sábado, 11 de julho de 2009

As últimas da Doutrina Obama

Mídia Sem Máscara

Milhares de hondurenhos foram às ruas aplaudir a deposição de Zelaya e o chute na bunda do chavismo. Eles não querem socialismo. Esses hondurenhos receberam o comunicado de Washington: vocês estão errados. Aceitem o fantoche de Chávez de volta porque é o melhor pra vocês.

Barack Hussein Obama segue dialogando. Em apenas seis meses de governo, o bacana já dialogou com vários ditadores e os impressionou com sua retórica presidencial dura e incisiva. Quando Obama dialoga, os inimigos dos Estados Unidos tremem. Mahmoud Ahmadinejad, por exemplo. Enquanto a milícia dos aiatolás espancava e assassinava iranianos nas ruas de Teerã, Obama estudava a melhor maneira de expressar a posição do governo americano diante da selvageria. Depois de alguns dias calculando as palavras, quando já circulavam fotos de cadáveres ensangüentados e os próprios americanos se perguntavam por que o homem continuava calado, Obama foi enfático: se disse "estarrecido" com a repressão. Questionado por um jornalista da Fox News sobre a demora em se pronunciar em defesa dos manifestantes iranianos, Obama deu uma lição de diplomacia e explicou que não queria dar a impressão de estar se intrometendo no assunto dos outros. É com esse líder altivo que Ahmadinejad vai ter que lidar caso decida continuar aprontando. Duvido que tenha coragem.


Manuel Zelaya, com a ajuda de Hugo Chávez, tentou instaurar o bolivarianismo em Honduras. Fez isso conforme o manual bolivariano: passando por cima do Congresso, da Suprema Corte, da Constituição e dos demais recalcitrantes. Quando já estava tudo pronto para a coroação do novo tirano da região, as instituições hondurenhas, seguindo a Constituição, tiraram o pirulito da boca de Zelaya. A bandidagem latino-americana do Foro de São Paulo ficou re-vol-ta-da com tamanha afronta. Lula, Chávez, Fidel e Raúl Castro, Daniel Ortega, Rafael Correia - estão todos indignados.

Obama também. Ele se juntou aos socialistas da OEA e, com a prontidão que lhe faltou em relação ao Irã, ordenou: o povo de Honduras precisa aceitar o advento do bolivarianismo em nome da democracia. Da mesma maneira que, em nome da democracia, a OEA abriu as portas para o ingresso de Cuba, aquele paraíso libertário que atrai centenas de imigrantes dos Estados Unidos. Milhares de hondurenhos foram às ruas aplaudir a deposição de Zelaya e o chute na bunda do chavismo. Eles não querem socialismo. Esses hondurenhos receberam o comunicado de Washington: vocês estão errados. Aceitem o fantoche de Chávez de volta porque é o melhor pra vocês.

Enquanto escrevo, Obama está na Rússia. Foi dialogar com o presidente Dimitri Medvedev sobre o arsenal nuclear dos dois países. Obama, bacana do jeito que é, vai diminuir o estoque americano na esperança de que os russos, iranianos, norte-coreanos e sei lá mais quem desistam de seus programas nucleares. Uma mensagem de paz. Obama vai dar o exemplo! Fica a sugestão para as polícias do mundo: baixem suas armas na esperança de que os criminosos, emocionados com o gesto, façam o mesmo. Essa é a Doutrina Obama. Um sucesso de crítica entre os inimigos da civilização.


Bruno Pontes é jornalista. http://brunopontes.blogspot.com

Artigo publicado no jornal O Estado.

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