Terça-feira, Março 18, 2008
Perdas Internacionais à vista: Reservas cambiais “do Brasil” viram pó se crise financeira dos EUA se agravar
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Por Jorge Serrão
A maior parte dos US$ 195 bilhões das reservas cambiais “brasileiras” (que, na verdade, pertencem a não-residentes no País) está aplicada nos hiper-desvalorizados títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Apesar disso, o desgoverno Lula insiste com a retórica de que o Brasil será pouco afetado pela crise de crédito no sistema financeiro norte-americano. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ganhou ontem muito espaço na mídia amestrada (principalmente no Jornal Nacional da Rede Globo), para anunciar que “as conseqüências da crise são periféricas nos mercados de renda variável”.
Na verdade, se a crise se agravar, as reservas “do Brasil” viram pó em pouco tempo. No entanto, mesmo sabendo disto, Mantega alega que, para a economia brasileira, os efeitos das turbulências podem ser uma queda nos mercados de renda variável, além da saída de capitais externos de instituições que precisam desses recursos para cobrir rombos no exterior. O ministro garante que não ocorre, por enquanto, “nenhuma repercussão ao nível do investimento, ao nível do consumo, nem a nível da atividade econômica propriamente dita”.
Temores de que outras instituições financeiras americanas possam chegar à insolvência, como ocorreu com o banco de investimento Bear Stearns, derrubaram ontem as principais bolsas do mundo. Mas hoje os mercados devem operar com menos turbulência hoje, por conta da reunião do Comitê do Federal Reserve. O banco central privado norte-americano promoverá a quinta redução de taxas de juros – desde setembro. Alguns analistas esperam corte de 0,75 ponto percentual. Outros, mais assustados, falam até em queda de um ponto percentual, devido ao agravamento da crise. O FED deve baixar os juros para 2,25% ou 2,0%.
Explica direito
O Federal Reserve não entrou com dinheiro do contribuinte para salvar o banco Bear Stearns – que faliu com o papagaio US$ 15 bilhões em papéis subprime que não valem nada..
Os US$ 30 bilhões injetados para o banco cobrir os seus prejuízos, e ser assimilado pelo JPMorgan, não vieram diretamente dos cofres do Tesouro norte-americano.
Isso porque o Federal Reserve é um banco central privado – que pertence aos grandes bancos internacionais.
Super rombo à vista
As melhores estimativas disponíveis apontam para um prejuízo global de US$ 230 bilhões, ligado ao crédito subprime.
Metade desse rombo estaria nas mãos dos bancos norte-americanos.
Só nos Estados Unidos, o prejuízo total é projetado em US$ 460 bilhões.
A previsão é do diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anoop Singh.
Dúvidas cruéis
A dimensão exata da crise hipotecária norte-americana será medida pela situação dos bancos Lehman Brothers, Goldman Sachs e Morgan Stanley.
Investidores dos fundos de ações morrem de medo de péssimos resultados que podem aparecer nos relatórios financeiros destes bancos, no primeiro trimestre do ano.
Se esses bancos forem muito afetados – e precisarem de socorro abrupto como o praticado pelo FED no domingo ao Bear Stearns -, será o sinal de a situação está mais que feia.
Muito afetado
A crise do sistema bancário nos EUA começou a afetar o quarto colocado no ranking, o Lehman Brother.
As ações chegaram a cair 48% no dia, e no fechamento do pregão de ontem, os papéis apresentavam baixa de 19%.
Com fortes perdas na crise do subprime, o Citigroup enfrentou queda de 5,9% em suas ações.
Em nota, executivos alegaram que os bancos têm um caixa sólido.
O problema é o mercado acreditar no que eles dizem...
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