quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Reflexões sobre o direito de propriedade

por Marcel Solimeo em 23 de janeiro de 2008

Resumo: Mais do que a atuação do governo e ações de grupos que atentam contra o direito de propriedade, o principal motivo de preocupação é a omissão e indiferença das elites empresariais e da população diante dessa situação.

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Editado pela Universidade SECOVI, e com a apresentação de seu presidente Romeu Chap Chap, o livro Reflexões sobre o direito de propriedade do professor de Filosofia Denis Rosenfield, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, apresenta uma análise teórica, filosófica e histórica do direito de propriedade a partir de diversos autores, a começar pelo "arroubo" de Proudhon, de que "a propriedade é um roubo", que norteou o desenvolvimento de diversas correntes socialistas, notadamente o marxismo.

Tão importante quanto essa análise, é a parte introdutória do livro, na qual o professor Rosenfield apresenta uma panorâmica preocupante sobre a situação do direito de propriedade no Brasil, o qual vem não apenas sendo relativisado a partir da Constituição de 88, que estabeleceu sua "função social", como freqüentemente desrespeitado e enfraquecido.

O professor adverte que "Idéias estruturam o comportamento humano, a ação dos homens, organizando, desta maneira, o mundo ..." Todos, de uma forma ou de outra, estamos engajados numa "grande luta de idéias". Destaca que a onda do "politicamente correto" é cada vez mais invasora e, "por culpa moral ou por mera acomodação, as resistências começam a cair".

Isto se observa com relação às reações da sociedade no tocante às violações do direito de propriedade, que, em muitos casos, partem do próprio governo, no geral por pressões de ONG’s, muitas delas financiadas e orientadas do exterior, como no caso da demarcação de terras indígenas, especialmente no tocante à reserva Raposa-Serra do Sol, que além de ocupar três quartos do território de Roraima para um grupo de apenas 15 mil índios, ao estabelecer como área contínua, vai atingir sete cidades e desapropriar praticamente todas as plantações de arroz da região, que são importantes para o abastecimento nacional.

Também no tocante aos quilombolas, o presidente da República regulamentou por decreto o dispositivo constitucional que trata da questão do direito de propriedade dos quilombos, com parcialidade e superficialidade, permitindo, com estímulo do INCRA, que qualquer grupo se autodenomine como tal, e passe a reivindicar áreas muitas vezes com sua posse legal consolidada há muitos anos.

Disso tem resultado reivindicações de áreas como uma ilha de propriedade da Marinha ou uma área próxima da Praça Mauá, no Rio de Janeiro, que há dezenas de anos está nas mãos da Ordem Terceira do Carmo.

Uma terceira ação do governo contra o direito de propriedade é a tentativa do INCRA de alterar os índices de produtividade da agricultura, para aumentar as desapropriações, uma vez que escasseiam áreas improdutivas (a não ser em regiões distantes) que possam ser usadas pela reforma agrária.

Não bastasse a atuação direta do governo, diversos grupos, que se autodenominam de movimentos sociais, como o MST, o MAB, a Frente Campesina, os Sem-Teto, e outros, com omissão, estímulo e, até recursos governamentais, vêm aumentando não apenas a quantidade, como a agressividade, de suas ações contra a propriedade, invadindo fazendas, laboratórios, hidroelétricas, plantações, campos de pesquisa, casas e prédios, paralisando rodovias, destruindo bens particulares, matando gado e até atingindo a integridade física de proprietários e trabalhadores.

Mais do que a atuação do governo e as ações desses grupos, o que é motivo de grande preocupação é a omissão e indiferença das elites empresariais, e da própria população, que vai sendo anestesiada pela repetição sistemática desses atos, sem que ninguém seja punido, mostrando que não apenas os direitos de propriedade, como as garantias individuais, estão sendo cada vez mais desrespeitados.

Denis Rosenfield, em sua análise, mostra que o objeto da lei deve ser o de "impedir que não seja ferida a liberdade e a propriedade de qualquer um" e que "um atentado cometido contra a propriedade, equivale a um atentado contra a liberdade".

A estratégia "gramiscista" de ir enfraquecendo gradativa, mas sistematicamente, o direito de propriedade, utilizando-se do "politicamente correto" para encobrir suas verdadeiras intenções, é reforçada pela atuação dos auto intitulados movimentos sociais, e facilitada pela ocupação de posições chave no governo, e pela penetração nas universidades e na mídia.

Reflexões sobre o direito de propriedade não é apenas o título do livro, mas um convite para que pensemos sobre o que está ocorrendo no País, e para onde estamos indo e, sobretudo, serve como um alerta para que nos mobilizemos e organizemos para tentar reverter essa trajetória.



Publicado pelo Diário do Comércio em 18/01/2008

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Introdução à Filosofia Política

por Jeffrey Nyquist em 22 de janeiro de 2008

Resumo: Pertencer a uma nação – grande ou pequena, rica ou pobre – é altamente significativo. Se você perdesse a sua nacionalidade amanhã, rapidamente sentiria a sua falta. Pertencer a um grupo maior é uma realidade humana fundamental, quase como a identificação sexual.

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O homem é, por natureza, um animal político” – Aristóteles

A maioria dos americanos não entenderia a afirmação de Aristóteles de que o homem é, por natureza, um “animal político”. Reconhecidamente, a maioria dos americanos não pensa em política. Eles estão ocupados demais trabalhando e cuidando de suas famílias. Eles estão vendo TV, jogando videogames, tendo casos amorosos e praticando hobbies. Como, então, eles poderiam ser “animais políticos”? A resposta é muito simples. O americano moderno pertence a uma nação: uma sobre a qual é possível argumentar que seja a mais bem-sucedida e poderosa na história do mundo. Pertencer a uma nação – grande ou pequena, rica ou pobre – é altamente significativo. Se você perdesse a sua nacionalidade amanhã, rapidamente sentiria a sua falta. Pertencer a um grupo maior é uma realidade humana fundamental, quase como a identificação sexual.

Homens e mulheres são criaturas políticas porque são compelidas a se juntar a outras, por segurança e para preservar sua propriedade. Homens e mulheres nascem em famílias que pertencem a um grupo étnico maior – previamente embutido de noções de identidade e aversão. Se você nasceu na Margem Ocidental ou na Irlanda do Norte, nasceu dentro de uma situação política. Você é formado por ela. A política lhe é dada ao nascer. O teórico esquerdista que imagina poder ver-se livre da realidade de pertencer a uma nação específica está apenas enganando a si mesmo. Ele pode negar a significância de seu nascimento, mas o mundo sabe quem ele é pela língua que ele fala, por seu sotaque e seus costumes. Se alguma força estrangeira decidir varrer sua tribo da face da Terra, sua atitude de rejeição à identidade tribal não necessariamente salvará a sua pele.

Agrupamentos políticos são necessários à autodefesa. O historiador grego Tucídides certa vez observou que “os gregos, em tempos idos...tornaram-se ladrões e iam ao estrangeiro sob o comando de seus mais fortes homens...e caindo sobre cidades não fortificadas, saqueavam-nas, fazendo disso seu melhor meio de vida...” Contrariamente às afirmações dos teóricos libertários extremados, a anarquia não é um estado abençoado. “Pois outrora ficaram habituados a perambular armados pela Grécia”, escreveu Tucídides, “e porque suas casas não tinham cercas e viajar era inseguro, acostumaram-se ao uso de armaduras”. Aqui encontramos “a guerra de todos contra todos” descrita por Thomas Hobbes. Sob estas circunstâncias, escreveu Hobbes, a vida é “torpe, pobre, animalesca e curta”.

Se piratas e bandidos se unem, é apenas natural que o resto da humanidade se una para dar um fim à pirataria e ao banditismo. “Todo estado é uma associação”, notava Aristóteles, “e toda associação é formada em vista de algum bom propósito”. Uma associação política origina-se de causas naturais. Homem e mulher formam uma associação chamada “família” a fim de que a raça humana continue e se multiplique. Aristóteles diz que isso “não é uma questão de escolha”, mas que se deve ao “nosso ímpeto natural... para propagar a própria espécie”. Famílias normalmente pertencem a uma vila, clã ou tribo. E nisto encontramos a associação entre governante e governado, essencial “para o propósito de preservação”. Uma sociedade é naturalmente hierárquica, diz Aristóteles. É necessário que haja líderes que determinem as regras e mantenham a ordem. Deve haver os founding fathers, por assim dizer, e “pais conscritos” – tal como os antigos romanos chamavam seus senadores. Estes organizavam a defesa da comunidade.

Em todas as sociedades antigas encontramos o título “pai” no centro da autoridade política – no centro do estado. Mesmo hoje falamos de nossos “Founding Fathers”. Dizemos que George Washington foi o “pai” de seu país. A palavra “patriota” é derivada da palavra latina para pai. Os reis de antigamente eram tratados por “sire”, que significa paternidade. O primeiro conceito de hierarquia política é demonstravelmente derivado do temível conceito de patriarcado. Ele está intimamente ligado à família, ao crescimento da população e aos requisitos à prosperidade. Não é uma questão de concordar ou de discordar com este ordenamento das coisas. Isto é simplesmente como as coisas se deram; é a maneira pela qual a história se desenrolou “naturalmente”. Poder-se-ia dizer que a política deriva da sexualidade – do impulso sexual masculino para dominar (observável em outros mamíferos, especialmente nos “machos alfa”).

Isto nos leva a tocar a lei de ferro da oligarquia, na medida em que organização implica oligarquia. Uma comunidade desorganizada não é páreo para uma sociedade organizada. Se um cidadão pretende exercer os seus “direitos”, precisa estar a salvo de inimigos. Todos os nossos conceitos de liberdade compreendem a existência de oligarquia – quer gostemos disso ou não. Não podemos desfrutar de proteção sem organização. Não podemos ter organização sem hierarquia. Todo mundo não pode ser o chefe. Apenas uns poucos estão de fato no comando das obrigações. Poder e mando de poucos é, por definição, oligarquia. Liberdade política nunca é liberdade absoluta. É uma liberdade dentro de um conjunto estreito e aceito de regras, na esperança de que essa regras envolvam um sistema de pesos e contrapesos.

O estado é uma associação para a preservação da sociedade. Surge naturalmente e é construído de acordo com noções de ordem e hierarquia. Mas também há perigo no estado. Sendo natural (tal como uma maçã), o estado pode apodrecer, pode enfraquecer-se. A desordem pode rastejar até aos seu mais íntimos recônditos. Ele pode falhar na defesa da sociedade. Pode até tornar-se o instrumento de uma gangue criminosa (e.g., Rússia). O estado pode cair nas mãos de tolos, incompetentes ou de fracos de caráter. A despeito da possibilidade de infortúnio, o estado é, não obstante, necessário tanto quanto é natural. A necessidade de defesa está sempre presente. Se o estado falhar em defender a sociedade ou se tornar-se o instrumento de tendências inaturais ao corpo político, a sociedade sofrerá conformemente.

A grande estratégia é o mais alto ponto de vista do estado. É o cerne intelectual da função de estado e deriva da perspectiva especial da defesa nacional contra inimigos estrangeiros. Um estado pode viver ou morrer em função das decisões que dizem respeito a armamento, prontidão para a guerra e estratégia. Numa era de armas de destruição em massa seria impensável que um grande país como os Estados Unidos pudesse ser varrido do mapa. Mas a época em que vivemos e a tecnologia que foi desenvolvida nos dizem que tal desenlace é perfeitamente possível. A sobrevivência de cada indivíduo e a sobrevivência da nação dependem do cultivo do pensamento estratégico. Uma vez que os Estados Unidos são uma “democracia” na qual os líderes são eleitos, o público votante deveria saber o suficiente de geografia, história, assuntos internacionais e militares para que pudesse fazer uma escolha inteligente nas urnas. O que temos diante de nós, todavia, é um desinteresse geral sobre tais questões, assim como ignorância. Curiosamente, o país como um todo é tomado por questões políticas que dizem respeito a “estilos de vida” e consumo. “É a economia, estúpido” foi um slogan político de sucesso anos atrás. Este é um sinal alarmante e não algo a ser aprovado.

Ao discutir temas que vão das “mulheres em combate” ao casamento homossexual e aborto, fica esquecida a perspectiva da grande estratégia. Por exemplo, como é que o feminismo afeta as perspectivas de longo prazo para a sobrevivência nacional? Será que a anistia a milhões de imigrantes ilegais facilita a coesão nacional ou encoraja a balcanização e a desintegração nacional? O comércio com a China está de fato armando um futuro inimigo tanto quanto erode as indústrias e aptidões nacionais? Descobrimos nessas questões um debate negligenciado, que tem mais a ver com o futuro de nossos netos do que com nossas conveniências imediatas. É um debate com o qual nem nos preocupamos em levar adiante. Tudo e todas as pessoas hoje parecem estar a favor da conveniência imediata. Toda política adotada por um estado tem impacto de curto e longo prazos sobre a capacidade de defender a sociedade de seus inimigos – e sobre a habilidade da sociedade de resistir aos inimigos, tanto externos quanto domésticos. Nós nos esquecemos disso. Esquecemos do primado da sobrevivência nacional. Usamos o estado para satisfazer nossos desejos, quando os desejos são da conta do indivíduo. Ao que parece, o estado é usado para todo propósito, enquanto a defesa nacional e os militares são depreciados e aviltados como instrumentos do imperialismo.

O homem é um animal político porque busca segurança na associação e o estado é assim formado. A segurança é mais bem obtida através da boa estratégia e boa estratégia significa a harmonização de vários elementos para um fim. Desde que somos uma sociedade, não somos livres para destruir a obra de nossos ancestrais ou condenar nossos netos à penúria. Há coisas tais como “dever” e também “decência”. Isto também foi esquecido.

© 2008 Jeffrey R. Nyquist

Publicado por Financialsense.com

Tradução: MSM

Desarmamento: fatos e ficção

por Peter Hof em 22 de janeiro de 2008

Resumo: A Campanha do Desarmamento foi, como dizem os antiarmas, uma campanha de sucesso?

© 2008 MidiaSemMascara.org


Depois de muitos anos vivendo no exterior, retornei ao Brasil no terceiro trimestre de 2003. Era o auge da campanha do desarmamento e a chamada "grande imprensa", com raras exceções, despejava diariamente todo tipo de informações, estatísticas, números ou mesmo opiniões de qualquer pessoa que tivesse algo a dizer contra o direito do cidadão decente de ter uma arma de fogo em sua casa, para defesa de si e de sua família. E uma coisa chamou-me a atenção: eram chutes grosseiros, números que não resistem a mais simples das análises. De imediato tomei duas providências:

1. Comecei a colecionar recortes de jornais e revistas, bem como o que aparecia na internet sobre tudo que se referia a armas de fogo. Hoje, disponho de um volumoso arquivo, composto de cinco pastas;

2. Iniciei uma pesquisa sobre a origem das mortes causadas por armas de fogo, isto é, separando mortes causadas por cidadãos sem passado criminal daquelas que, de alguma forma, eram conseqüência de ações de indivíduos fora-da-lei. Essa pesquisa, cujos resultados parciais já apresentei aqui – vide meu artigo intitulado DESARMAMENTO: FATOS CONTRA INVENCIONICES – hoje se encontra em seu terceiro ano e em breve pretendo publicar os resultados.

Uma das informações mais repetidas tanto pelos antiarmas, como pela imprensa, é a de que no Brasil existem 15 milhões de armas nas mãos de cidadãos – o que, em minha opinião, não tem nenhum fundamento.

Sem dúvida, trata-se de um número tirado da cartola pelos antiarmas, como parte de sua estratégia de assustar a população e pressionar o governo para salvar o grande fiasco que acabou sendo o recolhimento de armas de fogo. A afirmação, que se popularizou pela repetição, não resiste à prova dos números.

Em primeiro lugar vamos ver o que ocorre nos Estados Unidos, o país com um dos menores controles sobre a posse de armas de fogo do mundo. Segundo pesquisa realizada por L. Hepburn, M. Miller, D. Azrael e D. Hemenway, intitulada The US gun stock: results from the 2004 National Firearms Survey, e publicada pelo Department of Health Policy and Management, Harvard School of Public Health, Boston, Massachusetts, USA, existe ao menos uma arma de fogo em 38% (trinta e oito por cento) dos lares americanos. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – 2005-2006 – IBGE, existem no Brasil 54,6 milhões de domicílios, dos quais 45,4 milhões têm água suprida por rede de abastecimento e 38,5 milhões têm rede coletora de esgoto ou fossa séptica. Vamos usar somente as residências servidas por rede de esgoto, presumindo-se que as que não dispõem de tal serviço são favelas ou comunidades carentes, cujos moradores, cidadãos honestos e trabalhadores, não têm dinheiro para empregar numa arma.

Ao se dividir os 15 milhões de armas pelos 38,5 milhões de domicílios, chega-se à surpreendente conclusão que em 38,9% dos domicílios brasileiros existe uma arma de fogo! Qualquer pessoa com inteligência mediana sabe perfeitamente que um país como os Estados Unidos, onde não há praticamente nenhuma restrição à compra, posse e mesmo porte de uma arma de fogo, não pode apresentar o mesmo número de armas nas residências que o Brasil. Quem já comprou uma arma no Brasil – e estou falando da década de setenta do século passado – sabe as dificuldades para se obter o registro de uma arma de fogo. O processo passava pela vasta documentação requerida e a restrição quanto ao calibre, tipo e quantidade de armas que um cidadão poderia ter.

No estado da Geórgia, onde eu morava, todo o requerido era ter carteira de motorista do estado por mais de noventa dias, preencher um documento impresso em papel amarelo, e o comerciante fazer a consulta online ao FBI. O cidadão pode entrar num gun show, comprar quantas armas quiser, do calibre que quiser e depois parar numa loja da Sports Authority, encher a mala do carro de munição e ir para sua casa.

E aí, um antiarmas qualquer saca da cartola um número mágico, que lhe é altamente conveniente na hora de negociar verbas com uma fundação ou governo estrangeiro, ou mesmo descolar mais algum da cornucópia gerida pela turma do “Grande Apedeuta” e, contando com o auxílio de uma imprensa parcial, repete cem vezes a bobagem, até ela se tornar um número "verdadeiro".

O Small Arms Institute, uma organização antiarmas com sede em Genebra, Suíça, publicou um gráfico com a quantidade de armas em mãos de cidadãos em diversos países, inclusive o Brasil. Segundo eles, no Brasil existem 17 milhões de armas em mãos de cidadãos. Se isso for verdade, e tenho certeza que não é, 44,1% dos domicílios brasileiros têm uma arma de fogo. Dá para acreditar?

Foi então que resolvi buscar uma resposta séria para tal questão. O primeiro passo foi descobrir o número oficial de armas registradas no Brasil. Isso parecia ser muito fácil, afinal a compra de uma arma de fogo sempre, mesmo anteriormente à Lei 10.826, exigia seu prévio registro na polícia antes de sua entrega ao comprador. Assim, era só consultar os dados do Sistema Nacional de Armas – SINARM – órgão do Ministério da Justiça, e ter o número. Ledo engano! A informação não está disponível no site da Polícia Federal na internet. O que encontrei foi um dado publicado na Folha Online, de 23/10/2005, onde a Polícia Federal informava que existia, naquela data, no Brasil, 3.927.432 armas de fogo registradas.

Para efeito de cálculo, vamos assumir que 20% dessas armas sejam de empresas privadas de segurança. O número é bastante realista, de vez que existem no Brasil aproximadamente 800 mil pessoas trabalhando em empresas de segurança privada e transporte de valores. Restam assim 3.141.946 armas devidamente registradas nas mãos de cidadãos. Vamos ainda assumir que, para cada duas armas registradas, exista uma sem registro, tendo sempre em mente que não estamos falando das armas em mãos de traficantes e outros foras da lei. Mesmo assim, chegamos a 1,5 milhão de armas não registradas, o que a meu ver é um número extremamente exagerado. Num período de vinte anos, isto equivaleria dizer que, a cada ano, 78,5 mil armas de fogo fossem herdadas, ou que um considerável número de cidadãos de bem optou por comprar armas contrabandeadas ou vendidas no país de forma ilícita.

Repetindo o processo descrito acima, chegamos à conclusão que existe no Brasil 12,2% de domicílios com uma arma de fogo. Insisto que, embora exagerado, é bem menos do que o chute dos 15 milhões de armas.

E isso põe por terra outra das historinhas inventadas pela turma do "Estupra, mas não mata": a de que a campanha para a entrega voluntária de armas foi um sucesso. Será mesmo que foi? A campanha se estendeu por 14 meses, com amplo apoio do Governo, das Organizações Globo, das ONGs antiarmas e da imprensa em geral, conseguindo recolher aproximadamente 450 mil armas, sendo que uma parcela considerável era de armas obsoletas, sem a mínima condição de uso. Se os números dos antiarmas estiverem certos, foram recolhidas apenas 3% das armas alvo da campanha. Se meu número for o correto, 9,5% das armas alvo foram entregues pelos cidadãos.

A Campanha do Desarmamento foi, como dizem os antiarmas, uma campanha de sucesso? Transfiro a decisão com uma pergunta: o prezado leitor chamaria de bem-sucedida uma campanha para vacinação de crianças contra a paralisia infantil que tivesse a duração de 14 meses e que conseguisse apenas vacinar 3% ou mesmo 9,5% da população de crianças do país?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Crédito ou débito?

A Verdade Sufocada


21/01 - Crédito ou débito?
Por Fábio Portela - Veja

A ministra Matilde Ribeiro transforma o cartão de crédito pago pelo governo em um segundo salário. Em 2007, a ministra Matilde Ribeiro gastou 171 500 reais no cartão de crédito pago pelo governo. Fez até compras no free shop. A assistente social Matilde Ribeiro é uma das ministras mais longevas do governo Lula.

Ernesto Rodrigues/AE

126 000 reais aluguel de carros
35 700 reais hotéis e resorts
4 500 reais bares, restaurantes e até padaria
460 reais free shop
4 800 reais despesas diversas
171 500 reais total

Texto completo

Ela comanda a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial desde março de 2003.

Apesar de estar há tanto tempo no cargo, o que ela faz em Brasília ainda é um mistério.

Recentemente, abriu-se uma chance de preencher essa lacuna. É possível traçar um retrato detalhado das ações e dos hábitos da ministra com base na fatura do seu cartão de crédito corporativo. O uso desse tipo de benefício é concedido aos funcionários que ocupam os cargos mais altos da Esplanada e do Palácio do Planalto. Serve para que eles paguem algumas despesas decorrentes do exercício da função. No fim do mês, a conta é enviada ao Tesouro. Estaria tudo certo se o cartão fosse usado com critério, mas tem sempre aqueles que exageram. Matilde está entre eles. Fechadas as contas de 2007, descobriu-se que ela torrou 171.500 reais no cartão pago pelos contribuintes. Foi de longe a ministra mais perdulária da Esplanada. Em média, foram 14.300 reais por mês, mais do que seu salário, que é de 10.700 reais. Isso, sim, é que é emenda no orçamento.

Matilde jura que só usou o cartão corporativo para pagar despesas de viagens oficiais. De fato, ela viaja tanto que poderia assumir o Ministério do Turismo.

No ano passado, pagou 67 contas em hotéis – média de 5,5 contas por mês.

É rara a semana em que ela não se hospeda em algum estabelecimento. Seu favorito é o confortável Pestana, um cinco-estrelas que enfeita a Praia de Copacabana. Ela esteve por lá 22 vezes no ano passado, ao custo total de 10.000 reais. A ministra também gosta de usar o cartão para pagar contas em bares, choperias, quiosques, restaurantes, rotisseries e até padarias. No Rio de Janeiro, ela adora o restaurante Nova Capela, conhecido reduto da boemia carioca, e o bar Amarelinho, que se orgulha de servir o chope mais gelado da cidade. Em São Paulo, Matilde é assídua na padaria Bella Paulista, que fica aberta 24 horas por dia e é freqüentada pelos notívagos paulistanos. Nas refeições, ninguém pode acusá-la de abandonar a bandeira da igualdade racial: ela usou seu cartão dez vezes em restaurantes italianos, nove em árabes e três em japoneses.

A maior parte dos gastos do cartão de crédito corporativo da ministra, no entanto, se refere a aluguel de veículos. Ela tem um carro oficial em Brasília e, quando viaja, não se arrisca a ficar a pé. Assim que desembarca em uma cidade, saca o seu cartão oficial e, zás, aluga um automóvel do seu gosto. Em 2007, ela usou nada menos que 126.000 reais com essa finalidade. Curiosamente, se decidisse alugar um Vectra, o veículo mais caro oferecido pela sua locadora habitual, a Localiza, gastaria 116.000 reais por ano. Que tipo de carro será que a ministra aluga?

Matilde utilizou o cartão de crédito do governo até para fazer compras em free shop. Em 29 de outubro, gastou 460 reais em um desses estabelecimentos. Questionada por VEJA, a ministra disse que, na ocasião, usou o cartão pago com dinheiro público "por engano" e que "o valor já foi ressarcido à União". Ela passou pelo free shop na volta de uma de suas muitas viagens ao exterior.

Em 2007, Matilde visitou Estados Unidos, Cuba, Quênia, Burkina Faso, Congo e África do Sul. Na semana passada, estava no Senegal.

Quem sabe até o fim deste ano ela não descola também um cartão de crédito internacional?

PSDB do PT

por Ipojuca Pontes em 21 de janeiro de 2008

Resumo: Levando-se em conta as entrevistas de lideranças do PSDB, incluindo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente Lula pode ficar descansado e continuar realizando todos os desmandos que desejar.

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“Lula, essa reforma que estou fazendo (no banheiro do Alvorada) é para

quando você chegar aqui (no poder)”

do presidente FHC, em 2000

Se alguém tinha dúvida da associação política/ideológica entre PSDB e o PT, partidos empenhados na “transição para o socialismo” não apenas no Brasil, mas na América Latina, basta ler as entrevistas concedidas por Fernando Henrique Cardoso, no Estado de São Paulo (13/01/08), e pelo senador Arthur Virgílio, na revista Veja (16/01/2008). Nas publicações, o ex-presidente, mais do que o atual líder do PSDB no senado - no entanto, os dois em parceria -, abrem o jogo e fazem revelações espantosas, que o leitor, quem sabe anestesiado pela mixórdia da política nacional, toma conhecimento e fica no ora-veja.

Claro que há diferenças entre os dois partidos. O socialismo democrata do PSDB, bafejado pela aureola da impostação acadêmica, come, no seu esquerdismo embromador, o prato quente do poder pelas beiradas. Já o PT, conduzido por um líder semi-analfabeto mas de larga escolaridade no jogo bruto do sindicalismo predatório, avança sobre o prato sem nenhum constrangimento, apenas encenando, aqui e ali, algum vestígio de civilidade à mesa farta. Só para esclarecer: se o PSDB, para marginalizar o poder político dos coronéis, acenou com “políticas sociais compensatórias” (tipo Vale-Gás, Bolsa-Escola, Bolsa-Maternidade, etc.), o PT, com a junção e distribuição eleitoreira do Bolsa-Família se fez ele mesmo coronel, assenhoreando-se do voto dos grotões para permanecer no poder ad eternum.

Na entrevista do Estadão, o “príncipe” FHC, como de hábito abusando da vaselina Santa Fé, mistifica adoidado. Diz, entre outras preciosidades, que no seu governo só houve apagão porque não choveu. No caso crucial do narcotráfico, hoje patrocinado em larga escala no Brasil pelas FARC, facção comunista dedicada ao seqüestro e contrabando de armas, o ex-presidente resolve esconder o lado ideológico da questão, se diz perplexo pelo consumo da droga entre estudantes da classe média e, como solução, revela que vai estudar a hipótese da sua liberação. É dose!

No caso da cultura da impunidade prevalecente em solo pátrio, a goga amnésica de FHC supera todos os limites. Ele diz textualmente o seguinte: “Quem está preso neste país? O juiz Lalau. E preso em casa. Talvez alguns doleiros, também”. É de doer. O ex-presidente sublima no inconsciente estrangulado que o seu governo deixou de colocar na cadeia dezenas de políticos e bandidos de colarinho branco, entre eles os donos do Banco Nacional, responsáveis pelo peteleco de US$ 6 bilhões nos cofres da Viúva.

(No final da entrevista, rempli de soi-même, FHC deita e rola no regorjeio da boa-vida que leva, de fato, sua especialidade. “Eu me distraio por aqui”, diz ele. “O Mandela criou um grupo – The Elders (mais velhos) – do qual faço parte”. Entre os companheiros da banda do Bico-Doce, a trombetear caminhos socializantes para a humanidade, despontam o arcebispo apóstata Desmond Tutu, o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter, tido como “delegado das causas radicais”, e o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o velho malandro que propiciou ao filho – Kojo - negociata grossa e lesiva aos cofres da Organização).

Mas a burla de FHC, coisa surpreendente, não toma toda entrevista. Há instantes em que ele se trai e fala o que pensa - o que leva o cidadão consciente ao horror. Como principal mentor do PSDB, diz o seguinte: “Quando se discutiu a possibilidade de impeachment de Lula, não entrei na conversa. Politicamente havia uma situação inequívoca, pois ficou demonstrado que o publicitário dele (Duda Mendonça) recebeu dinheiro no exterior para fazer a campanha a presidente. Qualquer prefeito do interior que tivesse uma acusação dessas nas costas seria cassado! Mas preferi pensar no País. Como enfrentar o impeachment de um presidente operário, um imigrante do Nordeste que chega à Presidência? Que marcas isso iria deixar no Brasil? Eu me opus inclusive à idéia de deixar o Lula se desgastando, lentamente, sangrando. Veja o que aconteceu com Getúlio Vargas. Veja o que aconteceu com Allende, no Chile. Veja o que se passou na Argentina. Não se quebra desse modo um líder político que vem de baixo, num país com uma desigualdade como a nossa”.

Alto lá, Senhor ex-presidente! Seus argumentos em favor de Lula são todos falaciosos, quando menos discutíveis, e você não é o agente do Juízo Final para solapar as obrigações constitucionais do país, sobretudo como representante de partido que se diz da oposição. Então quer dizer que, por muito menos, um presidente eleito com mais de 35 milhões de votos (no caso, Collor de Mello), pode ser escorraçado do poder, e outro (Lula da Silva), por ter sido um líder sindical “que veio de baixo”, - embora fosse o principal beneficiário da ação criminosa da quadrilha oficial que fraudou escandalosamente o processo eleitoral do país – não?

FHC avalia, com precisão, que se qualquer prefeito do interior tivesse sido acusado do que a máfia do planalto fez, estaria automaticamente cassado. Mas, em seguida, apesar das evidências de uma “situação inequívoca”, afirma que resolveu “pensar no país” e deixar a quadrilha organizada permanecer no poder. Quer dizer, filho da anistia, o príncipe gramsciano resolveu “anistiar” Lula. Por isso, lutou dentro do seu partido para que não se instalasse no congresso o necessário processo de impeachment, que poderia colocar Inácio da Silva fora da Presidência.

Ora, quem FHC pensa que é? Algum potentado divino? O próprio Deus? E a nação? E o democrático Estado de Direito? Esquerdista light, mas esquerdista sempre, o sociólogo embromador raciocina da seguinte forma: Lula é popular, apadrinhado de Fidel Castro e pode colocar a massa dos “movimentos sociais” nas ruas. Então, para voltar ao poder, o melhor é não dar asa ao pessoal da direita e empurrar com a barriga – mesmo passando por cima da legitimidade democrática.

Voltarei ao assunto.

Insensatez na punição de menores

por IB Teixeira em 20 de janeiro de 2008

Resumo: Que ninguém se iluda. O menor delinqüente também vale voto no Brasil, dai a imensa tolerância com a violência juvenil, agravada com o estatuto do Menor e do Adolescente.

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O relato está no britânico “The Guardian”. O menor Luke Mitchell, de 16 anos, foi condenado à prisão perpétua em Edimburg, capital da Escócia, sob a acusação de haver assassinado a namorada, Jodi Jones, uma garota de apenas 13 anos. Após matar Jodi, o assassino desnudou seu corpo para em seguida mutilá-lo. Na ocasião, Mitchell tinha apenas 14 anos. Para o juiz Lord Nimmo Smith, o adolescente não passa de um homicida extremamente perverso e deveria ficar preso “sem qualquer limitação de tempo”. Um júri acolheu a acusação e terminou por condenar Mitchell à prisão perpétua.

O que acontece no Brasil a um menor de 18 anos que cometa um crime como o do inglês Luke Mitchell? Ou com um adolescente autor de 5 ou 10 assassinatos? A resposta vamos encontrar no Estatuto da Criança e do Adolescente. Para começo de conversa, entre nós, o jovem Mitchell não teria cometido um crime. Seria autor apenas de “um ato infracional”. Em São Paulo, o então adolescente conhecido como Batoré não cometeu crime algum ao assassinar 11 pessoas. Batoré cometeu 11 “infrações”. Na Inglaterra enfrentaria a prisão perpétua. Em outros países, após completar a maioridade continuaria na prisão. No Brasil, generoso com os assassinos e implacável com as vítimas, seria internado em estabelecimento educacional, não prisional, por apenas três anos. Como está no referido Estatuto:

“Art. 112 — Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar ao adolescente as seguintes medidas : I - advertência; II - obrigação de reparar o dano; III - prestação de serviços à comunidade; IV - liberdade assistida; V - internação em regime de semiliberdade; VI - internação em estabelecimento educacional; VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI.”

Na pior das hipóteses, o inglês “infrator” seria internado em estabelecimento educacional. Foi o que a lei reservou a Batoré. Na Inglaterra, porém, pelo assassinato da garota Jodi, o adolescente Mitchell ganhou uma prisão perpétua. Mas no Brasil ele se beneficiaria do seguinte artigo da lei 8 069:

Art. 121 — Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos.

“Parágrafo V - A liberação será compulsória aos 21 anos de idade.”

Finalmente, adverte o art. 124:

“- Em nenhum caso haverá incomunicabilidade.”

Portanto, fácil concluir que Mitchell estava na hora errada, no lugar errado, no país errado quando matou, degolou e mutilou a garota Jodi Jones. Entre nós teria um “quase direito” de matar, assegurado pela lei 8.069. Podendo até mesmo declarar ante às câmeras de TV que degolara a menina e a lançara ao lixo. Tal como fez aquele menor de uma das rebeliões da Febem paulista ao dizer em alto e bom som que matara o colega:

“Peguei a enxada, cortei a cabeça dele e depois joguei no lixo...”

Na Inglaterra, nos Estados Unidos e em outros países a lei é dura mas é a lei. Não há impunidade para o assassino, seja menor ou maior. Aliás, uma prisão por vida é o que está enfrentando aquele menor de 11 anos, condenado à prisão perpétua por um tribunal do Texas por haver lançado pela janela do 5 andar a menina de 3 anos que lhe negara um caramelo. O resultado desse sistema penal faz com que os ingleses registrem 8 assassinatos por 100 mil habitantes. Nós brasileiros já vamos nos aproximando dos 50!

Embora este Estatuto do Menor e do Adolescente tenha em seu bojo algumas disposições interessantes, em sua maior parte, porém, trata-se de um repositório de sandices, como, por exemplo, o art. 16, segundo o qual a criança “tem o direito de ir e vir e estar no logradouro público”. As mães em geral dizem aos filho: — menino, sai da rua... O Estatuto, ao contrário, manda que a criança fique na rua. Ao mesmo tempo comina uma pena de seis meses a dois anos a quem privar a criança dessa “liberdade”. Tal estatuto é tão escandalosamente insensato que o renomado jurista Alyrio Cavaliere chegou a compilar em livro as 395 aberrações de tal legislação. E não são poucas quando se considera que a lei 8.069 contém apenas 267 artigos.

Com esse mar de aberrações jurídicas, por que o Estatuto sobrevive e encontra tantos defensores no Congresso? A coisa é simples. A lei criou os chamados conselhos tutelares que são eleitos por voto popular em bairros e municípios. São cargos bem remunerados, com infra-estrutura financiada pelo poder público — prédios, carros oficiais, secretárias e outras mordomias . Ou seja, um poderoso instrumental para a arregimentação de futuros eleitores para candidatos e partidos políticos mais atuantes. Portanto, que ninguém se iluda. O menor delinqüente também vale voto no Brasil .



IB TEIXEIRA é jornalista e advogado.

Fonte: http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=200392

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Notalatina

Tuesday, January 15, 2008

Quando comecei a participar de grupos de debates pela rede, em 2001, fiquei maravilhada com aquele sistema que permitia enviar informações para um número enorme de pessoas ao mesmo tempo, em um único e-mail. Já naquela ocasião eu falava das FARC, do ELN e do Foro de São Paulo mas ninguém prestava atenção ou acreditava no grau de malignidade que eles representavam, não só para a Colômbia mas para todo o continente sul-americano, porque este não era um assunto tratado pelos principais jornais do país. Houve até um militar que afirmou que as FARC “não ofereciam risco a ninguém”, pois não passavam de “guerrilheiros de fundo de quintal”...


Do ano passado para cá, entretanto, por causa do circo montado em relação a três seqüestradas famosas (a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt – com dupla nacionalidade -, sua vice Clara Rojas e a deputada Consuelo González de Perdomo), os jornais da taba brasilis começaram a dar uma ou outra notícia de como andavam as negociações mas nenhum deles teve a preocupação de enfatizar os tantos e tão bárbaros crimes cometidos por estes terroristas. Fica claro, portanto, que o objetivo é dar suporte e atenção às “necessidades” das FARC, uma vez que de tudo o que vem sendo publicado evidencia-se nas entrelinhas a “bondade” e “caráter humanitário” deste bando, ao mesmo tempo em que condenam a “intransigência” de Uribe por negar-se a atender às suas ilegais reivindicações.


Depois do fracasso de dezembro não faltaram condenações – algumas veladas, outras escancaradas – ao presidente Álvaro Uribe como se ele, por ter desmascarado a farsa e a mentira contumaz do bando terrorista, fosse o culpado pela suspensão da libertação das reféns. Ora, elas não foram entregues porque fora anunciado que o filho de Clara com um terrorista também fazia parte do pacote mas, como a criança não estava mais em poder dos terroristas, para não perder a pose de “grandes humanistas” eles preferiram (e contaram com o respaldo dos dois mentores da trama, Chávez e a senadora Piedad Córdoba) alegar que “o governo da Colômbia continuava com os ataques arriscando a segurança das reféns”.


Na edição passada eu havia chamado a atenção para alguns detalhes suspeitos daquela situação e fui acompanhada por muita gente igualmente atenta de vários países daqui da América do Sul. O mais gritante deles era o aspecto saudável e bem cuidado das duas senhoras (vejam detalhe das unhas de Clara, pintadas de dourado, na foto da edição passada), em contraste com a foto de uma Ingrid completamente definhada, deprimida, maltratada, além da forma afetuosa e alegre com se despediram dos guerrilheiros, como se fossem bons e velhos amigos. Vejam aqui neste vídeo a diferença de comportamento e de aspecto físico de um ex-refém – Intendente de Polícia Jhon Frank Pinchao - que conseguiu fugir do cativeiro, ou ainda neste, quando ele relata sua traumática experiência durante 10 anos em poder das FARC. Teriam estado estas duas senhoras e ele no mesmo local, e subordinados aos mesmos carrascos?


Além desta aparência de quem esteve em um Spa 5 estrelas e não a mercê das intempéries da selva, tenho sérias interrogações a respeito de Clara Rojas. Em declarações feitas pela imprensa antes do espetáculo da entrega, dizia-se que Clara praticamente se ofereceu ao seqüestro, supostamente para defender a amiga Ingrid. Já em cativeiro, Clara e Ingrid desentendem-se e deixam de se falar, segundo afirmou Clara, pelo fracasso na tentativa de fuga. Posteriormente Clara engravida do guerrilheiro “Rigo” mas ninguém, nem ela mesma, fala como isto aconteceu: um romance entre os dois? Um estupro? Síndrome de Estocolmo? Por que ninguém comenta sobre isto? Clara estaria proibida de falar?


Posso estar vendo chifre em cabeça de cavalo mas vejam esta declaração de Clara, relatando a saída do acampamento: A despedida foi aterradora. Eu saí com o coração na mão. Soubemos que iam nos liberar entre 18 e 20 de dezembro. A partir daí, começaram a nos deslocar. Levamos 20 dias andando pela selva. Em várias ocasiões chegamos a nos assustar porque sentíamos de perto os helicópteros do Exército. Até o dia em que nos deixaram nas mãos de um grupo que jamais tínhamos visto e que foi o encarregado de nos entregar à missão humanitária”. Vejam bem, foram 20 dias andando pela selva, sem conforto nenhum, nem alimentação adequada, nada. Depois disso, deixam-nas com pessoas estranhas mas em que data isto ocorreu? Quantos dias se passaram até a espetaculosa entrega? Não seriam porventura soldados venezuelanos, essas pessoas estranhas que as recolheram? Quem viu as cenas percebeu que os soldados NÃO traziam a braçadeira com a bandeira da Colômbia, como usam os terroristas das FARC. Essa história está muito mal contada...


Há ainda o fato (não salientado pela imprensa tupinikin, óbvio!) de Chávez ter designado especificamente Ramón Rodríguez Chacín, com vínculos antigos tanto com as FARC como com o ELN para intermediar o local da entrega. Na despedida dele dos terroristas e o telefonema trocado com alguém dos narco, provavelmente Iván Márquez, que pode-se ver neste vídeo emitido pela TeleSur, dizia Chacín ao seu interlocutor: “É... em nome do presidente Chávez... estamos muito pendentes de sua luta. Mantenham esse espírito, mantenham essa força e contem conosco”. E os guerrilheiros das FARC respondem: “Bem... Para servi-los. Felicidades. Feliz ano”.


Num Comunicado emitido dia 10 de janeiro, através do Secretariado do Estado-Maior Central, as FARC iniciam agradecendo a ajuda de Chávez e Piedad Córdoba dizendo: “Honrando a palavra e o compromisso...” e eu pergunto: que honra pode ter alguém que recruta meninos e meninas a partir dos 8 anos de idade, afastando-os de suas famílias para em máquinas de matar em seu maldito exército de assassinos? Que palavra pode ter alguém que, mesmo afirmando que faria uma “troca humanitária”, depois de ter um dos seus “chanceleres” – Rodrigo Granda – libertados assassina cruelmente 11 deputados reféns, espalha seus corpos em várias fossas e depois alega que eles morreram em combate? Os reféns também pegam em armas para “combater”?


Prosseguindo com sua torpeza, dizem que esta “liberação humanitária e unilateral” foi efetuada porque eles desejam a paz. Ora, vejam aqui o tipo de paz que esses monstros desejam para a Colômbia. Vejam a “alegria” desse povoado com a chegada dos “insurgentes”! A paz que eles desejam é a paz dos cemitérios! É a paz das pombas de Stalin! É a paz dos inúmeros mutilados que se calam por medo e arrastam em silêncio o peso de suas vidas aniquiladas! Não se pode mais permitir que esta sub-raça inverta os papéis e se coloquem como vítimas de um governo democrático e legitimamente constituído que apenas os enfrenta, pois não foi Uribe quem começou este horror; foram eles, as FARC, que existem há 48 malditos anos que criaram toda esta barbárie e carnificina, pois Uribe está no governo há menos de 10 anos e é, ele próprio, uma vítima deste terror que assassinou seu pai.


Finalmente dizem: “Na realidade, somos uma força beligerante à espera de reconhecimento pelos governos do mundo. Este passo aplanaria o tortuoso caminho do povo da Colômbia em busca da paz. Nossa luta é legítima. Se sustenta no direito universal que assiste a todos os povos do mundo a levantar-se contra a opressão. Nosso pai, o libertador Simón Bolívar, nos ensina que, quando o poder é opressor a virtude tem o direito a aniquilá-lo, e que o homem virtuoso se levanta contra a autoridade opressora e insuportável para substituir por outra respeitada e amável. E este é, precisamente, o empenho das FARC”.


Vocês entenderam bem? Uribe é o “poder opressor” e eles são os “homens virtuosos”, por isso têm o direito universal de aniquilar o governo e o povo, não combatendo-o através do diálogo e do bom exemplo mas da força bruta contra seres inocentes. Além disso, eles se colocam como a força “respeitada e amável”, a que deseja a paz mas, o que dizer destas imagens? É por acaso Uribe quem impõe tanta dor e sofrimento a essas pessoas? Foi Uribe quem seqüestrou, assassinou e deixou soldados definitivamente deformados ou foram estes monstros abomináveis que só conhecem o ódio, a inveja, que só semeiam o mal?


Três dias depois de se colocarem como pessoas “respeitáveis e amáveis”, como “homens virtuosos”, apesar de terem assassinado em cativeiro 1.200 pessoas e de seu comparsa Chávez ter pedido ao mundo que lhes retire o rótulo de terroristas, as FARC assaltaram e roubaram um grupo de 19 turistas, fazendo mais 6 novos reféns. O objetivo é o mesmo de sempre: extorsão, para continuar financiando o narco-tráfico e espalhando o horror no mundo. O que vão alegar agora para justificar mais este ato, vão pôr a culpa em Uribe ou no “império”?


Mas, graças a Deus, só mesmo os seus iguais como Chávez, Lula, MAG e os outros governantes pertencentes ao Foro de São Paulo vêem alguma dignidade nessa barbárie gratuita, porque os povos livres do mundo, sobretudo os colombianos, estão planejando uma grande marcha internacional em repúdio às FARC e pela liberação de todos os reféns seqüestrados na selva colombiana. Reproduzo abaixo documento que recebi hoje para provar que o mundo diz não ao terrorismo, não às FARC. Fiquem com Deus e até à próxima!


Comentários e traduções: G. Salgueiro


Mobilização Mundial contra as FARC


Uma grande marcha internacional está sendo organizada na Colômbia e no mundo inteiro no dia 4 de fevereiro deste ano. O povo colombiano e todos os que o apóiam vão conscientizar a opinião pública mundial sobre o horror que vive diariamente o povo colombiano por causa de um bando terrorista: as FARC. O objetivo é um só: que simples cidadãos manifestem ante o mundo inteiro a dor da Colômbia e dizer simplesmente:

NÃO MAIS FARC!
NÃO MAIS ataques às populações mais vulneráveis!
NÃO MAIS seqüestros!
NÃO MAIS massacres e assassinatos!
NÃO MAIS ações terroristas!

Haverá manifestações, marchas, encontros no próximo dia 4 de fevereiro na Colômbia e no mundo inteiro: Paris, Nova York, Londres, Madri, Buenos Aires, Miami, Sidney, Barcelona, Munique, Toronto, Filadélfia, Boston, Quito e ainda muito mais cidades.

COLÔMBIA: UM PAÍS QUE SOFRE HÁ MAIS DE 50 ANOS

O seqüestro é um dos atentados mais horrorosos que pode ser cometido. A Anistia Internacional, em seu comunicado de imprensa em 10 de janeiro de 2008, declarou que “O seqüestro representa uma violação flagrante do direito internacional humanitário e pode costituir um crime de guerra”. Clara Rojas em suas primeiras declarações depois de sua libertação, disse sobre as FARC: “eles mantêm pessoas seqüestradas”, o que constitui “um delito de lesa-humanidade”.

As cifras das FARC:
774 reféns seqüestrados atualmente na selva colombiana (números oficiais)
400 pessoas seqüestradas só em 2007
6.772 pessoas seqüestradas nesta última década

UMA INICIATIVA QUE NASCE EM FACEBOOK


Esta manifestação internacional nasceu na rede internet mundial Facebook. Em 4 de janeiro de 2008 foi criado um grupo em reação às mentiras das FARC sobre Emanuel, o filho de Clara Rojas: “Um milhão de vozes contra as FARC”. Em algumas horas, centenas de pessoas se inscreveram no grupo. Hoje, mais de 71.000 pessoas (cifra em constante evolução) aderiram a esta iniciativa e reclamam uma ação de tamanho internacional para dar ciência ao mundo inteiro da verdadeira cara das FARC, tal e como é vivido no cotidiano, desde há muitas décadas pelo povo colombiano. Este grupo não tem nenhuma filiação política e não está associado a nenhuma organização ou fundação, grupo governamental ou figura política. SOMENTE a indignação frente aos atentados perpetrados desde há demasiado tempo pelas FARC reúne todas as pessoas do mundo inteiro.
Site na internet: http://www.colombiasoyyo.org

posted by G.Salgueiro at 12:19 PM

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O relatório NIE torna uma guerra contra o Irã ainda mais provável

por Daniel Pipes em 15 de janeiro de 2008

Resumo: O relatório elaborado por despreparados burocratas sobre o programa nuclear iraniano teve como principal resultado, ao contrário do que muitos imaginam, deixar como principal opção justamente uma intervenção militar direta contra o Irã.

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Com a publicação, em 3 de dezembro de 2007, de uma Estimativa da Inteligência Nacional (NIE), “Irã: Capacidades e Intenções Nucleares”, de forma completa e inesperadamente não-secreta, emergiu um consenso de que uma guerra com o Irã “agora parece estar fora da agenda”. De fato, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que o relatório era um golpe fatal para os inimigos do país, enquanto o porta-voz do seu ministério do exterior considerava o relatório “uma grande vitória”.

Eu discordo desse consenso por acreditar que uma ação militar contra o Irã é agora mais provável do que antes da publicação do NIE.

O ponto principal do NIE, contido em sua primeira e já famosa linha, sustenta que:

Julgamos, com alto grau de confiança, que no outono de 2003, Teerã parou o seu programa de armas nucleares”. Outros analistas – John Bolton, Patrick Clawson, Valerie Lincy e Gary Milhollin, Caroline Glick, Claudia Rossett, Michael Rubin, e Gerald Steinberg – dissecaram e refutaram competentemente essa ordinária, ultrajante e politizada paródia de peça de propaganda; portanto, eu não mais preciso discorrer sobre esse relatório aqui. Ademais, proeminentes membros do Congressonão estão convencidos” das conclusões contidas no NIE. Líderes franceses e alemães o desdenharam, assim como o fez a OTAN; até mesmo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) expressou dúvidas a respeito. A inteligência britânica acredita que seus colegas americanos foram logrados, enquanto a inteligência israelense reagiu com espanto e desapontamento.

Vamos saltar um pouco à frente e perguntar quais são as implicações de longo prazo desse relatório de 2007.

Apenas a título de raciocínio, vamos presumir que o NIE de maio de 2005, no qual dezesseis agências de inteligência americanas avaliavam “com alto grau de confiança que o Irã está determinado a desenvolver armas nucleares”, esteja correto. Vamos presumir também que há três possíveis reações americanas a um incremento nuclear Iraniano:

1. Convencer os iranianos a que eles mesmos parem o seu programa de armas nucleares.

2. Pará-lo por eles através de uma intervenção militar (a qual não precisa ser um ataque direto às instalações da infra-estrutura nuclear, mas poderia ser mais indireto, tal como um embargo à entrada de produtos de química fina no país).

3. Permitir que o programa culminasse com uma bomba nuclear iraniana.

Quanto à opção n.º 3, o presidente Bush ressaltou recentemente que quem quer que esteja “interessado em evitar a III Guerra Mundial... deveria estar interessado em evitar [que os iranianos] obtenham o conhecimento necessário à fabricação de uma arma nuclear”. Até agora, o pouco convincente NIE não mudou sua concepção. Ele parece compartilhar da opinião de John McCain de que “[S] ó há uma coisa pior do que os EUA exercerem uma opção militar. E essa é um Irã com armas nucleares”.

Portanto, a verdadeira questão não é se o Irã será impedido, mas como.

O NIE 2007, de fato, pôs um fim à opção nº1, qual seja, a de convencer os iranianos a que eles mesmos interrompam seu programa nuclear, pois esta via requer um amplo acordo externo. Quando países-chave reuniram-se para passar a Resolução 1737 do Conselho de Segurança em dezembro de 2006, isso fez com que as lideranças iranianas reagissem com cautela e temor; mas a suavizante conclusão do NIE destrói tal cooperação e pressão. Quando Washington pressionar algum país ocidental, ou então a Rússia ou a China e a AIEA, eles podem sacar o relatório da gaveta e brandi-lo na frente dos americanos, recusando-se a cooperar. Pior ainda: o NIE mandou um sinal à liderança com visão apocalíptica em Teerã de que o perigo de sanções externas terminou, de que ela pode continuar despreocupada no seu negócio de construir uma bomba.

Isso deixa a opção nº2, uma intervenção direta de algum tipo. Sim, isso parece improvável agora, com o NIE caindo como um petardo e deslocando o debate. Mas será que esse altamente criticado exercício de mil palavras realmente continuará a dominar a compreensão americana do problema? Fará com que George W. Bush mude de idéia? A sua influência se estenderá durante um ano? Estender-se-á até o próximo presidente?

É altamente improvável, pois essas projeções presumem estase – i.e., que esse único relatório possa refutar todas as outras interpretações, que nenhum outro acontecimento terá lugar no Irã, que a discussão sobre as intenções nucleares iranianas encerra-se no início de dezembro de 2007, para nunca mais voltar à tona. O debate muito certamente continuará a evoluir e a influência deste NIE murchará e se tornará apenas mais uma das muitas avaliações, técnicas ou não, oficiais ou não, americanas ou não.

Em resumo, com a opção nº1 solapada e a opção nº3 inaceitável, a opção nº2 – guerra levado a cabo, quer por forças americanas ou israelenses – torna-se a mais provável. Foi assim que burocratas [da inteligência] míopes, de mente pequena, e flagrantemente partidários, na tentativa de esconder realidades desagradáveis, ajudaram a arquitetar o seu próprio pesadelo.

Publicado pelo Jerusalem Post sob o título "Their own worst nightmare".

Também disponível em danielpipes.org

Tradução: MSM

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Notalatina

Saturday, January 12, 2008

O terceiro ato (o primeiro foi o fracassado de dezembro e o segundo foi a soltura das vítimas) da farsa montada por Chávez e as FARC aconteceu hoje (dia 11), num pronunciamento feito pelo psicopata delirante na Assembléia Nacional onde, a rigor, ele deveria prestar contas de sua gestão do ano de 2007 mas acabou tornando-se um espetáculo que beirava a loucura coletiva. Todos os presentes, ministros, embaixadores, parlamentares, as famílias das recém-libertadas e outros puxa-saco do bolivarianismo grotesco, estavam muito afinados com aquela cena patética de auto-deificação que era aplaudida a cada frase dita no revirar dos olhos, e na narcísica satisfação com o efeito e o som das próprias palavras.

Não quero comentar muito sobre o “gesto humanitário” visto por todos pela televisão mas algumas coisas saltaram aos olhos atentos daqueles que não comungam do que vem sendo divulgado pela mídia. Causou muita estranheza o aspecto cuidado e saudável das ex-prisioneiras, com unhas pintadas, cabelos cortados, bem como da afetuosa despedida dos seus algozes, com beijinhos, abraços e apertos de mão. Apesar disso, Clara Rojas, a mais falante das duas, disse posteriormente que era costume os “humaníssimos” guerrilheiros acorrentarem suas vítimas, como fez com ela e Ingrid Betancourt, após uma fracassada tentativa de fuga. As duas ficaram acorrentadas durante um mês (como se vê na foto de Ingrid) e eram constantemente atormentadas com aranhas, onças mortas e cobras venenosas postas aos pés de suas camas.

Além disso, é triste ver a lavagem cerebral que sofreram as famílias das vítimas em prol dos propiciadores desta barbárie inumana, defendendo Chávez e ficando contra Uribe. Segundo a filha de Ingrid Betancourt, “É a primeira vez que a guerrilha libera de forma unilateral a dois reféns, e isso converte o presidente (Hugo) Chávez numa pessoa idônea”. É lamentável que esta jovem tenha a memória tão curta que não lembre que muito antes desse “gesto humanitário” o presidente Uribe tenha libertado vários prisioneiros das FARC (que não são “vítimas” mas malfeitores criminosos), inclusive o “chanceler” Rodrigo Granda, UNILATERALMENTE, e o que foi que teve como resposta? O assassinato de 11 deputados colombianos a sangue frio! E que muito antes de Uribe o ex-presidente Andrés Pastrana cedeu uma vasta área como “território desmilitarizado” para estes monstros aumentarem suas áreas de plantio de coca e campos de concentração de prisioneiros, como a mãe dela, com a conivência e cumplicidade desse mesmo Chávez “idôneo”. Confirmem aqui neste vídeo. Também esqueceu a jovem, de que no fim do ano passado foi encontrado pelas Forças de Segurança colombiana, uma vala com 300 corpos de pessoas assassinadas pelas FARC. Mas, quem se importa com este detalhe insignificante diante de tão grandiloqüente “gesto humanitário”, não é?

O empolado discurso do ditador de Miraflores teve seu ápice em duas declarações que, apesar de não parecer, estão intimamente ligadas entre si. A primeira, quando afirmou que “o acordo humanitário destroçou a confiança que vínhamos criando entre os governos da Venezuela e da Colômbia, o que foi, e disso estou seguro, produto de infinitas pressões dos que querem a guerra, daqueles a quem não lhes importa a vida nem a sorte dos povos”. (Aplausos calorosos e prolongados). Prosseguiu delirante: “... Por isso dizemos que as FARC e o ELN não são forças terroristas senão verdadeiros exércitos que ocupam espaços na Colômbia e é preciso dar-lhes reconhecimentos como forças insurgentes que têm um projeto político, bolivariano, que aqui é respeitado. E concluiu: “Eu solicito aos governos do continente e da Europa que retirem as FARC e o ELN da lista de grupos terroristas do mundo, porque isso tem uma só causa: a pressão dos Estados Unidos. Aplausos de pé de toda a assembléia!

E a segunda declaração, que há muito se comenta na Venezuela e hoje foi confessada publicamente pelo próprio Chávez: Eu mastigo coca todos os dias de manhã e vejam como estou. Evo me manda pasta de coca; eu lhes recomendo. Curiosamente, esta parte importantíssima do seu discurso foi omitida de todos os noticiários e periódicos, com exceção do site Urgente 24, da Argentina, que fez durante todo este tempo uma cobertura extraordinária e realmente com a urgência que o caso requeria. E o delinqüente ainda acrescentou que os Estados Unidos são os pioneiros e maiores consumidores de cocaína, que “não tem nada a ver com a pasta de coca, que é saudável e faz parte da cultura dos povos indígenas”.

Além de omitir este dado importantíssimo que revela um dos motivos da defesa de Chávez pelos bandos narco-terroristas, vale destacar a vergonhosa manipulação da agência de notícias Reuters - que há muito está proibida de chamar terroristas de terroristas, substituindo pelos eufemismos “insurgentes” ou “manifestantes sociais” - que escreveu o que não foi dito em momento nenhum porque eu assisti ao vivo pela CNN em Espanhol, deixando subentendido o seu próprio desejo. Vejam aqui como saiu publicada a declaração de Chávez pela Reuters: “Embora possa incomodar alguns, as Farc e o ELN não são corpos terroristas, são exércitos, verdadeiros exércitos”. Ora, esse “embora possa incomodar alguns” é o que pensa a Reuters, significando que quem escreveu ou a própria agência concorda com a opinião do ditador de Miraflores: as FARC e o ELN NÃO são terroristas, por mais que as pessoas normais e de bem não aceitem!

Agora, muita gente deve estar se perguntando que importância podem ter esses “detalhes” e porquê Chávez defende tanto estes narco-terroristas. Seria mesmo por altruísmo? Por “grandeza de espírito” e “piedade” para com os seqüestrados? Reproduzo abaixo parte do meu artigo Mentindo sobre as Farc: Mercadante pego no pulo, para que se possa confirmar a falsidade e cinismo daqueles que dizem “não ter qualquer relação com as FARC” e, pior que isso, como disse Marco Aurélio Garcia (o mais novo garoto-propaganda da Colgate), o fundador do Foro de São Paulo e amigo de Manuel Marulanda “Tirofijo”, que não tem simpatia pelas FARC:

“Entretanto, a Resolução nº 9 do X Encontro do Foro de São Paulo, ocorrido em Havana em 7 de dezembro de 2001, decide claramente: Ratificar la legitimidad, justeza y necesidad de la lucha de las organizaciones colombianas y solidarizarnos con ellas, resolução referente às narco-guerrilhas FARC e ELN que foi assinada por todos os partidos-membros, inclusive seu fundador, o PT”.

“Em 16 de janeiro de 2007, por ocasião do XIII Encontro do FSP em El Salvador, a Comissão Internacional das FARC envia uma carta aos “companheiros” em que diz a certa altura: “Al no podernos hacer presentes en tan importante evento entregamos a ustedes este documento con nuestros puntos de vista, y agradecemos de antemano el tenerlo en cuenta en las deliberaciones”. (http://www.farcep.org/?node=2,2513,1). Em 30 de abril de 2007, o Comandante Raúl Reyes envia pessoalmente uma carta a Lula agradecendo pela concessão do status de “refugiado político” a Oliverio Medina (http://www.farcep.org/?node=2,2852,1). E em 30 de julho de 2007, novamente a Comissão Internacional das FARC dirige-se ao Grupo de Trabalho do FSP, por ocasião de mais uma reunião: “Compañeros Mesa Directiva del Grupo de Trabajo del Foro de Sao Paulo”. “Nos reunimos en un momento muy importante para el avance político y social de nuestro Continente”. (...) “La consolidación de las revoluciones cubana, venezolana y boliviana nos aseguran que el futuro de América Latina y el Caribe se encamina por los cambios en beneficio de los pueblos”. (http://www.farcep.org/?node=2,3098,1)”.

Como se pode ver, tanto Chávez quanto todos aqueles pseudo-defensores da libertação dos seqüestrados pertencem ao Foro de São Paulo, do qual as FARC são membros: Brasil – seu fundador e idealizador junto com Fidel Castro -, Cuba, Equador, Bolívia, Argentina. A França participou da farsa porque tem interesse político em resgatar Ingrid Betancourt que possui dupla nacionalidade, e a Suíça por causa da Cruz Vermelha. Neste vídeo feito por Raúl Reyes, por solicitação de Chávez para a “Cúpula pela Amizade e Integração dos Povos da Iberoamérica”, ocorrido em 14 de novembro de 2007, (evento paralelo à “Cúpula Iberoamericana” no Chile em que o rei Juan Carlos perguntou porque Chávez não calava a boca), ele mente cinicamente ao afirmar que o interesse numa “troca humanitária” partiu deles desde quando Uribe assumiu seu primeiro mandato e que foi negado.

É preciso ficar claro de uma vez por todas que isto é a mais deslavada mentira, porque o governo e as Forças de Segurança não seqüestram ninguém, tampouco explodem pessoas a troco de nada. Qualquer atitude que possa significar “gesto humanitário” só pode ser visto do lado daqueles que desejam acabar com a matança indiscriminada de pessoas inocentes e não de quem praticou o mal primeiro, e continua fazendo compulsivamente em troca de muito dinheiro. Chega de ver bondade nesses monstros assassinos porque se eles devolverem as pessoas às suas famílias não fazem mais do que sua obrigação!

A presidenta da Assembléia Nacional da Venezuela, Cilia Flores, disse eufórica depois do pronunciamento de Chávez: “Não pode ser que os que não têm moral, para fazer este tipo de classificação, sejam precisamente os que elaboram estas listas e decidam quem é terrorista e quem não é, como o faz o império norte-americano e o governo do presidente George W. Bush”. E por acaso dona Cilia tem esta moral? O ditador psicopata Chávez tem? E por acaso que pratica atos como estes, tem mais moral do que quem lhes chama de terroristas, dona Cilia? E concluiu: “Isto não é politicagem desta liquidação que alguns costumam fazer; isto é algo de grande nobreza que vai além de qualquer situação política e qualquer mesquinhez. É um gesto humanitário”. Mas as FARC mantêm seqüestrados 150 venezuelanos e Chávez jamais moveu um dedo para libertá-los, porque não são pessoas importantes que gerem dividendos políticos ou holofotes na mídia, e seu “poder comercial” é baixo. A “foto oficial” no Palácio de Miraflores mostra bem a importância que estas vidas têm para o degenerado Chávez; observem “quem” aparece em primeiro plano: Chávez e a “jinetera” comuna Piedad Córdoba. As vítimas são apenas parte da paisagem deste macabro espetáculo que já cumpriram seu papel de devolver as atenções do mundo, não para si e estes crimes hediondos mas para Chávez, pondo-o no centro das atenções outra vez.

Uribe deu a resposta certa a esta patifaria, com firmeza e imediatamente, e todos os países democráticos do mundo deveriam unir-se em torno dele e apoiá-lo, porque defendê-lo é defender as vítimas e suas famílias, é defender a liberdade, o respeito e a integridade do ser humano. Em 19 de dezembro as FARC disseram que Uribe é um covarde e exaltaram Chávez por “sua dedicação, esforço colossal como facilitador, inquestionável boa-fé nesta jornada humanitária, sua solidariedade com a causa pacífica de nosso povo” mas no dia 13, deste mesmo mês de dezembro de 2007, as Farc planejavam seqüestrar dois filhos de Uribe - e ninguém se importou, ninguém lembra mais - enquanto ele, de coração aberto para a solução do problema, tentava negociar com marginais como Chávez e as FARC. Onde está a nobreza do “gesto humanitário” do macaco bolivariano? Onde está o altruísmo “unilateral”? Onde está, finalmente, a causa pacífica das FARC?

Assistam todos os vídeos linkados nesta edição, acessem os links e vejam quem são os vilões da história. E, parodiando a citação de um dos vídeos, se vocês não se convencerem de que tudo isto foi uma farsa macabra e miserável engendrada desde o ventre do Foro de São Paulo, vocês são parte do problema e não a solução. Fiquem com Deus e até a próxima!

Agradecimentos especiais ao meu amigo Alejandro Peña Esclusa, presidente de Fuerza Solidaria pelos vídeos apresentados nesta edição.

Comentários e traduções: G. Salgueiro

posted by G.Salgueiro at 8:30 AM