria diz ainda que "o mundo inteiro está preocupado", pois "a Terra já está quase 1º C mais quente do que há 150 anos, quando começou a era industrial". Grande coisa! A temperatura da Terra tem variado desde o primeiro dia. Houve períodos quentes e períodos frios. O físico José Carlos Parente de Oliveira, da Universidade Federal do Ceará, em entrevista ao Diário do Nordeste (15 de novembro), nos informa que por volta dos anos 1300 (segundo minhas fontes, nessa época não existiam fábricas nem automóveis, tampouco petrolíferas) ocorreu o chamado Período Quente Medieval, em que a temperatura da Terra foi superior à atual em cerca de um grau centígrado. Por volta dos anos 1800 tivemos a Pequena Era Glacial. Não há nada de anormal na possibilidade de a temperatura ter subido (ou baixado) num certo espaço de tempo. Já aconteceu antes e acontecerá novamente, independentemente do que a humanidade faça ou deixe de fazer.

Além disso, José Carlos Parente de Oliveira e centenas de outros cientistas "céticos" (termo que na acepção da ONU equivale a "hereges") sustentam que a temperatura do planeta vem caindo - caindo - desde 1998. Existem dados colhidos por satélites para prová-lo, mas, conforme o físico, "esses dados não são aceitos e nem utilizados pelo IPCC nos seus documentos". Ou seja: a ciência da ONU está fechada ao debate. Isso não é ciência, é ideologia fanática.

E o Fantástico martela: precisamos controlar as emissões de CO2, já que "está com-pro-va-do que há uma relação direta entre o aumento da concentração do gás na atmosfera e o aumento da temperatura". Não está não, Sônia Bridi. Ouçamos José Carlos Parente de Oliveira mais uma vez:

"A hipótese do aquecimento global antrópico defendido pelo IPCC não possui base científica sólida. Não há dados observacionais que provem cabalmente a influência humana no clima. Se voltarmos um pouco no tempo nós constataremos que entre os anos de 1945 e 1977 houve um resfriamento da Terra, acompanhado de grande alarde de que o planeta congelaria, haveria fome, milhares de espécies desapareceriam etc. E veja que nesse período houve grande queima de carvão e petróleo motivada pela reconstrução da Europa e da Ásia após a 2ª Guerra Mundial. Outro exemplo de não conexão entre concentração de CO2 e temperatura da Terra ocorreu entre os anos 1920 e 1940, período em que a Terra esteve mais quente que os anos finais do século XX, e nesse período a atividade de queima de combustível foi de apenas 10% do que foi observado nos anos 1980 e 1990".

O recorte temporal usado na matéria é o recorte vendido ao mundo pela ONU e tem relação com o objetivo político da coisa toda. Ligar a fraude do aquecimento global à era industrial remete a um velho slogan: a culpa é do capitalismo. Não é à toa que a militância socialista adotou a histeria do aquecimento como cavalo de Tróia do governo mundial que está sendo arquitetado neste exato momento em Copenhague. Enquanto o comissariado vai preparando taxas e metas compulsórias de alcance global, passando por cima das soberanias nacionais, a grande imprensa vai fazendo o seu trabalho de menina de recados do clube, engabelando o público. É fantástico.

Publicado no jornal O Estado.
Bruno Pontes é jornalista - http://brunopontes.blogspot.com

Os minaretes suíços e o Islã europeu

Mídia Sem Máscara

Daniel Pipes | 16 Dezembro 2009
Internacional - Europa

Por que, a Igreja Católica e outras estão perguntando, deveriam os cristãos sofrer tais afrontas enquanto os muçulmanos desfrutam de plenos direitos em países historicamente cristãos? O voto suíço se adapta a esse novo espírito.

Qual a importância do recente referendo suíço sobre a proibição da construção de minaretes (pináculos adjacentes às mesquitas de onde são emitidas as chamadas às orações)?

Alguns podem ver a decisão de 57,5 a 42,5 por cento endossando a emenda constitucional como quase inexpressiva. O establishment político se opôs à emenda de forma esmagadora, a proibição provavelmente nunca entrará em vigor. Apenas 53,4 por cento do eleitorado votou, portanto meros 31 por cento de toda a população endossam a proibição. A proibição não aborda as aspirações islamistas e muito menos o terrorismo muçulmano. Ela não tem nenhum impacto sobre a prática do Islã. Não previne a construção de novas mesquitas nem requer que os quatro minaretes da Suíça existentes sejam demolidos.

Também é possível rejeitar o voto como sendo o resultado peculiar da singular democracia direta da Suíça, uma tradição que teve inicio em 1291 e não existe em nenhum outro lugar na Europa. Josef Joffe, o respeitado analista alemão, vê o voto como um retrocesso populista contra a série de humilhações que os suíços tiveram que suportar em anos recentes culminando no sequestro de dois homens de negócios na Líbia e o humilhante pedido de desculpas do presidente da Suíça para conseguir sua liberação.

Entretanto, eu vejo o referendo como consequente e bem além das fronteiras suíças.

Primeiro, ela levanta questões delicadas de reciprocidade nas relações muçulmano-cristãs. Alguns exemplos: Quando a primeira igreja cristã do Qatar, Nossa Senhora do Rosário, foi inaugurada em 2008, não possuía cruz, sino, cúpula, torre ou símbolo. O padre do Rosário, Tom Veneracion, explica sua ausência: "A ideia é a de ser discreto porque não queremos inflamar emoções." E quando os cristãos de Nazlet al-Badraman, uma cidade do Alto Egito, após quatro anos de "negociações laboriosas, suplicação e conflitos com as autoridades" finalmente conseguiram em outubro obter a permissão de restaurar uma torre cambaleante da Igreja Mar-Girgis, uma gangue de aproximadamente 200 muçulmanos atacaram-nos, atirando pedras gritando slogans sectários e islâmicos. A situação dos coptas é tão ruim que eles tiveram que reverter à construção de igrejas secretas.

Por que, a Igreja Católica e outras estão perguntando, deveriam os cristãos sofrer tais afrontas enquanto os muçulmanos desfrutam de plenos direitos em países historicamente cristãos? O voto suíço se adapta a esse novo espírito. Os islamistas, claro, rejeitam essa premissa de paridade; o ministro das Relações Exteriores do Irã Manouchehr Mottaki ameaçou seu colega suíço com "consequências" não específicas sobre o que ele classificou de atos anti-islâmicos, implicitamente intimidando que a proibição dos minaretes se torne uma questão internacional comparável aos tumultos das caricaturas dinamarquesas de 2006.

Segundo, a Europa está numa encruzilhada em relação a sua população muçulmana. Das três principais futuras possibilidades - de todos se entenderem, muçulmanos dominando ou sendo rejeitados - o primeiro é altamente improvável, mas o segundo e o terceiro parecem igualmente possíveis. Nesse contexto, o voto suíço representa uma legitimação potencialmente importante das visões anti-islâmicas. O voto ocasionou apoio através da Europa, sinalizado pela votação on-line patrocinada pela mídia da corrente predominante e por declarações de personalidades proeminentes. Segue uma pequena amostra:

  • França: 49.000 leitores do Le Figaro, por uma margem de 73 a 27 por cento, votariam pela proibição de novos minaretes em seu país. Os 24.000 leitores do L'Express concordaram por uma margem de 86 a12 por cento, com 2 por cento de indecisos. O importante colunista, Ivan Rioufol do Le Figaro, escreveu um artigo intitulado "Homenagem à resistência do povo suíço." O presidente Nicolas Sarkozy foi citado como tendo dito "o povo, na Suíça bem como na França, não quer que seu país mude, que seja desnaturado. Eles querem manter sua identidade."
  • Alemanha: 29.000 leitores do Der Spiegel votaram 76 a 21 por cento, com 2 por cento de indecisos, para proibir os minaretes na Alemanha. 17.000 leitores do Die Welt votaram 82 a 16 em favor do "Sim, eu me sinto constrangido pelos minaretes" sobre "Não, a liberdade de religião está sendo restringida."
  • Espanha: 14.000 leitores do 20 Minutos votaram 93 a 6 por cento em favor da declaração "Positivo, nós precisamos conter a crescente presença da islamização" contra "Negativo, é um obstáculo à integração dos imigrantes." 35.000 leitores do El Mundo responderam com 80 a 20 por cento que eles apóiam uma proibição dos minaretes semelhante à da Suíça.

Embora não seja científica, a assimetria dessas (e outras) pesquisas de opinião, variando entre 73 e 93 por cento das maiorias endossando o referendo suíço, sinalizam que os eleitores suíços representam o crescente sentimento anti-islâmico por toda a Europa. A nova emenda também valida e potencialmente encoraja a resistência à islamização através do continente.

Por essas razões, o voto suíço representa um possível divisor de águas para o islamismo europeu.

Atualização de 9 de dezembro de 2009: Uma pesquisa científica dos belgas patrocinada pelo semanário Le Soir realizado pelo iVOX descobriu que 59,3 por cento da população belga é favorável a uma proibição semelhante à da Suíça a respeito da construção de novos minaretes e 56,7 por cento quer proibir a construção de mesquitas. A pesquisa de opinião de 1.050 pessoas foi realizada de 3 a 5 de dezembro com uma margem de erro de 3 por cento.


Publicado no Jerusalem Post

Original em inglês: Swiss Minarets and European Islam
Tradução: Joseph Skilnik

Rick Warren ataca leis anti-homossexuais

Mídia Sem Máscara

Julio Severo | 16 Dezembro 2009
Artigos - Religião

Em seu próprio país, Rick Warren tem evitado usar seu papel para falar explicitamente contra os agressivos projetos de lei homossexual. Ele tem também evitado incomodar Obama e seu governo, que são explicitamente pró-aborto e pró-homossexualismo. Diante de sua majestade obâmica,Rick Warren limita-se a melosidades.

Os ativistas gays, que desprezam completamente a condenação divina ao homossexualismo, não hesitam de usar e distorcer as palavras de Jesus Cristo para ensinar aos cristãos que o único modo como os cristãos podem demonstrar amor aos homossexuais é apoiando a aprovação de leis anti-"homofobia".

Sem tal apoio, os militantes homossexuais insistem em que os cristãos são merecedores de rótulos como "homofóbicos", hipócritas, assassinos de homossexuais, etc. A insistência deles é persistente em toda a mídia. A cobrança deles contra os cristãos é contínua.

Se a água mole em pedra dura tanto bate até que fura, então parece que o gotejamento homossexual está furando a resistência evangélica.

Na Irlanda, um projeto de lei pró-homossexualismo ganhou o apoio da Aliança Evangélica da Irlanda (AEI), que explicou sua posição com a alegação de que Jesus Cristo não discriminava. Portanto, os cristãos também não podem discriminar. A AEI declarou:

"Os casais amasiados são uma realidade - esta legislação busca lidar com essa realidade de uma perspectiva legal. Discordamos dos detalhes da legislação, mas como seguidores de um Deus justo e compassivo podemos reconhecer a justiça de dar proteção legal para a realidade dos relacionamentos amasiados de mesmo sexo e sexo oposto".

Por outro lado, Rick Warren adotou posição semelhante de usar a compaixão de Deus para condenar completamente um pesado projeto de lei contra o homossexualismo em Uganda. Esse país africano, que no passado tinha reis homossexuais que abusavam de meninos, continua hoje enfrentando problemas de abusos sexuais de meninos. Além disso, Uganda encontra-se sob pressão internacional para apoiar a agenda gay. Mas não foi para condenar veementemente os abusos homossexuais contra meninos que Warren interferiu em Uganda.

Diferente de países islâmicos como o Irã, que mata homossexuais arbitrariamente, o projeto de lei de Uganda condena à morte somente homens persistentes no homossexualismo, homossexuais que estupram meninos e homossexuais portadores do HIV que infectam outras pessoas.

Warren explicou sua motivação para interferir no caso de Uganda:

"Conhecemos a declaração de Edmund Burke de que 'Tudo o que é necessário para que o mal triunfe é os homens bons não fazerem nada'. É por isso que estou revelando o que está em meu coração hoje. Como pastor americano, não é meu papel interferir nas políticas de outras nações, mas é meu papel falar explicitamente sobre questões morais".

Contudo, Warren, cuja experiência inclui reuniões com líderes religiosos islâmicos, não usa seu papel para falar explicitamente aos islâmicos que eles precisam parar de perseguir os cristãos. Ele também não usa seu papel para falar explicitamente das leis islâmicas que condenam à morte homossexuais.

Em seu próprio país, os Estados Unidos, Warren tem evitado usar seu papel para falar explicitamente contra os agressivos projetos de lei homossexual. Ele tem também evitado incomodar Obama e seu governo, que são explicitamente pró-aborto e pró-homossexualismo. Diante de sua majestade obâmica, em vez de usar seu papel para falar explicitamente sobre aborto e homossexualismo, Warren limita-se a melosidades.

Provavelmente, o projeto de lei de Uganda não será aprovado, pois a oposição internacional - vinda de grupos homossexuais, ONU e União Européia - é enorme.

Na minha opinião, a parte mais problemática desse projeto é a imposição de que os cidadãos de Uganda são obrigados a notificar a polícia sobre comportamentos homossexuais. Essa imposição prejudicaria ministérios cristãos que ajudam homossexuais.

Mas a opinião de Warren é que o duro projeto de lei de Uganda não espelha o Evangelho.

Entretanto, vamos falar francamente. Qual é a lei que espelha o Evangelho?

Uma lei que condena, multa, prende ou executa assassinos espelha o Evangelho?

Uma lei que condena, multa, prende ou executa pedófilos espelha o Evangelho?

Uma lei que condena, multa, prende ou executa estupradores espelha o Evangelho?

Sejamos realistas: o Evangelho não condena ninguém nem a multas, nem a prisões, nem à morte. O Evangelho não veio para condenar, multar, prender ou executar nenhum criminoso, por pior que seja. O único tipo de condenação que o Evangelho menciona é a condenação eterna, deixando claro que os homens que escolhem viver no pecado serão condenados à morte eterna, sendo destinados ao sofrimento do inferno, eternamente separados de Deus.

O Evangelho veio para salvar os pecadores. Essa é sua ocupação exclusiva. Portanto, se por causa do Evangelho a lei humana não pode condenar o homossexualismo, então por causa do mesmo Evangelho ela também não pode condenar os assassinatos, estupros e pedofilia.

No que se refere ao Evangelho, amamos os homossexuais, pedófilos, assassinos, estupradores, etc. Nós os amamos porque Jesus os ama e quer salvá-los. Isso, porém, não significa que devamos ser contra as leis que condenam a homossexualidade, pedofilia, assassinatos, estupros, etc.

Vinte anos atrás, a Anistia Internacional entrou em contato comigo pedindo meu apoio contra a lei de pena de morte no Texas, porque na década de 1980 eu fazia parte de uma equipe que ministrava, por correspondência, a presos do corredor da morte no Texas. Minha missão era ministrar a presos de fala hispânica. Todos eles haviam cometido assassinatos terríveis.

O Evangelho pode salvar tais criminosos? Claro que sim! Eu fazia o acompanhamento dos presos, falando do amor de Jesus, enviando literatura em espanhol, etc. Mas, quer eles se abrissem para Jesus ou não, minha opinião é que eles deveriam pagar sua dívida social.

A lei humana estava fazendo sua parte justa, condenando um assassino com a pena máxima. Minha parte era apenas levar o assassino a conhecer o amor de Jesus Cristo.

Existe uma separação entre lei e Evangelho. O Estado deve cumprir seu papel de castigar os que violam as leis justas. O papel do Evangelho não é destruir as leis justas, mas apenas cumprir outro tipo de papel: alcançar todos os pecadores com a mensagem de salvação.

O mais triste de tudo é que em seu próprio país, Warren tem recuado e não está usando seu papel para falar explicitamente em favor de iniciativas cristãs para defender o casamento natural contra os ataques sistemáticos do movimento homossexual. Sem dúvida, Warren não quer ofender nem enfurecer os grupos homossexuais nem a mídia esquerdista, que não aplaude esse tipo de defesa.

Evidentemente, essa mesma mídia, que jamais condena a lei islâmica contra o homossexualismo, está condenando a lei anti-homossexualismo da Uganda cristã. E, com todos esses holofotes, Warren entra no palco.

Obama defende abertamente o assassinato de inocentes bebês em gestação. Se Warren, que em suas oportunidades públicas com Obama, nunca usou seu papel para falar explicitamente contra tais inclinações assassinas, por que agora ele interfere em Uganda? Onde está sua coerência?

É certo Warren lembrar-se de seu "papel de falar explicitamente sobre questões morais" apenas para Uganda, e não para Obama e seu governo? É certo Warren ser rigoroso e veemente apenas com Uganda, e não com Obama e seu governo?

Gosto de Warren quando ele diz o que é certo. Mas é difícil apreciar quando ele e outros, em nome de um amor cristão meloso, parecem demonstrar mais interesse em ganhar a simpatia da mídia do que desafiar os padrões injustos impostos por tendências esquerdistas.

Conforme o Apóstolo Paulo ensina em Romanos, temos de nos transformar pela renovação da nossa maneira de pensar. Sem essa transformação periódica, somos inevitavelmente arrastados pelos redemoinhos, modismos e armadilhas deste mundo. Sem essa transformação periódica, ficamos presos à maneira de pensar do mundo. Sem essa transformação periódica, o Evangelho deixa de ser a mensagem de salvação e libertação do pecado, para se tornar uma criatura feita conforme a semelhança de idéias e desejos humanos.

Nas mãos dos ativistas gays e de cristãos liberais e esquerdistas, o Evangelho é um instrumento para promover a aceitação do pecador junto com o pecado. Eles usam o Evangelho para pregar insistentemente que o único modo de os cristãos provarem que são tão compassivos quanto seu Deus é apoiando os projetos de lei vindo das entranhas do movimento gay.

Nas mãos de cristãos que querem agradar os dois lados, o Evangelho se torna uma ferramenta de conveniências políticas, sociais e religiosas.

Nas mãos do Espírito Santo, o Evangelho é uma ferramenta distinta, mas não oposta, das leis que condenam o pecado. A lei justa lida com o delito castigando o infrator. O Evangelho lida com o pecador para salvá-lo da condenação eterna, sem isentá-lo de pagar suas dívidas sociais e criminais aqui mesmo na terra.

Sem esse entendimento da separação entre lei e Evangelho, podemos facilmente cair nos erros da Aliança Evangélica da Irlanda.

Que esses exemplos nos ajudem a sermos equilibrados, imparciais e justos na lei e no Evangelho.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O debate do clima não merece editoriais apocalípticos

Mídia Sem Máscara

Eugênio Hackbart | 15 Dezembro 2009

É uma falácia que os últimos 11 anos foram os 14 mais quentes já registrados. Trata-se de um absurdo científico, considerando que o planeta já experimentou no passado fases de temperatura incrivelmente mais elevadas.

Mais de 50 jornais de 44 países, inclusive do Brasil, publicam hoje (7) um editorial conjunto acerca da Conferência das Partes do Clima (COP15) em Copenhague. O editorial, proposto pelo jornal inglês The Guardian, curiosamente consta apenas do Miami Herald e sua versão em espanhol nos Estados Unidos, não aparecendo nas páginas de OP-ED (opinião) de nenhum dos principais diários do país como New York Times, Washington Post ou USA Today. No Reino Unido, tão-somente o Irish Times reproduz o editorial do Guardian. Igualmente os principais jornais de Rio e São Paulo, no Brasil, não se juntaram ao protesto coordenado. O manifesto, em alguns momentos apocalíptico, em outros panfletário, ignora fatos, sonega outros e distorce importantes pontos do debate do clima. Vários pontos merecem comentários:

"Agora, os fatos começaram a falar por si: 11 dos últimos 14 anos foram os mais quentes já registrados, o gelo do Ártico está derretendo e a alta nos preços do petróleo e dos alimentos no ano passado é um exemplo do caos que pode estar por vir".

É uma falácia que os últimos 11 anos foram os 14 mais quentes já registrados. Trata-se de um absurdo científico, considerando que o planeta já experimentou no passado fases de temperatura incrivelmente mais elevadas. Os níveis de CO2 nos últimos 50 anos aumentaram 50 ppm (partes por milhão) na última metade de século, alcançando hoje ao redor de 388 ppm, mas o planeta já passou por épocas em que os níveis de CO2 chegaram a 5 mil ppm. Nos Estados Unidos, que possuem uma base de dados mais completa e atualizada que a brasileira, os anos mais quentes do último século ocorreram na década de 30. Os recordes de calor do Rio Grande do Sul de 1917 e 1943 seguem até hoje intocados.

O Ártico, realmente, perdeu massa de gelo nos últimos anos, apesar do degelo em 2009 e 2008 ter sido menor do que em 2007. Da mesma forma que o Ártico, também entre as décadas de 20 e 30, experimentou um período de perda de massa de gelo. Recentemente, o Met Office, serviço meteorológico da Grã-Bretanha, ferrenho defensor da influência humana no clima, atestou em comunidade que "a alta variabilidade (da cobertura de gelo no Ártico) torna muito difícil de atribuir a redução na cobertura de gelo às emissões de gases do efeito estufa pelo homem. O editorial sonega do público que a Antártida teve em 2007 um recorde na sua cobertura de gelo desde que iniciadas as medições por satélite em 1979. Há poucos dias, na Folha de São Paulo, o enviado especial à base brasileira Comandante Ferraz na Antártida noticiava o espanto dos cientistas do Brasil na região com o que vem ocorrendo. Segundo eles, os invernos rigorosos ocorriam em média a cada quatro anos e agora 2007 e 2009 tiveram invernos muito mais frios que a média na região. A base segue coberta de neve no mês de dezembro, quando não deveria haver mais, o que levou o correspondente da Folha a afirmar que "ao menos nesta parte da Antártida a melhor expressão é resfriamento global".

Atribuir à alta do preço do petróleo às mudanças no clima é uma ignorância econômica primária. Demanda, especulação financeira e depreciação do dólar foram os fatores que levaram à alta do petróleo nos últimos anos. O mesmo em relação a outras commodities como os produtos agrícolas que viram seus preços ir às alturas com a queda do dólar no mercado internacional e a maior demanda de países em desenvolvimento. No caso dos alimentos, há outro agravante que está sim relacionado ao aquecimento global, mas pela via transversa. A fim de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, grãos passaram a ser usados na produção de biocombustíveis, o que é apontado por especialistas como uma das razões para o aumento nos preços em todo o mundo. Esses mesmos analistas alertaram que o uso de grãos (soja, milho, etc) na produção de biocombustíveis estava fazendo com que áreas de florestas em regiões tropicais, da Malásia ao Brasil, estivessem sendo desmatadas para abrir espaço para plantações. Ou seja, o remédio se transformou na doença. Curiosamente, os mesmos jornais que hoje no Brasil publicam esta editorial comemoraram no passado também em editoriais os biocombustíveis devido aos benefícios econômicos para a agricultura local.

Diz também o editorial:

"Nas publicações científicas, a questão não é mais se os seres humanos devem levar a culpa pelo que está acontecendo, mas quão curto é o tempo que temos para reduzir os danos".

Trata-se de outra falácia. O alegado consenso sobre a responsabilidade humana nas mudanças climáticas é um engodo que se repete ad nauseam. No ano passado, um estudo (Brown, F., J. Annan, and R.A. Pielke Sr., 2008: Is there agreement amongst climate scientists on the IPCC AR4 WG1?) revelou que "a afirmação de que o homem não tem um papel importante na forçante climática é falsa, entretanto ainda existe uma controvérsia muito significativa quanto à magnitude dos seus impactos". Logo, não é possível sustentar em editorial que "nas publicações científicas a questão não é mais se os seres humanos devem levar a culpa pelo que está acontecendo". A Sociedade de Meteorologia dos Estados Uunidos (AMS) acaba de publicar uma pesquisa feito junto aos prognosticadores do tempo na televisão norte-americana associados à entidade que diariamente levam a previsão para milhões de pessoas. Apenas 35% concordam com a afirmação do IPCC de que "o aquecimento do sistema climático é inequívoco". Metade discordou que "a maior parte do aquecimento ocorrido desde 1950 é causado pelo homem". Exíguos 3% concordaram que "os modelos climáticos globais são confiáveis em suas previsões de aquecimento do planeta".

Também no editorial:

"As mudanças climáticas foram causadas ao longo de séculos e têm consequências que durarão para sempre. As nossas chances de frear o problema serão determinadas nos próximos 14 dias".

Atestar que mudanças climáticas são irreversíveis denota outra ignorância científica. O planeta sempre alternou períodos quentes e frios que não duraram para sempre. Ao denominado Período de Aquecimento Medieval (MWP) seguiu-se a Pequena Era do Gelo (LIA) entre os anos 1500 e 1900 dC. O aquecimento medieval, contudo, não consta do chamado gráfico Hockey Stick de Michael Mann, citado no escândalo Climategate, apesar de estar presente na maioria dos trabalhos sérios de reconstrução climática na paleoclimatologia. A única constante na Natureza é a mudança e em determinado momento do futuro a Terra voltará a sofrer com glaciação.

No editorial:

"A ciência envolvida é complexa, mas os fatos são claros. O mundo precisa agir para limitar a 2ºC o aumento da temperatura global, um objetivo que exigirá que as emissões mundiais de gases-estufa alcancem um teto e comecem a cair nos próximos cinco a 10 anos. Um aquecimento maior, de 3ºC a 4ºC - o menor aumento que podemos esperar se continuarmos sem fazer nada -, poderá levar seca aos continentes, transformando áreas agrícolas em desertos".

O editorial afirma que o menor aumento que pode ser esperado (3ºC a 4ºC) não tem sustentação científica. O relatório do IPCC de 2007 diz que no melhor cenário (B1) o aquecimento seria de 1,8ºC (variação entre 1,1ºC e 2,9ºC). Logo, o mínimo sustentado pelos cientistas da ONU não é 3ºC, mas 1,1ºC.

Mais:

"Mesmo agora, o mundo se encontra dependente da política interna americana, pois o presidente não pode se comprometer completamente com as ações até que o Congresso americano o faça".

Obama não pode se comprometer completamente porque governa um país democrático, não uma ditadura, em que as decisões nacionais passam pelo Legislativo. O Congresso, muitas vezes reflete a opinião pública, e no caso dos Estados Unidos, não há consenso entre a população de que o aquecimento global seja um caso urgente. A última pesquisa do Pew Research Center mostrou que despencou a crença no público americano nas teses das mudanças climáticas. Apenas 35% dizem que as mudanças climáticas constituem um problema sério contra 44% em 2008. Entre os ouvidos, 57% acreditam que o planeta aqueceu nas últimas décadas contra 71% dos ouvidos em 2008. Apenas 36% dizem que a influência na temperatura é humana, muito abaixo dos 47% da pesquisa do ano anterior. Nos Estados Unidos, diferentemente do Brasil, a grande imprensa ouve todos os lados envolvidos no debate climático, entre eles os céticos, o que permite à população formar opinião a partir de vários pontos de vista. No Brasil, a cobertura do escândalo Climategate, por exemplo, foi pífia.

Ainda no editorial:

"Muitos de nós, particularmente no mundo desenvolvido, terão de mudar seus estilos de vida. A era de voos que custam menos do que a corrida de táxi até o aeroporto está chegando ao fim. Teremos que comprar, comer e viajar de forma mais inteligente. Teremos de pagar mais pela nossa energia e usá-la menos".

Perguntas: Como os repórteres dos jornais que foram a Copenhague viajaram? Não foram de avião? Seus patrões não buscaram as passagens mais baratas? Quantos dos donos destes jornais deixaram de andar de carro ou mudaram seus estilos de vida até hoje? Se o custo da luz for aumentado para combater o aquecimento global, muitos destes jornais que publicaram o editorial serão os primeiros a protestar contra a energia mais cara para a população. A propósito, a imprensa dá conta que em Copenhague é tão grande a demanda por limusines entre os presentes na conferência que houve a necessidade de buscar duas centenas destes veículos em outros países da Europa.

*

Nascido em Morro Redondo, Eugenio Hackbart se transformou em referência e sinônimo de credibilidade na Meteorologia do Rio Grande do Sul. O Professor Eugenio, como é conhecido, é o idealizador, fundador e atual Diretor-Geral da MetSul Meteorologia. No serviço da previsão do tempo, diariamente integra a programação de dezenas de emissoras de rádio e participa ativamente da elaboração dos boletins de tempo e clima da MetSul Meteorologia. Eugenio Hackbart alimenta desde a infância um encantamento pela natureza e as ciências naturais, tendo participado de diversos projetos de educação e preservação ambiental no Vale dos Sinos. Uma de suas maiores alegrias é receber grupos de crianças que periodicamente visitam a estação meteorológica de São Leopoldo, onde explica o funcionamento dos equipamentos e como é feita a previsão. Hackbart reside em São Leopoldo, é casado com Anelori Hackbart, tem três filhos (Ricardo, Fernando e Mônica), torce pelo Grêmio e tem como grande paixão pessoal o convívio com a família e viajar ao lado da esposa e os filhos.


Publicado anteriormente no blog da Metsul Meteorologia: http://www.metsul.com/blog/

A abertura de Confecom

Mídia Sem Máscara

Nivaldo Cordeiro | 15 Dezembro 2009
Cobertura - Confecom

Querem destruir a empresa privada que prevalece na produção de notícias e também na infra-estrutura de comunicações. Querem pulverizar e controlar a geração de conteúdo. Não escondem suas más intenções.

A abertura da 1ª Confecom agora à noite foi além das minhas piores expectativas. A platéia, basicamente tomada por militantes esquerdistas, é a própria materialização do homem-massa no poder. O clima era de festa, lembrava um show de auditório. Por várias vezes soaram aplausos como se fosse um show de artista popular, tentando apressar o início dos trabalhos. O popstar naturalmente é Lula. Com atraso de quase uma hora finalmente o artista apareceu, seguido pelo séquito. A platéia, à vista do líder, delirou. Na mesma proporção apupou o ministro Hélio Costa. O coro "Fora Rede Globo, o povo não é bobo" foi várias vezes executado por vasta parte da platéia.

O clima, o tom dos discursos e mesmo a fala do Lula me levaram a acreditar que não haverá como enfrentar a maré vermelha sem que se faça esforço equivalente no campo democrático em sentido contrário. A tática das empresas de comunicação de ignorar a Confecom foi um grande erro de cálculo. Ao ouvir os discursos ficou muito claro para mim que essas empresas precisam mobilizar a opinião pública a favor da economia de mercado e da sociedade aberta. Não adianta esperar e pagar para ver a conspiração da malta esquerdista. Ouvir os discursos e os rosnados da platéia contra o mercado levou-me a concluir mais ainda pela urgência de mobilização de massa em defesa da civilização. Talvez já não haja mais tempo para resultados práticos, mas a alternativa é a passividade que abandona o espaço público para o monopólio do proselitismo esquerdista.

Não custa lembrar aqui que o Hino Nacional não foi executado, mesmo estando presente o presidente da República, em um prédio público abrindo um evento oficial público. O discurso inaugural foi feito pelo Celso Schröder, secretário geral da FNDC - Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações. Um discurso carbonário, que se iniciou com a homenagem a Daniel Herz, cujos filhos receberam de suas mãos uma placa comemorativa. Quem foi Daniel Herz? Foi o fundador do FNDC e primo de Tarso Herz Genro, o ministro da Justiça. Esses sujeitos queriam uma Confecom à época da Constituinte, intento finalmente realizado agora. Foi exibido um vídeo com as imagens de Daniel Hertz em momentos carbonários. Como se vê, a Confecom é resultado desse esforço de décadas liderado pela república petista de Santa Maria.

O que eles querem? Querem destruir a empresa privada que prevalece na produção de notícias e também na infra-estrutura de comunicações. Querem pulverizar e controlar a geração de conteúdo. Não escondem suas más intenções. Na verdade, o raciocínio aplicado é sempre o da luta de classes e os empresários são tidos como inimigos a ser destruídos. Por isso os empresários são sempre apresentados como "conservadores", em oposição a eles, que se têm por "progressistas". Foi lembrado em outro discurso que essa é a primeira Confecom e que uma das suas tarefas é marcar já a próxima, para manter o clima de mobilização. Saí com a sensação de que isso será feito.

Até aqui o esperado. A maior surpresa foi ver o João Jorge Saad estar na mesa e fazer uso da palavra, não apenas apoiando o evento, mas fazendo referência elíptica ao concorrente Rede Globo (que adotou a técnica do silêncio e da omissão), fato que arrancou da platéia fortes aplausos. Sentou-se ao lado do ministro da Propaganda Franklin Martins, seu antigo auxiliar na Rede Bandeirantes. Achei aquilo surpreendente, sinalizando para uma situação de adesão ao petismo que só enfraquece o já combalido setor empresarial.

O ministro Hélio Costa quase não concluiu sua fala, dado o nível dos apupos continuados e implacáveis de que foi objeto. Vê-se que não adianta jogar com as cartas dos inimigos, pois eles não querem que Helio Costa seja o ministro. Fiquei com a impressão de que o Plano Nacional de Banda Larga a ser aprovado será muito diferente daquele apresentado pelo ministro. De novo fica claro que a adesão pode ser inócua do ponto de vista dos interesses estratégicos da classe empresarial.

Lula estava muito descontraído e o achei mais magro. Falante, prolongou o discurso e ao final foi ovacionado. Tem a liderança total sobre os militantes. É seu ídolo, o homem-massa no poder. Insistiu que cabe à Confecom fornecer as "propostas" para atualizar os marcos legais do setor de comunicações. Implícito que o papel legislativo do Congresso Nacional ficaria usurpado pela Conferência, não lhe restando alternativa que não aprovar as "propostas". Na mesa estava Michel Temer e a significativa ausência do representante do Senado.

Meu caro leitor, saí do centro de convenções apreensivo. As esquerdas estão com muita disposição para transformar o setor de comunicações. E estão cônscias de seu poder. Aqui será o setor que por primeiro terá que se indispor com o poder petista. A recusa das empresas de conteúdo de participarem do evento é um sinal forte de que o instinto de sobrevivência pode ter falado. O passo decisivo será fazer resistência ativa, que tarda. O poder de Estado poderá desabar sobre as empresas do setor. É o Estado o maior anunciante, o maior financiador e o que controla as polícias e os órgãos reguladores. O confronto já diz quem será o vencedor, pelo menos dos primeiros movimentos. Quem sabe desse confronto possa se organizar finalmente uma força capaz de fazer frente aos bolcheviques.

Da ilegitimidade das revoluções "populares"

Mídia Sem Máscara

Marcus Boeira | 15 Dezembro 2009
Artigos - Direito

A democracia, para os líderes em questão, consiste em aceitar. Não espontaneamente, mas por imposição. E o que é pior: por imposição cultural, de modo que discordar deles é estar "de fora" do povo.

A insuficiência do vocábulo "povo" para definir a legitimidade de sistemas políticos tem vindo à tona cada vez mais nos últimos anos, em particular nas Américas do Sul e central. Costuma-se chamar "democracia" o sistema político cuja legitimidade está na "vontade do povo". Não obstante, sabemos que nenhum sistema de poder pode encontrar na "vontade" o eixo sobre o qual repousa sua legitimação. Nenhuma organização de poder pode ter na "vontade" o centro avaliador de sua aceitação.

A estabilidade dos sistemas políticos livres sempre consistiu na adequação de suas instituições políticas ao contexto cultural e social presente. Eis aí seu caráter de durabilidade e permanência. No entanto, a palavra "povo" denota uma imprecisão terminológica fortíssima. Assim, povo pode ser todo mundo, pode ser um grupo, pode ser a massa, pode ser uma classe econômica, enfim, pode designar diversas significações possíveis.

Na América Latina, a mídia vendida e escrava do Foro de São Paulo costuma dizer que nesse imenso território, marcado pelo que eles costumam chamar de "diversidade cultural" vigoram autênticas democracias, democracias essas que nos últimos anos tem sido cada vez mais "populares". Vamos aos fatos.

Na Venezuela, um presidente que muda a Constituição, se eterniza no poder, persegue os inimigos e acaba com o respeito à "diversidade", mas mesmo assim recebe financiamento e apoio da Fundação Carter, que atesta o "ambiente democrático" no país. Em Honduras, um incidente que depõe um golpista que recebe apoio dos discípulos de Fidel Castro. Na Bolívia, o "povo" elege um sujeito que estatiza empresas e promove uma revolução política com o nome de "indígena", em um verdadeiro desprezo à tão bela cultura dos índios en nuestra América.

Que tipo de democracia é essa que estão anunciando com tanta veemência? Será que a "vontade popular" é, de fato, formada no "povo"? E, mesmo que o seja, seria a "vontade" desse ser ambíguo chamado "povo" o critério universal de definição da legitimidade de um governante? Ou ainda, de um regime político? Se a mera vontade for esse critério, nossas liberdades públicas estarão com os dias contados.

Por essa razão, os tratadistas franceses de Ciência Política - como Burdeau, Hauriou, Duverger, Carré de Malberg, dentre outros- nos ensinam que a definição da legitimidade de um governo ou mesmo de um sistema de poder demandam outras variáveis que não apenas a manifestação popular mediante eleições. Sim, pois se assim fosse, as maiorias poderiam tiranizar as minorias, que restariam à mercê da "vontade" de seus opositores.

Os clássicos identificavam a "legitimidade" com a ordem na cidade política, ordem essa constituída à imagem e semelhança da ordem da alma, ou melhor, da pólis ideal. Modernamente, a ciência política tem levantado diversos critérios de definição da legitimidade dos governos em sistemas políticos. Assim, por exemplo, respeito à tradição, à estabilidade das instituições, à permanência das mesmas, aos valores, às regras do jogo eleitoral e partidário, à opinião pública conectada aos valores da ordem e da justiça, enfim, inúmeros fatores definidores dos padrões morais e das categorias políticas têm aparecido na compreensão sobre o poder dentre autores atuais.

Para a maior parte desses doutrinadores, legitimidade significa aceitação, consentimento. Mas, parece muito óbvio que a mera aceitação passiva das massas urbanas não serve de parâmetro para a legitimidade de um regime, nem mesmo por eleições periódicas. Por isso, a legitimidade requer não apenas o "voto", a expressão da "vontade popular", se é que o termo "vontade" é indicador do que "realmente acontece", senão também o respeito aos critérios definidos acima. É dizer: para ter legitimidade, um governo precisa respeitar à permanência das instituições, sem alterá-las ao seu bel prazer. A mera possibilidade de que um governante possa usar das instituições para implementar seus desígnios ideológicos e partidários já demonstra a fragilidade e a incapacidade de determinado sistema para assegurar o respeito e a promoção das liberdades civis e políticas. Em poucas palavras, exige-se alteridade para o governante e permanência das instituições!

Permanência é tudo o que não está acontecendo na América Latina. O que estamos assistindo é a derrubada de ordens constitucionais supostamente permanentes para a progressiva institucionalização de governos revolucionários, geralmente anunciadores de paraísos democráticos socialistas aplicados por seus líderes messiânicos. Essa "promessa da política" já fora anunciada no século passado, e foi isso o que justamente levou o século XX a ser conhecido como o tempo da barbárie!

Esses governos revolucionários apresentam-se inicialmente como "provisórios (Chávez e Morales) para depois irem, no andar da carruagem, solidificando-se no poder, usando as instituições que antes eram permanentes para concretizarem seus atos bizarros de inversão da ordem constitucional vigente. E o que é mais absurdo: modificam a Constituição e dizem que tais atos são "constitucionais". No século passado, os totalitarismos usaram da lei positiva para concretizarem suas pretensões utópicas. Hoje, só mudou a fonte do direito: os mesmos promotores desses "apocalipses políticos" não usam só a lei, como também a Lei maior- a Constituição. Desprezam os capítulos da mesma que tratam das liberdades públicas e alteram os títulos relativos à separação de poderes, justamente para facilitar a tomada do poder. Fazem isso para transformarem o que era provisório - governo revolucionário- em algo permanente, não com a permanência da boa política, isto é, de um Estado em que as liberdades são asseguradas, mas para estabelecer uma "permanência ilegítima", centrada em uma nova ordem constitucional montada para sustentar ideologias baratas e mascaradas com o nome de "democráticas". Agem em nome de um "povo" sem definirem o conteúdo da palavra. Não dizem a que "povo' servem, embora saibamos que esse "povo" é apenas uma imaginação de suas utopias hipócritas e assassinas. Aproveitam-se da imprecisão léxica da palavra, para mentirem que são democracias populares.

O que estão produzindo é a instauração de um regime autocrático revolucionário, que anuncia um paraíso político, que se auto-intitula legítimo através de uma permanência forçada, que pratica a iniqüidade velada, perseguições silenciosas chanceladas por meios de comunicação de massas esquerdistas, comprometidos com essa revolução lenta, gradual e pacífica em andamento. O que o professor Olavo de Carvalho e os escritores desse jornal eletrônico estão falando há tanto tempo está se concretizando e nossa geração, infelizmente, assistirá a tudo isso. Por quê? Porque lamentavelmente, aqueles que poderiam conter as pretensões revolucionárias ainda continuam acreditando que isso não passa de "conspiração". Essa atitude politicamente correta, além de mostrar uma ignorância terrível quanto a história, demonstra também a cegueira a que estão submetidos nossos homens públicos e formadores de opinião de um modo geral.

Os financiamentos e as concessões por parte do Estado para produção de comunicação trazem o efeito perverso de que não temos uma mídia realmente independente, "sem máscara", mas grupos subservientes aos partidos do governo, em particular desses partidos-situação na América latina.

Embora digam-se "legítimos", tais governos só encontram real aceitação de seus partidários, da mídia servil e das massas desinformadas. Assim, esses novos governantes latino-americanos trazem a falsa promessa de uma ordem democrática, utilizando-se dessa nomenclatura para produzir proto-autocracias populistas.

A democracia, para os líderes em questão, consiste em aceitar. Não espontaneamente, mas por imposição. E o que é pior: por imposição cultural, de modo que discordar deles é estar "de fora" do povo.

No caso da Venezuela, a situação é gravíssima: instituições internacionais esquerdistas, como a já falada Fundação Carter, asseguram o caráter democrático das eleições na Venezuela, relatando o quão constitucionalmente legítima é a situação no país. Não obstante, esquecem-se de dizer que o próprio Hugo Chávez mudou a Constituição para se eternizar no poder. Ou seja, quando é conveniente anunciar "democracia", o fazem. Mas, para a crítica, silenciam, em uma passividade mórbida e cruel.

Os dados colhidos por órgãos internacionais (leiam-se agentes socialistas ou pesquisadores comprometidos ideologicamente com Fundações aliadas do Foro de São Paulo) são anunciados pela mídia esquerdista de forma absolutamente pacífica, sem nenhum juízo crítico, nem sequer para verificar a veracidade das informações. O mais patético disso tudo é que se está fazendo a política de dois pesos e duas medidas: para analisar, por exemplo, o autoritarismo militar no Brasil, exacerbam em críticas, até de modo exagerado muitas vezes; para analisar os atuais governos revolucionários em andamento não fazem nenhum juízo crítico, apenas dizem que a ONU e a OEA atestam a "legitimidade' desses regimes. É uma ciranda vermelha, cujo arquiteto é satanás!

Estamos caminhando para a barbárie. A sutileza satânica e cruel das instituições internacionais (como as fundações Carter, Ford, Rockfeller, etc), da mídia esquerdista, do Foro de São Paulo e demais servos de toda essa situação levará a um tipo de democracia desconhecido até hoje: o "povo" são eles, e nós, as feras!

O que fazer com o MCB?

Mídia Sem Máscara

Eduardo Mackenzie | 15 Dezembro 2009
Notícias Faltantes - Foro de São Paulo

Com o respaldo material da Venezuela e a orientação ideológica de Cuba, com os petrodólares venezuelanos e o tráfico de drogas das FARC, com agentes na Europa e talvez no Oriente Médio, o Movimento Continental Bolivariano estará em condições de abrir um novo período de graves desestabilizações no hemisfério.

A Procuradoria não pode se negar a abrir uma investigação sobre os membros colombianos e estrangeiros do Movimento Continental Bolivariano (MCB). A exortação do presidente da República Álvaro Uribe para que esse organismo ajuize esta gente deve ser atendida, e rapidamente, pois o assunto é de importância estratégica. Mal faria o Procurador encarregado, Guillermo Mendoza, ao buscar pretextos para aprazar ou arquivar essa investigação. Nomear uma comissão para ver "se há provas", quando estas já existem, não é um bom sintoma.

Os membros do MCB sabem em que estão metidos. O MCB não acolhe em suas fileiras as FARC, senão que tem esse movimento terrorista como núcleo central. Desde antes de sua fundação, quando o MCB se chamava "Coordenadora Continental Bolivariana" (CCB), as FARC já estavam lá orientando tudo. Quem esqueceu que um número de delegados da reunião da CCB em Quito entrou em contato pessoal com Raúl Reyes, número dois das FARC, em seu acampamento de Angostura, pouco antes do ataque no qual Reyes e outros perderam a vida?

Posteriormente, o comunista dominicano Narciso Isa Conde, cabeça visível do MCB, confirmou que as FARC fazem parte dessa organização e que os princípios destas, como a "combinação de todas as formas de luta", fazem parte do arsenal político-ideológico do MCB. Quer dizer, o MCB incluiu em sua presidência "coletiva" Alfonso Cano e, de maneira simbólica, para que não restem dúvidas, o defunto e tristemente célebre Tirofijo. Yul Jabour, do Partido Comunista Venezuelano, reiterou que o MCB não exclui nenhuma forma de luta e que em conseqüência acolhe "qualquer movimento insurgente, inclusive a guerrilha das FARC". O ELN colombiano também pediu para entrar. Por que Guillermo Mendoza faz como se não visse - nem entendesse - nada a respeito?

O MCB não é só uma "reativação" da frente internacional das FARC, dirigida agora por 'Iván Márquez', com escritório em Caracas, como acaba de confirmar o governo equatoriano, mas é um embrião de internacional terrorista como a que os bolcheviques construíram em 1919.

Como é óbvio, a senadora "liberal" Piedad Córdoba se pronunciou rapidamente contra a investigação pedida pelo presidente Uribe. Ela pretende passar ao Procurador Guillermo Mendoza, através da imprensa, uma contra-ordem no sentido de que derrube ou engane com mentiras esta iniciativa de alguma maneira. Já veremos o que Mendoza vai fazer.

Os colombianos devem saber bem o que é o MCB. Uma certa imprensa o está apresentando como um simpático movimento de esquerda. Como fez quando apareceu o M-19 em 1974. Sabemos bem em que terminou essa comédia. Na realidade, o MCB, organismo opaco e secreto, será dentro em pouco a organização internacional mais perigosa do continente. Seus chefes estão construindo nas barbas de todos os governos latino-americanos, sob a aparência de uma inofensiva e bem intencionada organização política que luta "pela paz", embora não ocultem que as FARC estão bem instaladas lá.

O MCB é um organismo de guerra. É a aventura mais ambiciosa desde o desmantelamento, em 1978, da Junta de Coordenação Revolucionária (JCR), de triste memória. Essa internacional terrorista de extrema esquerda roubou, seqüestrou e assassinou milhares de pessoas no continente e acumulou um tesouro de guerra com o qual financiou quase todos os movimentos armados do continente, que na época não eram poucos.

A JCR chegou a ter bases clandestinas em quatro países (Argentina, Chile, Uruguai e Bolívia), simpatizantes em outros dois (Colômbia e Paraguai) e discretos escritórios na França e Portugal. Um de seus agente lá era Carlos, o Chacal, hoje encarcerado na França.

Fundada em outubro de 1972 no Chile, por delegados de três movimentos terroristas (dois argentinos: o PRT/ERP, de Roberto Santucho e os Montoneros, de Mario Firmenich; e o MIR do chileno Miguel Enríquez), a JCR se propôs a realizar a "revolução continental". Depois somaram-se o ELN dos irmãos Peredo da Bolívia e os Tupamaros do Uruguai.

A JCR foi mais longe que as redes organizadas pelos cubanos. Esse projeto que implantava e treinava guerrilhas em vários países, porém no campo, será esmagado em todas as partes, salvo na Colômbia. A proposta da JCR era levar a luta armada às cidades e propiciar movimentos "de massas" urbanos para destruir as democracias. Durante oito anos causou desastres em vários países, porém finalmente foi brutalmente esmagada pelas ditaduras militares do Cone Sul. (Ver Les Annés Condor de John Dinges, La Découverte, Paris, 2004).

Após a derrubada da URSS, a ambição das FARC era ter de novo um aparato de coordenação continental que as respaldassem em nível logístico, político e militar, e que desenvolvesse - ao mesmo tempo - atividades ofensivas em outros países e não somente na Colômbia. Esse projeto não se concretizou durante anos, pois Cuba estava na ruína; porém agora, graças a Chávez, está tomando forma. Com o respaldo material da Venezuela e a orientação ideológica de Cuba, com os petrodólares venezuelanos e o tráfico de drogas das FARC, com agentes na Europa e talvez no Oriente Médio, o MCB estará em condições de abrir um novo período de graves desestabilizações no hemisfério. Os países que estão em sua mira não são só Colômbia, Peru, Panamá, México e Honduras. São todos os demais, inclusive Chile, Argentina e Brasil (onde haverá nos próximos meses mudanças de governos e não precisamente favoráveis à esquerda). Nem os Estados Unidos podem se considerar fora da lista. Chávez anunciou que quer derrubar o sistema político desta grande potência. O que Caracas procura é utilizar como alavanca de seus interesses as alas radicais do Partido Democrata e os grupos extra-parlamentares, para paralisar a ajuda de Washington às democracias atacadas.

O desafio que o MCB estabelece é, pois, enorme. Os países que estão na mira não têm alternativa diferente que a seguida pelos Estados Unidos e a União Européia em sua luta contra a Al-Qaeda: infiltração, vigilância eletrônica constante e desmantelamento antecipado dos núcleos combatentes. É nesse contexto que a Procuradoria colombiana e os organismos de segurança dos outros países latino-americanos devem ver o chamado do presidente Uribe sobre o MCB.

O MCB terá dois aparatos: um visível, com uma hierarquia mais ou menos identificável, e outro clandestino, com pessoal, equipamentos e logística ocultas. Porém, se o chavismo consegue vender a sigla MCB como um grupo "progressista" e de pessoas boas, organizado para fazer o bem em todas as partes, o aparato visível fará pressão na Colômbia para atrair o Partido Liberal e o Polo Democratico e conseguir um colapso eleitoral. É óbvio que Piedad Córdoba e sua claque mais o Polo Democratico colaborarão nessa empreitada, por nenhum deles ter diferenças de fundo com o MCB. Sua propaganda cuidará de que todo mundo esqueça que a nova internacional não escondeu jamais suas ambições nem seus métodos, os quais incluem a violência armada.

Na vida dos Estados estes podem escolher, em geral, duas vias para preservar seus interesses e sua segurança: mediante relações mais ou menos amistosas com os outros Estados e governos, ou mediante a manipulação de movimentos subversivos disseminados em todas as partes. Chávez escolheu a segunda via. Uma via fracassada. Com o MCB, Chávez completa sua panóplia de organismos de intervenção. Já tinha o Foro de São Paulo, a ALBA e a UNASUL, cada um com um papel diferente. Agora com o MCB, não lhe falta nenhuma alavanca. Chávez busca "bolivarianizar" a vida das nações do continente, como Stalin buscava "bolchevizar" o mundo inteiro. Como será a combinação disso tudo? Essa via, muito provavelmente, isolará a revolução bolivariana e a levará ao colapso, como ocorreu, com notável atraso, com o mundo soviético. Ter sido parte do campo vencedor na Segunda Guerra mundial atrasou 40 anos o afundamento da URSS. A diferença é que Chávez poderia não ter essa ajudinha da História.

Tradução: Graça Salgueiro

Confecom: o grito do silêncio

Mídia Sem Máscara

Nivaldo Cordeiro | 15 Dezembro 2009
Media Watch - Outros

A Confecom terá como subproduto direcionar o esforço do Estado para estatizar e expulsar as empresas privadas em toda a cadeia produtiva das comunicações, permitindo o controle total do acesso e do conteúdo pelos agentes políticos. Será um passo alargado no rumo do totalitarismo. A tática de silêncio dos grandes veículos é errada e suicida.

Meu caro leitor, a partir de hoje estarei em Brasília cobrindo os trabalhos da Confecom. Não sei o que me aguarda e espero dar o melhor de mim para trazer a você os fatos relevantes que acontecerem por lá. O Mídia Sem Máscara é o único espaço, livre dos controles dos bolcheviques, que tem procurado trazer a análise da Conferência, bem como seus impactos no plano político. Diariamente, até quinta feira, minhas notas farão o relato jornalístico desde o Centro de Convenções Ulisses Guimarães.

O que ensurdece todos os brasileiros é o silêncio da grande mídia sobre a Confecom. Tenho informações seguras de que as grandes empresas do setor decidiram não apenas ficar de fora da Conferência, como também ignorá-la como matéria jornalística. Mesmo o UOL tendo passado o sábado último com um enorme banner pago anunciando o evento a Folha de S. Paulo o ignorou por completo, tanto no noticiário como no espaço opinativo. O Globo, da mesma forma. Para esses dois veículos, assim como para a revista Veja, o evento não existe.

O Estadão quebrou o silêncio nos editoriais por mim anteriormente comentados e ontem, domingo, trouxe uma matéria insossa informando sobre a Conferência. Antes assim, seus leitores pelo menos passaram a saber que um megaevento, que afetará a vida de toda gente, começa hoje. Na edição de hoje o Estadão reprisa a matéria de forma sintética. Qual o seu enfoque? Falar das "propostas" que o repórter chamou de "polêmicas". Podemos ler no lead da matéria publicada ontem: "A 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que começa amanhã, em Brasília, vai juntar, numa mesma assembleia, propostas polêmicas - controle social sobre a mídia, recriação de estatais extintas há quase 20 anos, como a Embrafilme - e reivindicações puramente corporativistas, como a tentativa de recriar velhos cabides de emprego".

Ora, se a reportagem mostra algum alento por quebrar o silêncio e por trazer à luz essas idéias ridículas que conspiram contra a liberdade de imprensa, ela passa a falsa impressão que o evento é apenas isso e não uma tentativa do PT de estatizar e controlar toda a cadeia produtiva das comunicações, desde a infra-estrutura aos provedores de conteúdo. Podemos dizer, na plenitude do léxico, que se trata de uma revolução nas comunicações, que assim passarão a ser escravas da estratégia totalitária dos partidos de esquerda, liderados pelo PT.

A reportagem também ignora que a forma de feitio da Conferência é um arremedo de democracia direta basista, nos moldes bolcheviques, utilizando da mesma maneira como o PT pratica o que ele considera uma forma de democracia direta. É na verdade um democratismo inteiramente controlado pelas lideranças das principais facções partidárias, legitimando seu mando discricionário. Essa democracia basista tem por finalidade precisamente destruir a democracia representativa, visto que a Confecom foi chamada precisamente para retirar do Congresso Nacional as prerrogativas de formulação e discussão dos destinos nacionais no campo da comunicação, inclusive dos seus marcos regulatórios.

Ao ocultar o que realmente se passa o Estadão acaba por desinformar seus leitores, desarmando assim a prontidão daqueles que estão preocupados com a preservação da economia de mercado e da democracia representativa. O jornal paulista, mais uma vez, se torna companheiro de viagem dos revolucionários que agora mandam no Palácio do Planalto. Na edição de hoje (14), ao lado da nota sobre a Confecom, tem uma longa matéria sobre a EBC, a novíssima estatal criada pelo ministro da Propaganda, Franklin Martins, dando conta de que ela está elevando seu milionário orçamento para 2010, sem que seja feita qualquer elo entre o fato e a Conferência.

A Confecom terá como subproduto direcionar o esforço do Estado para estatizar e expulsar as empresas privadas em toda a cadeia produtiva das comunicações, permitindo o controle total do acesso e do conteúdo pelos agentes políticos. Será um passo alargado no rumo do totalitarismo. A tática de silêncio dos grandes veículos é errada e suicida. O retardamento da reação poderá ser tarde e ineficaz. Ela deveria ter sido iniciada tão logo o decreto de chamamento da Confecom foi publicado, em abril último. Todos esses meses de silêncio serviram apenas para desarmar a opinião pública brasileira contra o assalto do totalitarismo bolchevique. Uma fez concluída a Confecom qualquer reação será tardia e extemporânea e - lamento dizer - inútil, impotente.

O caminho escolhido da acomodação feito pelos barões da mídia é suicida. Eles deveriam estar à frente da resistência contra os totalitários. Preferiram o estúpido grito do silêncio, a covarde omissão que poderá custar caro aos brasileiros.

Para entender a CONFECOM

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O império mundial da burla

Mídia Sem Máscara

Olavo de Carvalho | 14 Dezembro 2009
Artigos - Globalismo

Os envolvidos nessa fraude são os mesmos apóstolos do imposto global, assim como os meios usados para ludibriar o público são os mesmos em ambos os casos: a propaganda maciça em escala mundial, travestida de "jornalismo", e a supressão sistemática dos fatos indesejáveis.

"Tutto è burla nel mondo"
(Falstaff, na ópera de Verdi)

Até umas décadas atrás, o jornalismo refletia a convivência, ora pacífica, ora conflitiva, das três forças que determinavam a sua orientação: o orgulho profissional dos jornalistas, que concorriam entre si na tarefa de informar mais e melhor; os objetivos econômicos dos empresários de mídia; e os diferentes interesses políticos que, através desses dois grupos, disputavam a hegemonia sobre as redações. A variedade das combinações possíveis, num ambiente de concorrência capitalista e liberdade democrática (mesmo em situações políticas não totalmente democráticas), demarcava os perfis dos diferentes órgãos de mídia, desde os grandes jornais e redes de TV até os tablóides de propaganda ideológica e os programas radiofônicos das mais modestas estações do interior.

Nos anos recentes, tudo mudou.

1) Por toda parte, a propriedade dos órgãos de mídia concentrou-se nas mãos de empresas multinacionais bilionárias, associadas ao projeto de governo mundial e dispostas a sofrer por ele até mesmo vultosos prejuízos financeiros, que por outro lado não as prejudicam de maneira alguma, de vez que são amplamente compensados por lucros obtidos em outros negócios. A tremenda queda de prestígio e a quase falência de jornais como o New York Times ou o Los Angeles Times não os induziu a mudar no mais mínimo que fosse as respectivas orientações políticas que puseram seus leitores em fuga: ao interesse financeiro imediato de uma empresa em particular sobrepõem-se os interesses estratégicos maiores dos grupos empresariais que a controlam de longe.

2) Desde que as maiores universidades, em quase todos os países do Ocidente, caíram sob o domínio de intelectuais ativistas imbuídos da mentalidade "pós-moderna" e "desconstrucionista", isso teve um efeito letal sobre a formação profissional dos jornalistas: a simples noção de objetividade jornalística não pode sobreviver num ambiente cultural onde a crença em verdades objetivas é tratada como um resíduo supersticioso de épocas bárbaras e um odioso instrumento de opressão capitalista. Se a obrigação dos intelectuais já não é mais buscar a verdade, mas apenas dar apoio a causas feministas, gayzistas, abortistas, globalistas e socialistas, mesmo aquele que não tenha grande entusiasmo pessoal por essas causas fica desprovido de um critério de veracidade pelo qual possa julgá-las, e acaba colaborando com elas, no mínimo, por omissão.

3) A convergência desses dois fatores gerou, como era de se esperar, a uniformização ideológica da mídia em escala mundial, transformando jornais, estações de rádio e redes de TV num maciço e coerente aparato de propaganda que cada vez menos admite divergências e cada vez mais se empenha em selecionar as notícias segundo sua conveniência política, desprezando cinicamente os critérios tradicionais de objetividade. O noticiário fraudulento, que num ambiente de concorrência capitalista normal acabava sempre sendo dissolvido pela variedade das abordagens jornalísticas mutuamente contraditórias, tornou-se a norma imperante, só contestada em publicações menores e em alguns sites de jornalismo eletrônico, facilmente neutralizados como "loucos", "teóricos da conspiração", "fofoqueiros da internet" etc.

Em resultado, os acontecimentos mais decisivos são freqüentemente mantidos fora do horizonte de visão do público, enquanto lendas, mentiras e imbecilidades úteis à causa comum do globalismo e da militância jornalística são alardeadas nos quatro quadrantes da Terra como verdades definitivas, sem que se ouça uma única voz de protesto contra a fraude geral. Trabalhando em uníssono com o show business, com as fundações culturais bilionárias e com os organismos administrativos internacionais, o jornalismo tornou-se pura propaganda, amparada num eficiente sistema de exclusão e boicote que só os mais valentes, cada vez mais raros, ousam enfrentar.

As grandes empresas jornalísticas já não têm nem mesmo a preocupação de camuflar a uniformidade mundial das campanhas que promovem: outro dia, 44 dos 56 maiores jornais do mundo publicaram o mesmo editorial, repetido em toda parte ipsis litteris, em favor da centralização do poder em escala mundial, para salvar o planeta de riscos aliás perfeitamente inexistentes.

Quase ao mesmo tempo, a Rede Globo, dominadora absoluta da audiência e portanto da formação da mentalidade pública neste país, exibiu novamente, como dado científico comprovado, o famoso gráfico de Al Gore, em que duas curvas, uma assinalando os aumentos das emissões de CO2, outra as elevações da temperatura terrestre, se superpõem harmoniosamente, "provando" a origem humana do aquecimento global.

Nos meios científicos, não há um só profissional idôneo que engula essa fraude grotesca. Todo mundo sabe que as curvas são similares, sim, mas que as elevações de temperatura antecedem e não sucedem o aumento das emissões de CO2 , isto é, que Al Gore inverteu propositadamente causa e efeito para fomentar a campanha do imposto mundial.

Já o escândalo do "Climagate", em que prestigiosos cientistas foram surpreendidos tramando falsificação de dados, vem sendo abafado por todos os meios possíveis: se você depender do New York Times ou da CNN para informar-se a respeito, não ficará jamais sabendo de nada, ou pelo menos terá a impressão de que a vigarice de alguns pesquisadores isolados não afeta em nada a confiabilidade das teses dominantes quanto ao aquecimento global. Impressão falsa. Philip Jones, Keith Briffa e Michael Mann, os pesquisadores de East Anglia pegos de calças na mão, são os principais autores dos dois relatórios da ONU que servem de base à campanha do imposto global, isto é, da extorsão global de três bilhões de dólares para salvar o mundo de uma ameaça forjada (v. http://www.telegraph.co.uk/comment/columnists/christopherbooker/6738111/Climategate-reveals-the-most-influential-tree-in-the-world.html).

Do mesmo modo, os órgãos da "grande mídia" não publicam uma só linha quanto aos processos que a jornalista austríaca Jane Burgermeister está movendo contra a Organização Mundial da Saúde, o governo Obama e algumas poderosas indústrias farmacêuticas. As vacinas contra gripe suína, já obrigatórias em alguns Estados americanos, e que a presidência Obama pretende impor a todo o país, estão contaminadas com o vírus da gripe aviária, muito mais perigosa: é o que afirma Burgermeister, sustentando suas palavras com ações que não são de ordem a tornar a sua existência nem um pouco mais confortável (v. www.theflucase.com). Para impor a obrigatoriedade da vacinação, o governo americano e a OMS promoveram uma campanha alarmista, com forte apoio de jornais, TVs, universidades, instituições científicas e artistas de Hollywood, exagerando brutalmente os riscos da gripe suína. Agora, que as vacinas estão matando muito mais gente do que a própria gripe, a mídia e as autoridades se calam ominosamente, mostrando que não estão interessadas na saúde do público mas em proteger os autores de uma fraude genocida. E notem: os envolvidos nessa fraude são os mesmos apóstolos do imposto global, assim como os meios usados para ludibriar o público são os mesmos em ambos os casos: a propaganda maciça em escala mundial, travestida de "jornalismo", e a supressão sistemática dos fatos indesejáveis.

Cada vez mais, entramos num novo mundo onde não se poderá confiar em nenhuma instituição, em nenhuma autoridade, em nenhum prestígio, e onde cada um terá de buscar a verdade por seus próprios meios, se os tiver. Como a maioria não os tem, será cada vez mais difícil encontrar alguma diferença entre esse novo mundo e o império global da burla anunciado pelos profetas e pelo Falstaff de Verdi.

A agenda da Confecom

Mídia Sem Máscara

Nivaldo Cordeiro | 14 Dezembro 2009
Artigos - Governo do PT

Os empresários que estão compondo o circo não têm a menor chance de ter qualquer de suas "propostas" levadas em conta, descontando aquelas que já sejam concessões ao coletivismo. A Conferência foi chamada precisamente para destruir o setor empresarial e colocar na mão da burocracia partidária o controle central da indústria de comunicação.

Finalmente está chegando o dia da abertura dos trabalhos da Confecom. Eu tenho lido a grande quantidade de material que está sendo produzido enquanto "propostas" a serem levadas para a Conferência. O material é caudaloso e até mesmo os empresários do setor entraram no clima bolchevique e também estão levando suas "propostas". Um grande paradoxo. Executivos habituados a decisões estritamente técnicas e racionais, avaliadas por critérios econômicos rigoros, estão brincando agora de basismo bolchevique, sem qualquer protesto e se portando como se isso fosse a plena normalidade.

A Confecom é precisamente isso: o alegre mergulhar na Segunda Realidade revolucionária, onde o democratismo bolchevique desempenha o papel de portal, via pela qual nela se é admitido. Há que aqui rememorar a célebre frase de Hermann Hesse: "Só para loucos". Sim, é o quixotismo vivenciado em sua plenitude. Os revolucionários enlouquecidos estão enlouquecendo até o mais frio dos homens de negócios. Está acontecendo uma reprodução literal do que houve nos tempos da Alemanha de Hitler. Para o Brasil, 2009 será como foi 1933 para aquele infausto país.

Abaixo trago para você, meu caro leitor, a agenda do evento. Veja que a dinâmica é a mesmíssima utilizada nos encontros do PT, que por sua vez adota sempre a técnica bolchevique. Em que consiste esta técnica? Em fazer mobilização de massa controlada pelos dirigentes partidários, de sorte que aquilo que se discute, e sobretudo aquilo que se aprova, está previamente decidido pelo Comitê Central. A paródia de democracia direta bolchevique é um engodo que esconde o poder ditatorial dos dirigentes partidário. O processo tem por objetivo criar a falsificação da legitimidade aparente e fortalecer o poder totalitário das correntes dominantes dentro do Partido.

Os empresários que estão compondo o circo não têm a menor chance de ter qualquer de suas "propostas" levadas em conta, descontando aquelas que já sejam concessões ao coletivismo. A Conferência foi chamada precisamente para destruir o setor empresarial e colocar na mão da burocracia partidária o controle central da indústria de comunicação. A Confecom é o início de um processo que colocará nas mãos do Estado e do Partido o poder total no setor. Estamos próximos de uma tirania e ela será materializada precisamente pela supressão da liberdade de informação e de produção de notícias.

Olhando a agenda vemos que 1539 delegados, mais 350 convidados, não discutirão a montanhas de "propostas" no breve interregno do evento. Aquelas que prevalecerão já estão previamente escolhidas e os delegados previamente orientados para aprová-las. Não haverá surpresas. O setor empresarial foi chamado para celebrar o banquete da sua própria imolação.

Aqueles leitores que estão tomando contado com o assunto pela primeira vez devem consultar o link Para entender a CONFECOM

AGENDA

Dia 14 de dezembro de 2009 (2ª Feira)

09h00 - Abertura do credenciamento no Centro de Convenções Ulisses Guimarães

17h00 - Plenária de votação do regimento interno da etapa nacional

19h00 - Abertura solene

Dia 15 de dezembro de 2009 (3ª Feira)

09h00 às 11h00 - Credenciamento de suplentes

09h00 - Painel Internacional

10h30 - Painéis simultâneos por Eixo-Temático

12h00 - Intervalo para almoço

14h00 - Grupos de Trabalho (turno I)

19h00 - Jantar

Dia 16 de dezembro de 2009 (4ª Feira)

09h00 - Grupos de Trabalho (turno II)

12h00 - Intervalo para almoço

14h30 - Plenária final (turno I)

19h00 - Jantar

Dia 17 de dezembro de 2009 (5ª Feira)

09h00 - Plenária final (turno II)

12h00 - Intervalo para almoço

13h30 - Plenária final (turno III)

16h00 - Encerramento

Novena de Natal: panteísmo, MST e luta de classes

Mídia Sem Máscara

Klauber Cristofen Pires | 14 Dezembro 2009
Artigos - Religião

É bom lembrar a quem não saiba que este homem era um adorador do diabo e cultor de ritos satânicos. São os seus ensinamentos "a nova mística e a nova espiritualidade" que os padres e bispos da teologia da libertação querem de maneira subterfúgica inserir na população de coração desarmado.

Aos amigos leitores,

Da mesma forma que fiz com uma Bíblia comunista, desta vez trago a público a cartilha usada para as novenas no lar em 2009, preparada pelo IPAR - Instituto de Pastoral Regional (Belém/PA).

Tive conhecimento dela por participar de uma das reuniões, como as que anualmente fazemos em nosso prédio. Desconheço o alcance desta edição, e suponho que deva estar circunscrita ao estado do Pará ou à Amazônia. Todavia, não descuido de que em outras regiões não ocorra semelhante usurpação da doutrina e da fé católicas.

Tratar deste assunto é constrangedor, porque não estamos lidando diretamente com os salafrários que intentam, como os cupins, comer o miolo da Igreja, preservando-lha, no entanto, a casca. No meu prédio, estas reuniões são conduzidas por bondosas senhoras, conhecidas nossas e pessoas realmente dispostas a fazer o bem. Mesmo com todo o tato, no entanto, inegavelmente a minha intervenção produziu um mal-estar, sobretudo àquela pessoa encarregada de ser a animadora.

Minha esposa, ao retornar para casa, chegou a me perguntar se eu via algum resultado ou diferença após a minha exposição. Ainda não sei. Porém, tenho que os alimentos, roupinhas e brinquedos que estas pessoas levam às pessoas carentes são bens temporários, que os próprios destinatários esquecem cedo, quando não enxergam isto tudo com um sentimento de oportunismo ou de humilhação. Afinal, têm sido ensinados a odiar: em suas cabeças deturpadas pela teologia da libertação e pela pregação marxista e gramsciana onipresente, as pessoas que praticam a caridade são vistas como aquelas que procuram expiar parte da culpa que sentem por explorar e oprimir, e o fazem por meio de atos exteriores e hipócritas tal como doar parte do que roubaram. Cumpre-lhes, portanto, aceitar estes bens não com gratidão, mas como um resgate ou uma indenização, antes de matar seus benfeitores. Em via inversa, o mal que se traz é permanente, e isto não difere se é levado por almas benevolentes ou conscientemente malévolas, como se verá a seguir.

A Introdução ao Panteísmo

O panteísmo é a crença de que a divindade se encontra no universo, i.e., espalhada pela natureza. É a crença dos hippies, a grosso modo. Melifluamente, elementos nos textos incitam os católicos a enxergar a natureza como "mãe", a água como "irmã", e assim por diante, aproveitando-se de uma onda ambientalista de uma forma quase tão natural que a certo ponto fica realmente difícil convencer-lhes de que foram inseridos de forma propositada com a finalidade de esvaziar a doutrina cristã.

No 1º Encontro, a introdução traz a seguinte exortação:

Animador/a: Natal, um convite à vida. Lentamente, vamos convidar tudo o que tem vida no universo para vir louvar a Deus conosco! Após cada pessoa falar todos/as diremos bem bonito: Viva a vida!

Leitor/a 1: O sol e a lua,

Todos/as: Viva Vida!

Leitor/a 2: A água e a terra,

Todos/As: Viva a Vida!

Os elementos acima apresentados são, inegavelmente obras de Deus. Porém, são desprovidos de vida. Atribuir vida ao sol, à lua, à água e à terra é conferir-lhes um status de entidades merecedoras de devoção.

No 2º encontro:

Leitor/a 1: Precisamos urgentemente de uma nova consciência, uma nova atitude em relação à terra, à água, ao ar.

Leitor/a 2: Precisamos urgentemente de uma nova mística, de uma nova espiritualidade, de um novo encantamento pela vida.

(...)

Leitor/a 2: Precisamos restabelecer um relacionamento de ternura com a mãe terra e com a irmã água, para que nosso Natal seja um hino à vida.

As palavras do animador que precedem estas falas criticam o Natal como uma "ocasião de consumo exagerado" e constata que "temos mais precursores de morte do que de vida". Este comentário é até sadio quando nos convidamos, como cristãos, a dar mais importância ao significado do Natal do que com os preparativos e troca de presentes, ou, em outras palavras, a não desmerecer o principal por causa do acessório. Contudo, não é este o caminho que se pretende seguir; o culto aqui é outro: criticar o regime de propriedade privada de produção para induzir os participantes à devoção por uma metafísica ecológica. Isto é confessado sem rodeios pela primeira fala do leitor 2: "precisamos de uma nova mística, de uma nova espiritualidade..".

No 3º Encontro, a água é celebrada como geradora de vida:

Animador/a: Hoje iniciamos nossa novena bebendo um copo de água. A água é a maior fonte de vida. Ela gera e protege a vida(..).

(...)

Animador/a: Esta é a nossa vocação e missão. Gerar e proteger a vida, cuidar e proteger a água que é geradora de vida(...).

Canto: Planeta Água (nº 13) ou outro à escolha (nota do articulista: "Planeta Água", de Guilherme Arantes")

(...)

Animador/a: No encontro de hoje queremos rezar com duas pessoas, José e Maria, que, a exemplo da água, foram fontes que geraram e protegeram a vida (...)

(...)

Animador/a (fazendo perguntas): 2 - Que relação pode haver entre a água, fonte de vida, e José e Maria?

(...)

(Louvor)

Grupo 1: Das maravilhas que saíram das mãos do Criador, a irmã água é a mais preciosa (...)

É muito claro a qualquer pessoa de médio conhecimento que a água não gera vida nenhuma, mas apenas a propicia, aliás, assim como o ar e os alimentos, e até mesmo a temperatura, a pressão e a gravidade. Agradecer a Deus pela água que nos propicia a vida é um ato cristão, mas isto é radicalmente diferente de chamar a água de "irmã", como se um ente consciente fosse, e alegar que ela "gera" a vida.

Agora imagine a dificuldade que um cristão há de sofrer quando confrontado com uma pergunta do tipo acima: "- que relação há entre a água, fonte de vida, e José e Maria? "Na verdade, não há dificuldade nenhuma: não há absolutamente nenhuma relação. Porém, nisto mesmo consiste um ar de mistério que intimida as pessoas mais sérias e excita as mais "viajoras". É o trabalho dos prestidigitadores.

A subliminar justificação do MST:

O 4º encontro quase escapa, mas ainda assim traz, nas palavras do animador, a seguinte declaração:

Animador/a: Os pastores são as Testemunhas do nascimento. Trata-se de gente considerada rude, violenta, marginal, que invadia com os rebanhos as propriedades alheias. "Lucas colocas esses "marginais" como "as testemunhas". Quer dizer que, a partir de agora, os pobres, os marginalizados, os pecadores são convidados a integrar a comunidade dos filhos amados de Deus. (os grifos são deste articulista).

Observe o leitor como os elaboradores deste manual de guerrilha ideológica inserem o MST no contexto de forma que os presentes aos encontros sejam preparados sutilmente para aceitar a idéia de que o MST não é senão um movimento formado por pessoas rudes, isto, é, sem instrução. Obviamente, aqueles pastores da antiguidade não eram necessariamente violentos e nem marginais, e o trânsito de rebanhos sempre foi uma tradição, sem que significasse invasão de propriedade. Esta parte, claro, foi encaixada de forma proposital. Ademais, rude era todo o povo, sendo que apenas uns poucos tinham instrução.

Ódio ao Capitalismo

O 5º encontro traz a água perto da fervura. É hora de declarar o ódio ao mercado e ao agronegócio:

Animador/a: (...) Somos convocados a defender a vida tão ameaçada por este sistema de morte que prioriza o lucro em detrimento da dignidade humana (...)

(...)

Leitor/a 1: Nos dias de hoje, somos convocados por Deus para defender a vida dos povos da floresta, pois os grandes projetos só beneficiam os grandes grupos econômicos enquanto o povo que vive nas florestas empobrece a cada dia.

Leitor/ 2: A nossa floresta é vítima de um desmatamento desenfreado, pois o plantio da soja e outras monoculturas, a extração de madeiras tornaram-se objeto de comércio e de lucro, deixando os pequenos agricultores com a "sobra".

II- SABOREANDO A VIDA E A PALAVRA

Leitor/a 1: Uma sábia senhora do interior da Amazônia, sentada na porta de sua casa (o que durante muito tempo era tradição nas cidades amazônicas), começou a contar uma estória para seu netinho:

Leitor/a 2: meu filho, aqui tinha tudo, do bom e do melhor: frutas, muito açaí, farinha, as pessoas brincavam na rua, passavam e davam bom dia, todo mundo era compadre e comadre um do outro, todos aparentados. A gente era feliz e não sabia. Hoje, ninguém fala um com o outro, as frutas estão sendo levadas para fora, nosso açaí tá indo pro estrangeiro; é um matando o outro. Não sei onde vamos parar.

O agronegócio, tão próspero na região centro-oeste, fato debitável aos "terríveis governos militares", proporcionou alimento de qualidade e em gigantesca quantidade para o Brasil e para o mundo; tem sido o salvador permanente da balança comercial brasileira pelos últimos trinta ou quarenta anos; as capitais daquela região exibem os melhores índices de infra-estrutura e de qualidade de vida e fomentaram uma complexa teia de relações comerciais e industriais, com geração de milhares de empregos de alto nível. Tudo isto, que salta aos olhos de qualquer pessoa honesta, inexiste para os panfleteiros da teologia da libertação. O que empobrece a população nortista é o agronegócio, que mal tem a chance de existir por aqui.

A "sábia" senhora também deveria se lembrar da mortalidade infantil no seu tempo de criança. Tudo do bom e do melhor? A região norte não produz cereais nem frutas, salvo aquelas silvestres a que a pretensa sábia se referia, talvez por estarem presentes no quintal de seus pais. Todavia, mantidas as condições de produção do seu tempo, suas frutas não atenderiam nem sequer a uma ínfima parcela da população. Hoje temos praticamente de tudo nos supermercados, desde os produtos cultivados aqui, especialmente carne e leite, aos alimentos trazidos de outras regiões e até do exterior, e tudo a um preço razoavelmente baixo, (e poderia ser mais ainda) graças a este "sistema de morte". A velhinha ainda reclama do desaparecimento do açaí (que não desapareceu coisa nenhuma), apontando como uma violência o fato de estar sendo exportado, como se os nortistas, hoje tão bem servidos de arroz goiano, trigo argentino, e maçãs do sul, não devessem participar deste sistema com algo de sua própria produção.

A luta de classes

O 6º encontro marca a progressividade da doutrinação marxista, preparando neste ponto as famílias para a luta de classes. Vejamos:

Animador/a: (...) Hoje, o profeta Zacarias vem nos ajudar a compreender e a reconhecer que o Projeto de Deus se realiza através do messias que vem e que todas as suas ações têm como fundamento a justiça e a solidariedade com os pobres. (grifos dos autores)

II - SABOREANDO A VIDA E A PALAVRA

Leitor/a 1: O povo reconhece a vida e se organiza para defendê-la. É o que está acontecendo nos mais diversos recantos desta nossa vasta e rica Amazônia.

Leitor/a 2: Em Santarém, na periferia da grande Prainha, as organizações populares (FAMCOS, Associações de Moradores) e as Comunidades Eclesiais da Paróquia de cristo Libertador, criaram o "Comitê em Defesa do Igarapé do Urumari". (,,,) Hoje, esta vida doada por Deus está ameaçada e destruída pela ganância e a pretensão de uns poucos, que sem nenhum escrúpulo, matam todo o ecossistema existente neste pedaço da Amazônia.

Leitor/a 1: O Comitê tem dado passos significativos nas suas lutas, freando o avanço da destruição do igarapé. Mas a luta pela vida continua e hoje muita gente está se inserindo nela, como a juventude da área, as escolas das proximidades e tantos outros. Na poesia "URUMARI" podemos perceber a validade deste igarapé para o povo do lugar.

(...)

Leitor/a 2 (declamando a poesia): Lugar de encontro e de alegria,/ Que juntava muita gente/lavando roupas e Cantando,/Ninguém era diferente.

(...)

Zacarias: Nós reconhecemos que toda espécie de vida deve ser resgatada, preservada e respeitada. vamos colocar no presépio os elementos da natureza, como a água, o verde, os frutos.

(...)

Animador/a (incentivando o debate com perguntas): 3 - Qual é a esperança que este texto traz para as nossas lutas de hoje na Amazônia?

Aqui cabe salientar a insistência com que a teologia da libertação investe na figura de Cristo como protetor dos pobres e dos oprimidos em confronto com uma poderosa elite exploradora. Ora, a parte em que Cristo ataca as classes mais instruídas relaciona-se com o fato de que os doutores da lei, os fariseus e os escribas, sendo as pessoas que detinham o controle sobre a religião, davam mais atenção às aparências e aos excessivos e rigorosos ritos formais em detrimento de um verdadeiro amor a Deus e aos próximos. Jesus não inaugura uma luta de classes. Pelo contrário, é igualmente severo com os pobres. Uma passagem que ilustra muito bem este fato se encontra em sua queixa sobre o povo frívolo que lhe segue após o milagre da multiplicação dos pães, tal como se vê em João, 6, 24-26:

24 - Vendo, pois, a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, entraram eles também nos barcos, e foram a Cafarnaum, em busca de Jesus. 25 - E, achando-o na outra banda do mar, disseram-lhe: Rabi, quando chegaste aqui? 26 - Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.

Os 7º e 8º encontros consolidam o que já foi mencionado, com o uso de expressões tais como "mãe terra" e semelhantes. Na celebração do 8º encontro, um jovem há de declamar a seguinte sentença:

Jovem: A sociedade está grávida de vida nas associações e centros comunitários dos bairros, nas organizações dos trabalhadores e trabalhadoras e nos grupos de jovens, que nos convidam a viver o sonho de um outro mundo possível.

Conclusão:

É bom lembrar a quem não saiba que este homem era um adorador do diabo e cultor de ritos satânicos. São os seus ensinamentos "a nova mística e a nova espiritualidade" que os padres e bispos da teologia da libertação querem de maneira subterfúgica inserir na população de coração desarmado. O "outro mundo possível", aquele em que suas idéias foram praticadas ao máximo, dizimou centenas de milhões de pessoas em vários paraísos terrestres, como a União Soviética, a China, a Coréia do Norte, o Vietnã, o Camboja e Cuba.

Os leitores também devem ter percebido aquela sintomática deficiência com o vernáculo, especialmente no que tange à miserável pontuação. Vale registrar também outra característica desta gente, a de expressarem-se sempre em termos sensitivos: refiro-me ao uso do termo "saboreando a vida". Um cristão tradicional contempla, admira, reflete, louva ou pratica qualquer outra ação que denote uma ascese do seu conhecimento e do seu espírito, o que exige uma complexidade do intelecto situada bem acima da constatação dos cinco sentidos.

Não é a primeira das cartilhas contaminada pelos preceitos de Karl Marx, um sujeito que proclamava aos berros sarcásticos que um dia viria a substituir Deus. Porém, não é demais acompanhar e denunciar, especialmente para que as famílias não se deixem influenciar e abster-se de contestar apenas por uma questão de etiqueta. Este foi o nosso desiderato.

Quando o Brasil começou a se ferrar

Mídia Sem Máscara

Ipojuca Pontes | 14 Dezembro 2009
Artigos - Cultura

Tivemos na República Velha uma sucessão de governos ineptos, depois duas revoluções ditatoriais (uma civil e outra militar) consideradas "modernizadoras", o suicídio de Vargas e a ascensão democrática de Juscelino, o presidente que fez da construção de Brasília ("a mãe de todos os escândalos") instrumento programático da corrupção oficial.

Vendo no jornal da TV Globo ("uma emissora a serviço do governo") Lula dizer que as imagens do governador Zé Arruda arrastando a grana do propinoduto brasiliense "não falam por si", nem provam coisa alguma, me veio à cabeça uma pergunta tardia, mas obrigatória: quando foi que o Brasil começou a se ferrar?

Logo me lembrei que o historiador inglês Paul Johnson, em seu livro "Tempos Modernos" (Instituto Liberal/Rio/1990), afirma que o fatídico século XX, dominado pela desgraça totalitária, começou no Brasil, quando um eclipse solar foi fotografado na cidade de Sobral, no Ceará, revelando o imprevisto desvio de movimento do planeta Mercúrio em exatos 43 segundos no transcorrer de todo século XIX.

O singular fenômeno do desvio do corpo celeste, detectado por possantes telescópios, abalava fundo a cosmologia de Newton (baseada nas linhas retas da geometria euclidiana e nas noções do tempo absoluto de Galileu), que tinha servido como pano de fundo para o Iluminismo europeu, a Revolução Industrial e a vasta expansão do conhecimento humano. Segundo Johnson, o desvio de meros 43 segundos flagrado a partir da foto do eclipse solar em Sobral, deu margem a criação de uma nova - e fragmentada - teoria do universo: a Teoria da Relatividade Restrita (e depois "Geral"), criada e consagrada por Albert Einstein.

Fiquei matutando durante tempo considerável se o tal desvio não estaria na raiz do nosso sinistro presente, mas logo me dei conta de que as observações teóricas do físico alemão em torno da relatividade do tempo e do espaço, tidas como superadas, me levariam à funesta equação de que "toda massa pode ser transformada em energia", vale dizer, na Bomba Atômica - e então, adotando a postura de Mercúrio, desviei de rota.

Em seguida, pensei: talvez a resposta sobre como e quando o Brasil começou a entrar pelo cano demande esforço em outra direção. Então, em vez de queimar a mufa com a ciência relativista, por que não procurar resposta no Google, ou consultar o Nivaldo Cordeiro, que tem resposta para tudo, ou, quem sabe, examinar os velhos alfarrábios? Como a madrugada avançava célere, eliminei as duas hipóteses iniciais e parti para a terceira. Fui à biblioteca, e da estante de obras raras retirei o grosso volume de "Notícia do Brasil", escrito em 1587 por Gabriel Soares de Sousa, um colono que durante 17 anos percorreu todo o país para revelar em prosa honesta o que éramos nos nossos primórdios.

No vasto levantamento que fez do Brasil, Gabriel Soares nos leva a acreditar que, de fato, seriamos o "país do futuro". Sua visão do que tínhamos e éramos pode ser considerada mais do que positiva. Por exemplo: escrevendo ao primeiro editor do livro, o nobre Cristóvão de Moura, residente em Madrid, o autor não contém o entusiasmo com as "grandezas e estranhezas" que tomam conta do lugar, ressaltando que, nele, a "terra é quase toda muito fértil, mui sadia, fresca e levada de bons ares, e regada de frescas e frias águas".

No que se refere às nossas riquezas naturais, ele diz que "A província é abastada de mantimentos de muita substância e menos trabalhosos que os de Espanha". E especifica: "Dão-se nelas muitas carnes, assim naturais, como das de Portugal, e maravilhosos pescados; onde se dão também melhores algodões que em outra parte sabida, e muitos açucares tão bom como na ilha da Madeira".

E prossegue Gabriel Soares no seu encantamento: "Tem muito pau de que se fazem as tintas. Em algumas partes dela se dá trigo, cevada, e vinho muito bom, e em todas todos os frutos e sementes de Espanha. E há que se descobrir os metais que nesta terra há; porque lhe não faltam ferro, aço, cobre, ouro. esmeraldas, cristal e muito salitre, e em cuja costa sai do mar todos os anos muito e bom âmbar; e de todas estas e outras podiam vir todos os anos a estes reinos em tanta abastança";

No capítulo em se reporta ao gentio, o autor de "Notícia do Brasil" não se mostra menos efusivo, embora com crua ressalva: "São grandes lavradores dos seus mantimentos, de que estão sempre mui providos, e são caçadores bons e tais flecheiros que não erram nunca flechadas que atirem. São grandes pescadores de linha, assim no mar como nos rios de água doce. Cantam, bailam, comem e bebem pela ordem dos tupinambás, onde se declara miudamente sua vida e costumes, que é quase o geral de todo o gentio da costa do Brasil". No entanto, ressalva: "Eles não costumam perdoarem a nenhum dos contrários que cativam, porque os matam e comem logo".

Ele próprio colono, proprietário de engenho na Bahia, Gabriel Soares via os pares, vindos de Portugal ou Espanha, como "gente de constância e valor, de muita fé em Deus e no trabalho", todos "prudentes e de boa paz", mas "experimentados" quando enfrentam "os franceses, invasores e ladrões".

A crer no que diz o primeiro cronista do Brasil, a coisa aqui era bastante promissora. Havia riqueza, o gentio era destro e o colono, de valor, acreditava nos preceitos divinos. Bem, cabe então indagar: se os nossos primórdios eram tão auspiciosos, e os habitantes dotados de tantas e notáveis distinções, por qual razão o País mergulhou no mar de degradação ética, política e social que a todos afoga neste início de milênio?

No histórico, deixando a Colonização e o Império de lado, a proclamação da República foi um episódio esquisito: o marechal Deodoro, amigo de confiança do Imperador, de súbito viu-se envolvido por mexericos contra D. Pedro II e terminou por proclamá-la (a despeito da vontade popular). A "consolidação", por sua vez, foi problemática: tivemos na República Velha uma sucessão de governos ineptos, depois duas revoluções ditatoriais (uma civil e outra militar) consideradas "modernizadoras", o suicídio de Vargas e a ascensão democrática de Juscelino, o presidente que fez da construção de Brasília ("a mãe de todos os escândalos") instrumento programático da corrupção oficial.

No parecer de bons observadores o país começou a degringolar com a permissiva figura de Juscelino Kubstchek, enquanto presidente, entre 1956/1960. De fato, para impor o seu populismo estróina, o antigo presidente arrombou os cofres da nação, imprimiu dinheiro sem fundo, pediu empréstimos aos borbotões, deu calotes, abriu espaço para os comunistas da Sudene e sumidouros idênticos, enriqueceu banqueiros (com a instalação do processo inflacionário premeditado), empreiteiros (com o superfaturamento de obras) e políticos (com a instituição de nomeações, vantagens e propinas como armas de cooptação política). De fato, depois da era JK, em que se ampliou vertiginosamente o processo de decomposição da ética na política, a idéia de um Estado comprometido com a decência virou fenômeno de fata morgana, ou seja: uma miragem.

Por sua vez, posteriormente aos militares, não se pode negar as extraordinárias contribuições de figuras como o "Honorável" Sarney, Collor de Mello, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso no curso da desintegração (e apodrecimento) das instituições legais do país. Sem dúvida que todos eles, cada um a seu modo, em maior ou menor proporção, drenaram fundo o mar de lama que hoje sufoca a vida da nação.

De minha parte, para responder a pergunta que na certa todo brasileiro consciente já se fez, ou se faz, eu respondo, sem mais delongas: o Brasil entrou pelo cano irreversível quando Lula da Silva tomou assento no Palácio do Planalto, em 1º de Janeiro de 2003.

Coisa que trataremos de comprovar, com detalhes, no nosso próximo escrito.

domingo, 13 de dezembro de 2009

A aristocracia do espírito

Mídia Sem Máscara

Nivaldo Cordeiro | 13 Dezembro 2009
Artigos - Conservadorismo

O direito natural clássico corrobora o ideal do regime político pensável da aristocracia, tida como o melhor de todos, vez que neste regime o poder estaria com os mais virtuosos e a coletividade a ele subordinada voluntariamente, por ver nos governantes pessoas egrégias.

Ficha Técnica:
Leo Strauss, Direito Natural e História, Tradução de Miguel Morgado, Lisboa, Edições 70, 2009 (Publicado originalmente em inglês, em 1950).

Miguel Morgado, A Aristocracia e seus Críticos, Lisboa Edições 70, 2008.

Miguel Morgado é um jovem filósofo português ainda pouco conhecido no Brasil. Professor no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica em Lisboa, ensinou na Universidade de Toronto (Canadá) e na Universidade de Indiana (EUA). É autor de vários livros e artigos sobre filosofia política e economia política, publicados em Portugal e nos Estados Unidos. Atualmente, prepara um livro sobre o tema da autoridade e também a edição portuguesa de Do Espírito das Leis, de Montesquieu. Seu livro Aristocracia e seus Críticos, produto da sua tese de doutoramento, já nasceu com vocação para clássico e é obra de interesse de todos que se debruçam sobre a filosofia política. Abordou um tema raro e difícil e o fez com muita maestria, sobre o qual farei a seguir alguns comentários, à guisa de apresentação.

Foi o mesmo Miguel Morgado quem traduziu o grande clássico de Leo Strauss, Direito Natural e História, livro para o qual escreveu uma introdução feita com rara competência, valorizando a obra do filósofo da Universidade de Chicago. Strauss pode ser considerado, sem nenhum favor, um dos maiores filósofos do século XX. É preciso entender o contexto da preocupação de Strauss: o que deu errado no Ocidente? Como as Grandes Guerras foram possíveis? Como Hitler pôde existir? Ao buscar respostas para essas grandes questões do seu tempo, Strauss, ele mesmo um fugitivo da Alemanha de Hitler, pegou o fio da meada. Juntamente com Eric Voegelin e e Michel Villey, este um pouco mais tarde, identificou a brusca mudança do sentido do que se chama de direito natural a causa primeira das grandes tragédias do século XX.

Lembrando que até o século XVI vigia a idéia, herdada de Platão e Aristóteles, do justo por natureza, e que acreditava-se que a ordem pública espelhava a realidade da ordem da alma individual. O direito natural era uma realidade objetiva, um direito objetivo. A politéia deveria ser buscada, por primeiro, na alma individual e o direito retirado da observação do homem em sociedade, de acordo com a lei natural. Essa visão será questionada inicialmente por Maquiavel e o farão inúmeros autores da época, mas sobretudo Grocius e Hobbes, e, a seguir, Locke. O direito natural passará a ser visto como direito subjetivo fundado na razão. A transformação foi brutal. Os autores modernos vão buscar nos filósofos da época helenista o suporte para suas teorias. Strauss identificou em Epicuro o pensador mais relevante a inspirar as tiranias do século XX. Terá sido esta talvez sua mais espetacular conclusão. Assim, Strauss se opõe radicalmente ao positivismo jurídico: "Rejeitar o direito natural é equivalente a dizer que todo direito é positivo, e isso significa que o direito é determinado exclusivamente pelos legisladores e pelos tribunais de diversos países". Vê-se que a modernidade desloca completamente o direito de qualquer fonte metafísica, passando a fundá-lo exclusivamente na razão. É a plenitude do humanismo que emergiu desde o Renascimento.

Strauss concentrou inicialmente suas críticas em três autores: Tomás de Aquino, Locke e Burke. Penso que sua crítica a Aquino pecou por dois lados: primeiro, porque entendeu que Aquino subordinou a filosofia à teologia, como se isso fosse um problema; segundo, porque não identificou, como o fez Michel Villey, nos nominalistas franciscanos, a verdadeira fonte da corrupção do pensamento filosófico cristão. De fato, o nominalismo será a matriz primeira do positivismo jurídico moderno e a primeira ruptura teórica com Aristóteles. Considero esse o ponto fraco do seu livro.

Strauss escreveu antes que os textos póstumos de Locke fossem dados a público, em 1952, quando se teve a prova definitiva de que ele adotou integralmente as teses de Hobbes, embora o tivesse negado nos livros publicado em vida. Mesmo assim, Strauss percebeu a ligação entre os dois. No parágrafo inicial Strauss citou a famosa passagem da Declaração de Independência dos EUA: "Consideramos que estas verdades são auto-evidentes, que todos os homens são criados iguais, que todos são dotados pelo seu Criador de certos direitos iguais, entre os quais estão o direito à vida, à liberdade e à prossecução da felicidade". Esta Declaração não é mais cristã, mas integralmente estóico-epicuréia, e isso não escapou ao sagaz filósofo de Chicago. Como hóspede do país que o acolheu ele foi refinado ao abordar a tão "sagrada" declaração, sem dizer o que nela de fato está contido: é toda a modernidade no que ela tem de pior. Todos os homens são criados iguais? Nem como recurso retórico isso é um fato e um filósofo aristotélico, como Strauss, só poderia rir, no íntimo, dessa tolice.

Strauss critica duramente o positivismo sociológico de Max Weber, a quem dedica o segundo capítulo do livro. A tentativa de fazer ciência social isenta de valores é um dos caminhos que leva ao relativismo jurídico, tese que também será apresentada por Voegelin em sua obra. O primeiro capítulo é dedicado ao historicismo, de que é filho o ideal coletivista, o comunismo assim como o nazismo. Strauss lembra que "Não há direito natural se não houver princípios imutáveis de justiça". Sem estes a lei corrompida adquire a autoridade da lei natural, como vimos na Alemanha de Hitler. Ora, quando tudo cai no relativismo historicista desaparecem os princípios imutáveis e tudo é permitido, valendo a vontade arbitrária do governante. Deus desaparece. O historicismo é filho direto das idéias que brotaram de Hobbes, Locke e Rousseau. Nous x nomos, o velho duelo de Platão contra os sofistas, novamente revivido. Na modernidade há o triunfo dos segundos. Por isso que Epicuro toma o lugar que antes era de Platão e Aristóteles. O historicismo leva necessariamente ao niilismo.

Strauss também lembra que "todas as doutrinas clássicas do direito natural declaram que os fundamentos da justiça são, em princípio, acessíveis ao homem enquanto homem", fato negado pelo historicismo, baseado nos filósofos da época helenista. Por essa via Strauss demonstra o absurdo teórico que deriva da filosofia de Hegel, o pai do historicismo.

No capítulo terceiro o autor analisou os criadores do moderno direito natural, com ênfase em Locke e Hobbes (e Maquiavel). Poderia ter feito como Michel Villey e recuado alguns séculos, para demonstrar a importância do nominalismo e da escolástica tardia na degradação da filosofia cristã. Uma falha menor, considerando os propósitos da obra. Não se pode compreender o moderno direito natural subjetivo sem tomar o pensamento que lhe precedeu. Não houve um salto teórico desde a Antiguidade, de Epicuro, Zenon, Pirro e Cícero, até Locke, Hobbes e Rousseau. Mas entendo que a ênfase dada especialmente à ética e à política de Epicuro foi genialmente exposta e compreendida na sua plenitude. Strauss mostrou onde o desvio começou: no século XVI.

Interessante agora que passemos ao livro de Miguel Morgado, "A Aristocracia e seus Críticos". É um trabalho exaustivo e por ter origem acadêmica surpreende pela prosa agradável e fácil, não obstante a complexidade do tema abordado. Quanta erudição brota das suas páginas! O livro está divido em três partes: na primeira Morgado disseca o conceito de Aristocracia, na segunda toma os três principais autores modernos, que negam o regime aristocrático, Maquiavel, Locke e Hobbes; e, finalmente, a terceira parte, conclusiva, na qual analisa os Federalistas norte-americanos e sua preocupação com o governo republicano, a criação de um regime misto que tenha as virtudes aristocráticas conjuntamente com a representatividade permitida pela ordem democrática. Essa questão teórica é da maior relevância e persiste até o presente momento, sobretudo agora que caminhamos para o que Miguel Morgado chamou de "unidades de soberanias", a gênese do governo mundial que está no horizonte.

Morgado começa sua análise com os filósofos clássicos, que desde a origem enxergaram as três formas puras de regimes políticos: a monarquia, a aristocracia e a democracia e suas variação degeneradas: a tirania, a oligarquia e a oclocracia. Sua narrativa, curiosamente, inicia-se com o debate entre Thomas Jefferson e John Adams sobre o pensar a aristocracia como regime ideal. A aristocracia, no dizer de Jefferson, é a nobreza em geral, demonstrando que nenhum teórico ou homem de Estado pode dispensar a elaboração teórica do governo dos melhores.

Não sem razão Morgado diz que "A Revolução francesa é um momento histórico fundamental a partir do qual o homem europeu se sentiu autorizado a viver na história". E, a seguir, o problema fundamental: "O sucesso da corrente da democracia coloca-nos apenas perante uma escolha entre o regime democrático, por um lado, e tiranias mais ou menos opressiva, por outro, que definidas cada vez mais como negações da democracia vigente no Ocidente, isto é, a democracia liberal". O elo entre as duas obras salta aos olhos. O direito natural clássico corrobora o ideal do regime político pensável da aristocracia, tida como o melhor de todos, vez que neste regime o poder estaria com os mais virtuosos e a coletividade a ele subordinada voluntariamente, por ver nos governantes pessoas egrégias. Não pode haver formas puras de aristocracias sem a vigência do direito natural como os clássicos o compreendiam. Nem mesmo formas mistas com preponderância aristocrática.

O livro de Miguel Morgado é o explorar, às minúcias, desse tema, mostrando que os grandes pensadores, como os Constitucionalistas norte-americanos, jamais perderam de vista o ideal clássico, ainda que trabalhassem sob a inspiração do jus naturalismo moderno. Miguel mostrou que o regime republicano é essa forma mista que garante, a um só tempo, a legitimidade da democracia e a escolha dos melhores para o governo, ficando o ato de governar longe das massas, entre os períodos eleitorais.

A discussão é muito atual, vez que, como regime pensável, como ideal buscado, temos hoje não a aristocracia, mas a "verdadeira" democracia, mais das vezes confundida com a democracia direta. E temos também a tática dos partidos de esquerda, tão em voga no Brasil e nos EUA, de cativar a multidão com promessas de benesses, em troca dos votos para de manter perenemente no poder. O ato de governar, assim, deixou de ficar longe do nível ínfimo das massas, para tentar permanentemente atender a todos os seus apetites.

Morgado defende a forma mista como a ideal para as democracias modernas, enquanto antídoto para o despotismo. Nota que "Apesar de tudo, a democracia contemporânea permanece mista sem que os seus cidadãos lhe retirem legitimidade, bem pelo contrário".

Em conclusão, Morgado afirmou que "Os cidadãos democráticos querem viver na igualdade e a democracia não reconhece nenhuma desigualdade essencial entre eles... A realização dos valores democráticos pressupõe a utilidade da hierarquia". Isso me levou a pensar que o chamado regime misto que ora vigora pode não se manter porque o direito natural clássico foi abandonado. A ameaça totalitária ronda. A realidade da supertributação, o excesso de regulação, mesmo a unidade das soberanias, tudo ameaça a igualdade almejada, aquela diante da lei. O ato de governar está cada vez mais condicionado pelas multidões. Vivemos mesmo uma forma de oligarquia burocrática, que se espalha pelo mundo.

Miguel Morgado fechou o livro de forma otimista. Não posso partilhar desse sentimento.

Publicado originalmente na revista Dicta&Contradicta

Por que continuam se enfurecendo contra Honduras?

Mídia Sem Máscara

Alejandro Peña Esclusa | 13 Dezembro 2009
Internacional - América Latina

A defenestração de Zelaya jogou por terra simultaneamente o projeto expansionista do FSP e o multimilionário negócio das FARC.

Mesmo depois que Honduras mantivesse um processo eleitoral limpo e transparente. Mesmo depois que se cum